O Legado da Fênix

2 A chave, o elfo e a outra dimensão- parte 1


Notas iniciais
Desculpem a demora, não deu pra postar antes mesmo, o computador e a internet não tava pegando. Este e o ultimo capitulo que a Hazel tem apenas seis anos.

O menino parecia surpreso quando disse meu nome, e logo se apresou a dizer o seu.

– Meu nome é Findris Belthor.

Franzi o cenho e sem querer deixei escapar:

– Que nome estranho.

– O seu também é bem diferente- retrucou

– O que você é?

– Um elfo, da aldeia do Norte.

–Onde estou?

– Aqui! — respondeu confuso.

–Não é isso! Onde estou? Que lugar é este? -indaguei irritada.

– Na aldeia do Norte! -respondeu igualmente irritado e bufamos juntos.

– Vai continuar aí no chão ou vai levantar e vir comigo?

– E por que eu iria com você?

– você tem outra opção? -perguntou-me retoricamente. Bufei novamente.

– você é um touro?

– É claro que não!

– Pois você bufa como um. – Falou divertido, mas aquilo foi o cúmulo para mim.

Levantei-me rapidamente e saí de perto dele pisando duro no chão.

– Pra onde você vai? -gritou-me

–pra bem longe de você! -retruquei.

– Ei menina louca, me espera!

Prossegui o meu caminho em silêncio mas o infeliz me alcançou.

– Você é sempre assim, mal-humorada?

–Não é um dos meus melhores dias.

– Desculpa pelo que eu disse, acho que não devia fazer pouco de você.

– Você acha?

– Também não abuse da sorte.

Ri e continuei a caminhar

– Estamos na dimensão Ômega, e como disse, na Aldeia do Norte, onde se concentram as maiores das aldeias élficas de toda a dimensão- explicou.

– Dimensão Ômega... – sussurrei. “Como assim Dimensão Ômega? Que brincadeira de mau gosto é essa?”

Quando percebi já estávamos em frente a uma cidade, repleta de elfos. Tudo era encantador, das pedras cinzentas do chão até os simples chalés de madeira em estilo rustico. O cheiro de pão e bolo se misturando com o cheiro das belíssimas flores que enfeitavam o lugar.

No centro da cidade havia um belíssimo chafariz de três querubins, um em cima do outro, o que ficava no topo segurava um arco e flecha e soltava agua pelo topo da cabeça.

Tudo impecavelmente lindo.

– Gosta do que vê? -perguntou-me Findris ao perceber minha reação maravilhada sobre a cidade.

– Sim, e muito.

– Eu não gosto- o olhei espantada, como alguém não pode gostar daquele lugar?

– Por quê? -indaguei confusa.

– Porque é tudo muito perfeito, e a perfeição fede. — respondeu-me.

– Para onde estamos indo? –perguntei.

– Indo ver minha mãe, ela trabalha na padaria. –daí a súbita lembrança de meus pais veio à tona. Meus olhos se encheram de lagrimas, mas logo tentei me recompor.

– Qual é... o nome dela? -sem querer minha voz saio chorosa Findris logo percebeu e me olhou preocupado.

– Você está bem?

– Estou, foi só um cisco. – ele percebeu minha mentira, mas deixou passar.

– O nome dela é Loriel. – disse ele.

– Nome bonito. – disse

– Igual ao seu. – falou, e pouco depois corou violentamente. Eu ri.

Quando chegamos à padaria uma moça, quase que imediatamente nos atendeu. Ela era alta, tinha a pele bem branquinha, cabelos lisos e castanhos claros, olhos verdes e vestia um belo vestido lilás com um avental branco, e assim como Findris ela era uma elfa.

– Oi mãe! -cumprimentou Findris.

– O que faz aqui filho? Você não deveria estar em casa? -ralhou.

– Eu estava treinando na floresta, quando encontrei a menina louca, daí eu resolvi trazer ela para a senhora já que ela é uma humana ...- Fin continuou a tagarelar até sua mãe o interromper.

– Uma humana? – perguntou assustada. Me encolhi um pouco e me escondi atrás de Fin assustada.

