O Legado da Fênix
13 Talvez A Minha Luz Sejam As Suas Trevas
Notas iniciais
A cidade continuava calma e silenciosa, as pessoas me olhavam como se eu fosse uma espécie de louca, mas isso não importava mais para mim.
Vesti o capuz de meu casaco e continuei a caminhar sem me importar com as pessoas ao meu redor, parei em um beco sem saída e me escorei em sua parede, mesmo que essa estivesse repleta de limo e tivesse manchada de sangue seco, eu só queria um pouco de paz.
“Porque ela irá sucumbir às trevas!”
Aquela frase. Aquela maldita frase não parava de se repetir em minha mente. Poucas respostas para muitas perguntas eram tudo o que eu tinha, e são a estas poucas respostas que eu me prendo, sem ao menos questionar se as mesmas são verdadeiras.
Esse foi o meu erro.
Mentiras, o mundo é constituído de mentiras, as pessoas mentem para encobrir suas falhas, mentem para não ferir, sem perceber que a mentira dói muito mais que a verdade.
Mas eu não sei a verdade, e por isso não sei como agir, estou confusa por que eu simplesmente não consigo compreender o que está acontecendo. Não sei o que é verdade ou o que é mentira, não sei mais de nada.
–Vai ficar me espionando até quando Levy? Você sabe que pode se aproximar de mim, não precisa ficar com medo. –A falta de emoção em minha voz estava me assustando, provavelmente também assustou Levy, presumo eu.
–Não estou com medo, apenas não queria interromper seus pensamentos, me parece que você precisa de um tempo sozinha para esfriar as ideias. –Respondeu e se aproximou de mim.
–Não consigo esfriar as minhas ideias, por que não tenho nenhuma. E eu odeio ficar sozinha... –Apoiei a minha cabeça no ombro de Levy, o mesmo segurou a minha mão e começou a brincar com os meus dedos.
–No que você prefere acreditar? –Perguntou-me.
–Prefiro acreditar que meus pais eram simples caçadores que moravam no interior do Brasil junto de sua única filha, nada mais que isso. –Respondi.
–E por que não se prende a essa crença ao invés de ouvir boatos que a perturbam tanto?
–Por que eu sei que essa ideia não é real, foi uma mentira que eles criaram para me esconder, para poderem dizer a si mesmos que estava tudo bem...mas há um problema nessa história.
–Que problema?
–Não está tudo bem! Eles estão mortos, minha vila está destruída, minha família elfa está parte desaparecida, parte morta; eu me sinto sozinha, por que eu não tenho mais um lar, tenho medo de que se admitir a mim mesma que considero de verdade a sede meu novo lar eu também vá perder vocês. Estou cansada de perder aqueles que eu amo.
–Deve ser bem doloroso perder tudo duas vezes.
–E isso nem é o pior! Eu quero acreditar no mais simples, mas tudo está apontando para o mais complexo. Cada vez mais eu vejo a escuridão pelo meu caminho, quanto mais fundo eu vou, mais obscura eu descubro que é a verdade.
–Um emaranhado de histórias que não passam de mentiras. –Murmurou Levy.
–Não. Uma teia de mentiras escondendo uma única verdade.
–Você pretende ir atrás dela?
–Não pedi por essa missão a custo de nada, não sou idiota. Eu pedi por ela para ficar mais forte, para que o mestre possa liberar a minha ida à Aldeia do Norte para investigar mais a fundo o que aconteceu com Fin e Loriel, mas está dando tudo errado.
–Você foi tão longe assim por eles?
–Iria muito mais longe se fosse preciso, eles são tudo o que me importa. –Minha resposta causou certo impacto no albino, pois senti o mesmo se encolher um pouco depois de ter dito minha resposta.
Levy afastou a minha cabeça delicadamente e se pôs de pé, estendeu a mão para que eu também pudesse levantar. Quando eu fiquei ao seu lado ele deu dois passos a minha frente, eu fiquei parada, e então com uma única frase o albino me surpreendeu.
–Eu não vou morrer. Enquanto você estiver viva e sozinha, eu serei o seu lar.
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Ser mantido na escuridão perpétua não era a melhor coisa do mundo, o imenso dragão só não se mantinha entediado porque mesmo preso no vazio ele podia ver o que acontecia no presente, isso era devido a um feitiço que ele executava todos os dias para vigiar seus alvos.
Odiava com todas as suas forças a raça humana, eles eram tão nojentos. Matavam e manipulavam as vidas um dos outros a preço de nada, uma mera diversão, peças descartáveis de um imenso tabuleiro de xadrez chamado mundo.
