O Livro de Feitiços
5 Capítulo V
Notas iniciais

Capítulo V– A Volta dos que não foram!
Karen saiu do edifício da TowerPoint totalmente satisfeita. Agora só teria que ver Christian, casualmente na portaria e no corredor do prédio onde moravam. Nunca imaginaria que o seu belo e irritante vizinho se tornaria ainda mais irritante do que já era. Entrou em seu lindo e reluzente Fiat Uno 2015, o qual chamava carinhosamente de Olaf e verificou se sua câmera fotográfica estava lá dentro. Queria tirar algumas fotos, o dia estava lindo e era um dos horários perfeitos para fotografar a luz da manhã. Sorridente dirigiu até seu parque predileto e ficou lá fotografando até a hora do almoço quando Stella ligou, convidando-a para almoçar.
O restaurante casual e que sempre tinha o aroma da comida da vovó, estava parcialmente cheio, logo entraram a Dona do lugar Senhora Cecilia, atendeu suas duas clientes preferidas desde a adolescência.
– Sejam bem-vindas minhas queridas, – disse a senhora com seu característico sorriso maternal – Faz tempo que não vejo vocês por aqui, como tem passado?
– Muito bem – Stella respondeu sorridente – e você mamma?
– Estou tendo alguns problemas com o Felipe – objetou com ar preocupado
– Ahhh, mas o que ouve? – Stella
– Problemas com a noiva, sabe – Mamma Cecilia suspirou – Como eu gostaria que ele tivesse escolhido uma de vocês duas para se apaixonar, mas deixando meu filho e sua noiva de lado, como tem passado minha querida Luise?
– Bem, apesar das minhas semanas conturbadas – Lui Sorriu com afeto
– Bem vou trazer seus pratos então – Mamma Cecilia disse compreensiva – e uma sopa bem reforçada para você Luise! – A senhora piscou e saiu indo para saiu da cozinha
– Eu adoro ela sabia? – Stella se virou sorrindo para Luise que concordou com um aceno de cabeça – Então como foi lá na TowerPoint?
– Ahhh – Luise suspirou e se apoiou na mesa – Foi bem, até me oferecerem emprego Vitalício
– Eles não desistem, não é?
– Não mesmo – Luise riu seca – para eles eu sou uma Freelancer não uma autônoma
– Mas eles meio que tem razão em achar isso, Lui – Stella contrapôs – Você é uma fotografa, pintora e desenhista ao mesmo tempo
– Só porque não tenho minha própria empresa não significa que eu esteja à procura de um emprego fixo – Luise argumentou – Gosto de trabalhar do meu jeito e bem mais divertido e aproveito muito bem meus dias assim.
– Sim eu sei – Stella concordou tomando um gole de suco de laranja, isso fez Luise fazer uma careta de desgosto – Hey, só porque você não gosta de suco de laranja, não significa que eu não goste.
– Suco de laranja tem gosto de soro – A ruiva sentia calafrios só de lembrar do gosto
– Nem vem – Stella apontou – você é tem o trauma de ter tomado um soro com gosto de laranja, não eu!
Luise fez careta de nojo e revirou os olhos.
– Você sabe, isso não foi culpa minha... – Lui murmurou – Mas como foi sua manhã? – Perguntou mudando totalmente de assunto
– Foi ótimo – A loira sorriu totalmente satisfeita – fechei uma venda com uma boutique no Brasil
– Que bom – Luise sorriu sincera – Mas... – hesitou – e sobre aquele assunto?
– Que assunto?
– O do feitiço?
