O Lendário Animago
3 A força da Ganância
Vaiolet acorda na manhã seguinte com o sol brilhando em sua janela. Deitada de lado, ela abre seus olhos para encarar o sol, mas é surpreendida pelo seu livro sendo jogado para dentro de seu quarto e atingindo seu rosto.
A ruiva retira o rosto de seu rosto e, ao olhar novamente para a janela, John esta sentado nela, vestindo uma capa preta que cobre todo seu corpo, com uma gola que tampa seus lábios e seu nariz e um capuz em formato de cabeça de lobo. Ela se surpreende com a presença repentina do loiro, que diz:–Você devia guardar melhor esse tipo de coisa. Já disse o que vai acontecer se souberem o que você sabe de magia. Vaiolet balança a cabeça positivamente, guardando o livro de baixo do travesseiro de gelo. John abaixa a gola que cobre seu rosto e começa a gritar:–Tá doida?! Eu digo pra guardar essa merda em um lugar seguro e você põe de baixo do seu travesseiro cristalino?–Me desculpa! Eu não sei mais aonde guardar! John caminha até ela, recobrindo seu rosto. Ele pega o livro e vai até o armário de gelo, guardando o livro no meio das roupas bagunçadas de Vaiolet.–Pronto, no meio dessa bagunça ninguém jamais irá encontrar esse livro, além de você. Após dizer isso, um travesseiro atinge o rosto do loiro.–Meu armário não é bagunçado, eu apenas não tive tempo para arrumá-lo! John ri, o travesseiro se quebrou em pedaços após atingir sua face, deixando ele todo cheio de cortes pelos cristais de gelo. O loiro caminha até a ruiva dizendo:–Certo, certo. Ao se aproximar, acaricia os cabelos dela, beija-lhe a testa e segue andando para a janela, dizendo:–Vá se arrumar, seu pai já organizou as inscrições... Inclusive, é pra onde estou indo. Te vejo na arena, minha princesa! John senta-se na janela, descobre o rosto e mostra um sorriso para a ruiva, antes de se jogar por ela e desaparecer. Vaiolet se levanta e vai até seu guarda-roupa, ajeitando o livro entre sua bagunça e pegando seu vestido de princesa que havia usado no dia anterior. Na cidade de gelo esta tudo uma loucura, guerreiros, príncipes, plebeus, todos estão na fila de inscrição para o campeonato. Ao todo contam-se mais de 2.000 participantes interessados na mão da bela princesa Vaiolet. John entra na fila e aparentemente há mais participantes do que papel para inscrevê-los. A princesa Vaiolet aparece ao lado do rei em seu jardim no castelo, que dava vista para toda a cidade, especialmente para a grande fileira de guerreiros. Aqueles que já se inscreviam esperavam encostados nas casas e lojas de gelo. O rei espera impaciente pelo fim das inscrições, alguns lutadores são admiravelmente fortes, contudo, outros são magrelos e aparentemente fracotes. Horas se passam, John ainda esta na fila, Vaiolet já esta começando a ficar suada com o Sol, ela não era acostumada a ficar tantas horas abaixo da luz do dia, o mesmo valia para o rei, que se estressou e levantou-se, dizendo:–Atenção, todos vocês! Os candidatos todos encaram o rei, esperando uma notícia formidável. O mesmo ergue a mão direita sobre as ruas da cidade e anuncia:–Há muitos candidatos. Eu fico impressionado com a quantidade, mas nem todos poderão participar. Estas inscrições serão anuladas, e faremos uma grande preliminar. Cada um de vocês precisa derrotar ao menos dez oponentes e trazer seus corpos para validar a inscrição! O rei então concentra uma grande energia em sua mão, as nuvens cobrem o sol, o tempo fica frio novamente, uma forte nevasca começa a cair e, então, o chão de gelo da cidade começa a tremer, empurrando os lutadores para locais aleatórios, rachando, quebrando, atacando, os candidatos precisam escapar o terremoto gerado pelo rei. John acaba correndo para o mais longe possível do castelo, porém o piso se quebra e dele começam a sair espinhos com gelo para todo o lado, então o loiro fica sem alternativa, ele para de correr e salta o mais alto que pode, passando sobre os espinhos até se segurar em um deles e observar tudo a sua volta, a posição de cada candidato. Alguns estavam nos telhados das casas, outros fizeram como John e se posicionaram nos espinhos. Cerca de 1000 candidatos acabaram sendo exterminados pelo poder do rei. Era surpreendente que ele conseguisse transformar toda a cidade em uma gigantesca arena de espinhos congelados. O rei então subiu sua poltrona e a de sua filha para que ficassem acima dos espinhos, podendo olhar as batalhas. Uma nova listagem foi preparada e o rei anuncia:–Agora, lutem! Lutem pela mão de minha filha! Vaiolet olhava por toda parte em busca de seu amado, os gritos de batalha já começavam, fogo era expelido, novos espinhos de gelo eram criados, o vento era cortado e diversos tremores aconteciam, eram os candidatos utilizando de sua força ao máximo. Do espinho em que parou, John não saiu, se segurava nele com a mão direita e deslizava a sua volta, olhando as lutas. Ele pensava no que faria, pois não poderia demonstrar sua magia para ninguém, então o mais útil a se fazer seria esconder-se e esperar para realizar lutas discretas.
