Ele estava olhando para o horizonte, com o desejo brilhando no olhar. Não notava todas as pessoas ao redor, mas sabia, sem pensar no assunto, que ali havia gente que não o notava também.

Estava parado, como se não houvesse nada no mundo, além daquele horizonte. Procurou um motivo para ficar parado, admirando aquela linha que separava o Céu e a Terra, mas não conseguiu manter a inércia.

A princípio, seus passos eram lentos e pausados. Sem prestar atenção, não saberia que estava se movendo. Observou brevemente ao redor, mas as pessoas continuavam com suas vidas sem beleza, e cheias de rotina. Quando olhou novamente para o seu objetivo, se deu conta de que não havia mais intervalo entre uma passada e outra. Não olhou para as pernas, para não perder o foco, mas pensou em fazê-lo, por um milésimo de segundo. Ao invés, se apressou. Supôs que aquela distância que não parecia diminuir, só indicava uma coisa: O Céu e a Terra estão se separando, logo a frente.

Conforme avançava, sua velocidade crescia gradativamente, e seu foco só aumentava. Logo, estava num corredor, cujo final não parecia levá-lo ao infinito, mas a algo muito maior. Precisava chegar lá. Não poderia permitir que qualquer obstáculo o detivesse, desviando como um lince, fosse de pessoas, postes, ou mesmo pulando cercas, carros, bancos... Até que se deu conta de que algo estava além de suas forças. Continuou, enquanto a ladeira o levava para baixo, olhando para o que parecia ser um obstáculo intransponível. Não diminuiu quando o vale voltou a ser morro, e subia cada vez mais determinado. Mas a corrida o estava levando para algo que impedia a sua visão do que mais lhe importava alcançar. Quando chegou ao muro, lembrou-se de ter visto uma linha. Um pequeno espaço. Algo que separava o Céu e a Terra. Lembrou-se de querer saber do que era feito aquele imenso horizonte. Olhou para cima, e, de tão alto, notou que os tijolos, a maça e o cimento, em algum ponto, tocavam o Céu. Olhou em volta, e viu-se num beco. Não sabia o que fazia parado ali. Teve a sensação de que perdera algo valioso. Voltou para casa. E soube que o horizonte era apenas uma ilusão, já que, enquanto houvesse um horizonte, o Mundo não teria fim.

Notas finais
Não sou bom em Fics... Mas espero não ter perdido o tino para textos poéticos ou filosóficos...
Quem sabe eu não escrevo mais um?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!