O Livro Do Destino
71 De volta pra casa
–Julie!? -Perguntou Henrique assim que me viu na porta de casa.- o que aconteceu com seu cabelo?
–Eu cortei. Falei tentando sem sucesso tirar o tanto de pó que havia em minha calça e ajeitar os cabelos com as mãos.
–Julie. Meu pai desceu as escadas correndo e me abraçou.
–Pai.
–Desculpe. Ele sussurrou.
Sorri.
–Tudo bem.
–Agora. -Meu pai suspirou, ajeitou a blusa e me encarou — JULIETTE ONDE ESTEVE?
Arregalei os olhos.
–Eu... eu estive...
–Ela estava dormindo na minha casa, senhor. Isabella falou apoiada no batente da porta.
Meu pai me olhou da ponta dos pés até meu cabelo e franziu a testa.
–Legal seu cabelo. Ele comentou indo embora.
–Obrigada. Falei para Isabella assim que ela se atirou no sofá.
–Foi nada não.
–Como está a Letícia? perguntei para Henrique.
Era só um sair do hospital para entrar outro.
–Ainda está no hospital, vou visita-la daqui a pouco, quer ir?
–Pode ser... Respondi.
Henrique subiu para o quarto dele.
–Isa se não se incomoda eu preciso tomar banho e...
–Não, tudo bem, eu já estava indo, só queria ter certeza que veio.
–Mas do que se trata o assunto? perguntei.
–Preciso que se encontre comigo hoje as cinco horas, na frente do museu. Ela sussurrou.
–Por quê?
–Preciso ir, ah, sinto muito pela sua irmã.
–Sabe de alguma coisa dela?
–Não, quando eu vim te visitar ela desmaiou. Isabella respondeu abrindo a porta e indo embora.
O que eu fiz até as três quando Henrique e eu iríamos visitar Letícia?
Eu fui para a casa do Mike.
–Nora! O pai de Mike abriu a porta sorrindo.
–Oi. falei sem jeito, fazia menos efeito quando era somente brincadeira.
Ouvi alguém descendo as escadas rapidamente.
–Julie?! Mike falou correndo até a porta.
Raphael abriu um largo sorriso e foi em direção a cozinha.
Assim que ele foi embora Mike me arrastou para fora de casa.
–O que está fazendo aqui?
–Pediram para que eu viesse. Respondi.
–Isso é ótimo. Ele falou sorrindo.
–Sim, mas eu tenho algumas coisas para resolver. Falei olhando para o céu.
–Tipo?
–A Letícia, preciso extrair mais informações.
–Como? ela está em coma.
–Mike, diga-me uma vez que eu não encontrei solução para algo.
Ele ia falar, mas eu o encarei séria e ele só sorriu.
–Posso ir com vocês visitar a Letícia? Ele perguntou.
–Prefiro que não, o Destino não vai me encontrar se eu me manter longe de vocês.
Ele concordou.
–Mas diga, qual a grande surpresa? perguntei.
–Pensei e acho que se eu conseguir transferir o portal para dentro de algo que dê impulso...
–Vai direto ao assunto.O cortei
Ele riu.
–Enfim, o portal poderia ser móvel, como uma arma, atirando em alguém ele vai pro universo, o portal se fecha e tanam!- Mike falou animado- ele morre.
–Interessante, mas Felipe falou que o modo mais fácil seriamos eliminar a família do Destino.
–Inclusive o Felipe? Mike perguntou animado.
Revirei os olhos.
–Sim, inclusive o Felipe.
–Você quer mesmo fazer isso?
–Não sei... não acho que minha sobrevivência é tão maravilhosa para que eu mate uma família inteira.
Mike pensou um pouco.
–Mas o que pretende fazer então?
–Se eu os matar eles não vão mais atrás das pessoas, então o certo seria acabar logo com eles.
–Isso é complicado por quê de um jeito ou outro você seria uma assassina.
–E eu mataria nosso melhor amigo.
Mike fez que não.
–O seu melhor amigo.
Revirei os olhos.
–Não importa, eu ainda preciso pensar...
Reparei que Mike não estava com o cabelo tão arrumado como sempre, será que a mãe dele desistiu de ter um menino perfeito?
–O que aconteceu com a sua mãe? perguntei.
Ele passou a mão no cabelo e sorriu.
–O Henrique é o novo gênio da família, ela meio que me ignora agora.
–Seu cabelo fica melhor assim. Falei rindo.
Ele corou.
–Obrigado.
–Mas, voltando ao assunto, eu só quis te fazer uma visita para você parar de inventar minha presença. Falei rindo.
Ele colocou as mãos no bolso e olhou para o céu.
–É...
Sorri.
–Melhor eu me apressar, preciso ir para o hospital.
–Mas, diga, você vai voltar para o castelo?
–Infelizmente, não posso ficar aqui, Mike.
Ele torceu os lábios.
–Acha que quando acabar não teremos mais motivos para ficar longe?
Sorri.
–Depois de uma aventura se inicia outra, talvez não tão radical, mas sempre tem outra.
Ele revirou os olhos.
Apertei sua bochecha.
–Mas agora eu tenho que ir.
Ele me abraçou.
–Pode deixar que eu falo com o Henrique. Falei quando ele começou a pensar distante.
–Tem certeza? ele perguntou desanimado.
Fiz que sim sorrindo.
–Tchau. Ele falou passando a mão em sua bochecha vermelha.
Ri.
–Ah, eu venho falar com você antes de ir. Falei deixando um beijo em sua bochecha e me afastando.
Ele acenou e voltou para casa.
Corri e cheguei no portão na hora que Henrique havia marcado.
–Pronta? Ele perguntou reparando em minha respiração um pouco afetada.
–Estou bem. Respondi.
Começamos nossa caminhada.
–Então... -falei depois de nos distanciarmos duas quadras de nossa casa.- acho que desde que se mudaram para cá não tivemos um momento para conversar.
Ele deu de ombros.
–Tivemos, mas você não quis. Ele falou melancolicamente.
Lembrei do momento, mas, naquela hora ele estava sob o controle de João.
–Lembra-se disso? perguntei desconfiada.
Ele me encarou com medo.
–Não, não. Ele falou discordando rapidamente.
Revirei os olhos.
Ele olhou para outro canto.
Suspirei.
–Você não me dá outra escolha. Falei fazendo-o tropeçar na grama da casa vizinha.
Ele me encarou apavorado.
Sorri.
–Você tem medo de mim? perguntei.
Ele concordou de leve com a cabeça e continuou parado.
–Henrique, se quiser ajudar-me, e eu realmente preciso de ajuda, precisará me falar.
Ele fez que não.
–Julie, por favor...
Revirei os olhos.
Estendi a mão para ajuda-lo a levantar, mas ele ignorou e levantou sozinho.
Ele me evitou até chegar ao hospital.
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