Notas iniciais
Depois de muito tempo distante do mundo literário como escritora, decidi dar vida a uma das minhas ideias, foram mais dias de luta do que de glórias, mas consegui ♥

Você pode perguntar o que quiser a um fantasma, ele não irá responder. Mas quando menos esperar, ele dirá coisas que vão te deixar com ainda mais perguntas que não serão respondidas.

Quando acordei, tinha uma sombra próxima demais da minha cama, bem ao meu lado. Consegui me mover e algo se alertou dentro de mim: não era uma paralisia do sono, muito menos um sonho. Fui com tanta pressa para trás que caí da cama.

Praguejei pela dor aguda que senti no cotovelo e ouvi uma risadinha baixa e suave. Eu a conhecia tão bem que não era necessário luz para saber quem era, mas a sombra saiu de frente da janela e a luz da lua foi suficiente para enxergá-lo.

Malditos sejam fantasmas e suas aparições, mas bendito seja At.

— Você se desacostumou, Red.

A embolada de panos nas minhas pernas me impediam de me levantar rápido sem quase cair de novo, me irritei e um buraco que tinha no lençol aumentou quando o puxei com tudo para me desvencilhar.

Esqueci até a dor, e teria me jogado em cima do fantasma se eu não soubesse que daria de cara com a parede atrás dele.

— Depois de três anos? — sussurrei me aproximando dele, o sorriso quase me rasgando o rosto. — Malditos sejam vocês fantasmas.

O sorriso dele aumentou, soltando uma risada baixa.

— Eu tenho uma surpresa — disse, passando pela fileira de camas que vinha antes da minha, o segui em silêncio porque não adiantaria lhe perguntar nada. — Vamos?

Encarei a porta se abrindo sozinha com uma sobrancelha arqueada, mas não por estranheza, já estava acostumada desde os cinco anos com seus truques de fantasma.

— A última vez que você disse isso, me apresentou a uma bruxa. E se lembra do que aconteceu?

— Mas você quis que acontecesse — me espantei por não ter nenhum tom decepcionado ou raivoso em sua voz e aguardei por alguma repreensão como ele era acostumado a me dar quando eu fazia algo errado, mas só escutei um suspiro que parecia mais um riso. — E ainda não é a bruxa certa, mas um dia será.

Não tinha nenhuma pele morta nos meus lábios para eu arrancar, tive que me contentar em mordê-los; se ele não estava com raiva de mim, não via motivos para passar três anos sumido.

— Adianta eu perguntar qual é a certa?

— E adianta você perguntar isso?

— Já fazem dez anos, mas você continua sendo um velho chato.

Tentei segurar meu sorriso, e seus dentes ficaram à mostra naquele sorriso que eu estava acostumada, como se fosse bom para ele me ver de novo.

Era difícil enxergar sua silhueta sob a escuridão dos corredores do Madre Espirina, ele não brilhava no escuro como nos filmes infantis. Pareceria tão vivo quanto eu se não fosse pela transparência, mas ela só fazia atrapalhar a minha tarefa de enxergá-lo.

— Por onde você andou? — cochichei e me senti idiota em seguida. Por onde um fantasma andaria? Pelo mundo dos mortos, talvez? Isso era estúpido. A pergunta, digo. — Quer dizer, por que não apareceu mais? — me corrigi, mas ele não parou de andar e cada vez menos eu o via, só conseguia saber para onde estava indo pelo frio que emanava. — Você ficou com raiva de mim?

Me mantive calada depois de quase tropeçar em um dos degraus da escada. Para At era fácil, ele atravessava as coisas, mas eu ainda bati três dedos de uma vez em um móvel e amaldiçoei mais alguém vivo da família dele quando ele riu escutando meu lamento, porque amaldiçoar fantasmas não tem sentido.