– Oh querida não se assuste, eu não vou lhe fazer mal, só quero lhe fazer algumas perguntas. – Loriel segurou minhas mãos e me olhou carinhosamente, como uma mãe, minha mãe.

Quase que instantaneamente meus olhos se encheram de lagrimas. Abaixei a minha cabeça para Loriel não me ver chorar, mas meus soluços me denunciaram.

– O que foi bebê? O que aconteceu? Onde estão os seus pais?

– Eu não tenho p-pais. – respondi

E inesperadamente ela me abraçou e eu retribuí.

– Shhhhh! Já passou, já passou...

Funguei e enxuguei os meus olhos com as costas das minhas mãos.

– O que você queria me perguntar?

– De onde você veio?

– De Santa Catarina, no Brasil. – respondi.

– Como você veio parar aqui?

– Eu não sei. – murmurei.

– O que estava acontecendo antes de você vir pra cá?

– Eu estava brincando perto de casa, quando eu pensei ter visto um coelho-gato, daí eu fui atrás dele, e acabei me afastando demais do meu vilarejo, e quando eu voltei...estava tudo destruído e pegando fogo, estavam todos mortos, até meus pais, a única coisa que ainda estava intacta era uma chavezinha vermelha, daí eu dormi e acordei aqui. Eu não estou entendendo o que está acontecendo... por favor me ajude! – expliquei.

– Uma chave vermelha? -indagou Loriel.

– Sim, ela tem uma chama naquela parte que a gente segura. – respondi

– eu posso vê-la? -perguntou e eu assenti, tirando a chave do bolso de meu casaco e entreguei em suas mãos.

Quando Loriel botou os olhos na chave quase teve um treco, tamanho era seu pavor estampado em sua bela face.

– O que foi mãe? -perguntou Fin visivelmente preocupado

– É uma chave de portal, somente cavaleiros vermelhos a possuem. Menina tem ideia do perigo que corre com uma dessa em mãos?

– Não...- sussurrei e abaixei a minha cabeça – O que é uma chave de portal?- Loriel se calou.

–Foi isso que a trouxe aqui. Esta chave tem o poder de transportar pessoas por portais interdimensionais uma vez que você deseja ir para algum lugar em que essa chave possa levar. Essa chave só pode lhe transportar para lugares dessa dimensão, basta você dizer o lugar ou tê-lo em mente.

–Mas eu nunca estive aqui antes, como posso ter vindo parar aqui?

–No que você pensou quando pegou nesta chave? –Perguntou-me Fin.

–Num campo verde e cheio de árvores, como o campo em que eu costumava treinar arco e flecha com o meu pai.

–Por isso você acordou lá na floresta, foi o lugar mais parecido com que você imaginou que a chave lhe transportou. –Confirmou Fin.

– Qual é o seu nome? –Perguntou-me Loriel.

– Hazel Flaming – respondi e um longo suspiro de preocupação saiu de seus lábios.

– Uma Flaming...- sussurrou. – Vão pra casa, assim que o meu turno acabar eu vou para lá, não mostre em hipótese alguma essa chave para mais alguém, e se perguntarem seu nome é Lolabell Gwenye, minha sobrinha, entendeu? -explicou e eu assenti – E Findris... proteja-a. Frindris segurou a minha mão e juntos corremos até a sua casa.

Ela era pequena e simples, mas assim como as casas da cidade, era impecavelmente linda.

Quando adentramos o lugar pude ver a sala, um pouco mais afastado da sala havia um imenso balcão que separava a sala da cozinha. No final esquerdo da sala havia um corredor que dava para os quartos e o banheiro. Mas o que me encantou fora um belo arco e flecha de ouro branco todo decorado com finos e delicados desenhos abstratos que repousava na parede.

– Era da minha avó, depois que ela morreu, papai colocou o arco dela aí, sabe, como lembrança. – Falou Findris. Sua barriga roncou e ele riu – Parece que o buraco negro resolveu aparecer.

Rimos juntos até ele ir para a cozinha.

