O Livro Do Destino

20 Para sair do castelo


Olhamos para o João.

–Cuidado, aqui não é o castelo do gigante... Falou João.

Continuamos olhando para ele.

–Não toquem em nada...-continuou com as forças que lhe restavam.- a galinha vê tudo e pode avisar o gigante...falou.

Ficamos com pena do João, vimos que ele realmente não estava bem. Depois de falar ele ficou mudo e foi devagar fechando os olhos.

–Julie, se o João está morrendo, o que vai acontecer com a história dele? Perguntou Mike.

Verdade! O João não podia morrer no castelo!

–Vamos leva-lo conosco, deve ter um jeito de cura-lo. Falei.

–Acho que não irá adiantar Julie, o gás é muito forte. Falou Laura.

João já não parecia mais estar respirando.

Olhamos em volta.

–A galinha! Falou Mike apontando para uma galinha em cima da mesa, que eu suponho que ainda não havia nos visto.

Corremos para de baixo da mesa, não deu tempo de pegarmos o João, a galinha pulou de cima da mesa e pegou João com o bico.

Olhamos assustados para a cena enquanto a galinha enorme levava João para outra sala.

Queria falar algo, mas não tinha voz, foi uma das cenas mais agoniantes que já presenciei (e desta vez não estou aumentando tanto os detalhes).

Sem pensar corri para a porta que dava na sala na qual a Galinha havia passado.

–Julie! Gritou Laura.

Olhei para Laura já perto da porta.

–Não adianta.falou Laura me olhando.

Olhei novamente para Laura e passei pela porta.

A galinha levava-o para algum canto, não sabia o que fazer, subi na pequena mesinha da sala com minhas muletas e pulei na galinha, ela nem sentiu.

A galinha continuou andando, quando olhei para trás vi meus amigos na porta, não sabia o que fazer, vi por trás deles a harpa, que mesmo sem olhos parecia fita-los. Eu teria que desistir de algo, não, eu iria fazer os dois. Tirei meu casaco e tentei vendar a galinha, meu casaco era pequeno, mas consegui vendar os dois olhos dela. Subi no bico dela e fiz com que ela soltasse o João que caiu no chão. A galinha tentava tirar meu casaco dos olhos dela e eu peguei João no colo e o levei para embaixo da mesa, corri até meus amigos e fechamos a porta juntos, mesmo assim não havíamos nos livrado da harpa.

–Vamos. Falei apontando para outra porta. Corri para de baixo da mesa e peguei João, não sei como conseguia me equilibrar com as muletas e ainda o levar. Rapidamente Laura desenhou uma maca, colocamos João na maca e continuamos correndo até a outra porta, a galinha conseguiu tirar meu casaco dos olhos e veio correndo atrás de nós.

–Mais rápido. Falei “voando” com minhas muletas enquanto Laura empurrava a maca junto com o Mike.

Chegamos até a porta e eu a fechei.

Respiramos um pouco e fomos ver como estava João.

Laura examinou-o (estranho falar isso), mas ela não sabia o que fazer. Não havia jeito, havíamos falhado.

–Que parte do castelo vocês acham que é essa? Perguntou Mike olhando em volta.

Finalmente pensamos em “admirar a paisagem”. Era horrível, eu iria supor que era uma cozinha de humanos, havia sangue para todo lado e facas enormes. Fiquei com vontade de vomitar, odeio sangue, me faz ficar tonta e eu passo mal.

Laura viu como eu estava mal.

–Tudo bem, Julie, finge que é geleia.

Olhei para ela com cara de “nunca mais vou comer geleia” este truque nunca funciona comigo.

–Vamos embora. Falei me segurando para não passar muito mal.

–Ju, o livro fez isso por quê sabe que você não suporta sangue, não é de verdade.falou Mike.

Olhei para ele mais aliviada, pode ser mesmo só o que o livro quer que eu veja, imaginei, mas mesmo assim preferia ficar olhando para o chão.

–Julie! O que é aquilo? Falou Laura apontando para um dos cantos do cômodo.

Olhei, mas só vi uma coisa ágil correr para outro canto.

–Do que está falando, Laura? Perguntei.

–Eu vi uma capa, alguém, algo. Falou Laura.

–Tem certeza? Perguntou Mike.

–Total. Afirmou Laura.

Olhamos em volta, mas não havia nada além de sangue e algumas partes de corpos.

Vimos um bilhete cair do nada “Ainda acha “clichê”, Mike?”.

–Bom, agora acho mais original. Respondeu Mike.

Eu e Laura olhamos bravas para o Mike.

–O quê? Ele perguntou.