Percebi que ele tinha parado quando quase o atravessei. E você sabe que está prestes a atravessar um fantasma quando sente um frio sobrenatural, como se gelo tentasse entrar em seu corpo pelos poros e chegar até os ossos, os congelando em seguida, e um gosto estranho toma de conta do fundo da garganta.

Quando você o atravessa por completo, sente gosto de sangue e parece a morte vindo te buscar. Mas tudo passa depois, e só fica aquela sensação estranha de que sentiu algo horrível.

Uma porta que eu não estava enxergando foi destrancada e ele prosseguiu naturalmente. Me arrependi de ter saído descalça quando as pedrinhas do lado de fora começaram a machucar meus pés.

— Eu sei que você não vai falar, mas…

Me interrompi por causa do vento. Não um normal, nada era normal em uma noite que eu acordava dando de cara com um fantasma.

Primeiro vieram as borboletas, uma enxurrada, não duvidava ser centenas delas, sob a luz da lua cheia ainda brilhavam como jóias, lindos insetos que pareciam ser feitos de safiras.

Magia pura, foi o que Stella me disse que eram.

Elas surgiram do nada, como se tivessem portas abertas no ar para que passassem, formando um casulo de borboletas, então todas se dissiparam de uma vez, como uma explosão, dando lugar a uma mulher.

Uma bruxa. Era fácil reconhecê-las, mas eu não deveria estar impressionada.

Ela sorriu para mim, como se estivesse feliz em me ver, me analisando dos pés à cabeça, fazendo eu me sentir nua, apesar da minha longa camisola preta ser bem espessa.

— Scarlet… — arqueei uma sobrancelha para At, indagando com o olhar como ela sabia meu nome. Ele só deu de ombros. Muito tranquilo, o infeliz. — É um prazer conhecê-la.

Forcei meus pés a ficarem no lugar para não dar meia volta e entrar pela porta atrás de mim. Ergui meu queixo, eu poderia estar sentindo uma pontada de receio, mas ela não precisava saber disso.

— Eu deveria dizer o mesmo?

Esperei que meu tom rude a espantasse e que a fizesse desmanchar aquele sorriso de quem via uma pedra preciosa. Mas ela riu e pareceu ver o pote de ouro no fim do arco-íris.

— Você tem a arrogância deles… — tinha tom de elogio, mas vi o olhar reprovador que At a deu, para então sorrir e erguer o queixo muito solene, como se concordasse e tivesse orgulho disso.

— Do que está falando? — perguntei franzindo as sobrancelhas. — Eles quem?

Ela passou por mim para limpar a areia de um nicho na parede com um gesto de mão e se sentou lá.

— Você os conhecerá, Atlas me disse que aquela… — pausou e olhou para o fantasma, quando o encarei, ele estava com a cara mais feia que o vi fazer desde que o conheci. — Amável senhora — a bruxa limpou os lábios com o dedo como se quisesse tirar o gosto daquelas palavras, mas fez uma cara que demonstrava não ter tido êxito — encontrou o diário da sua mãe e já foi até a casa dos Stewart…

— O quê? — gritei em um sussurro. Meus olhos tão arregalados que o vento parecia congelar as órbitas.

Dei um, dois, três passos para trás e senti a presença do fantasma se aproximando de mim, o encarei pedindo por socorro, como se ele pudesse me segurar pela mão e me levar para o mundo dos mortos, ou para onde quer que ele existisse além dali, mas seu semblante estava suave e suas mãos erguidas me pediam calma.

— Não se preocupe, Red — ele disse e sorriu de leve.

Foi aí que me lembrei: não tem como ninguém saber o que fiz.

Respirei fundo, três segundos inspirando, cinco expirando, repetição de quatro vezes. Os batimentos do meu coração desaceleraram e comecei a repetir isso até ele voltar ao normal.

— Ei, ei — ela disse e se aproximou de mim, me segurando pelos ombros. — Não tem como ninguém saber o que você fez.

Meus olhos se arregalaram e algo frio se afundou no meu estômago, me fazendo estancar no lugar e o mundo pareceu sem gravidade por meio segundo.

