Notas iniciais
Os poemas citados nesse capítulo foram retirados do site http://goo.gl/PMDluO

“Heróis não nascem, são forjados”, esta foi a última frase dita por meu pai enquanto se virava e ia embora atrás do desconhecido deixando para trás seu tesouro mais precioso, mamãe e eu. Não sabia muito sobre meu pai, Jio Eizing, tudo que sabia sobre o mesmo era passado de minha mãe à mim. Ela nunca teve más-olhos para ele, apesar de ter nos deixado para seguir seu sonho grandioso. Nunca o compreendi muito bem.

Quando eu era moleque, ainda na fase de sujar as fraudas, costumava sentar no colo de minha mãe em tardes chuvosas para ouvir alguma de suas histórias sobre um bravo guerreiro que tinha a confiança e a determinação estampadas em seu rosto. Jio Eizing era seu nome. Um jovem poderoso e sonhador que alvejava conquistar o mundo e descobrir o desconhecido, ir ao rumo do inexplorado e alcançar o inalcançável, esse era Jio, esse era meu pai.

Vivamos em uma pequena casa dentro de uma enorme vilam localizada em algum lugar no reino Arturiano, batizada de “Erch”, nome dado devido à antiga lenda do gladiador imortal conhecido como Lord Erch, um bravo guerreiro que, há 500 anos, salvou todo o reino de uma terrível calamidade e então desapareceu misteriosamente. Para homenageá-lo nomearam a vila com seu nome e construíram uma enorme estátua do mesmo em sua ágora.

Minha mãe, Lilia, era uma pessoa muito bondosa, sempre cuidou de mim com todo esforço, desde que eu nasci e que meu pai nos deixou para trás. Ela é bem jovem, tem exatamente 29 anos, 17 quando estava grávida de mim.

Quando nasci, o primeiro assunto que meus pais precisavam tratar era qual seria o meu nome. Segundo minha mãe, foi difícil escolher. No final das contas recebi o nome de Endo, sendo “En” distante e “Do” glicínia, não era um nome ruim.

Já era manhã, dia frio de inverno e também meu 12º aniversário (21/12/). Precisava me levantar depressa para não me atrasar para a aula, era último dia de aula do ano. Fui me trocar. O pigmento de minhas roupas eram genéricos, branco ou preto. Minhas duas cores preferidas, sendo branco a blusa simples e o short e preto minhas sandálias e blusa de frio. Me vesti e fui até a cozinha. Encontrei minha mãe sentada à mesa esperando que eu chegasse para tomar café.

– Bom dia neném, dormiu bem? – Mamãe sorriu – E aproposito, feliz aniversário!

– Mãe, já pedi para não me chamar assim – Respondi

– Ok, ok, mas você continua sendo meu neném – Nós rimos – Ah, m lembrei de algo, espere aqui um segundo.

– Ok.

Ela se retira por alguns segundos, logo aparece de novo, segurando uma caixa cinza de tamanho médio.

– Feliz aniversário Endo – Mamãe me entrega a caixa – Espero que goste

– Muito obrigado, mamãe – Abro um sorriso enorme para ela

Abro a caixa e então encontro um colete preto, sem mangas, feito de pano e com “Hero” estampado na parte de trás, no centro.

– É igualzinho o colete que seu pai costumava usar quando mais jovem, porém, o dele era azul – Mamãe se aproxima e coloca a mão sobre meu ombro direito – E então, o que achou?

– Isso é sem duvidas a coisa mais legal que eu já ganhei na minha vida! Obrigado mãe – Me levanto e lhe dou um abraço

– De nada querido – Ela retribui – Agora ande logo se não vai se atrasar para seu último dia de aula.

– Ok.

Tomei meu café da manhã e saí correndo pela porta. Corria e observava as ruas de pedra da magnífica vila de Erch. Conseguia ver a estátua do Lord Erch enquanto corria para a escola, era realmente enorme. Todas as vezes que eu olhava para aquela estátua um desejo vinha em meu peito, o desejo de um dia ser igual a ele, igual ao poderoso Gladiador Imortal, Senhor da Guerra, Desastre Natural (e todos os outros títulos que as pessoas de diferentes regiões conceberam a ele) Lord Erch, e, é claro, também ser igual ao meu pai.

