O Legado da Fênix
16 Cinzas.
Notas iniciais
No dia seguinte Hazel foi até a enfermaria, Rick iria ter alta já que o mesmo já se encontrava em perfeitas condições.
Hazel pediu para que seus amigos mantivessem em sigilo o seu retorno, a morena tinha até se vestido de maneira diferente, semelhante a um menino, para poder andar por aí sem ser percebida. Seus cabelos presos e o rosto escondidos pelo capuz de um casaco verde, usava bandagens para esconder os seios, camisa branca, calça larga em tom negro e um tênis branco emprestado do Levy.
Estava parada na porta da enfermaria, que nem fizera no dia anterior, e ficou olhando o amigo vestir sua camisa para enfim ser liberado.
Rick estava feliz por ter finalmente saído daquele lugar, a enfermaria era terrível a seu ver, odiava aquele lugar.
Ambos se dirigiram mais que rapidamente em direção ao chalé de água, precisavam pôr seus planos em prática.
Seus passos eram rápidos e apressados, por sorte não eram observados, embora alguns comentassem sobre o “novo” elemental na sede.
Quando os morenos entraram no velho quarto de Hazel, a mesma trancou a porta assim que Rick entrou, Petrius dormia em sua cama profundamente, então não tinha como ele acordar agora.
Hazel se sentou em frente a uma das cômodas de seu quarto e de dentro de suas gavetas retirou alguns livros e pergaminhos que ganhara de Levy, todos os que falavam sobre chaves de portal.
Folheando algumas páginas daqueles livros antigos e levemente empoeirados, a morena foi anotando tudo o que achava importante para construir a chave, Rick repetiu o mesmo processo, só que com os pergaminhos com feitiços de tele transporte.
Ambos estavam sentados em suas devidas cadeiras e muito concentrados em seus afazeres que nem notaram que o límpido céu da manhã estava se tornando aos poucos mais escuro, com uma bela aurora de cores pintando o céu como um grandioso quadro.
Tamanho foram seus sustos quando ouviram o barulho de batidas na porta.
Hazel se exaltou, largou a caneta com que escrevia de imediato sobre o fino bloco de papel amarelado, sua respiração estava acelerada e seus olhos esbugalhados, Rick não estava diferente.
–Pode abrir a porta, sou eu Hazzie.-A voz de Levy se fez presente, estava meio abafada por causa da porta, a morena correu e destrancou a mesma, permitindo que o albino entrasse em seus aposentos.
Levy trazia consigo uma bandeja com vários tipos de salgadinhos, sanduíches e doces, sem falar em suco encantado e uma garrafa de água.
Petrius, que estava deitado na cama tranquilamente, rapidamente se levantou e em forma de dragão atacou os sanduíches.
–É TUDO MEU! –Berrou possessivo.
–Não mesmo! –Retrucou Hazel pegando um dos doces e praticamente o devorando, estava faminta, Rick também, mas este estava mais controlado.
–Eita, parece que cheguei na hora certa! –Afirmou o albino.
–Tu deu foi sorte, isso aqui tava um tédio. –Reclamou Petrius.
–Fala isso por que não era você que estava fazendo pesquisas. –Disse Rick.
–Tô nem aí... isso tá um tédio! –Reclamou Petrius novamente.
–O que vocês estão fazendo? –Perguntou Levy.
–Um tipo de macumba aí. –Respondeu Petrius.
–É sério!
–Uma chave de portal. –Respondeu Hazel.
–Tá, mas você sabe que vai precisar de ferro...
–Rick!
Levy a ignorou e prosseguiu o seu discurso.
–Um fundidor...
–Rick!
–Um feitiço de tele transporte...
–Rick!
–Magia vital do lugar que se deseja ir...
–Eu!
–E o que estão fazendo aí parados?
–Pesquisando feitiços e comendo. –Respondeu Rick.
–Isso não vai dar certo...
–Não seja pessimista Levy, nós vamos conseguir!
–Estou sendo realista!
–Então pare! –disse Hazel. –Levy, pode me fazer um favorzinho?
–Depende. O que é? –Perguntou.
–Você pode pegar a chave dessa dimensão na sala do Mestre Chang?
–VOCÊ TÁ MALUCA? FUMOU QUE ERVA MENINA? –Exaltou-se o albino.
–Nenhuma man, mas se quisermos voltar para a sede precisaremos da chave.
–Isso é errado.
–Não somos santos!
–Nem ladrões! –Retrucou o garoto.