— Como você…? — não achei voz para completar, saiu tão baixo que eu mesma mal escutei.

— Stella é minha amiga — ela sorriu, parecendo esperar que aquilo me tranquilizasse.

Mas o efeito foi o contrário. Senti o gelo no meu estômago se tornar algo quente, meu sangue esquentou, nem o frio da noite me incomodava mais. Precisei cerrar os punhos para controlar a raiva que queria me controlar.

— Se você disser a alguém… — comecei avançando em sua direção, mas ela me cortou antes, colocando um leque fechado no meu peito, a mão livre se levantando pedindo calma.

— Eu não vou dizer — busquei traços que denunciassem que ela estava mentindo, e não decidi se ficava tranquila ou mais desconfiada por não ter achado nenhum. — Eu juro — deu ênfase, mas continuou quando minha sobrancelha erguida demonstrou que não era suficiente: — Eu juro pela magia! Não é o feitio de nenhuma bruxa se meter nos pactos alheios.

— Mas qualquer um que for amigo dela pode saber. Eu não me… — seus dedos sobre minha boca me pararam e os espantei com um tapa.

Ela recuou a mão até o peito, me olhando como se eu fosse uma bruta, só que tinha diversão em seus olhos.

— Ela não é parecida com o Atlas? — perguntou para o fantasma, e franzi as sobrancelhas quando ele concordou.

— Quem é Atlas? — comecei. — Quem é você? Como assim o diário da minha mãe? Quem são essas pessoas que você fala que vou conhecer? E o que você quer aqui?

— São muitas perguntas para tão pouco eu — ela rodopiou até chegar ao nicho na parede de novo, se abanando com o leque como se a noite não estivesse fria o suficiente. — Mas tudo bem, é minha obrigação te responder. O que eu esperava? Chegar aqui, te entregar a chave e sair sem precisar dizer nada além do necessário? — suspirou tão dramática que soou teatral. — Sim, eu estava esperando isso, mas porque fui tola.

— Não me faça perder mais tempo e comece a falar logo — reclamei.

— Mas você tem todo o tempo do mundo!

— Sim, mas para não ser gasto com você.

Ela abriu a boca em indignação, olhou para o fantasma e depois para mim de novo e começou a rir. Quis jogar uma pedra nela já que ela e At poderiam se safar se alguém acordasse, mas eu não.

— É espantoso como vocês se parecem, mesmo não tendo sido criada por eles. Deve estar no sangue.

— Eles. Quem? — andei até estar próxima o suficiente dela, a encarando de cima.

A bruxa se contraiu contra a parede como se fosse ela que tivesse motivos para me temer, não o contrário.

— Tá, está bem! — ela abanou o leque na minha direção e um vento me levou para muitos passos longe dela. — Eu não posso te dizer muito, mas Olea está vindo, tenho certeza que ela dará um jeito de descobrir onde você está quando não te achar naquela casa.

— Quem é Olea e o que ela quer comigo?

— Prefiro deixar para que você saiba pela boca dela, para não estragar a surpresa. E não, não insista, ou sumo daqui sem te responder mais nada.

Fechei minha boca e olhei para At, em busca de resposta. Em vão, claro, meu amigo apenas deu de ombros de novo dando um de mudo como fazia sempre quando não me diria nada do que eu perguntava.

Voltei minha atenção para a bruxa.

— Quem é Atlas?

— Você só tem mais duas perguntas.

— Você não me falou nada sobre limite — exclamei com mau humor, indo ainda menos com a cara dela mesmo que a cada minuto ela parecesse gostar ainda mais de mim.

— Mas agora estou falando, aproveite e tente fazer as certas.

Um milhão de perguntas circularam minha mente, mas uma se destacou entre as demais.

— O diário… a minha mãe, ela…

Não. Pensei. Não isso, Red. Não.