Estava quase chegando à escola. O sol estava nascendo. Cheguei em um portão enorme de ferro enferrujado e o empurrei para abri-lo. Entrei. Minha escola ficava logo ali na frente, um grande monumento feito de pedra com exatamente 138 alunos estudando por lá. Quando estava mais perto pude ver Lyfe, Lyfe Nifewood, minha melhor amiga, filha de Elena, melhor amiga de minha mãe, sentada em um dos degraus que levavam à entrada. Ela era um ano mais velho que eu. Tinha cabelos longos de cor preto e olhos castanhos, bem claros, como dois sois, e é claro, a sua bela cicatriz horizontal no rosto, logo abaixo do olho direito.

– Olá, garota da cicatriz no rosto – Acenei.

– Olá, garoto dos olhos estranhos – Lyfe revidou.

– Qual é, não tenho culpa de ter nascido com esses olhos – Sentei-me ao seu lado

– E eu não tenho culpa de ter essa cicatriz no rosto, você sabe bem por quê.

– Sim, eu sei, porque a culpa foi minha

– Pois é – Nós rimos.

Cerca de cinco anos atrás, eu e Lyfe tivemos a brilhante ideia de brincar de “lutinha”, então peguei uma faca na cozinha de casa e ela também, o resultado disso foi um corte violento e profundo em seu rosto. O sangue jorrava sem parar. ela chorava de dor e eu chorava com medo de perder minha melhor amiga, então eu rasguei minha camisa e coloquei em seu rosto para estancar o sangue. Consegui, porém, ela ganhou um presente naquele dia, uma bela de uma cicatriz, que, pensando bem, até dava um charme para ela. Sempre que pudia chamava-a de "Garota da cicatriz no rosto", revidando, ela me chamava de "Garoto dos olhos estranhos" devido a cor acinzentada que eles tinham.

– Ah é, feliz aniversário cabeção – Ela deu um leve soco no meu ombro

– Ah, muito obrigado por lembrar – Falei sorrindo

– Não tenho ideia pra presentes, então por hora fique com isso – Ela se inclina e me da um beijo de esquimó

– Beijo de esquimó? Achei que já tínhamos parado com isso desde os cinco anos de idade

– Refazer velhos hábitos faz bem

– Ano passado você me deu metade do seu chocolate.

– Ah é, melhor que o beijo de esquimó, né? – Mostrou-me língua

– Talvez — Dei uma risadinha

Ficamos alguns segundos em silêncio até eu arrumar um assunto.

– O que pretende fazer nas férias? – Perguntei

– Provavelmente nada, como sempre. E também não temos nada pra fazer nessa vila largada no meio do nada – Lyfe da um suspiro bem longo – Queria ter uma aventura, sair desse lugar e ir à procura da lendária ilha de Avalon.

– Tenho o mesmo sonho, nós prometemos encontra-la juntos – Estendi minha mão para ela – E vamos encontra-la algum dia

– Pode apostar que vamos – Ela segura minha mão – E você sonha em encontrar a espada lendária Calibur não é? Segundo a lenda, ela foi forjada em Avalon

– Sim, mas a pronuncia é “Excalibur” – Retruquei

– Depende, em várias obras literárias do Ciclo Arturiano está escrito “Calibur”

– Hum... Dessa eu não sabia – Fiquei pensativo – Talvez seja apenas uma abreviação de “Excalibur”

– É, deve ser isso mesmo

– Um dia empunharei essa espada e serei tão glorioso quando Erch foi – Ergui minha mão para os céus – Ao menos é oque eu espero

– Espera um minuto – Questionou Lyfe – Quem inibia essa espada não era o Rei Arthur?

– Sim, porém, de acordo com os registros escritos, Rei Arthur viveu há 2300, Lord Erch há 500 anos

– Então Erch, de alguma forma, encontrou a espada

– Sim, mas ela agora está perdida. Está lá, lá, clamando para ser encontrada – Fechei o punho com força e fiz intenção de grito – Só de pensar nisso o sangue em meu corpo ferve!

