O Livro Sagrado Dos Deuses
3 Desenterro Uma Pessoa Do Meu Passado Parte-1
Notas iniciais
Assim que terminei de arrumar minha bolsa, desci as escadas, ansiosa para conhecer essa parte da minha ainda inexplorada, mas, por ainda ser apenas 14:00 horas da tarde, mas meu pai insistiu para irmos no dia seguinte pela manhã pois assim teria um pouco de tempo antes de se despedir. Do jeito que ele falava parecia que eu nunca mais ia voltar a vê-lo e esse pensamento não me agradava. Foi eu chegar até a sala que Tommy e meu pai se silenciaram, como se estivessem ainda mais segredos para esconder de mim.
— Manu, eu vou buscar minhas coisas, e logo voltarei. – Tommy avisou, saindo apressadamente. Seu tom de voz ainda estava sério, e não sei se gostei de conhecer esse lado dele. Afinal, é o lado que esconde segredos de mim.
— Então... O que aquele tal de Quíron disse? — Perguntei apenas para puxar assunto com meu pai, pois na verdade, eu não estava nem um pouco interessada no que esse tal de Quíron tinha falado.
— Ele disse que vocês serão bem-vindos ao acampamento, e sobre os espíritos pararem o tempo... Não disse nada a respeito. — Percebi que havia mais um segredo ali, mas decide não questionar.
Não me sentia à vontade em ficar naquela situação, mas também não suportava a ideia de perguntar alguma coisa a meu pai, pois a dor era transparente em seu olhar. Portanto, um silêncio gigantesco se apoderou da sala, durando em média uns quatro minutos, até meu pai o quebrar, comentando:
— Esse seu amiguinho é bem persistente. Ele acha que eu vou fugir com você para longe dele. Tanto é que hoje a noite vamos ter um hospede a mais, já que vocês só vão amanhã de manhã — Eu o olhei meio surpresa, e não disse nada, mas que eu estava explodindo de felicidade por dentro.
Depois disso, ligamos a TV e ficamos conversando de assuntos alheiros, por umas duas horas, até que o Tommy chegou. Quando o vi não pude evitar sorrir. Eu parecia uma tonta apaixonada, então tratei de conter o sorriso e tentei voltar ao normal. Passamos o resto da tarde na cozinha com meu pai e Tommy contando as aventuras que já tinham vivido no acampamento, e me inteirando mais sobre os mitos que em realidade não eram mitos de fato. Quando era umas 19:30 Tommy disse que ia se deitar pois amanhã seria um pouco exaustivo para ele, já que nós iríamos com ele nos guiando pelo mar. Ah, sim, ele iria nos guiar, porque era nada mais nada menos que filho de Poseidon, o rei dos mares. Escolhemos como opção o mar, tanto por ser mais seguro, quanto por que segundo eles, o acampamento meio-sangue possui um pedaço da baía de Long Island. Tommy dormiria no meu quarto, por precisar estar mais descansado e a mim sobraria o sofá da sala (até parece que meu pai permitiria que dormíssemos no mesmo cômodo).
Nem se passara dois minutos que Tommy tinha subido ao meu quarto que ouvi sua voz me chamando. Olhei rapidamente para meu pai, e após ele assentir, mostrando que não se importava, subi.
Ao chegar ao meu quarto, deparei-me com Tommy segurando uma das fotos do meu mural. Eu não me importei muito, pois que eu me lembre eu só tinha fotos minha, do meu pai e dele. Só que quando eu vi a foto que ele segurava meu coração parou de bater e um frio percorreu meu corpo. Ele segurava uma foto do meu antigo... Amigo, Enzo, o qual eu não via a mais de dois anos, pois como eu tinha sido expulsa da escola na época, meu pai e eu nos mudamos de cidade. Eu tinha me esquecido daquela foto, na qual eu não queria nem pensar que um dia Tommy poderia olhar, por que bem... Como eu posso explicar? Enzo meio que foi meu primeiro e único (até esse momento) namorado, e na foto eu estava abraçada à ele.
— De onde você conhece ele? — Perguntou Tommy com a voz meio intrigada e irritada.
— Esse foi um... Um amigo meu. — Respondi meio envergonhada por nunca ter contado a Tommy sobre Enzo — Por quê? – Uma pequena parte de mim desejava ardentemente que aquilo fosse ciúmes.
— Ele... É meu meio-irmão. Enzo também é filho de Poseidon.
Meu Queixo caiu.
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