– Você está com fome? Fale agora ou cale-se para sempre e aproveita que a promoção tá acabando!

– Promoção? – Indaguei divertida.

– É, quer dizer para você aproveita porque hoje eu estou generoso. – Então não se acostuma porque eu sou folgado – Completou.

– Eu quero sim, o que tem aí? – Perguntei apontando para as suas mãos, onde se encontrava um saco que parecia ser de farinha de trigo.

– É trigo! – Respondeu.

– O que você vai fazer?

– Um bolo.

– Eu adoro bolo. –Afirmei.

– Você sabe fazer? – Findris me olhou como se eu tivesse dito a coisa mais óbvia do mundo.

– Se eu não soubesse não estaria tentando fazer um, não é menina louca? – perguntou retoricamente.

– Por que você me chama de menina louca?

– Por que você tem cara de gente louca. – Fechei a cara e Findris gargalhou, e eu acabei por lhe acompanhar.

Quando acabou de reunir todos os ingredientes, pediu que eu lhe passasse todos um a um.

– Ovos. – Lhe passei os ovos.

– Farinha. – E daí eu tive uma ideia. Peguei um punhado de farinha com a mão e a soprei em sua cara.

Gargalhei como se não houvesse amanhã com a cara de taxo que ele fez. E ele, certamente bravo tacou um ovo no meu cabelo, parei de rir na hora, e fiz cara de nojo. Dessa vez foi a vez dele gargalhar. Por vingança, joguei um ovo nele também, e antes que ele pudesse reagir eu sai correndo pela casa, quando ele percebeu pegou um punhado de farinha de farinha e correu atrás de mim.

E alcançou.

Rimos da cara um do outro. Estendi a mão aberta para frente e nela se formou uma pequena bola de neve e joguei nele. Fin ficou confuso com a neve refletindo nos cabelos.

– Mas você... tem poderes? — perguntou animado.

– Aham! Eu posso criar neve e gelo. – respondi empolgada.

–Que legal! Agora mamãe não vai mais precisar comprar uma geladeira nova. – joguei outra bola de neve nele.

– EI! Assim não vale!

–ok! ok! – estendi a mão para o chão e fiz uma pequena montanha de neve. Fin e eu começamos uma pequena guerra de bolas de neve.

Quando Fin iria jogar mais uma bola de neve, ouvimos uma voz rouca e forte:- oque e que está acontecendo aqui? — quando olhei para cima eu “congelei” de susto. O homem na minha frente era uma versão adulta do Fin. Os mesmos cabelos cor de cobre, os olhos azuis, a pele branquinha até as sardas.

– Oi pai! — falou Fin lentamente – Err...sabe pai, começou a nevar então começamos a proteger a comida em nossos corpos.

– Começando a nevar? No verão? Somente dentro de casa? – Questionou o pai do Fin.

– Por quê? Não pode? — murmurou Fin.

E então o olhar do pai de Fin se dirigiu a mim.

– E quem é você?

–LolabellGwenye- disse tão rápido que nem eu entendi.

– O que? — ele disse

– Lolabell Gwenye — repeti mais devagar

– Bem, eu sou Zodrac Belthor – Se apresentou.

Calamo-nos, ao ouvir o barulho da porta se fechando e um grito de susto ecoou por todo o lugar.

– O QUE FOI QUE ACONTECEU COM A MINHA CASA? — gritou Loriel.

Fin já estava pronto para inventar mais uma história, mas eu o impedi contando toda a verdade.

– foi minha culpa, eu comecei uma guerra de comida e envolvi o Fin nisso. – expliquei.

– E a neve? – indagou Zodrac.

– É o meu poder. – respondi um pouco baixo.

– Você é uma elemental? – perguntou Loriel.

– Como assim? – perguntei de volta.

– São pessoas que conseguem controlar os elementos. – explicou Zodrac.

– Então, sim. – falei – por quê?

– Mas isso é impossível, Flaming’s não controlam gelo! – exclamou Loriel.

– Flaming? Você não e uma Gwenye? – perguntou Zodrac.

– Eu pedi para ela mentir, seu nome verdadeiro é Hazel Flaming. – explicou.