“Como eles se tornam tão vulneráveis e indefesos perto de seus inimigos? Como eles se permitem serem tão humilhados diante dos mais fracos? Como se permitem serem enganados por seus próprios “amigos”? São todos uns imbecis!” –Pensou com aspereza. “Como eu me permiti ser derrotado por uma raça tão covarde? Ter um “fim” tão desonrado. Se eu tivesse ganhado aquela guerra...malditos sejam os Flaming!”
Ogon não sabia o que era pior, estar alí selado quase derrotado por completo ou ter de acompanhar o mundo que quis proteger apodrecer aos poucos, vendo as bênçãos que seus irmãos haviam concedido aos homens serem usados para motivos tão medíocres e guerras desnecessárias. Seu desejo mais profundo era exterminar esses covardes que feriram tanto outras vidas por uma mera questão de orgulho e preconceito.
E ele se referia aos monstros que estavam presos e condenados na Floresta das Sombras.
Embora odiasse humanos não deixava de ter pena da menina Hazel Flaming, não tinha culpa de nada, não sabia de nada, era um filhote humano bastante idiota a seu ver, se fosse mais inteligente saberia que estava do lado errado, saberia que seus amados amigos eram os verdadeiros vilões daquela história.
Mas tinha um sentimento que Ogon mantinha pela garota que ia além da pena, a ganância pelo seu poder.
Mitzushi havia realmente atrapalhado seus planos, mas não podia negar que seu irmão era bem esperto, e um tanto quanto poderoso. Ele tinha fé naquela menina, tinha fé no potencial dela, e Ogon não poderia deixar de tirar proveito disso.
Afinal, aquilo era um grande jogo.
E ele almejava por aquela peça, pois ela era muito valiosa.
A peça que podia derrubar ambos os lados.
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Seth e Rick procuravam por Hazel e Levy pelas ruas daquele lugar meio deserto. O moreno mais novo já estava uma pilha de nervos, odiava ter que ir atrás dos outros, principalmente se essa pessoa se tratasse de um Flaming. Odiava a si mesmo por estar simpatizando pela menina, queria a todo custo apagar qualquer tipo de afeto que pudesse o prender a ela, não queria ser amigo de alguém da mesma família que matou seu pai.
Queria aprender a odiá-la, queria ter o mesmo desejo de matá-la que teve no início, mas agora se sentia diferente. Não sentia mais nada.
As vezes queria estar no lugar de Levy para poder entender o por que do albino amá-la tanto, queria descobrir o por que das pessoas a desejarem tanto por perto.
Sentia raiva por tal desejo.
Mais raiva ainda sentiu ao avistar a morena de moletom azul segurando o braço direito de Levy e o mesmo a olhava com penar.
Como se ela fosse digna de pena.
O olhar perceptivo de Seth capturou as feições vazias de Hazel. Aquilo era mau, as mentiras estavam a transformando em um outro alguém, Hazel estava se perdendo aos poucos, morrendo aos poucos.
“Alguns sacrifícios devem ser feitos para preservar o futuro.” –Relembrou das palavras de Mestre Chang, ele havia conversado com Seth antes da chegada de Hazel na sede, falou da importância da menina naquele lugar, do tamanho de seu potencial.
Violetta tinha a missão de manter Hazel naquele lugar, Seth de protegê-la, Jack de vigiá-la, isso não era só para o benefício e o fortalecimento da Dimensão Elementary, mas também por que essa era a vontade de Vexy e Lawliet.
Que Hazel vivesse para proteger aquele lugar.
–Finalmente achamos vocês! Tem ideia do quanto nos preocupou menina? Você não deve sair por aí sozinha sem mais nem menos. Precisamos ir para o porto. –Pronunciou Seth.
–Desculpe o meu descuido por ter saído sozinha capitão, eu precisava digerir as informações melhor. –O timbre de voz da morena estava fraco e baixo, não havia vestígios de emoção naquelas palavras, aquilo surpreendeu os outros dois morenos.
–Você está estranha Flaming. –Comentou Rick.
–Deve ser o calor. –Mentiu a menina.
Rick trocou um olhar confuso com Levy, o albino apenas deu de ombros.
A caminhada até o Porto de Cardegam foi curto, porém o clima estava meio tenso devido a atual personalidade de Hazel, que sempre fora tão alegre e emotiva.
“Talvez seja apenas um mau momento.” –Pensou Seth.
O porto dos barcos voadores estava tão vazio quanto à cidade, parte dos barcos estava em destroços, e alguns outros poucos estavam em melhores condições. Dentre eles estava um grande barco de madeira vermelha, de fato tinha a aparência meio envelhecida, era cheio de detalhes pintados em negro, dando a ele um aspecto mais sombrio. Em sua frente havia a escultura de uma sereia feita também de madeira, esta parecia estar agarrada à embarcação.
De lá de dentro saiu um senhor velho, da mesma espécie das pessoas da cidade, só que este tinha escamas verdes, usavas vestes estranhas como uma camisa fina de linho branco, calça e um casaco compridos e em tom negro, um punhal e uma espada presos à cintura, acompanhados de um cinto de fivela de ouro e fumava um cachimbo, era um tanto baixo e gordo, também era barbudo e tinha as feições de um homem carrancudo, as bochechas gorduchas eram rosadas e os cabelos ralos eram escondidos por um imenso chapéu. Assustador aos olhos de Hazel e sinistro aos de Levy e Rick.
Seth deu um passo a frente e foi o primeiro a se pronuncia, como sempre.
–Com licença, mas o senhor poderia me dizer onde posso encontrar um homem chamado Morin Lenoir?
–Está falando com ele meu caro.
–Oh, que bom. Eu gostaria que o senhor nos levasse para um lugar em especial.
–Pode deixar, qual é este lugar?
–A Floresta das Sombras.
Como se aquilo tivesse sido a piada mais engraçada do mundo Morin riu, riu de se acabar.
–Só pode estar brincando não é meu jovem? É impossível para um de nós ir para lá, essa dimensão é probida! Além disso nenhum de nós sobreviveria, há monstros por todos os lugares, creio eu que vocês repararam nos destroços que restaram dos outros barcos, não demorará muito para sermos nós os destroços. –Debochou o velho.
–Somos magos elementais senhor, e eu sou um mestre, o mais jovem de toda a história, podemos nos proteger. Além do mais, conseguimos a bússola dourada para guiar-nos até a floresta, precisamos do senhor para terminarmos esta missão! –Retrucou Seth.
–Missão? A sede agora envia crianças exibidas para missões de um nível tão absurdamente perigoso? Que covardes!
Seth ficou vermelho de raiva, não se aguentou e agarrou o colarinho da camisa de Morin e o levantou do chão, fazendo com que o velho se assustasse com a ação repentina do mais jovem.
–Não ouse falar mal dos meus mestres, nem de meus companheiros! A sede jamais nos enviaria nesta missão se não soubessem de nosso potencial, todos aqui estamos enfrentando diversos perigos e ainda estamos vivos, o único covarde que eu vejo nessa história é você! –Vociferou Seth. O moreno estava tão irado que Hazel teve que separar os punhos fechados do mais novo do colarinho da camisa do mais velho.
–Discutir quem é covarde ou não agora não vai nos levar a lugar algum! Você deveria ser o nosso exemplo Seth, não sair brigando com os outros por causa de um insulto, guarde suas energias para as futuras batalhas que enfrentaremos. –Ralhou.
–Tudo bem. –Seth deu-se por vencido.
–Os tempos agora estão sendo difíceis, meus caros. Tenho medo do que posso encontrar adiante, e como podem ver eu já estou velho para esses tipos de aventura.
–Isso foi a primeira coisa que percebemos senhor. Mas não se preocupe que o senhor ainda não está caquético! –Rick deu uma cotovelada em Levy pela asneira que o albino falou, o mesmo fez cara de dor e olhou para o moreno mais novo indignado.
–O que foi? Falsidade nunca foi o meu forte! –Defendeu-se.
–LEVY! Não piore as coisas. –Repreendeu Hazel.
–Ok, desculpe, o senhor não é velho. –Pouco depois acrescentou. –Mas também não é jovem!
–LEVY! –Gritaram os outros três em repreensão.
–Tá parei!
Morin apenas ria daquela situação e do constrangimento dos três morenos quanto as bobagens que Levy dizia.
–Olha senhor, nos desculpe pelo nosso amigo ele tem sérios problemas de... –Rick começou mas foi cortado pelo velho Morin.
–Sinceridade aguda.
Levy riu da conclusão de Morin e deu um sorriso alegre.
–Estamos dispostos a lhe oferecer uma boa quantia de ouro e proteção, tudo por uma única viagem. Por favor, senhor, enfrentamos muita coisa até chegarmos aqui, precisamos MESMO dessa viagem. –Implorou Hazel.
