–Eu não vou deixar isso acontecer, Julie, não vai. Ele falou parando por um instante.

–O que vai fazer garotinho apaixonado? Heather perguntou se apoiando no batente da porta e jogando seus cabelos perfeitamente encaracolados e ruivos para trás.

–O que quer, Heather? Ele perguntou empurrando-a quando ela se aproximou de mim.

–Quero ajudar meu lindo irmãozinho caçula e a futura falecida.

Até hoje me perguntou por que todos daquela família adoram ser cínicos.

–Como? Ele insistiu.

–Só quero ajudar! Ela falou fazendo sinal de de que havia se rendido.

Felipe a encarou desconfiado.

–Digamos que eu tope, o que quer em troca?

–Isso. Heather falou mostrando minha bolsa original sem as pedras dentro.

–Quer minha mochila? por quê só tem coisas inúteis ai, tem mais valor sentimental do que qualquer outra coisa.

–Não bobinha, eu quero isso. Ela falou tirando meus velhos tênis sujos e encardidos da mochila.

–Isso? mas você pode simplesmente imaginar um e...

–Olha, não gostou do trato deixa pra lá. Ela falou.

Por que eu aceitei?

Oh, sabe, eu imagino que talvez a única razão era que eu realmente não queria ser que nem a família do Felipe, e eu queria dar um fim no Destino, não me juntar à ele, mesmo que de qualquer jeito eu iria morrer eu pelo menos ia concluir meu plano.

–Ótimo, vamos.

Ela subiu as escadas e foi em direção ao corredor de quartos.

Eu e Felipe a seguíamos à uns três metros de distância.

–Tem certeza? Perguntei.

–Acha melhor não? Ele respondeu olhando para frente.

–O que você acha?

–Não sei, acho que devemos aceitar, dá pra ver que ela realmente quer ajudar.

–Como saberia?

–Eu sei, ela realmente quer aquele sapato.

–Mas por quê?

–Eu não sei!

Ri.

Olhei para o furo no meu antebraço, quase totalmente fechado.

Felipe o examinou.

–Só passaram dois dias na terra, ele deveria estar aberto ainda.

Senti um arrepio.

–Dois dias! amanhã é o casamento do meu pai!

Felipe deu de ombros.

–Eu sabia disso.

–O quê!? e não me contou?

Ele fez uma careta.

–Pensava que iria querer voltar e eu não podia deixar isso acontecer.

–Caramba, Felipe, não é uma escolha eu realmente preciso ir!

–Eu sei, eu sei, não deveria ter escondido isso...

–Isso? -Perguntei desconfiada. — O que mais você está escondendo?

Ele riu.

O encostei na parede.

–Felipe, para de gracinha, o que você está escondendo.

–Primeiro: É só uma carta, não tem real importância, muito inútil na verdade.

–O quê?! sabe que preciso de todas as informações da terra. Falei revirando os olhos.

–Não fique brava, só não acho que tem real motivo de você ler esta carta, afinal, não tem nenhuma novidade.

–Me dê a carta. Falei entre dentes.

Ele fez que não.

Revirei os olhos.

–Qual o seu problema em entregar minhas cartas? perguntei fazendo uma careta.

Ele riu.

–O problema de ódio que tenho pela pessoa que as envia.

Revirei os olhos.

–Segundo: Se não quiser um beijo meu melhor me soltar, por que eu não aguento.

Revirei os olhos e me afastei dele.

Ele me entregou o envelope aberto e coçou o ombro.

–Não tem real motivo de ler esta carta.

–Mas eu quero ler. Respondi.

Ele revirou os olhos.

–De qualquer modo deixe-a para depois por quê a Heather já deve estar impaciente. Ele falou tirando o envelope de minhas mãos.

Andamos até o quarto mais arrumado que já vi, Heather estava no centro com um pote enorme de geleia sem geleia.

–Demoraram, hein? Ela perguntou fazendo uma careta.

Me aproximei dela.

–O que tem ai? Felipe perguntou tirando o pote de suas mãos e fazendo como quem iria o abrir.

–Moleque!!! Ela gritou fazendo o teto tremer, o pote voltou para suas mãos e Felipe caiu de cara no chão.

–Droga, Heather.

Ela ignorou e me encarou seu olhos mostravam pura bondade, mas vi por menos de um segundo a cor azul morto virar vermelho e depois azul morto de novo.

Se foi minha imaginação?

Oh... não sei...

–Preste atenção, Julie, aqui é o ar da sua dimensão, vê? Ela perguntou batendo os dedos no vidro do pote.