Olhando as chamas que são lançadas, ele repara em um lutador do elemento fogo, que com seus chutes e soco lança chamas contra um oponente de terra, que se mantém firme e forte contra cada golpe, não bloqueando, apenas resistindo aos ataques, até enfim conseguir segurar a perna de seu oponente e o lançar para fora do telhado, fazendo o mesmo se ferir nos espinhos de gelo, que perfuram seu braço, sua barriga, suas pernas e sua garganta. O lutador de fogo cospe um pouco de sangue, antes de revirar os olhos e apagar com uma morte instantânea. Ao ver aquilo, John percebe que as lutas não são amistosas, não é apenas deixar a pessoa apagada e levá-la até o rei. O problema é fazer isso com dez pessoas. John coçava o queixo pensando. Distraído com o pensamento, o loiro acabou sendo surpreendido por um vento cortante que o lançou para trás e o fazendo cair num telhado, rachando as telhas de cristais. O espinho em que ele estava foi cortado pelo golpe e caiu para o lado, destruindo espinhos menores próximos a ele. John olha para o telhado da casa em frente, nela, um homem apenas de shorts, cabelos pretos espetados e curtos e as mãos e os pés enfaixados. Quando o loiro olha para seu oponente, o mesmo chuta o vento com a perna esquerda. John fica olhando aquilo sem entender bem, até que um forte vento bate em seu rosto, como o chute do moreno faria, lançando John para o lado até o fim do telhado, onde o loiro se pendurou para não cair nos espinhos. Segurando firme na borda do telhado, John procurou uma saída, se lutasse ali ficaria exposto de mais e o rei poderia acabar descobrindo a existência de um mago. Na tentativa de evitar este problema, John se manteve pendurado, encostou os pés na parede e esperou pela vinda do lutador de ar. Após esperar um tempo, o lutador surgiu diante de John, sorrindo como um psicopata, ele começou a pisotear os dedos da mão direita de John, que antes de levar a pancada as retirou, fazendo o elemental chutar o telhado e quebrá-lo, escorregando pelo gelo e sendo obrigado a se pendurar como John. Quando o inimigo escorregou, John ascendeu, ficando por cima de seu rival. Ele olhou seriamente os olhos de seu oponente e cogitou a ideia de vingança. Ele ergueu o joelho e posicionou o pé sobre a mão de seu oponente, e quando enfim ia chutá-lo para os espinhos de gelo, virou-se e saiu correndo, saltando pelos telhados para longe dali. O lutador elemental suspirou aliviado, e pode se levantar para voltar a luta. Porém quando ele subiu no telhado novamente, John já havia desaparecido. A cidade estava um caos, chamas, gelo, pedras e navalhas de vento para todos os lados, a destruição era em massa. Os moradores da cidade se mantinham confinados dentro de casa, sair seria o fim de qualquer um que tentasse cruzar aquele campo de batalha. Os 7 príncipes lutavam contra os plebeus na tentativa de reduzir seu número. Flamel, o loiro das chamas. Ele gera uma esfera de fogo que se expande, empurrando vários dos concorrentes para fora dos telhados, destruindo os espinhos, deixando muitos outros de fogo inconscientes e matando qualquer um de outro elemento. Marcus, o príncipe do vento, seus cabelos são longos e prateados, ele corta o vento com sua espada, atacando seus inimigos com uma grande velocidade e de grande distância. Antes que qualquer um possa encostar nele, ele os ataca. Minos, o príncipe da terra, cabelos castanhos escuros, com franja, este que por sua vez anda no meio dos espinhos de gelo, pisoteando os menores e arrancando os maiores com suas mãos e em seguida lançando contra os lutadores nos telhados. Além destes três principais príncipes, há o que foi derrotado por John na floresta, e mais quatro que acabam sendo derrotados pelo próprio rei, uma prova de que eram apenas fracotes e não nobres. Em apenas segundos de batalha os três príncipes derrotaram uma grande quantidade de oponentes, mesmo apenas 10 sendo necessários. Eles seguiram para o castelo e realizaram sua inscrição. O rei anunciou os três primeiros candidatos para o campeonato e deixou claro que apenas mais um poderia se inscrever, esperando que o príncipe do gelo ainda