–Não vamos roubas, iremos pegar emprestado por um dia! Ele nem vai sentir falta. –Explicou a menina.
–Tudo bem. –Rendeu-se.
–Ela consegue as coisas fácil com você branquelo. –Comentou Rick.
–Fácil até demais... –Murmurou Petrius.
As bochechas de Levy ganharam uma tonalidade avermelhada, suas orbes verdes encaravam o chão totalmente sem graça.
–E-eu vou p-pegar a chave... –Avisou o garoto antes de caminhar para fora do quarto, mas ainda assim ouviu o comentário maldoso de Petrius.
–Sei muito bem o que você gostaria de pegar.
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Hazel e Rick viraram a bela noite estrelada, estavam concentrados demais fundindo a chave com a magia da lácrima para dormirem.
Enquanto isso Hazel murmurava o feitiço de tele transporte repetidas vezes até que na chave recém-formada tivesse runas gravadas em sua extensão.
Enfim pronta.
Hazel e Rick entreolharam-se, ambos sorridentes, as olheiras em seus olhos demonstrava todo o cansaço que sentiam, mas não se importaram. Abraçaram-se pela primeira vez em meses, um abraço caloroso e apertado, um gesto que dizia sem palavras tudo o que queriam dizer um para o outro.
“Conseguimos!”
Petrius dormia em uma das camas tranquilamente, seu corpo estava em sua forma normal, estrava tão encolhido que mais parecia uma bola de lã branca.
Os jovens separaram-se um pouco e seguraram a chave juntos, uma mão sobre a outra.
–Pela primeira vez fizemos algo juntos sem brigar. –Murmurou Hazel.
–Isso por que eu resolvi colaborar. –Afirmou Rick.
–É verdade, você sempre é o que começa a implicar.
–Isso não é verdade! –O moreno cruzou os braços, indignado.
Hazel não retrucou, apenas se deitou em sua cama macia, forrada com lençóis azuis. Suas orbes castanhas fitavam o teto com um falso interesse.
De repente uma parte de seu colchão começou a afundar, o corpo do moreno estava debruçado ao lado do de Hazel, a mesma nem se mexeu, apenas deixou que o outro se aproximasse.
E então ambos adormeceram.
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Acordei sentindo o meu corpo mais pesado que o normal, o sono pesava em minhas pálpebras tornando o meu despertar mais difícil, apenas inclinei o meu corpo para o lado na intenção de levantar-me da cama, mas algo apertou os meus quadris com mais força e algo se mover em cima de minha barriga.
Abri os meus olhos de imediato, quase gritei quando vi que a “coisa” que me agarrava era Rick, aquilo era assustador. Embora eu já tivesse dormido com um amigo antes, ainda não tinha tanta intimidade com Rick assim, éramos amigos há pouco tempo.
Cuidadosamente tirei seus braços de mim sem acordá-lo, em seguida a cabeça, a qual eu deitei com delicadeza na cama, em seguida levantei-me peguei algumas roupas íntimas no baú e segui para o banheiro.
A primeira coisa que fiz ao trancar a porta do banheiro foi despir-me de toda aquela roupa pesada e me pôr debaixo do chuveiro.
A água caía em meu corpo como chuva, banhava minha pele levando consigo toda a preguiça e sonolência que me domavam, era uma sensação gostosa. Ensaboei meu corpo com suavidade, aproveitando ao máximo aquele momento.
Quando saí do banho eu rapidamente me enxuguei e fiz minha higiene bucal, depois vesti minhas roupas novamente e saí do banheiro.
Rick ainda estava dormindo serenamente em minha cama, Petrius não se encontrava mais no quarto.
Aproximei-me de Rick e toquei-lhe o rosto, acariciando levemente sua bochecha, depois fiquei brincando com seu cabelo enquanto o mesmo se mantinha adormecido.
“Nem parece que um dia fomos inimigos.” –Pensei comigo mesma.
Nem reparei quando um par de olhos dourados me observou levemente surpreso, mesmo assim não cessei a carícia.
–Bom dia Irritadinho.
–Bom dia praga. –Murmurou sonolento.
Parei de brincar com seus cabelos e peguei a chave negra que se encontrava quase que escondida no lençol desarrumado.
Iria coloca-la em cima da cômoda, mas Rick me impediu puxando minha camisa para baixo, me obrigando a sentar-me na cama.
–Continua. –Pediu manhoso.
–Você está muito mimado Rick! –Reclamei.
–Você é a culpada. Agora me faça cafuné! –Ordenou.