Eu não teria sofrido nada daquilo com os Stewart se meus pais não tivessem me abandonado lá. Talvez eu quisesse saber deles se tivesse sido em outra casa, mas não lá.

Eu não precisava saber deles se eles não queriam saber de mim.

Iria mudar a pergunta, quando a bruxa resolveu entender aquele gaguejo de palavras jogadas ao nada como algo sólido e coerente o suficiente para ser respondido.

— O diário de Rosemary, sua mãe — ela pausou, me avaliando. Me mantive quieta, mas com um turbilhão de coisas percorrendo minhas veias apenas por saber seu nome. — Pelo que Atlas me disse, foi encontrado há alguns dias. Nele tinha uma pista de onde ela te deixou.

Umedeci meus lábios ressecados, a frequência da minha respiração diminuída pelo medo de pôr à mostra sentimentos que há anos eu não deixava chegar nem perto da minha pele.

— Burrice dela — engoli o nó na garganta e ri. Foi forçado, mas foi o melhor que pude. — Quem diabos escreve em um diário a localização de um bebê que será abandonado?

— Bom, Rosemary tem um ponto já que demoraram todos esses anos para achar.

É, ela tinha.

Meu peito se contraiu e meu coração se retorceu em uma batida falha, como se ele quisesse continuar batendo, mas uma mão fantasma o segurasse. Senti meus olhos quentes antes que eu pudesse evitar.

Ela escondeu ele tão bem era o que estava implícito em suas palavras. Tão bem para que ninguém me encontrasse.

Vi a bruxa se levantar com uma expressão que pedia desculpas, percebendo só então que tinha dito algo delicado e me machucado. Suas sobrancelhas franzidas com as pontas torcidas para baixo deixavam seu rosto inteiro em uma expressão de tristeza e pena.

Foi pelo último sentimento que vi que engoli o nó por inteiro da garganta, meu coração falhou mais uma vez, só desejei que ninguém da minha família biológica tivesse um problema cardíaco hereditário, e fiquei sem piscar até a umidade dos meus olhos diminuir, deixar de ser quente e passar ao gelado.

— E o que você está fazendo aqui?

Ela olhou por todo meu rosto e o seu próprio foi suavizando os vincos com o passar dos segundos, até que suspirou, voltando a se abanar com o leque.

— Enfim uma pergunta certa, mas essa é a única que eu responderia mesmo se não fosse feita.

A bruxa veio até mim com calma, o que eu estava longe de sentir por completo, mas fiz tudo que pude para parecer tão calma quanto.

O leque parou abruptamente e foi fechado com um estalido. Ele passou sobre sua palma aberta estendida na minha direção, e nela surgiu uma chave.

— É um presente. — disse, parecendo muito satisfeita. — Pegue. Foi muito difícil encontrá-la para você recusar.

Relutei. At estava sereno como sempre esteve, mas tinha ansiedade em seus olhos translúcidos. Ele queria que eu pegasse a chave?

Se ele não tivesse me dito que fantasmas não têm poder de ler mente, eu teria me assustado quando ele confirmou com a cabeça.

Parecia antiga e cheia de detalhes intrincados, um modelo de séculos atrás. Uma das borboletas se aproximou de mim e brilhou como uma estrela, iluminando a chave.

Quis perguntar para a bruxa como ela controlava aqueles seres de magia, Stella nunca tinha me explicado, mas me contive porque o dourado da chave me tirou toda atenção.

— Isso é ouro? — soei encantada mais do que gostaria de demonstrar que estava, mas o que poderia ser feito quando todo ouro que vi foram nos pequenos brincos que Mathilde Stewart amava usar para se mostrar por aí?

— Puro e maciço.

Um objeto inteiro, do tamanho de um terço da palma da minha mão, em ouro.