“Farei as honras de deixar ainda mais original, então” respondeu o bilhete.

–Não precisa. Respondeu Mike olhando para nós.

“eu insisto” respondeu o bilhete.

–Bom, já que insiste... Respondeu Mike.

–Michael! Falei irritada.

–Já parei. Ele respondeu deixando o bilhete no chão.

Olhamos em volta, não havia portas.

–Estamos presos. Falei.

As paredes começaram a aproximarem-se de nós e eu comecei a ver aqueles potes cheios de sangue se aproximado cada vez mais.

Com as paredes encolhendo fomos ficando cada vez mais juntos um do outro, mas em breve não iria mais adiantar.

–Tive uma ideia! Falou Laura tirando o lápis da bolsa.

Olhamos ansiosos para Laura, sempre podíamos contar com suas ideias criativas.

Laura pegou minhas muletas voadoras e eu me apoiei na parede. Ela começou a desenhar uma porta, mas a porta não parecia tão sombria quanto às do castelo. Ela abriu a porta e passamos, a porta dava para um corredor enorme, Laura e Mike continuaram empurrando a maca do João.

Andamos até chegarmos a outra porta que Laura abriu com minhas muletas novamente.

Quando entramos vimos um menino sentado em uma cadeira como se tivesse acabado de bater a cabeça.

–Oi. Falou assim que entramos.

–Oi. Respondemos.

–Meu nome é Felipe. Falou o menino.

Achamos estranho ter outra pessoa no castelo.

–Estão procurando o destino? Perguntou Felipe.

–Sim. Respondi.

–Tentei encontra-lo também, mas o castelo é enorme.

–O que está fazendo aqui? Perguntou Laura.

–O mesmo que vocês, procurando o destino.

Olhamos um para o outro.

–Infelizmente ele me “nocauteou”. Continuou Felipe.

Felipe olhou para o João com ar curioso.

–O encontramos pelo castelo. Falei antes que ele perguntasse.

–Este castelo é muito estranho, mas eu sei como sair. Falou Felipe pegando um mapa do bolso.

–Como conseguiu isso? Perguntou Mike e eu reparei, ou minha mente imaginou uma certa competição em sua voz...

–Enquanto procurava o destino, ele deixou cair. Respondeu Felipe.

–E ele não notou que perdeu um mapa? Perguntou Laura.

–Notou, por isso veio buscar, mas eu disse que tinha perdido, então ele me trancou aqui. Falou Felipe.

–Isso é muito estranho. Falei.

–Eu sei que parece estranho, mas acreditem em mim. Insistiu Felipe.

–Tudo bem. Concordei.

Laura e Mike me puxaram para um canto.

–Julie, tem certeza que ele é confiável? Perguntou Laura.

–Se ele tem o mapa não temos outra escolha. Respondi.

Eu havia criado simpatia por ele, mas meus amigos não gostaram muito dele.

–Faremos o seguinte, se ele nos trouxer até a saída do castelo sem truques vamos acreditar nele, mas se ele fizer algo errado enquanto estiver com a gente nós diremos que iremos sozinhos. Falei.

–Tudo bem assim então. Concordaram.

Voltamos e aceitamos a ajuda de Felipe.

–Então vamos logo. Falou Felipe abrindo a porta.

–Então... Felipe, você sabe onde está o destino? Perguntei.

–Depois que ele acertou alguns livros na minha cabeça não lembro de mais nada, mas acredito que ele esteja em algum lugar da ala sul do castelo. Respondeu Felipe.

–Como sabe disso? Perguntou Mike.

–Por que no mapa diz que a ala sul é o lugar que ele vê tudo que está acontecendo no castelo. Respondeu Felipe.

Paramos um pouco para pensar no que ele havia acabado de dizer. Olhamos para trás, a galinha estava na porta que Laura desenhou.

–Vamos! Falou Felipe indo mais rápido.

Corremos por várias portas, algumas tinham corredores que pareciam sem fim, nós ficávamos ouvindo os pés da galinha correndo atrás de nós.

–Temos que ir mais rápido. Falei.

–Já estamos quase na ala sul onde há o portal para a realidade. Falou Felipe entrando por outra porta.

Depois de corrermos um pouco mais abrimos uma porta e vimos o portal, era lindo, todo colorido.

–Vamos entrar. Falou Felipe.

Laura e Mike que estava levando João na maca correram na direção do portal e sumiram, depois eu passei, Felipe estava certo, havíamos voltado para meu quarto no hospital, minhas muletas estavam sem asas e Laura e Mike estavam colocando João na minha maca do hospital.

Quando Felipe passou o portal fechou e conseguimos respirar.