– Ahhh! Esse assunto – Stella ponderou – continua na mesma, você não acredita realmente nisso, não é? – Indagou – Quero dizer o Christian reaparecer na sua vida foi só uma grande coincidência
– Eu queria poder dizer isso – Luise murmurou desanimada – Se não foi a mãe terra que me mandou de volta aquele homem, não sei o que foi... – suspirou
– Aqui está minhas queridas – Mamma Cecilia reapareceu trazendo ela mesma uma bandeja cheia de comida
– Mamma! – Luise olhou descrente para a bandeja – você exagerou...de novo – completou
– Vocês estão magras de mais – a mulher replicou severa – precisam de alimento reforçado por isso comam tudo! – A mamma olhou severa para as mulheres, mas sorriu gentilmente – conheço vocês duas a muitos anos, desde que eram pequetuchas, e o que eu mais quero é que fiquem saudáveis e fortes
– Tudo bem Mamma, vamos comer tudo – Stella e Luise garantiram juntas – obrigada pela comida – disseram sorrindo
[...]
Karen dirigia para casa, absorta em lembranças. Conhecerá Mamma Cecilia dos 9 aos 10 anos de idade, quando ganhara seu irmão de criação – James – um primo que havia perdido sua família em um trágico acidente, e sua mãe o acolhera em casa e junto do marido o criara como um filho. Foi nessa mesma época que Mamma Cecilia e seu filho Felipe se mudarem da Itália para o pacato bairro de classe média em Londres. A mãe de Christian e a de Karen ficaram muito amigas da nova vizinha.
Quando Samantha – a mãe de Karen – faleceu, Henri passou a trabalhar muito mais do que deveria para manter os filhos, por conta disso Karen, James, e Sophia e Stella – que sempre acompanhava a melhor amiga em tudo – passavam a tarde toda na casa da mamma Cecilia. Isso incluía Christian e Samuel que sempre davam um jeito de aparecer por lá para roubar alguns biscoitos amanteigados vindos diretos do forno.
Karen, James, Samuel, Christian, Stella e Felipe, formavam um grupo de amigos bem estranho e divertido.
Karen se perguntou como esse grupo havia se desmanchado....
Ahhh sim... – murmurou consigo mesma – foi quando entramos no colegial e como sempre o Christian queria ser o centro das atenções se enturmou com os populares – Lembrou – E conseguiu a primeira namorada... a Elisa...
Garota ciumenta aquela...
Christian ficou tão obcecado nela que só o Samuel conseguiu aguentar ficar perto dele, fora isso todos seus antigos amigos foram se afastando, e ele ficando cada vez mais convencido.
Karen suspirou ao parar em um semáforo.
Felipe também arrumou uma namora –tanto que ia se casar com ela – James continuou o mesmo por todos os anos que passaram no colegial, um cara divertido e relaxado.
Karen e Stella também tiveram seus primeiros namorados no colegial, mas não deram certo. Pra falar a verdade Stella teve mais namorados que Karen durante toda a vida...
Mas apesar de tudo, todos continuavam frequentando a casa de Mamma Cecilia. Depois disso todos já sabem o que aconteceu. Christian ganhou um par de chifres e ficou ainda mais insuportável e por fim ficou com Karen e quebrou seu coração de forma cruel.
[...]
Assim que entrou em seu apartamento, Karen jogou suas chaves na mesinha de centro, a bolça no sofá, aproveitou para se lançar no sofá também. Karen ficou um bom tempo encarando o teto branco, quando seu celular começou a tocar, a ruiva rolou para a beira do sofá e caiu de cara no chão.
– Aii! – Gemeu se esticando para pegar o aparelho dentro da bolça – Alô... – disse depois de lutar para encontra o celular
– Quem é minha ruiva favorita? – A voz masculina soou animada do outro lado da linha
– Se você conhece outra ruiva eu não sei – Karen disse erguendo a cabeça e soprando os fios para longe do rosto – mas eu creio que eu seja a sua única ruiva favorita... James...
– Ehh!!!
– Falai porque ligou? – Karen foi direta ao ponto
– Porque eu queria ouvir sua linda voz – James cantou animado
– ãrrã... sei – Karen arrastou a voz e se deixou enterrar a cabeça no tapete felpudo – se fosso só por isso ligava mais vezes
– E você por que não liga? – James retrucou
– Eu até tento, mas sempre que eu ligo você está ocupado – explicou – E nem adianta dizer que é por causa do trabalho – acrescentou – você está é muito ocupado com a namorada.