–Não! –Respondi-lhe indignada. –Levanta da minha cama agora e trate de se arrumar por que esta noite nós viajaremos!
–Ah não... aqui tá tão bom. –Ronronou afundando o rosto no lençol.
–Você escutou ela seu marmanjo, CAI FORA! –Petrius apareceu do nada e em forma de lobo, fazendo com que o moreno levantasse da cama num pulo.
–Arrume suas coisas, o suficiente para desarmar dezenas de armadilhas, água e comida caso sinta fome. –Comandei.
–Sim senhora! –Rick calçou seus sapatos e saiu do quarto.
–Que horas são Petrius? –Perguntei.
–12:20 da tarde, está na hora do rango Hazel. –Respondeu.
Eu assenti e me direcionei o mais discreta possível até o refeitório, eu estava de capuz e tudo, então não me preocupei com os outros me reconhecerem.
Comi costeletas de porco com arroz e purê, bebi bastante água. Petrius estava transformado em passarinho, e repousava suavemente em meu ombro direito.
Já alimentada eu resolvi retornar ao meu quarto.
Arrumei minha mochila com um kit de primeiros socorros, uma garrafinha com água, uma lanterna e uma capa negra.
Peguei de uma de minhas cômodas uma fina corrente prateada, nela coloquei a chave negra e a coloquei no meu pescoço.
Passei o restante da tarde estudando maneiras de quebrar a barreira da gruta, li todos os livros e pergaminhos que pude, até que uma hora fui interrompida por batidas na porta.
Fiquei em silêncio esperando alguma resposta, meu coração estava batendo a mil. E se eu fosse descoberta? Será que alguém me reconheceu? E se fosse Morgana? Eu estava perdida!
–Hazzie...sou eu! –A voz de Levy se fez presente, senti-me aliviada.
Abri a porta e permiti que o albino entrasse, Petrius o fuzilava com os olhos de longe.
–Alguém te viu Levy? –Perguntei preocupada.
–Como se alguém fosse perceber a minha presença né Hazel. –respondeu o albino.
Levy estendeu para mim uma linda chave perolada.
–Você conseguiu! –Comemorei.
O albino sorriu.
–Levy... –Chamei-o. –Partiremos esta noite.
–Entendido! –Afirmou.
–E eu preciso que me ajude a encontrar algum feitiço de quebra de portal.
–Tudo bem. –O albino assentiu e pegou um dos livros de minha cômoda, imediatamente começou as pesquisas.
Quando reparamos que chegara a noite Rick bateu a porta do meu quarto, Levy e eu estávamos exaustos de tanto ler, memorizei todos os feitiços possíveis.
–Prontos? –Perguntou o moreno.
–Sim! –Levy e eu respondemos juntos.
Petrius escalou a minha calça e repousou no meu capuz, peguei a minha mochila e tirei a chave do meu pescoço.
Todos seguramos a chave, a mesma ganhou sua famosa luminosidade intensa, e em seguidas fomos tele transportados.
Quando abri os olhos eu senti uma brisa gélida e um cheiro de folhas ao meu redor.
E enfim retornamos a floresta.
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Os amigos foram tele transportados em frente à gruta, Hazel estava nervosa, aquilo tudo era tão tenso.
Levy pegou uma das pedras encontradas pelo chão e a atirou. A pedra vaporizou em questão de segundos, apavorando ainda mais a morena.
–Certo, sabemos que a barreira é muito poderosa. –Falou Rick.
–Você percebeu Hazzie? –Perguntou Levy, ainda fitando a barreira.
–Sim. É a barreira divina, vaporiza tudo o que a toca. –A morena Respondeu.
–Sabe de algum feitiço para essa barreira? –Perguntou Petrius.
–Não, é um de feitiço classe Master, de acesso proibido, já li sobre essa barreira, mas não há em livro ou pergaminho algum falando sobre como desfazê-la. –Respondeu.
–Vamos tentar todos os que sabemos. –Avisou Levy.
O albino e a morena recitaram todos os feitiços que sabiam, mas nada surtiu efeito.
Hazel e Levy estavam muito frustrados.
–Eu sinto muito pessoal, mas acho que já era. –Murmurou o albino, descontente consigo mesmo.
Num lapso de memória Hazel relembrou-se da bússola dourada que deixara em sua mochila, de imediato lembrou dos três espectros.
–Moshi gēto hogo o yaburu. –Murmurou inconscientemente.
E por incrível que pareça, a barreira se desfez.
Todos olharam espantados para Hazel.
–Quando foi que tu aprendeu macumba praga? –Perguntou Rick.
–Os espectros...eles murmuraram isso quando quebraram a barreira da bússola. –Explicou Hazel em voz baixa, perplexa com o que acabara de fazer.
–E o que significa? –Perguntou Levy.
–Não sei ao certo, é japonês, mas parece significar “quebro-te portal..”, “quebro-te barreira...” e mais alguma coisa, tem relação a isso.
Em seguida o grupo foi aos poucos entrando na gruta, mas ao primeiro passo Hazel os parou, ela pegou uma pedra no chão e a lançou para frente. Durante seu caminho a pedra foi incinerada, quase cortada por várias lâminas gigantes que balançavam para esquerda e para direita, quando quicou no chão uma chuva de flechas a atingiram, em seguida aquela parte do chão começou a desmoronar revelando assim várias barras de ferro afiadas prontas para perfurarem corpos, e por fim o fundo da gruta, que que levava para um outro lugar desconhecido.
–Fruta que caiu. –Murmurou Rick perplexo. Seus olhos estavam arregalados de tanta surpresa.
–Agora entendem por que eu precisava de vocês aqui?
–Você morreria num segundo. –Falou Levy.
–Eu começo, o primeiro obstáculo foi fogo, depois é você Rick, já que só você pode parar as lâminas, o Levy desfaz a armadilha de flechas e eu lhe dou cobertura, Petrius nos leva até algum lugar seguro no fundo da gruta. Entendido? –Explicou Hazel.
–Sim! –Responderam os garotos em uníssono.
Os garotos se aproximaram da menina e a mesma formou em cima de todos um grande escudo de gelo. Contou até três e começou a caminhar por entre as chamas que crepitavam no escudo o derretendo aos poucos por fora, mas por dentro continuava denso, graças à Hazel que o mantinha inteiro.
Quando as chamas cessaram o escudo foi desfeito e o grupo ficou em uma fileira, lado a lado.
Rick deu um passo a frente e as lâminas começaram a balançar novamente quase o atingindo, mas o mesmo com um movimento de mãos deformou a lâmina de ferro e a transformou em líquido, lançou-a na parede, repetiu o mesmo processo com as outras e tranquilamente foi abrindo o caminho para os seus companheiros.
Com mais uma etapa completada Levy se pôs a frente, as flechas começaram a serem lançadas, eles as repeliu com vento, ficou repetindo o ato até que sus companheiros chegassem um a um ao ponto cego da armadilha, pouco depois seguiu junto deles.
Petrius se transformou em um pássaro gigante e levou o restante do grupo nas costas até a parte escura da gruta, que deu para um grande salão.
–Cara, eu pensei que isso fosse uma gruta, porém, isso é muuuuito maior! –Comentou Hazel abismada.
O salão era imenso, em cada lado das paredes laterais havia vários guerreiros de pedra, o salão foi iluminado por uma sequencia de tochas que acenderam magicamente.
Rick, Levy e Hazel desceram das costas de Petrius e calmamente se posicionaram lado a lado.
No primeiro passo em falso de Hazel algo estranho aconteceu, os guerreiros de pedra começaram a se mover, todos ficaram em posição de luta.
Os guerreiros começaram a atacar de imediato, Rick já havia preparado uma barra de ferro em suas mãos, a mesma começou a ser moldada e a ganhar as formas de uma bela espada.
As mãos de Levy estavam envoltas por uma estranha luz de brilho esbranquiçado, o que significava que dessa vez iria lutar com magia de vento.
Hazel preparou seu costumeiro arco e flechas de gelo, Petrius estava dentro do capuz de seu casaco, estava em forma de dragão.
A batalha travada fora violenta, Rick duelava com sua espada contra um dos guerreiros, ambos usavam tanta força em seus ataques que as lâminas das espadas ao se chocarem faiscavam. O menino revidava de todos os golpes com fúria e não parava de atacar até que destruísse seu oponente, seu corpo se movimentava com agilidade e rapidez, desviando assim facilmente de alguns ataques de seu adversário.
Levy repelia seus inimigos com uma forte ventania, era tão violento o ataque que os guerreiros desmontavam-se e tornavam-se várias pedras menores, mas aquilo já estava o desgastando bastante.
Hazel congelava seus oponentes dentro de blocos de gelo e em seguida os partia em vários cacos com socos. Sua mão já sangrava de tanto que havia destruído, mas parecia não sentir dor alguma, a adrenalina era mais forte que o ferimento.