– Eu entendo você, Endo – Lyfe sorriu – Mas não vamos conseguir nada ficando aqui nessa maldita vila, a coisa mais radical que poderíamos fazer aqui nesse exato momento é matar aula

– Hum... Não me parece uma má ideia – Coloquei minha mão sobre seu ombro – Que tal irmos para o nosso lugar preferido?

– Vamos! – Lyfe levanta-se rapidamente e corre me puxando pelo braço

Após alguns minutos correndo, eu e Lyfe chegamos à base dos muros que cercavam a vila de Erch. Logo à direita, havia uma escada de ferro fincada na parece que ia até o topo. Comecei a subir primeiro, Lyfe veio logo em seguida. Enfim chegamos. A espessura do muro era de aproximadamente três metros, tinha 20 metros de altura. Havia um corrimão, de aproximadamente um metro de altura ali também, para impedir que pessoas caíssem. Lyfe se senta à beira do muro com as pernas para fora apoiando os braços em uma das grades, faço o mesmo.

– Não é lindo? – Pergunta Lyfe me olhando nos olhos

– Sim, muito lindo – Respondi – É um mar verdejante, não há árvores, não há rios, apenas um infinito verdejante.

– Sim, e por falar nisso, nossos recursos naturais estão acabando aos poucos, o solo está menos fértil do que antes e estamos extraindo pouca água comparado há antigamente oque significaria a nossa migração para outro lugar, a menos que a situação mude – Lyfe faz um tom de preocupação

– Isso é preocupante, ninguém que tenha explorado o mundo fora destes muros voltou, meu pai é uma prova disso, não temos conhecimento de quase nada, mas a real é que são todos uns medrosos

– Concordo, parece que nenhum deles tem o desejo de descobrir a verdade, de descobrir onde estamos e oque tem do outro lado, querem viver como prisioneiros dessa realidade em que estamos agora

– Não vejo a hora de sair daqui, vou me tornar forte – Me levantei e apontei para o horizonte

– Não! Eu serei a mais forte – Lyfe se levanta apontando para mim

– Tsc, vai sonhando – Dei de ombros – Nesse exato momento, eu sou mais forte que você

– Quanta ousadia – Lyfe anda três metros na direção oposta a minha e se vira – Você se acha forte? Então eu irei julgar. Venha! Acerte-me com o seu melhor soco

– Eu não posso bater em uma garota – Questionei

– Qual o problema? Está achando que sou inferior à você por ser uma garota? – Ela me desafia

– Tudo bem, não reclame depois

– Pode vir

Posicionei-me. Coloquei minha mão direita para trás e afastei as pernas. Tomei um impulso e fui com tudo na direção de Lyfe. Quando cheguei próximo, joguei meu punho para frente acertando-a em cheio. O impacto foi tão forte que ela voou para trás e caiu de costas no chão onde permaneceu por alguns segundos.

– Esse é o seu melhor soco? Que patético – Lyfe mantem a seriedade – Muito bem, minha vez!

– Eu sabia que você iria pedir isso, mas não estou a fim de quebrar a cara hoje

– Vai arregar? –Ela olha para mim com uma aura desafiadora

Dei um longo suspiro.

– Muito bem, vamos lá! – Minha força de vontade obrigou-me a aceitar seu desafio

– Eu não vou dar mole como você fez

– Então venha!

Lyfe se afasta alguns metros e me encara. Eu estava preparado para receber qualquer coisa que ela tinha a oferecer. Ela toma um impulso gigantesco e salta, dobrando a perna e depois acertando-a em meu rosto num movimento horizontal. No mesmo instante caí no chão.

– Ah, merda – Coloquei a mão sobre meu rosto – Essa doeu

– Avisei que não ia dar mole – Ela sorriu

– Na próxima irei te chutar também – Murmurei

– Não vejo diferença – Nós dois rimos.