— Eu não entendo — ergui meus olhos e ela estava sorrindo, notando que eu tinha gostado do presente. Minha cabeça fervilhou de perguntas, eu queria fazer todas elas, mas tive que apertar minha língua com o os dentes para me segurar e resumir toda minha dúvida em uma só. — O que isso significa? — girei os dedos indicando nós três, a borboleta ainda iluminava muito, deixando o dourado da chave chamar toda a atenção. — Tudo isso.

A bruxa e At se entreolharam, questionando se podiam compartilhar um segredo. Fiquei como uma criança espiando de um para o outro, procurando entender o que tanto comunicavam pelo olhar.

Escutei a bruxa suspirar, mas At não mudou nem um músculo fantasmagórico da face.

— Eu ia entregá-la ao Atlas, mas faz mais sentido ser a você.

— Por que a mim? E o que ela abre?

— Só digo que a guarde como se protegesse sua vida e não deixe Stella saber que está com você — ela me deu as costas e borboletas surgiram do nada, a rodeando, mas fui mais rápida do que elas. — O que pensa que está fazendo? — esbravejou se virando pra mim. — Quer ser arrastada comigo para O Outro Lado? — todas as borboletas se dispersaram, mas continuaram lá, a rodeando, e ela encarava minha mão segurando seu braço como se eu fosse louca.

O Outro Lado?

Franzi o cenho e não a soltei, eu não podia me distrair, tinha algo pior para perguntar.

— Quem são eles? — apertei mais seu braço quando ela se mexeu para soltá-lo. — Essas pessoas que você insiste em falar como se eu fizesse parte delas, quem são?

A bruxa olhou para At como eu o olhava quando estava precisando de ajuda. Foi gratificante ver que ele não se fingia de cego e mudo somente comigo quando deu de ombros com cara de paisagem. Uma clara mensagem de: se vira.

Encarei a bruxa a tempo de vê-la indignada com a reação de At, mas então me olhou.

— Só posso dizer que você pode descobrir sozinha se juntar as peças — voltou a olhar para minha mão, e dessa vez a soltei sabendo que eu não arrancaria mais nenhuma informação sua.

As borboletas a rodearam no mesmo instante. A bruxa, que eu tinha esquecido de perguntar o nome, foi coberta por uma avalanche de borboletas, que sumiram junto a ela.

Senti o gelo me tocar suavemente e olhei para o fantasma, que estava com a mão próxima ao meu ombro, ele quase poderia me tocar se fosse sólido.

— Você sabe, não sabe, quem eles são?

Ele sorriu de forma simplória, sem mostrar os dentes e parecendo paterno, evidenciando as rugas ao redor dos olhos.

Olhos que sob a claridade eram verdes escuros, cor de esmeraldas, e brilhavam como elas quando o sol os tocavam.

Eu sempre gostei de saber que mais alguém tinha olhos como os meus, mesmo que fosse um fantasma.

At levou os dedos aos lábios, estranhamente ele próprio não se atravessava, como se para si ainda fosse de carne e osso, mas para todo o restante do mundo sequer existisse. Os dedos ficaram pressionando por segundos os lábios, ou os lábios que pressionavam os dedos, mas quando os afastou, sua mão se aproximou da minha testa.

Não estava gelado como deveria ser.

Eu pude sentir, o toque e todo o resto. A vida.

Uma imensidão de sentimentos, que não pareciam ser meus, me preenchendo, completos desconhecidos para mim, flutuando no fundo do meu coração e se expandindo, de dentro para fora. Eram quentes. Levei a mão ao coração porque eu sentia que conseguiria segurar todos eles. Me senti sorrir e tive vontade de chorar ao mesmo tempo.

O toque se foi aos poucos, desaparecendo conforme At também sumia, mas lá no fundo da minha mente eu ainda escutava sua voz terna e agradável. De um senhor que parecia ter o brilho de esmeraldas no coração quando vivo.

Bem-vinda de volta, Red.

Notas finais
Se gostou, comente, para que eu possa usar seu comentário pra aquecer meu coração, tá fazendo muito frio ultimamente e eu sou frienta D: