O Legado de Guerreiras
1 Vidas normais... Ou nem tanto. ( Parte 1 de 3 )
Notas iniciais
Nos vemos nas notas finais.
[Lucya:...Então eu acho melhor ficar quieta se não quiser que ele saiba do que aconteceu entre você e o garoto do nono ano.
Nayra: Você não ousaria fazer isso!
Casey: Ah... pessoal, eu já estou gravando...
Lucya: Agora que você avisa?O.K, vamos começar logo com isso, temos pouco tempo antes de voltarmos.
Nayra: Bem, oi pessoas do mundo inteiro, meu nome é Nayra, essa aqui do meu lado é Lucya e a que está segurando a câmera é a Casey. Estamos gravando esse vídeo para você que tem sonhos ou visões extremamente estranhas com deuses, monstros, demônios e todo tipo de criatura e pessoa estranha. Bem, como explicar sem te traumatizar...
Lucya: Simples, Você é um encarnado, todos esses sonhos e visões estranhas que tem são reais e você poder correr um risco tremendo, podendo até morrer. Assim está bom?
Casey: Temos um minuto, Licana já vai nos levar para lá...
Nayra: Você resumiu tudo Lucya... E eu estou falando ironicamente!
Lucya: Obrigada... Também estou sendo irônica...
Casey: 30 segundos...
Nayra: O.K., em resumo, estamos aqui para mostrar como é a vida de um encarnado e para auxiliar os novatos. Agora temos que ir. Até. Fim de transmissão Casey]
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Lucya
O local estava um breu, por onde quer que olhava não podia enxergar, uma brisa gelada passou e roçou meu rosto. Uma gargalhada ecoou, sabia exatamente a quem pertencia, e como eu a odiava.
Comecei a andar rapidamente, até que finalmente corri, mas a cada passo parecia que eu desacelerava, e era o que realmente estava acontecendo. A risada ficou mais próxima, e eu, imóvel, sem sequer poder mover um músculo.
Senti alguém me agarrar, sabia que era ele. Começara a acariciar meu corpo. Deixei que as lágrimas viessem. Imagens começaram a aparecer à minha frente, como em um filme e vi uma garotinha de longos cabelos negros e intensos olhos cor jade na mesma situação em que me encontrava, sendo agarrada por um homem. Ela parecia me olhar, e por uns instantes, vi que ela me avisava de algo. A visão havia sumido e em seu lugar, uma mulher de longos cabelos cor mel e pele branca, olhos que mudavam de cor, em tons de azul e verde apareceu. Ela me olhava com certa esperança, dúvida e pena.
— É como um espelho, Lucya – Sua voz era calma e suave, como uma mãe que canta para seu filho. – O que acontece aqui, pode acontecer lá. Então... prepare-se, minha valente gladiadora...
Ela sumiu como num piscar de olhos, até que tudo ficou negro e não pude enxergar mais nada.
Acordei assustada, com o cobertor no chão e o travesseiro molhado. Havia realmente chorado, mil coisas vieram a minha mente. Quem era a garota?E a mulher que falou comigo?O que ela quis dizer com “É como um espelho” e “Prepare-se, minha valente gladiadora”? Tudo estava tão confuso, precisava esfriar a cabeça, então fui tomar um banho.
Peguei novas roupas e minha toalha, vi no despertador, eram 10:43 da manhã, dia 26 de Outubro, domingo. Amanhã seria o passeio da minha escola para um museu de Artes Antigas, Outras duas escolas iriam, uma publica e outra particular, como a minha. Tirei todos os pensamentos da cabeça e fui tomar meu banho.
Despi-me e entrei no Box, ligando o chuveiro, a água estava morna, do jeito que gostava. Rapidamente meu corpo despertou, então desliguei o chuveiro e me vesti, colocando uma calça jeans e uma blusa preta, e um par de tênis de corrida. Olhei-me de relance no espelho e vi que não mudara muito. Meus cabelos cresceram um pouco, eram castanho-escuro e ondulados com uma franja de lado, meus olhos eram um castanho claro e minha boca, um pouco carnuda.
Suspirei e abri a porta, arrumando meu quarto, o que levou um pouco de tempo. Quando terminei, abri a porta de meu quarto, atravessei o corredor e desci a escada em espiral, chegando na sala vazia. Caminhei lentamente até a cozinha e fiz meu café, cereal com leite. Enquanto comia, vi um bilhete laranja grudado na geladeira, terminei de comer e levantei, pegando-o. Nele estava escrito:
Lucya,
Hoje é dia de passear com o Gold, vá só na praça e, se quiser, pode passar na casa de seu amigo, mas volte antes do jantar.