Ficamos sentados observando o horizonte até o por do sol. Aquela vista era um colírio para os olhos. Deveríamos ter voltado para casa há duas horas, porém, nos perdemos no tempo. Após alguns minutos, Lyfe estende o braço e levanta o mindinho para mim, isso significava que ela queria recitar alguma poesia.

– Vamos, pegue logo o mindinho, antes que o sol se ponha

– Tudo bem – Obedeço

– O poema de hoje irá ser ótimo, li ele em um livro – Lyfe sorri

– Quero ver

Então ela começa a recitar o tal poema.

– Templo de Avalon:

Invoco toda a magia de Avalon,

Templo e morada dos Deuses celtas

Linha tênue que encobre esse breve frisson

Onde criaturas presentes permanecem ocultas.

Buscam o equilíbrio e resgatam a sagrada unidade

Através do éter misterioso dessa névoa de prata

Revolvem a terra para ativar a fertilidade

Espalhando gotículas de água em forma de cascata.

O fogo sagrado que expurga os tolos do caminho

Revelam os segredos de um transe ascendente

Alguns percebem e poucos entendem o torvelinho

Que nos envolve nesse sonho envolvente.

Palavras soltas ao vento, adentram os corações

Despertam emoções adormecidas, jamais esquecidas

Através da semente que em breve trará novas lições

Germinando uma era de esperanças renovadas.

Nesse abençoado universo paralelo e sagrado

Onde tudo é uma simples questão de tempo

Alinham-se às ondas quânticas, agora unificadas,

Ao eterno giro da roda sem nenhum contratempo.

Avalon, a terra dos campos verdes e do céu anil

Está muito além das brumas do tempo e da ilusão,

Onde mais uma vez, renasce de forma sutil

Nas águas cristalinas da fonte sagrada do coração.

– Uau, belo poema

– Você gostou?

– Claro que sim – Sorrio para ela

– ...

– ...

– Quem eu gosto:

Quem eu gosto

Gosta de mim

– Outro poema? – Perguntei

– Não me interrompa, por favor – Ela puxou meu mindinho de leve

– Tudo bem

– Quem eu gosto:

Quem eu gosto

Gosta de mim

Quem eu gosto

Não me acha perfeita

Quem eu gosto me aceita

Louca, livre

Mau humorada, irritada

Quem eu gosto

Gosta de mim

Quem eu gosto

Me conhece

E mesmo que não me conheça

Gosta de mim

Quem eu gosto

Sabe da minha alegria,

Beleza, harmonia

Conhece o sabor das minhas lágrimas

Sabe da força dentro de mim

Quem eu gosto

Gosta de mim

Porque antes de me ver

Viu a minha alma

Quem eu gosto

Gosta de mim.

– Outro belo poema

– Como é bom recitar poemas ao por do sol

– Concordo – Nós sorrimos um para o outro

– Melhor irmos para casa, mamãe deve estar furiosa comigo e Elena com você – Afirmei

– Tsc, elas já sabem que nós costumamos matar aula pra ficar passeando por aí – Lyfe se levanta

– Sabem? – Me levanto também

– Pois é. Mamãe já chegou a fazer perguntas ridículas sobre isso como: “vocês não andam fazendo sexo ou enchendo a cara nessas tais fugas, né?” – Lyfe da uma gargalhada

– Comecei a rir.

– Entendi, entendi. Vamos embora logo – Fui na frente e comecei a descer as escadas – Ah, Lyfe

– Sim?

– Quer dormir lá em casa hoje? – Pergunto no meio do percurso entre o topo e a base do muro

– Claro, só que convidar-me para dormir em sua casa é o mesmo que convidar minha mãe também – Ela ri baixo

– Percebi – Termino de descer, Ela desce na sequencia – Vamos primeiro à sua casa chamar sua mãe

– Certo

Fomos correndo pelas ruas de pedra e estreitas da vila de Erch enquanto as pessoas nos olhavam e acenavam. Passamos por uma rua estreita e viramos à direita. Subimos mais um poucos e chegamos até a ágora, paramos um pouco pra recuperar o folego e então tornamos a correr. A casa de Lyfe era logo ali.