Morin deu-se por vencido e aceitou a proposta, afinal, não teve muita freguesia durante dias.
–Subam a bordo!
A equipe de jovens adentrou o barco sorrindo por finalmente terem convencido o velho capitão, tinham em mente que a viagem não seria fácil, então procuraram por descansar no barco.
–Senhorita, preciso da bússola. –Chamou Morin.
–Oh sim , aqui está! –Hazel tirou do bolso de seu moletom a bússola dourada, quando esta foi aberta pelos finos dedos da menina emitiu uma forte luz dourada. Dentro da bússola havia uma bolinha transparente que protegia uma pequena luz dourada, ao redor da bolinha havia um ponteiro de duas pontas, mas o que apontava para o norte tinha a ponta vermelha e a que apontava para o sul era negra, nas bordas haviamas indicações de direções como: Norte, Sul, Leste, Oeste, Noroeste, Sudeste, etc. –Nos guie para a Floresta das sombras . –Hazel deu o comando esperando que algo acontecesse. A luz dourara se libertou da mini cúpula de vidro e flutuou para cima, ficando por um tempo parada no ar esperando o barco voar.
As velas do barco já estavam preparadas, foram acionadas asas em suas laterais e as turbinas foram ligadas, uma estranha força começou a levantar o barco, o guiando para cima.
A luz dourada tomou a frente por entre as nuvens daquele límpido céu azul, e voou como um pássaro que finalmente esteve livre para voar.
Os fios de cabelos que estavam soltos da trança de Hazel voou pela sua face, lhe fazendo cócegas nas bochechas. Seth também passava pelo mesmo processo, já que seus cabelos compridos estavam soltos.
Um sorriso brincou pelos lábios do pequeno Levy, que abriu os braços aproveitando mais daquela sensação gostosa do vento lhe envolvendo, os cabelos alvos pareciam dançar pela sua cabeça, Levy se sentia em casa.
Rick era o único que enfrentava problemas, se sentia tonto por causa da altura. Não que ele tivesse medo, longe disso, só que sua mente parecia brincar de gira-gira quando ele estava em lugares muito altos, isso resultou em um tombo no qual ele fez questão de não levantar.
–O que ouve Rick? _Preocupou-se Hazel.
–Eu tô bem! –Afirmou o moreno levantando o polegar direito.
–Então por que ainda está no chão?
–Ele me parece tão carente. –Ironizou.
–Tem medo de altura? –Perguntou Levy.
–Não. Mas excesso de altura me dá tontura.
–Então é melhor ir para dentro, porque a viagem será longa. –Avisou Morin, que comandava a embarcação em uma parte alta na traseira do barco, atrás de um espaço que deveria dar em algum cômodo interno.
Rick seguiu o conselho do velho Morin e seguiu para dentro da embarcação.
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Já haviam se passado três dias de viagem. Rick teve alguns enjoos e várias dores de cabeça durante esse tempo, seu estado era de dar dó.
Eu terminei meu café da manhã há pouco tempo, uma caneca de café preto e pão com geleia de laranja. Dirigi-me para perto de Rick que estava adormecido em uma espécie de sofá que era bastante comprido, porém desconfortável para dormir. Toquei-lhe a testa para medir sua temperatura, temi que ele estivesse com febre, mas ele estava bem.
Olhando desse ângulo Rick parecia um anjo, ele realmente era muito bonito sem aquela costumeira carranca mal humorada, ele tinha bochecha rosadas como Morin, por serem meio gorduchinhas, seus lábios estavam levemente esbranquiçados e meio entreabertos, devido a isso escorria um pouco de baba pelo canto de sua boca. Ri internamente com isso.
Antes de sair do cômodo eu dei uma última olhada no moreno.
Caminhei até a ponta do navio e me apoiei nas bordas para não cair. Fiquei a admirar a luz dourada que continuava a nos guiar pelos ares.
Admirei também o céu daquela manhã, este estava meio cinzento, sinal de que chuva estava por vir. Em meio as nuvens viajamos durante todos esses dias sem nenhum imprevisto, estava tudo calmo e quieto. Quieto até demais.
Fui cortada de meus pensamentos quando avistei em meio aos borrões brancos um ponto negro, parecia ser um pássaro e logo me animei. Faz tempo que não vejo pássaros, e ver um voar no céu junto com você deve se no mínimo emocionante.
Mas o pontinho estava ficando maior, muito maior que um pássaro normal. Quando consegui o ver melhor percebi que se tratava de um corvo, um corvo gigante de duas cabeças e três pés.