Ass.: Helena
Minha mãe havia me lembrado disso. Gold é o nosso labrador e, nas quartas-feiras e domingos, meu dever era passear com aquele cão imenso. Pelo menos estava feliz, sairia de casa e veria Nicholas Villani, meu melhor amigo.
Peguei a guia e fui até o quintal, assoviei e Gold saiu em disparada de sua casinha até mim, pulando e me lambendo, feliz da vida.
— Oi Gold, calma garoto, toda essa animação só porque vai passear? – Ri enquanto ele dava pulinhos pelo quintal até chegar na portinha. Coloquei a guia em sua coleira e abri a porta, deixando que ele me arrastasse até a praça perto de casa.
Depois de muitas paradas para cheirar árvores, paquerar as cadelas dos vizinhos e marcar território, chegamos à praça, onde rapidamente avistei Nicholas e seu novo cão, da raça buldogue.
Gold me arrastou até ele para cheirar o traseiro do buldogue.
— Deus! Você já cheirou essa moita três vezes, você não tem super-olfato ou sei lá o que? – Reclamou, e depois me viu, sorriu. – Lucya Kuster Callegari, você por aqui?
— Por que você fala meu nome todo?É vergonhoso sabia? – Reclamei num sussurro, me aproximando.
— Porque é legal e exótico. – Ele sorriu de canto e apontou para o buldogue – Esse dai é o Panzer, é o nome de um tanque de guerra, sabia?
— Uau... ele é gordinho. – Sorri, achando fofo o modo que ele encarava Gold, achando-se superior.
— Ele é uma maquina de destruição, se você visse o que ele fez com o sofá da minha mãe...
— Hum... Minha mãe me deixou ir para sua casa.
— Sério?Então vamos logo antes que escureça. – Ele sorriu e virou-se, indo em direção a casa.
— São umas 11:00 da manhã mas, tudo bem. – Caminhei ao seu lado até chegarmos a sua casa. Quando chegamos, ele abriu a porta do quintal e entrou, soltando a guia de Panzer, que correu para dentro de sua casinha. Entrei e soltei Gold, que estava cheio de espectativa para brincar com o novo amiguinho.
Nicholas abriu a porta e entrou, o que eu fiz logo em seguida. Vi seu pai sentado no sofá e arrumei um pouco o cabelo.
— Bom dia Sr. Villani – Cumprimentei-o.
— Para você é tio Gabriel, Lucya. – Ele sorriu, ainda concentrado na partida de tênis que passava no canal de esportes. – Fique a vontade e se quiser alguma coisa é só pedir.
— Obrigada – Sorri e segui Nicholas, que já subia as escadas, seguindo para seu quarto. Sua casa era espaçosa, de cores neutras, a mobília era de mogno preto, que combinava como o grande sofá no centro da sala, já um pouco mordido e arranhado por causa de Panzer. Subi a escada e passei pelo corredor entrando no quarto de Nicholas, que era tão bagunçado quanto o meu quando acordo.
Ele ligou a televisão e deitou na cama, tirando os tênis. Eu e ele tínhamos uma intimidade até admirável. Ele era meu melhor amigo e entendia meus problemas como ninguém. Lembrei-me do sonho que tivera e decidi contar.
— Hum... Nico... – Ele tinha esse apelido desde que eu o conhecera no jardim de infância – Posso te contar uma coisa?
— Você sabe que sim – Ele olhou para a televisão, procurando os canais de filmes.
Encostei-me na parede e tirei os tênis, em seguida arrumando o travesseiro atrás de mim. – Bem... Hoje eu tive um sonho estranho.
— Continue – Nico colocou o braço na frente dos olhos, como se estivesse dormindo.
Hesitei por uns segundos. Não queria contar sobre a parte de que ele me agarrara, era um segredo doloroso e não queria compartilhar, pelo menos não naquele momento, então pulei essa parte. – Eu meio que tive uma visão ou sei lá o que, como se fosse num filme, de uma garotinha e ela me olhava como se me avisasse de algo, depois a visão sumiu e apareceu uma mulher... – Expliquei detalhe por detalhe até acabar e suspirar.
— Vou admitir, eu tive um sonho parecido – Ele continuava do mesmo jeito, com o braço no rosto. – No meu, foi também numa espécie de filme, mas havia um garoto de mais ou menos 14 anos, ele batia em pessoas com um chicote mas... parecia que não tinha escolha a não ser bater nelas.E o mais estranho foi que essa mesma mulher apareceu e disse.
“Isso continuou por anos, Liony, e continuaria se ela não aparecesse. Quando ela chegar, você saberá, e seu dever será guia-la e protege-la”
— Ai meu sonho acabou. – Disse ele dando de ombros.