– Chegamos – Falei cansado

– Entre – Lyfe abre a porta – Mãe! Cheguei!

Ninguém respondeu.

– Ué, será que ela saiu? – Lyfe perguntou

– Não sei, será que ela foi na minha casa?

– Putz

– Que foi?

– Lembrei que minha mãe havia dito para ir à sua casa hoje depois da escola.

– E só se lembra disso agora?!

– Foi mal – Lyfe abre um sorriso irônico

– Ah, deixa pra lá, vamos andando então, é só dobrar a esquina e chegamos

– Certo

Andamos até a esquina e viramos. Subimos mais um pouco e chegamos à minha casa. Abri a porta. Lyfe entrou primeiro, entrei logo depois.

– Mãe! Cheguei! Lyfe está comigo! – Gritei

– Endo? Por onde andou? – Mamãe perguntou, logo em seguida tia Elena chega na entrada

– Lyfe, onde você estava? Já era pra ter chegado aqui faz tempo

– Sinto muito mãe, é que a gente matou aula e fomos passear por aí

– Por que nos entregou tão fácil assim?!

– Foi mal, não consigo mentir na frente da tia Elena – Lyfe pisca e mostra a língua.

– Matando aula de novo... Endo? – Mamãe diz irritada

– Foi mal, era o último dia de aula e eu estava entediado

– Eu entendo que na sua idade você prefira matar aula para sair com garotas bonitas como a Lyfe, mas estudar é importante também, namoro vem depois

– Ele não é meu namorado! – Lyfe fica corada

– Lyfe não é minha namorada, somos só amigos – Respondi

– Quando ficarem mais velhos irão entender, não é mesmo Lilia?

– Com certeza Elena – As duas riem baixo – Tudo bem, esqueçam essa história de matar aula, hoje é um dia muito especial, venham!

Elena e mamãe andam até a cozinha, nós acompanhamos. Quando entrei, avistei na mesa um bolo de aniversário gigante, de chocolate, com meu nome, feito de baunilha, escrito nele. Parecia delicioso.

– Feliz aniversário Endo – Mamãe diz com um tom comemorativo

Eu pulo em seus braços.

– Muitos anos de vida pra você, querido – Tia Elena passa a mão em minha cabeça

– Feliz aniversário, irmão – Lyfe me deu um beijo no rosto

Fiquei corado.

– Lyfe... que nojo – Abri um sorriso pra ela

– Cabeção – Ela sorriu de volta

– Deixem o namoro para quando forem dormir, agora vamos comer! – Mamãe me provoca

– Mãe!

– Ok, parei – Ela responde

– Mãe, nós não vamos jantar? – Perguntei

– É mesmo! Esqueci da janta. Elena e eu estávamos tão ocupadas fazendo o bolo que esquecemos completamente o jantar. Vamos fazer agora

– Mas e o bolo? – Lyfe perguntou

– Hum... que tal deixarmos pra sobremesa? – Elena sugeriu. Concordamos

– Esperem na sala de estar que eu e Elena vamos preparar a comida, meus amores – Mamãe diz sorrindo

– Ok – Respondi.

Fomos pra sala. Havia dois sofás grandes encostados nas paredes e um tapete no centro, era uma sala bem simples. Ao invés de me deitar no sofá eu me deitei no tapete de barriga para baixo e tentei relaxar um pouco. Lyfe se deitou ao meu lado com a barriga apontada para o lado oposto ao meu.

– Hey, Endo

– Fala

– Você acha que nossas mães estão tendo um caso amoroso? – Lyfe perguntou

– Por que? Você acha?

– Talvez – Lyfe sorriu – Pode não parecer mas certa vez eu as vi se beijando, uma vez

– Talvez elas estejam carentes e não queiram outro homem. Seu pai morreu faz tempo e o meu se mandou e, sinceramente, eu não me sentiria confortável com outro homem se dizendo meu pai

– Eu penso diferente, não me importaria de ter um pai não biológico. Desde que ele fosse legal tudo bem. Mamãe já até namorou alguns rapazes ao longo dos anos, mas nenhum deu certo

Lyfe começa a sussurrar.

