Notas iniciais
A tal criatura citada nesse capítulo é uma homenagem à Final Fantaxy XV.

Levantei-me rapidamente e dei uma breve espiada pela janela, não acreditei no que eu vi. Chamas incandescentes banhavam toda a vila de Erch, pessoas estavam sendo assassinadas, explosões vinham na sequencia, era um verdadeiro caos, quem poderia estar causando tal atrocidade?

Havia uma espécie de veículo metálico com um cano longo em sua parte superior disparando projéteis que explodiam após se chocarem com as estruturas locais. O que diabos era aquilo? Está se aproximando rápido, logo tudo vai ao chão, preciso fazer alguma coisa, já!

Senti uma explosão bem próxima, a onda de impacto me jogou no chão. Lyfe acorda assustada, mamãe e Elena chegam em seguida.

– Crianças, vamos para o porão, depressa! – Elena grita desesperada

Havia um alçapão no chão, logo atrás de uma pilha de tralhas que havia do outro lado da parede da cozinha, Elena o abriu e todos nós entramos, depois o fechou com cadeados pelo lado de dentro. Ficamos todos sentados no canto do quarto subterrâneo iluminado por uma única vela, abraçados e preocupados. Sentimos pessoas andando sobre nós, pareciam ser quatro ou cinco, apenas ficamos em silêncio e esperamos que fossem embora. Pouco tempo depois sentimos uma explosão estrondosa sobre nossas cabeças, a casa já era história.

Lyfe agarrou meu braço e colocou seu rosto em meu ombro direito, mamãe e Elena estavam nos acolhendo, só queríamos que tudo aquilo acabasse logo, mas de repente ouvimos alguém tentando abrir a porta do alçapão.

– Eles estão aqui – Mamãe falou baixinho

– Vocês irão ficar bem crianças, eu prometo – Elena sorriu para nós

Ela se levantou e pegou uma faca que estava dentro de um baú velho no canto do quarto.

– Mãe, o que está fazendo? – Lyfe se assustou

– Não podemos fugir, logo seremos descobertos, então não tenho escolha a não ser proteger vocês

– Elena, isso pode ser perigoso – Mamãe diz assustada

– Não se preocupem, vai dar tudo certo

Elena foi para trás das escadas do alçapão e pediu que apagássemos a vela, obedecemos. A entrada enfim foi arrombada e a luz lunar iluminava uma pequena área do local. Uma pessoa estava descendo cautelosamente, era um homem. Usava roupas bem incomuns e estava segurando uma espécie de arma, seus pés tocaram o chão. Ele olhava de um lado para o outro e não enxergava nada, porém, nós conseguíamos vê-lo perfeitamente. Elena saca a faca e o surpreende com um golpe no braço esquerdo e logo após uma na perna, antes de executar seu terceiro golpe o homem a empurra para longe e em seguida atira algo na parece que a faz pegar fogo, iluminando todo o pequeno quarto.

– Vá embora, agora! – Elena grita

O homem não responde. Ele, um pouco cansado e ferido, aponta a tal arma para Lyfe que estava ao meu lado, fecho os olhos e abraço-a junto de mamãe. Poucos segundos depois ouço um disparo, senti que alguém havia morrido naquele momento, será que eu morri? Não, eu estou pensando, se penso logo existo, Lyfe está morta? Quem morreu? Eu não consigo imaginar, e não quero!. Abro os olhos e vejo Elena caída ao chão e o homem, do outro lado, já não mais com vida, deitado na beira da escada, Lyfe e mamãe começam a chorar desesperadamente enquanto as chamas engoliam cada vez mais o local.

– Mamãe! Por favor, resista! – Lyfe grita segurando sua mão

– Elena, não morra agora, por favor! – Mamãe chora sobre seu rosto

– Lilia... faça-me... Faça-me um favor – Elena diz quase sem voz – Cuide da Lyfe por mim, Ok?

– Não vá!! – Lyfe deita sobre seu corpo

Essas foram suas últimas palavras, Elena não estava mais entre nós. Eu estava extremamente triste, mas não conseguia chorar, por quê? Uma insanidade estava tomando conta de meu corpo sem minha permissão. Naquele momento eu sentia que poderia fazer tudo, eu estava me sentindo com raiva, triste, louco, atc. Era como se todos os sentimentos negativos se mesclassem e formassem um só, esse era meu sentimento, eu estava... Eu estava...

– Endo... Seus olhos – Lyfe esfrega suas lágrimas e aponta para mim com a mão trêmula – O que é isso?

Comecei a perder a consciência, eu tentava resistir, mas não conseguia. Algo realmente estranho estava acontecendo comigo e, de uma hora para outra eu simplesmente apaguei, não conseguia ver, nem ouvir, nem cheirar absolutamente nada, mas conseguia sentir, sentir que não estava parado, sentir que meu corpo estava em movimento, mesmo não tendo mais controle sobre ele. Mesmo possuindo a razão quando já não mais estava em meu corpo, eu comecei a perdê-la, e, de uma hora pra outra, entrei num sono profundo.

Senti uma luz forte no meu rosto, era o sól. Já é de manhã? O que houve? Abri as pálpebras lentamente até ficarem semifechadas, pude observar o céu azul com ausência de nuvens, apenas um sol no “centro”. Estava deitado no meio de vários escombros. Me levantei. Minhas roupas estavam rasgadas, meus braços e pernas estavam cobertos de sangue seco e minha cabeça estava levemente atordoada, não me lembrava de absolutamente nada, nada mesmo, apenas de meu nome: Endo.

Onde eu estava? Que lugar era esse? Não conseguia me lembrar. Por um momento me senti sozinho no mundo, não havia ninguém ali, apenas eu e o som do silencio, uma solidão bateu em mim. Levantei-me, fui em direção aos portões quebrados da cidade enquanto observava a paisagem pós-guerra. Chegando lá pude avistar o horizonte, um mar de grama quase que sem fim com florestas ao fundo, essa vila foi construída no meio do nada. Eu não tinha escolha, terei que andar sozinho até encontrar alguém, e foi oque fiz.

Estava completamente incapacitado de sentir qualquer outro sentimento além da solidão naquele momento. Caminhei e caminhei, olhando fixamente para baixo com os olhos serenos, com o sol queimando minha pele, a sede me consumindo aos poucos, a fome me matando por dentro e o cansaço me dominando lentamente. Não estava nem na metade do caminho, morrerei. Nenhum ser vivo ali havia, forças eu já não tinha, ajoelhei-me e cai com o rosto no chão, quem sabe assim corvos apareciam para me devorar, pelo menos não me sentiria mais sozinho. Minha consciência começou a se perder junto de meu olhar, aos poucos minhas pálpebras fechavam, nunca pensei que morreria assim. Lyfe...

Acordei em um lugar vazio, onde não havia absolutamente nada, apenas escuridão infinita. Onde eu estava? Isso é real? Não sei. Uma luz começou a surgir em minha frente, a forma de um homem ela tomou, não visualizava seu rosto, estava muito luminoso. Uma mão se estendeu e tocou meu ombro direito.

– Endo, seja forte – Uma voz divina ressoou – Sei o quanto está se sentindo sozinho, sei que está confuso por não se lembrar de nada, mas aguarde, as respostas virão.

Ele começou a desaparecer logo após o término da frase

– Espera! Quem é você?! – Gritei

– Quem sou eu? Simples, eu sou você.

A luz sumiu de vez.

Acordei. Estava deitado com a cabeça repousada em um pano ao lado de um lago dentro da floresta, como eu cheguei até aqui?

Olhei para o lado e avistei um homem, um velho, bebendo algo enquanto lia um livro. Pelas risadas de boca fechada me parecia uma história engraçada. Percebendo que eu estava acordado ele desviou seu olhar para mim.

– Finalmente acordou garoto

O velho parou de ler no mesmo instante.

– Você realmente tem um sono pesado

– O... oi – Falei confuso – Quem é você? Por quanto tempo eu dormi? Onde eu estou?