entrasse na disputa. Após o anúncio, felizmente, o príncipe de gelo surgiu, com dez corpos sobre suas costas e a ferida em seu ombro. Ele mancava pelas escadas do castelo até chegar no local da inscrição. Vaiolet não acreditava, quando viu o moreno caminhando ela se levantou com a surpresa, olhou para a cidade e continuou a procurar seu amado nos destroços que restavam, mas não havia sinal dele. O príncipe de gelo completou sua inscrição e o rei disse:–As preliminares acabaram! E como esperado, apenas os quatro príncipes passaram. Sigam para a verdadeira arena, pois o show começará! O rei ergueu a mão mais uma vez, seu trono, junto ao de sua filha, foram abaixados até o jardim, os espinhos desapareceram e os destroços da cidade se desfizeram, tudo voltou ao normal. A população saiu de suas casas e o dia seguiu como qualquer outro. Os príncipes foram se preparar para o campeonato, Vaiolet correu para seu quarto e o rei se sentou em seu trono e suspirou. O cansaço começava a afetá-lo, estava gastando muito de seu poder para escolher um sucessor. Vaiolet se trancou em seu quarto, era impossível que aquilo esteja acontecendo, ela deitou-se de bruços na cama e começou a socar o gelo com toda a raiva dentro de seu coração, ela socava e chorava, gritando:–Aquele idiota! Como ele pôde perder desse jeito?! Ele me prometeu! Prometeu! Prometeu! Prometeu! Droga John!!! John estava sentado na janela dela, ainda com a mesma capa de antes, porém sem o capuz. Ele sorriu para sua amada e disse:–O que foi que eu fiz para te zangar tanto? Vaiolet ergue a cabeça e vê John na janela, ela abriu um sorriso de alegria, ele não estava morto, mas fechou a cara de raiva, ele havia perdido.–Você perdeu! Significa que você não quer a minha mão em casamento!–Eu perdi? John saiu da janela e entrou no quarto, sorrindo.–Sério que eu perdi? Vaiolet o olhava, sem entender o porquê da irônia. Ela seca suas lágrimas e pergunta:–O que esta querendo dizer? John chega perto o suficiente dela, lhe dá um beijo nos lábios e diz:–Segredo... Em seguida, o loiro desaparece, deixando apenas folhas em seu lugar, folhas cristalinas, feitas de gelo. Vaiolet olha, segura, sente, ela já havia sentido textura familiar no gelo, mas não conseguia se recordar de onde. Ela tenta lembrar, fecha os olhos e se concentra. Em meio as suas memórias ela navega, porém é interrompida por três batidas na porta. Vaiolet caminha até a porta e se encosta na mesma, perguntando:–Quem é? Uma voz irritante e assombrosa responde:–Já me esqueceu? Era o príncipe de gelo, voltando para assombrá-la. Ele continua dizendo:–Mantenha o ocorrido como nosso segredinho, ok? Eu apenas quero o trono, você pode fugir depois que eu consegui-lo, não me importo. Vaiolet fica de olhos arregalados, perplexo, aquele miserável queria roubar o trono de seu pai. Ela se mantinha encostada na porta, segurando a maçaneta para não deixar que ninguém entre. Ela se perde com o temor do casamento com o príncipe e só retorna para o mundo real quando a maçaneta começa a se mexer. Ela força para que a porta não abra. A maçaneta para e a porta bate três vezes, seu pai então diz:–Vaiolet, está tudo bem? Por que trancou-se no quarto? Vamos para a arena, a batalha já vai começar. A ruiva abre a porta, ela ainda está pálida pelo ocorrido, seu pai a olha e pergunta:–Você está bem? Vaiolet balança a cabeça positivamente, ela abraça seu corpo, sentindo o frio de seu castelo a possuir, e então diz:–Eu preciso ir até a arena?–Claro, filha! Você é a princesa, e de lá você terá um marido! Não se preocupe, se torcer para aquele que mais deseja, talvez ele ganhe! Vaiolet arregala os olhos, ela ainda tem a chance de ver aquele miserável de gelo perder, é só convencer os outros príncipes de ganhar. A ruiva abraça seu pai, acaricia seus cabelos grisalhos e diz:–Obrigado, pai! Ela o solta e segura a mão dele, puxando-o enquanto anda apressada para chegar na arena de batalha, onde ela torcerá para qualquer um dos três príncipes, desde que eles destruam o príncipe de gelo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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