– Não fale assim da Sarah – James contestou – Ela é uma boa pessoa
– Eu sei disso, mas você tem que admitir que ela é meio grudenta demais...
–...
– Porque ligou? – Karen repetiu
– Vou passar alguns dias aí em Londres – James informou
– Posso perguntar porque?
– Tenho que ter um motivo especial?
– Depende...
– DÊ quê?
– Do que você aprontou
– Mas eu não fiz nada! – James argumentou – Estou com saudade e quero rever meus amigos e minhas irmãs!
– James, você sabe que eu te amo, mas eu não caiu nessa – Karen bufou – Se você estivesse com saudade, simplesmente apareceria aqui como sempre e não ligaria para avisar – lembrou – ou seja aconteceu alguma coisa e você não quer contar!
– Sarah achou melhor não incomodar...
– Desde quando isso importa? – Karen
– Desde que eu me tornei um homem melhor
– Tá...certo – Karen decidiu não argumentar mais – vou acreditar em você... – murmurou incerta – Quando é que você chega?
– Amanhã atarde
– Vou avisar a Stella...
– Uho! – James gritou ao telefone obrigando Karen a afastar o aparelho do ouvido
– Não grite! – Repreendeu a ruiva
– Mas eu vou poder minha musa de verão!
– Me pergunto o que a Sarah viu em você... – comentou cínica
– Você tem novidades? – James mudou o assunto
– Além de que meu pior pesadelo se concretizou...não nenhuma...
– Como assim... seu pior pesadelo? – James indagou confuso
Karen cogitou em contar que Christian “retornou” dos mortos, mas preferiu deixar seu irmão curioso sobre o assunto.
– Quando você chegar aqui eu te conto – disse – por enquanto tente adivinhar, você não é bom nisso?
– Você se tornou uma mulher malvada, Karen!
– hahaha – Karen riu com gosto – a gente se vê amanhã... beijos – e desligou encarando a tela do seu MOX e suspirar. Minutos se passaram até Karen pular de susto quando a campainha tocou, quase a matando do coração – AI Jesus!!! Que merda! – Praguejou se erguendo do chão – JÁ VAI!!! – Com força excessiva Karen abriu a porta – Será que dá pra parar de apertar esse botão! – Rosnou entre dentes
– Epa! Não precisa ficar com raiva – Christian ergueu os braços em forma de rendição – Eu estava aqui fora te chamando a mais de dez minutos e como você não veio me atender...
– Como sabia que eu estava em casa? – Perguntou desconfiada
– Vi seu carro na garagem – Christian sorriu inocentemente
– Você não sabe o número da minha vaga – Retorquiu Karen cruzando os braços
– Mas sei o número da sua placa... – murmurou o moreno mais pra sim mesmo do que para Karen que ouviu é claro.
Ouvindo aquilo, Karen olhou para Christian com os olhos semi-serrados, totalmente desacreditada e surpresa com o que acabará de ouvir tentou fechar a porta, mas Christian foi mais rápido – além de mais forte – e não deixou que a porta fosse fechada.
– O que você quer!? – Karen rosnou pronta para soltar os cachorros
– OW! Eu vim em paz, só quero conversar
– Sobre? – Karen ergueu as sobrancelhas
– Sobre sua vaga na TowerPoint
– Não.
– Ahh! – Christian impediu mais uma vez Karen de bater à porta em sua cara – Mas porquê!? Você nem sabe o que eu ia dizer!
– Você está tentando me convencer a trabalhar para sua empresa – Karen disse o obvio – mas a resposta continua a mesma: não – disse decidida – agora solte minha porta, Christian
– Mas você pode gostar de trabalhar lá!
– Não! – Repetiu já perdendo a paciência
– Mas...
– A resposta é não, Christian – Karen bufou irritada – agora solte minha porta é me deixe em paz!
Reunindo toda a força que possuía, Karen empurrou Christian para longe de sua porta e finalmente conseguiu fecha-la.
– Eu... – suspirou – preciso relaxar, se não vou cometer um assassinato!
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