Petrius observava o local ao seu redor e percebeu no fundo do salão uma pequena caixa envolta de runas.
–Hazel! –Chamou Petrius e foi rapidamente respondido.
–O que foi? –Perguntou a morena.
–No fundo do salão há uma caixa que está sendo protegida por runas, acho que o que procura está lá?
–Onde está essa caixa?
–Encostada na parede no fundo do salão, peça para os tarados lhe darem cobertura.
–LEVY, RICK! –Chamou a morena.
–O quê? –Perguntou o albino.
–O que foi praga? –Perguntou Rick.
–Preciso que me deem cobertura, eu acho que encontrei o pergaminho! –Explicou.
–Vá rápido! –Disse Levy.
Hazel correu o mais rápido que pôde até o final do salão, todos os guerreiros que lhe seguiram foram barrados e destruídos por seus companheiros.
A garota parou em frente a barreira de runas, aos poucos foi estabilizando sua respiração e começara a raciocinar melhor. Tentou decifrar as runas, mas tudo o que conseguiu foram algumas palavras enigmáticas:
Coragem, força, fraqueza,
Luz, ganancia, tentação,
Trevas, terror, medo,
O que há em seu coração?
“O que aquilo queria dizer? Com tantos enigmas no mundo por que escolheram justamente esse? Não poderia ser algo menos sentimental?” –Pensou a menina indignada.
Hazel refletiu consigo mesma as palavras, sentia medo por estar em perigo, sentia fraqueza por estar cansada, tudo o que sentia era físico e mental, mas não sabia responder o que havia em seu coração.
“O que mamãe faria? O que mamãe pensaria?” –Questionava-se.
Daí a menina repensou consigo mesma, durante toda sua vida seu grande tormento fora o fogo, que matou todos que lhe importavam, as chamas demoliram tudo o que mais lhe importava desde que era criança, não importava o quanto fugia dela, era sempre queimada.
Mas de todas as vezes em que caiu teve a chance de se reerguer, morreu e renasceu nas chamas diversas vezes, como uma fênix.
Essa era a lição da fênix, seu verdadeiro legado.
“Aquela que morre nas cinzas e das cinzas renasce.” –Relembrou-se a morena.
E de repente aquele enigma lhe pareceu ser bem claro, enfim havia entendido o sentido daquelas frases, o que seus pais queriam dizer. Embora fosse uma resposta vazia e solitária, Hazel sabia que a resposta havia sido escolhida de acordo com o que seus pais sentiram naquele momento, dor e sofrimento.
Mas todo amor exige seus sacrifícios.
O que havia em seu coração?
–Cinzas. –Murmurou, e as runas se partiram. Não só as runas foram destruídas, mas como os guerreiros de pedra, que aos montes foram caindo no chão e se partindo em várias pedras.
Hazel pegou a caixa feita de uma madeira esverdeada escura como o limo, e a abriu. Dentro havia dois pergaminhos devidamente lacrados, estes foram pegos pela garota e guardados em sua mochila.
A morena pegou sua garrafinha com água e tomou longas goladas do líquido, e procurou por seus companheiros com os olhos.
Levy e Rick estavam sentados no chão ofegantes e exaustos, o suor chegava a brilhar em suas peles, que por serem muito brancas estavam bastante coradas.
Antes que Hazel desse um passo a frente algo a fez parar de imediato.
“Hazel, corra, esse lugar irá desmoronar em segundos!” –Falou uma voz em sua cabeça, era grave e estrondosa, de certo ponto arrepiante.
“Ogon, é você?” –Perguntou a menina em pensamento.
“Sim, sou eu. Saia daí antes que eu me arrependa de ter te avisado sobre o desabamento!” –Ordenou o dragão.
O chão então começou a estremecer, várias pedrinhas começaram a cair do teto do salão, Hazel se desesperou.
–MENINOS CORRAM, VAI DESMORONAR! –Berrou desesperada.
Os garotos rapidamente se puseram de pé, o grupo desatou a correr em direção a saída o mais rápido possível, quando chegaram na parte da gruta que estava sem chão, Petrius tomou a frente e se transformou em águia, todos subiram em cima dele e o mesmo levantou voo o mais rápido possível.
As pedras que caíam agora eram de diversos tamanhos, Petrius desviava de todas com uma rapidez incrível, fazia de tudo para chegar à saída.
Com muito sufoco o grupo conseguiu se salvar, um segundo depois a gruta desmoronou por inteiro, só restando assim várias pedras entulhadas.