Gritei em plenos pulmões chamando a atenção da população masculina do barco.
–O que foi Hazel? –Seth correu desesperado até mim. A voz sumiu de minha garganta, tudo o que eu consegui fazer foi apontar para o corvo que se aproximava com minhas mãos trêmulas.
–Droga! –Grunhiu Seth e correu para pegar sua espada na parte interna no fundo do barco.
Levy puxou de dentro de seu casaco um punhal de prata que estava com a lâmina protegida, que se eu não me engano era porque ela estava envenenada. Veneno era uma das especialidades do albino.
O corvo grasnou bem alto, quase me deixando surda, Morin se manteve comandando o navio, porém era visível que ele estava bastante tenso.
Quando o corvo nos alcançou ele não nos atacou diretamente, ele primeiro atacou a lateral do barco, quebrando assim uma das asas. Corri para a lateral do barco e trate de improvisar uma asa enquanto o corvo dava a volta para nos atacar novamente. O Barco começou a pender para o lado e a cair.
Concentrei-me e construí uma asa de gelo, e o barco ficou estável.
–HAZEL, ABAIXA! –Uma voz gritou atrás de mim, senti um estranho vento passar por cima de minha cabeça enquanto eu me abaixava. Vi a sombra do corvo por cima de mim, ele grasnou mais uma vez, mas dessa vez foi um grasno de dor, pois ele teve um de seus três pés decepados.
Quando olhei para trás vi Rick, sua cara embora amassada estava suada, e ele estava ofegante.
O barco deu uma balançada e novamente começou a pender para o lado.
–ESTAMOS CAÍNDO! –Berrou Morin.
–JURA? NEM PERCEBI. –Levy usou seu sarcasmo para lidar com a situação.
–ME DÊEM COBERTURA! –Gritei. Fui em direção à asa de gelo e vi que a mesma estava derretendo, me concentrei e a congelei novamente.
Não pude ver a batalha que se seguiu, somente ouvi gritos, grasnos, o barulho de madeira se partindo e senti o cheiro de sangue pairando no ar. Comecei a suar, aquilo estava levando todas as minhas forças, mas eu me mantive forte, pois todos estavam se esforçando.
–HAZEL! –Levy chamou-me.
–SIM?
–PEGUE O PUNHAL E O ACERTE NO PEITO DO CORVO!
–MAS EU ESTOU MEIO OCUPADA AQUI!
–NÃO SE PREOCUPE VAI DAR TEMPO!
Me virei em sua direção e rapidamente peguei o punhal das mãos do albino.
Eu não iria conseguir lançar o punhal de primeira, então tive que esperar pela melhor oportunidade.
Quando a espada de Seth cravou em uma das cabeças do corvo eu vi a minha grande oportunidade.
Mas o que aconteceu em seguida foi tão rápido que nem pude raciocinar direito.
Primeiro eu senti o clima ficar mais sombrio, o barulho de vários trovões irromperam os céus, senti o vento começar a nos puxar em alguma direção, a única voz que ouvi foi a de Morin, que gritou em plenos pulmões o motivo daquilo.
–BURACO NEGRO!
Tudo o que fiz foi lançar o punhal no corvo, sem saber se acertei o meu alvo ou não, o buraco negro começou a destruir o barco e vários destroços voaram, e então tudo escureceu.
Quando despertei vi que agora estava em terra firme. Mas aquele lugar era muito estranho.
A grama estava seca e as árvores todas mortas, plantas esquisitas espalhadas por todo o lugar, tuda a floresta era rodeada por vários espinhos, e tudo possuía tons escuros. O céu era cinza, não tinha nuvens, nem estrelas, nada além de um espécie de lua vermelha.
A névoa rodeava aquele lugar esquisito e cobria todo o chão, o cheiro de podridão era presente, sem contar que aquele lugar tinha muitas manchas de um líquido negro que eu esperava não ter que descobrir.
Então era aquela a tão terrível Floresta das Sombras?
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O brilho nos olhos escarlate do grandioso dragão era notável, finalmente a menina havia chegado.
–Queria poder estar aí só para poder lhe desejar boas vindas Hazel Flaming...queria tanto que você provasse um pouco do meu inferno.
“Mas tudo tem a sua hora.” –Pensou. “Talvez eu possa brincar um pouquinho com a sua mente enquanto estiver aqui. Talvez eu lhe torne alguém diferente.”
–Talvez a minha luz sejam as suas trevas.
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