–Entendi. Falei olhando para nada dentro do pote.

–Aqui é o ar da nossa dimensão. Ela falou pegando outro pote com um singelo tom amarelo ouro dentro.

O examinei.

–Este tom amarelo vêm da energia misturada com o ar de outra dimensão que é menos denso e por isso abriga toda essa energia.

Prestei atenção.

–Seu corpo deve estar com... — Ela examinou com cuidado a ferida do meu antebraço — 67% do nosso ar... nossa! mas isso foi extraordinariamente rápido!

–O quê? Felipe perguntou se aproximando.

–Ela está quase igual a nós em menos de uma semana no nosso tempo.

–Realmente foi rápido. Felipe concordou.

–Olhe, o Felipe e eu estamos com 100% deste ar no nosso corpo, isso nos deixa assim eternamente, mas a partir do 80% já não tem volta para ser humano novamente, portanto temos que começar agora.

Ela me guiou até uma cadeira muito desconfortável e uma enorme maquina apareceu.

–Roubei do laboratório do André. Ela falou antes que Felipe falasse algo.

–Por quê vocês teriam uma maquina de nebulização gigante?

–Para casos como deste moleque que fica indo e voltando de outras dimensões e fica sem respirar direito.

Ela sabia.

Heather ajeitou a máscara no meu nariz, a ligação da mascara com a maquina era feita por um tubo.

–Olha, este tratamento é longo, mas os resultados serão ótimos se fizer o que eu mandar.

Concordei.

Ela se sentou em cima da enorme maquina e me fitou.

–Pronta?

Fiz que sim.

Ela colocou o pote de ar invisível em uma extremidade e o ar amarelo em outra.

–Observe o seguinte: seu corpo está acostumado ao nosso ar então se você respirar o seu de uma vez provavelmente vai ser asfixiada, portanto eu coloquei um pouquinho do amarelo para casos de emergência.

Concordei.

Senti o ar entrando por minhas narinas o que causava um grande desconforto.

–Vai dar tudo certo. Ela repetiu tomando nota de algo.

–Obrigada. Respondi sorrindo.

Ela piscou pra mim.

–Eu volto já, Felipe toma conta dela, não deixe ela sair. Ela falou indo embora.

Revirei os olhos.

–Não precisa, eu sei me cuidar. Falei para Felipe.

–Tudo bem, então eu vou ficar aqui de guarda.

Ri.

–Agora me passa a carta!

Ele fez uma careta e tirou o envelope de algum canto do ar.

–Aqui.

Abri a carta.

"Cara Juliette,

Por enquanto não há grandes novidades aqui além do fato de Lorraine ter começado um tratamento com uma psicóloga, seu pai está com medo que ela faça alguma besteira e com Henrique longe de casa ele está se sentindo muito sozinho.

Ah, esqueci de dizer que eu e Henrique viramos amigos, já que ele foi transferido para nossa escola (acho que ele não quer ficar na sala com todos perguntando sobre a Letícia) e que ele agora está passando um tempo na casa da avó dele que fica um pouco longe da sua.

Meu projeto está quase pronto e eu estou muito feliz com isso. Talvez queira saber que do nada eu tive uma fortíssima dor nas costas, minha mãe quase me matou em um interrogatório de como isso aconteceu e ela acha que agora eu não posso mais sair de casa até falar como quase a quebrei, o problema é que realmente não me lembro como e-e.

De um jeito ou outro só devo lhe avisar que a Isabella está lhe procurando feito uma doida (ela toca a campainha umas duas vezes por dia aqui e cinco vezes na sua casa) igual ao seu pai que já lhe colocou na lista de desaparecidos e acionou a polícia(Podíamos fazer um grupo de pessoas que tem pais completamente radicais) .

O mais importante mesmo é que o Henrique mandou lhe entregar a carta que está junto com este envelope,

Saudades,

Michael M."

Entortei o lábio, queria responder as cartas dele, mas odiaria que o Destino descobrisse.

Abri a outra carta.

"Oi Julie,

a essa altura do campeonato já deve saber sobre a Letícia, eu era tão ligado à ela Julie, agora me sinto sozinho, mas me disseram e eles tem razão eu perdi uma irmã, mas ganhei você, sabe... acho que não sinto mais medo de você, o problema é que eu não consigo, não consigo mesmo não pensar que tem algum dedo seu nisso, desculpe, mas realmente acredito que eu estou certo, de qualquer forma, se tiver eu lhe perdoo, talvez nem queira meu perdão, mas eu me sinto ótimo em saber que consigo gostar de você.

Henrique."