Todos estavam no chão ofegantes, Rick tirou de sua mochila sua garrafa d’água e bebeu o líquido todo em questão de segundos.
Hazel tirou de sua mochila o kit de primeiros socorros e tratou logo de sua mão ferida.
Quando todos já estavam mais tranquilos Hazel tirou de um dos bolsos internos de seu casaco a chave de portal de Elementary.
Todos tocaram na chave e rapidamente retornaram à sede.
Mas não no lugar em gostariam de estar.
O centro da sede estava muito agitado, várias pessoas estavam aglomeradas na frente da escola, havia vários cavaleiros vestindo uma armadura completamente negra e reluzente ao reflexo solar, também havia sacerdotes e em seu centro Mestre Chang falava alguma coisa em voz alta, teriam passado despercebidos se não fosse for Seth tê-los enxergado de longe.
O moreno estava muito surpreso, e de certo modo estava aliviado e feliz em perceber que sua antiga equipe estava bem, mas nada superou sua cara quando viu que entre eles se encontrava a menina Hazel.
Violetta que estava ao seu lado e seguiu então o olhar de Seth.
Seus olhos lacrimejaram quando avistou a menina morena, ela parecia estar muito bem, embora estivesse bastante suja. Imediatamente a moça correu ao seu encontro chamando assim a atenção dos outros ao seu redor, assim os aventureiros foram descobertos.
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Os braços de Violetta rodearam o meu pequeno corpo, a abracei de volta com fervor, senti muita saudade dela, embora eu tenha negado vê-la quando eu chegei na sede anteriormente.
–Você tá viva... –Sussurrou Violetta, acho que ela ainda estava muito surpresa.
–O que deu nas cabeças de vocês para terem fugido da sede sem permissão? –Perguntou Mestre Chang, o mesmo estava muito irritado.
– Desculpe Mestre, a culpa foi minha, eles fizeram tudo isso para me ajudar. –Expliquei.
–Como você está viva? –Perguntou surpreso.
–Eu fui salva por Petrius, ele é uma criatura mágica e estava na Floresta das Sombras. –Petrius então se mostrou em sua forma original, todos os presentes entraram em posição de ataque. –Não se preocupem, ele é amigo, eu garanto!
–Vocês três vão me explicar essa história direitinho lá dentro agora! –Ordenou o Mestre, todos nós o obedecemos.
Nos dia seguinte...
Tudo já estava mais calmo, Eu expliquei a história para Mestre Chang e Violetta, falei sobre todo o meu plano e lhes entreguei as chaves e os pergaminhos, logo em seguida fui liberada.
Algumas tropas foram mandadas até a Floresta, usaram a minha chave para se tele transportarem, irão fechar os portões.
Eu estava neste momento deitada perto do rio, no mesmo canto em que encontrei Levy pela primeira vez. O cheiro das folhas verdes e frescas me fazia bem, eu me sentia tão tranquila.
O silêncio daquele lugar era maravilhoso, somente o leve barulho de água corrente era ouvido ao longe, eu estava prestes a adormecer quando eu ouvi o barulho de passos sobre a grama.
–Hazzie, o mestre está lhe chamando. –Era Levy, seus cabelos albinos estavam meio desgrenhados, vestia suas costumeiras vestes azuis e negras, não tinha mudado nada.
–Estou indo. –Respondi.
–Ele disse que é uma emergência, você precisa ir para lá imediatamente. –Avisou.
Levantei-me e dirigi-me o mais rápido possível até a sala do Mestre. Quando adentrei sua sala o mesmo me olhou com certa aflição em seu olhar.
–O que houve mestre?
–Hazel, parece que um dos pergaminhos que você me entregou não se trata de um dos feitiços de seu pai. –Começou.
–Como assim? –Perguntei confusa.
–Veja você mesma.
O pergaminho foi entregue em minhas mãos, eu o abri e o li cuidadosamente, seu conteúdo me apavorou.
Nascido da tormenta surgirá um mediador,
Sangue, dor e medo por seu caminho deixará,
Às trevas e a tempestade junto com ele caminharão.
Gelo e fogo lado a lado estarão,
As fagulhas se espalharão,
O jogo iniciará,
O mediador um dos lados destruirá.
O legado foi quebrado,
Apenas um ideal triunfará.
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Tudo estava muito claro naquele estranho lugar, era grande e gélido, cristais de gelo se espalhavam por todo o lugar, em seu centro havia uma criatura adormecida.
Pelo menos não mais, pois seu olho se abrira imediatamente anunciando o seu despertar.
Um grande olho medonho e cristalino.
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