O Legado da Fênix

11 De jovem para jovem.


Notas iniciais
Desculpem a demora, estive viajando esse mes e não deu pra digitar na fic. Ri muito escrevendo esse cap. Espero que gostem. Boa leitura.

O espectro paralisou, e daí lhe tirei o capuz, revelando a tão familiar cabeleira cor de cobre e o rosto cheio de sardas.

–C-como você...?-gagueijou surpreso.

–Eu nunca me esqueceria do seu cheiro, é idêntico ao cheiro do Fin, e quando você disse que eu expelia poder eu me toquei, poucos sabem sobre o meu probleminha com o meu poder, e você que me ajudou a esconder isso de todos.-Expliquei-De toda forma é bom saber que você está bem, eu sinto muito por você ter morrido por minha causa.

Zodrac pousou sua mão em meu ombro, em sinal de conforto. Olhei-o nos olhos e o mesmo sorriu, como nos velhos tempos.

–A culpa não foi sua, nunca foi, eu estou bem e é isso que importa, embora agora eu não sinta nada, é bom ver você denovo pequenina.-Suas palavras foram como um calmante para mim, abracei-lhe mais uma vez e antes de partir dei-lhe um último sorriso, o qual foi devolvido, embora que sem emoção alguma.

–Pequenina, acho que isto lhe pertence.-Um dos espectros entregou-me minhas botas que ainda a pouco eu as havia jogado para longe de mim.

–Obrigada.-Agradeci e calçei ambas as botas e enfim parti junto com meus companheiros.

O caminho para fora do palácio foi tranquilo, tudo muito silencioso.

Estranho.

Mas assim que os portões do local fora fechado os garotos me bombardearam de perguntas:

–De onde você conhece aquele cara?-Rick.

–Quem era ele?-Seth.

–Ele é um pedófilo?-Levy.

Olhei atordoada para Levy, o mesmo deu de ombros.

–O que é? Eu não posso perguntarNada não?-Defendeu-se falsamente ofendido.

–Não, ele não é um pedófilo!-Respondi-lhe.-Sim, eu conheço ele, o mesmo veio a ser o meu pai adotivo e morreu no dia em que eu vim para a sede, seu nome é Zodrac.-Completei.

Todos fizeram cara de entendimento.

–Eu não sabia que você tinha uma família adotiva, pensei que tivesse sido criada pelos seus pais depois do desaparecimento deles.-Comentou Rick.

–Você...ainda não soube?-perguntei com a voz falha.

–Soube do que?-Indagou o garoto,confuso.

–Hazzie, nem todos tiveram acesso às informações sobre tudo o que aconteceu com você.-Comentou Levy baixinho.

–Meus pais estão mortos Rick, já fazem seis anos que eles se foram.-Respondi. Senti o choro preso na minha garganta, sentia muita falta deles, meu coração se comprimia ao pensar neles, e os amava tanto...e tudo o que tenho deles hoje é a saudade e o imenso vazio que eles deixaram em mim.

Rick fez uma cara um tanto surpresa, abriu e fechou a boca várias vezes, mas não pronunciou sequer uma palavra.

Mordi o lábio inferior e continuei a caminhar. Sozinha.

O que eu sabia que realmente era, uma pessoa sozinha.

Olhei para o chão, ele era seco e meio rachado, tinha várias plantinhas espinhosas mortas saindo de suas rachaduras, e um pouco mais a frente haviam ossos e carcaças podres espalhados com vários abutres voando ao seu redor aguardando ansiosamente por sua próxima refeição, a qual eu espero que não seja eu.

–É tão agradável!-Levei o maior susto ao ouvir alguém falar ao meu lado,

Estava tão entretida em ver os abutres que nem percebi Levy ao meu lado.

–O quê? O cheiro de carniça?-Perguntei assim que me recuperei do susto.

–Não, eu me refiro ao seu cheiro, você cheira a gelo e canela, ou canela congelada, como preferir.-Respondeu.

–Obrigada. Você cheira a folhas frescas, iguais as que a brisa de verão traz quando estamos na floresta da sede.-Agradeci meio encabulada.

–Tinha que ser folha fresca? Eu me sinto afeminado quando você fala assim.-Reclamou o albino e fez bico logo em seguida. Eu ri da expressão do meu amigo.

–As folhas frescas do início do verão são as minhas favoritas, lembram a minha casa, eu me sinto confortável.-Expliquei.

–Por que? Sua casa era no meio do mato?-Perguntou confuso.

–Era perto de uma floresta, onde eu treinava arco e flecha quando era menor junto de meu pai.-Respondi.

–Hum.-Murmurrou em entendimento.-Eu pretendia perguntar o que você fazia no mato, mas deixa pra lá.-mordeu o lábio inferior, parecia hesitante em falar algo.-Err...Hazzie, hum, er, tinha banheiro na sua casa ou você fazia no ma...-Continuou, porém eu o repreendi.

–LEVY! dá pra parar com a zoeira por eu ter morado perto de uma floresta?

–Okay, só mais uma...por favor!-Lancei-lhe o meu olhar mais voraz, mas logo "amoleci" quando ele fez carinha de cachorro que foi abandonado por estar com hemorroidas.

–Vai em frente!

–Você era de uma tribo indígena?

–Corre!-Avisei. O menino deu no pé, em questão de segundos eu só via um borrão branco levantando poeira e

Em seguida levando um tombo, rolando pelo chão, levantando logo em seguida e tornando a correr.

Comecei a gargalhar, mas tudo que é bom dura pouco, mas nesse caso o caso do meu desgosto fora Rick que chegou ao meu lado cantarolando um "uhhhh" agudo e batendo a mão na boca ao mesmo tempo tentando imitar um índio.

–Escutar a conversa dos outros é feio!-Resmunguei.

–Falar mal dos outros pelas costas também é, mas mesmo assim eu nem reclamei.-Retrucou convencido.

Abaixei a cabeça envergonhada.

–Eu ouvi também quando você disse que eu rodava a bolsinha. Bom, pelo menos você acha que eu pego muitas garotas, sinal de que você me acha bonito.-Comentou.

–Bem, eu disse mesmo isso, eu admito. Mas não me lembro de especificar o que exatamente o que você pegava.-Expliquei fazendo um tom de falsa inocência.

Rick fez cara de bravo e pragueijou baixinho alguma coisa que eu nem fiz questão de ouvir.

–Hey praguinha imunda, não fique insinuado por aí coisas que você não sabe!-Protestou enraivecido.

Ri um pouco da expressão do moreno e fui atrás de Levy.

Corri por entre os espinhos e ossos, comecei a sentir dor nas minhas costelas e parei abruptamente, ocasionando um pequeno desequilíbio.

Comecei a arfar devido o esforço anterior, mas a dor não havia parado.

–SETH!!!-Gritei desesperada.

O moreno não estava muito distante e veio me socorrer.

–Sua louca, você acaba de sair de uma batalha e se mete a brincar de pega-pega com o Levy!-Repreendeu-me o mais velho.

–Ah cabeludinho, eu só queria ir Atrás do Levy, só que as minhas costelas doeram!-Expliquei.

–E você quer que eu faça o quê? Sou um mestre elemental, não um médico!-retrucou.

–Grosso! Eu só quero ajuda, está doendo muito.-Falei e cutuquei as minhas costelas. A dor se intensificava, gemi em protesto.

–Vem cá!-Seth me puxou-Tire o moletom!-Ordenou, e eu obedeci.

Ele se ajoelhou na minha frente e retirou um pergaminho de suas vestes, o abriu e conjurou um pequeno pote de pomada e ataduras.

–Levante um pouco a sua blusa.-Obedeci o seu comando.

Seth passou a mão na pomada e a espalhou pela extensão de minhas costelas. Massageou o local por alguns minutos e em seguida enfaixou o local com cautela.

–Melhorou?-Perguntou assim que terminou de me enfaixar.

–Sim. O que você passou em mim?-Seth fechou o pote de pomada e o guardou de volta no pergaminho.

–Eu não sei, tava na minha mochila. Violetta me falou que servia para curar feridas e que amenizava dores, mas não disse o nome.-Explicou e abaixou a minha blusa.

–O que raios vocês estão fazendo? Por que o Seth está com as mãos na barra da sua camisa Hazzie? Seth, você é um pedófilo? Você está me traindo Hazel? Não estou compreendendo!-Dou um doce para quem adivinhar quem foi que disse isso!

Comecei a rir de sua expressão confusa.

–O que você andou fumando branquelo?- perguntou Rick.

–Sei lá...achei essas folhinhas por aí... Mas juro que não fumei!-Levy tirou do bolso um maço de folhas pontudas negras e as jogou ao vento.-Mas vocês não responderam as minhas perguntas.

Comecei a rir. E cara, eu parecia uma hiena, mas okay...

–Não estou te traindo não amor, você sabe que eu só amo você!-Falei entrando na de Levy.

–Pois não parece! A cada segundo você está com um bofe diferente.-comentou em um falso tom de desgosto.-Eu saí um instantinho e você já tava aí se enrabichando com a Rapunzel.

Não sei quem riu mais, se foi eu ou se foi Rick.

–Me chamou do que?-Vociferou Seth.

–Ra-pun-zel! Está bom ou quer que eu repita?-Retrucou Levy.

–Está irritadinho é O-VE-LHA?-Alfinetou Seth.

–Sim, e ficarei ainda mais irritado se você continuar dando em cima da minha gata!-Rebateu Levy.

–Sua gata é?-Seth me abraçou por trás e depositou um leve beijo em minha bochecha.

Levy ficou vermelho de ódio.

Céus, onde é que eu fui me meter?

–Você. Não. Fez. Isso!-Falou Levy calmamente e torceu o maxilar.

–Fiz! Quer que eu faça denovo?-Retrucou o mais velho.

–Se encostar denovo nela você é um quase-homem morto!-Vociferou o albino.

–Quer brigar é, filé de borboleta?-Provocou Seth.

–Vamos resolver isso, de jovem para jovem.-Levy tentou em vão fazer uma cara de "machão", estufou o peito e e ficou frente a frente com Seth.-Pedra, papel ou tesoura?

Eu não acredito que cheguei a pensar que eles iriam cair na porrada mesmo. São duas crianças tão imaturas quanto eu, sendo que Seth é sete anos mais velho que eu.

Todos caímos na gargalhada, exceto Rick que não entendia nada.

–Espera aí, você está namorando o algodão, Hazel?-Perguntou o moreno atônito.

–Não, isso foi apenas Uma brincadeirinha.-Expliquei e o moreno revirou os olhos.

–Vocês são muito infantis e irritantes!-Murmurrou aborrecido.

–Olha, o sujo falando do mal lavado!-Retruquei.

Depois de termos atravessado o portão de saída daquele lugar sombrio, seguimos uma trilha e paramos em uma cidadezinha.

A cidade era simples e tinha aspecto e clima deserto, as casas eram de madeira, a maioria eram chalés, a vegetação era rasteira e tinham muitos cactos, e as pessoas eram "diferentes".

Alguns tinham a pele azulada, outros esverdeadas, eram esguios, suas alturas variavam, assim como a espessura de seus físicos. Eram vagamente parecidos com camaleões, mas tinham o rosto semelhantes aos de um humano comum, não tinham cauda e vestiam roupas que lembravam o velho oeste terráqueo.

–Para onde estamos indo?-Rick perguntou analisando o lugar.

–Para o porto...-Respondeu o mais velho mas foi logo interrompido.

–Porto? Aqui nem água tem!-Exclamou o moreno confuso.

–Você não deixou eu terminar!-Repreendeu Seth-estamos indo em direção ao porto mais famoso de Elementary.

–Brincou? Quer dizer que este fim de mundo é Cardegam?-Perguntou Levy surpreso.Espera, estamos em Cardegam? Quer dizer que estávamos indo para...

–Isso mesmo o que vocês estão pensando!-Afirmou Seth e sorriu de canto.- Estamos indo para o Porto de Barcos Voadores.

Notas finais
Eu quero comentarios nesse capitulo, okay?