— O que será que significa? – Perguntei batucando os dedos na coxa, o que sempre fazia quando ficava nervosa.
— Não sei, mas realmente parece algum tipo de aviso, ou uma premonição, sei lá...
Começara realmente a ficar nervosa, e até com um pouco de medo. Nico era o único que já me viu com medo.
— Mas não se preocupe. – Ele sorriu e se levantou, me puxando para dar um abraço. – Você sabe que eu posso te proteger de qualquer coisa né?Mesmo se for sonhos de gente maluca.
— Sim. – Sorri e retribui o abraço.
[ Casey: Que cena fofa!
Nayra: Não é nada, largue ele.
Lucya: Calem a boca e deixem-me continuar!]
Ficamos vendo filmes a tarde inteira, o meu preferido foi Senhor dos Anéis – As Duas Torres. Ele reclamou a tarde inteira que esse filme era sem sentido e longo, e eu apenas ria.
Depois comemos sanduiches naturais que Tio Gabriel havia feito para nos. Ele cozinhava muito bem e sempre misturava molhos que deixavam com um gostinho de quero mais.
Depois eu e Nico subimos e ficamos na varanda que dava uma visão de todo o jardim da frente.
— Você vai para o passeio de amanhã? – Perguntei olhando a paisagem
— Sim e você?
— Também, mas não estou muito animada. Não quero encontrar com aquelas esnobes da nossa turma...
— Já ia falar sobre isso... Não quero mais que você se meta em brigas... da última vez você saiu com um corte na cabeça, lembra?
— Mas eu deixei a cara daquele garoto roxa! – Sorri ao lembrar.
— E quase ganhou uma expulsão!
— Valeu a pena. – Virei e abracei os joelhos, um pouco emburrada.
— Eu só me preocupo com você...
— Eu sei, eu sei...
— Deixando o assunto de lado, se eu não vê-la amanhã, eu vou te buscar na sua casa e te arrastar até o museu.
— O.K. – Sorri. Olhei o celular e vi as horas, eram 17:03. – Nico, preciso ir, minha mãe me mandou voltar antes do jantar.
— Está bem. – Nico levantou, fiz o mesmo e seguimos para fora da casa. Passando pela sala, me despedi de Tio Gabriel e fui buscar Gold, que dormia com a cabeça para dentro da casinha de Panzer. Sorri ao vê-lo assim.
Assoviei e peguei a guia, Gold veio logo em seguida, pus a guia em sua coleira e me despedi de Nicholas. Atravessei o jardim e andei até na praça. Onde encontrei um velho amigo meu, George Harrys.
Aproximei-me de George – Olá George – Sorri e me sentei ao seu lado. Ele sorriu de volta, com alguns de seus dentes faltando.
— Olá Lucya! – George era mendigo, o que fazia poucas pessoas aproximarem dele, mas eu não. Conhecia-o a tempos, desde que era pequena, quando eu e minha mãe ajudávamos (e ainda ajudamos) um projeto social da cidade para alimentar e cuidar das pessoas mais necessitadas. – Como vai você e esse belo cão? – Ele acariciou atrás das orelhas de Gold, que se acalmou e colocou a cabeça em seu colo.
— Eu estou bem, e ele também – Sorri. – E você?
— Estou ótimo. Ah, sabia que ganhei na loteria? R$7.000.
— Deveria estar então mais arrumado.
— Doei todo o dinheiro para o hospital de crianças com câncer. – Ele sorriu, orgulhoso de si mesmo.
— Você tem um grande coração, mas acho que devia pelo menos ter ficado com um pouco do dinheiro, para ajudar a melhorar de vida.
— Eu já tive grandes riquezas, Lucya, mas descobri que elas não traziam a verdadeira felicidade. Acho que você também aprenderá isso também, na sua outra vida – Ele sorriu bondoso. Fiquei sem entender um pouco mas retribui o sorriso.
- Preciso ir, George, minha mãe me espera. – Levantei. – Até! – Me despedi e virei, e pensei ter ouvido-o falar “Até mais, futura guerreira de Fazuri” .Bem... Ele deveria estar com uns parafusos a menos, mas não liguei. Segui meu caminho até chegar em casa.
Notas finais
Sim,vão ter pov's, mas só três, apenas mostrando o ponto de vista das personagens principais.
Essa parte 1 foi o ponto de vista da primeira personagem.As partes 2 e 3 serão das outras duas.
Espero que tenham gostado!
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I LOVE YOU,MY LITTLE READERS. (P.S.: Mesmo que sejam leitores-fantasmas)
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