– Não sei se eu já te contei, mas já flagrei minha mãe fazendo sexo algumas vezes

Me interessei na conversa.

– Sério? E como é?

– Eu só ouvia gemidos – Nós rimos

– Lyfe, não é por nada não, mas acho que sua mãe é meio “ansiosa”

– Deve ser sim – Nós rimos.

Havia se passado um bom tempo. Tia Elena e mamãe já haviam terminado a janta. Fizeram todos os nossos pratos favoritos. A mesa estava tão linda quanto o por do sol. Comemos e festejamos até tarde, sem dúvidas era o meu melhor aniversário.

– Estou com sono – Bocejei

– Ok crianças, vamos dormir – Mamãe falou – Mas antes vou m banhar, não tomei banho hoje

– Também não – Falei

Provavelmente ninguém ali havia tomado banho hoje.

– Tomaremos banho primeiro e logo depois vocês entram, ok? – Perguntou mamãe

– Certo – Respondi

Elena pegou duas toalhas e caminharam até o banheiro.

– Psiu, Endo – Lyfe me cutuca

– Fala

– Minha teoria estava certa, nossas mães realmente se desejam

– Bom, antes a tia Elena como "pai não biológico" do que outro cara – Nós rimos

20 minutos haviam se passado desde que elas entraram no banheiro. Saíram logo em seguida.

– Crianças, esvaziamos a banheira para que não tomem banho em água suja. Temos água apenas para mais um banho, encham a banheira e tomem banho juntos – Elena falou

– O que?! Como assim? – Lyfe questionou

– Pra que tanto espanto? Vocês viviam tomando banho juntos quando eram mais novos – Elena sorriu

– Mas somos crescido agora

– Não vou ficar nu com uma garota dessa forma

– Não temos mais estoque de água para hoje – Mamãe fica pensativa – Já sei, apenas fiquem de costas um para o outro, assim ninguém vai ter que ver nada

– Não tenho escolha mesmo – Retrucou Lyfe

Fomos até o banheiro. Entramos. Havia uma banheira de quatro pés no canto esquerdo, que estava sendo enchida de água, uma privada no canto direito e uma pia à frente. Nos viramos de costas um para o outro e começamos a nos despir até ficarmos nus. Obviamente eu tive uma ereção por estar nu com uma garota no banheiro, sensação que quando criança eu não me lembro de ter, mas não fazia diferença, ela não estava vendo nada. Entramos e usamos nossas costas para nos apoiarmos um no outro. Começamos a nos ensaboar. Ficamos um tempo sem dizer nada um para o outro.

– Endo

– Sim?

– Sabe, você acha meu corpo atraente? Pergunto isso porque eu, sinceramente, não acho

Aquela pergunta me fez ficar corado, não respondi na hora. Pensei na resposta por alguns segundos.

– Não sei, nunca observei seu corpo atual de perto – Me arrependi de ter respondido

Ela levanta-se da banheira ligeiramente e se posiciona à minha frente.

– E agora?

Lyfe se mostra nitidamente para mim. Consigo visualizar perfeitamente seus redondos seios, sua genital e sua silhueta prematura. Ela tinha um corpo bem distinto do de outras garotas. Eu achava atraente, porém não tinha coragem de admitir.

– Vamos terminar o banho logo – Respondi desesperadamente

– Certo – Lyfe suspirou.

Terminando o banho, fomos para o quarto nos trocar e logo após nos deitar. Finalmente mergulhei em minha cama, estava bastante gasto. Lyfe pegou um coxão simples que estava encostado na sala e colocou ao lado de minha cama. Nossas mães iriam dormir juntas na cama de casal no outro quarto.

– Boa noite... Endo – Ela diz baixinho

– Boa noite... Lyfe

Virei-me para a o lado da parede, frio, e sorri. Adormeci no mesmo instante.

A noite estava serena e calma. Eu estava dormindo tranquilamente quando de repente ouço gritos de desespero vindos do lado de fora.