– E o que ela tá fazendo aqui? – indagou o pai de Fin.

– Os pais dela morreram e ela encontrou uma chave de portal de um cavaleiro vermelho.

– De um cavaleiro vermelho? Está louca Loriel, tem ideia do perigo que essa menina representa?

– Eu juro que não vou machucar ninguém, por favor me deixe ficar. – implorei.

A neve que estava no chão começou a ficar mais densa devido ao meu nervosismo. Todos me olharam espantados e recuaram um passo, menos Fin, pois o mesmo se pôs ao meu lado e segurou meu braço.

– A deixem ficar, por favor. – implorou Fin. Seus pais se olharam por alguns instantes, até que Loriel deu um suspiro profundo e falou:

– Tá, este vai ser o nosso segredo. E limpem essa bagunça!

– Tchau! Foi um prazer te conhecer! – disse Fin com ironia. Eu ri um pouco.

Loriel saiu e voltou um pouco depois com alguns produtos de limpeza. E Fin murmurou algo como “Ah, não!”. Mandou começarmos e foi embora.

– Bom, nós não precisamos de água, é só esperar o gelo derreter e pronto. Já é uma economia e tanto. – ironizou Fin.

Depois de um tempo quando terminamos de limpar a casa eu e Fin caímos no chão, exaustos. Loriel olhou para casa e disse: “Vão tomar banho o jantar está quase pronto.” Fin bufou.

– Você é um touro? – perguntei risonha.

– Não, por quê? – respondeu.

– Pois você bufa como um! – começamos a rir loucamente no chão, por ele ter caído na piada que ele mesmo fez.

Fin subitamente se levantou e se dirigiu ao banheiro.

– VOCÊ NUNCA OUVIU O DITADO “PRIMEIRO AS DAMAS”?- gritei.

– Já! Mas não tem nenhuma dama aqui, então vou eu mesmo! – respondeu ele.

– Mas você é uma dama então faça as honras! – rebati. Levantei-me do chão, e fui até Loriel e falei timidamente. – Eu não tenho roupas.

– Tudo bem querida vou providenciar, pra você -Assenti e esperei Fin sair do banheiro.

Assim que fui tomar banho despi-me e entrei debaixo do chuveiro lavando cada canto de meu corpo para sair àquele terrível cheiro de ovo. Quando acabei meu banho, escutei leves batidos na porta, me enrolei na toalha e abri a porta me deparando com Loriel me estendendo um blusão roxo e um shortinho branco folgado, pelo fato de eu ser do tamanho de um botão as roupas ficaram enormes.

– Amanhã vamos compra roupas para você. – assenti e ela saiu. Vesti-me rapidamente e percebi que estava com realmente muita fome, pois não como nada desde o início da história.

Olhei-me no espelho e estava realmente horrível já que eu sou eu. Meu cabelo estava todo emaranhado daí eu percebi o quanto eu era parecida com a minha mãe, os cabelos e olhos castanhos escuros e a pele morena. O blusão ultrapassou o meu joelho e deixou o shortinho sem aparecer.

Sai do banheiro e fui em direção à cozinha, e todos já estavam à mesa, assim que me viu Fin começou a gargalhar, e eu o olhei emburrada, o que só o fez gargalhar mais alto ainda. Em meio aos risos ele conseguiu falar:

– Você está horrível! – fechei mais ainda a cara murmurei:

– Isso não tem graça. -murmurei

– Ok! Crianças já chega! – disse Loriel e assim começou o jantar. E tenho que comentar ela cozinha muito bem.

Quando o jantar acabou eu e o Fin nos retiramos para escovar os dentes, depois fomos para o seu quarto brincar, e depois de brincar e jogar muita conversa fora, dormimos no chão mesmo.

Pela primeira vez eu tive uma noite sem pesadelos. Eu não estava mais sozinha, agora eu tinha novamente uma família.

continua...

Notas finais
Comentem por favor. Eu tenho quase um treco aqui pra saber se vocês gostam ou não da fic e vocês não comentam e eu fico em nervos.