Uma dor de cabeça infernal se apossava de mim.

– Ei, vai com calma – Diz o velho com uma voz sonolenta – Irei responder todas as suas perguntas

Eu havia tantas perguntas que não me decidia qual fazer primeiro.

– Antes que você comece sua série de perguntas eu preciso fazer algumas primeiro

O velho se aproximou de mim.

– Primeiro: qual é o seu nome? – Ele pergunta em um tom sério

– Endo, só Endo – Respondi

– Se lembra de alguma outra coisa?

– Meu nome é tudo que eu lembro, mais nada.

Me levantei e sentei com as pernas cruzadas enquanto tentava disfarçar a dor de cabeça.

– Entendo. Isso é tudo? – Perguntou o velho

– Sim, isso é, é... o que é isso! – Levantei a voz

Olhei para minhas mãos e pro que sobrou de minhas roupas, estavam manchadas de sangue já seco. Eu havia matado alguém? Eu não me lembro de ter matado ninguém.

– Percebeu só agora? – Ele respondeu – Quando o encontrei me surpreendi, achei que estava morto, porém não encontrei nenhum arranhão em você

– Morto? Como assim? Explique-se – Falei confuso

– Me acompanhe, vai ser bem mais fácil de eu explicar se eu lhe mostrar

O velho começou a andar e adentrou na floresta, eu o segui. Por um segundo senti um frio na barriga e um vazio em meu peito. Era horrível. Sofria em silêncio enquanto minha cabeça latejava. Não disse uma palavra até o velho parar de andar. O sol começou a surgir, pensei que estávamos fora daquele lugar, mas apenas tínhamos chegado em um “campo de batalha”. Dei uma olhada no local, estava tudo destruído, árvores dilaceradas, sangue para todos os lados e, por fim, uma imensa criatura afundada em uma cratera aparentemente morta. Possuía uma cabeça com dois chifres na lateral da mandíbula e um chifre central acima do nariz, um pescoço longo coberto de espinhos que mais pareciam pedras e uma espécie de carapaça nas costas.

– Antes que pergunte, isso é um Giantoro, uma criatura que não pertence a este lugar

Ele se aproxima da criatura e coloca as mãos em sua cabeça

– Não sei oque estava fazendo aqui. Eu lhe encontrei dormindo sobre ele, aparentemente você o matou

– Eu o matei? É brincadeira né?

Tinha certeza que ele estava falando sério, mas não conseguia imaginar que eu teria matado tal criatura.

– Como eu mataria uma criatura desse tamanho? – Retruquei

– Talvez... assim

O velho desapareceu diante de meus olhos e logo depois a carapaça da criatura se quebrou em milhares de pedaços. O velho surge atrás de mim e um vento bate em meu rosto. Ele fez tudo isso em uma fração de segundos?

– Como... como fez isso? Isso é impossível! – Falei impressionado

Consegui sentir algo além do vazio ao menos essa vez

– Você subestima o potencial do homem, Endo

Ele coloca as mãos em meus ombros e ajoelha

– O ser humano é a pior coisa que já existiu, eles destruíram o nosso mundo. Agora, devemos usar nosso potencial para restaurar-lo e não destruí-lo ainda mais. Venha comigo, irei lhe ensinar tudo que sei

Ele sorri

– Eu irei – Respondi – E aproposito, qual é o seu nome?

– Hawk, Hawk Victor, mas pode me chamar de Victor

– Entendi, Victor

5 anos se passaram desde aquele dia, nunca me lembrei de nada antes do meu encontro com Victor, aquela era, para mim, minha primeira memória, as outras haviam se perdido para sempre, eu acho. Ele me treinou rigorosamente. Fez-me ficar mais forte, mais ágil, mais confiante, mais feliz. Passei a chama-lo de vôvô, ele era a única pessoa que eu tinha, queria poder para proteger o mundo e à ele, mas ele sempre dizia que não precisava de minha proteção, minha única missão era restaurar o mundo com o poder do homem e da natureza.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.