O Legado da Fênix

3 A chave, o elfo e a outra dimensão- parte 2


Notas iniciais
Desculpem a demora, a net não voltou a pegar direito. Esta muito ruim postar mas vou fazer tudo pra não demorar nos outros capítulos.

Olhei para o horizonte a procura de um bom alvo, quando ao longe avistei uma maçã bem madura pendurada em uma árvore. Tirei de minha aljava cuidadosamente uma fina flecha de madeira com penas vermelhas na extremidade e ponta de ferro. A ajustei no arco mirei e atirei. A flecha em questão de segundos atravessou a maçã, que caiu bruscamente no chão com um baque surdo.

– Bela pontaria. – falou Fin atrás de mim. Virei-me para vê-lo melhor e o mesmo sorria para mim. Seu arco e sua aljava descansavam suavemente em seus ombros e costa, uma de suas mãos estava escondida atrás das costas obviamente escondendo algo.

– Feliz aniversário, menina louca! – berrou Fin alegremente.

– Francamente homem, já faz seis anos que você me chama assim, já chega né? – ralhei.

– Caramba, você reclama até no dia do seu aniversário, poxa dá uma folga. – murmurou Fin.

Sem aviso nenhum lhe abracei e sussurrei:

– Obrigada.

Ele se afastou cuidadosamente de mim e me entregou uma caixinha meio comprida e enfeitada com um laço azul turquesa.

– Seu presente.

Segurei a caixinha com uma mão e com a outra a abri. Olhei para o Fin em forma de agradecimento, tirei de dentro da caixinha um floco de neve de metal com algumas pedrinhas de cristal falsas incrustadas nele.

– É lindo demais Fin. Eu adorei! – sussurrei.

Coloquei o colar no meu pescoço e o admirei por mais alguns segundos.

– Eles fizeram uma festa para mim não foi? – perguntei-lhe.

– Olha... Não querendo estragar a surpresa, mas já estragando, sim! – respondeu-me.

– Eu estou bonita? – indaguei-lhe

– Na medida do possível. – Fiz uma careta com a resposta de Fin. Examinei-me melhor e avaliei meu estado.

Vestia uma calça folgada de algodão laranja com bandagens na mesma cor a amarrado nos tornozelos, uma blusa com mangas que iam até o cotovelo e tinha a barra arredondada em ambos os lados, mas a barra traseira era um pouco mais comprida, e eram dois tons de verde, um cinto marrom de fivela dourada com uma aljava presa na lateral, botinhas marrons de canos curtos e um par de luvas negras.

Meus cabelos estavam com finas tranças que começavam na parte de frente e se uniam na parte de trás, e meus cachos caindo em cascatas de anéis castanhos sobre as minhas costas. Bem... eu estava apresentável.

Fin estendeu para mim uma capa verde escura que até então eu não havia percebido.

– Você se esqueceu lá no sofá da sala, mamãe mandou te entregar para ninguém ver suas orelhas. – explicou.

Vesti a capa a então caminhamos de volta para casa, conversando sobre assuntos aleatórios. Quando chegamos na porta de casa paramos de caminhar, e com muito cuidado abri a porta e acabei por me assustar com a cena que vi.

Loriel chorava compulsivamente no chão, enquanto Zodrac jazia no chão... morto. Um pouco atrás de Zodrac havia dois cavaleiros que vestiam reluzentes armaduras vermelhas, o mesmo vermelho da chave que encontrei junto às cinzas de meu antigo lar.

Então eram eles, os tão temidos cavaleiros vermelhos.

– Quer dizer que o monstrinho resolveu aparecer. – falou um dos cavaleiros. – É uma grande desonra conhecer você Hazel Flaming.

– Quem é você e o que faz aqui? – perguntei atônita.

– Eu não deveria contar, mas, me chamo Leon Flaming. – respondeu-me. Arregalei os olhos em descrença, olhei para Fin e o mesmo se encontrava paralisado com os olhos cheios de lágrimas, me repreendi mentalmente por te me esquecido dele, o pobrezinho estava arrasado e eu aqui batendo boca com um assassino.

Os soluços de Loriel estavam cada vez mais altos, e um dos cavaleiros a puxou pelos cabelos e começou a gritar com ela:

– PARA DE CHORAR SUA ELFA IMUNDA, ESTÁ ME DEIXANDO ENJOADO!

– Pare de fazer isso, solte-a agora! – Berrei.

– Me obrigue. – Vociferou o cavaleiro. Fin em questão de segundos atacou o cavaleiro, mas para o seu azar saiu queimado e desmaiou sobre o chão.

– NÃOOO! – Berramos eu e Loriel.

A minha fúria cresceu e a raiva se tornou cada vez mais presente, em seguida aconteceu o que sempre acontece quando estou triste, tudo começou a congelar. Meu poder ficava cada vez mais forte e desenfreado fazendo com que eu não conseguisse mais controlá-lo. Leon olhou para todos os cantos da casa atônito com o que via murmurando algo como: “- Então é mesmo verdade...”.

Parti para cima de Leon, mas antes que eu pudesse toca-lo senti uma forte pontada atrás da minha cabeça, e tudo ficou escuro.

Acordei me sentindo meio tonta, me lembrei vagamente do que aconteceu e rezei para que não tivesse passado de um sonho, porém, minhas preces não foram atendidas, pois assim que abri os olhos percebi que estava sendo carregada como um saco de batatas por Leon.

“Por que ele não me matou”? – pensei.

Como não havia mais ninguém atrás de mim, resolvi avaliar o ambiente em que me encontrava.

Era uma rua deserta de pedras cinzentas, e uma floresta escura... perfeito. Como ninguém poderia me ver eu lentamente retirei as minhas luvas, para que o meu parente não percebesse que eu estava acordada. Mirei seus pés e os congelei, me forcei para frente e cai de costas no chão, e então, com uma velocidade que eu nem sabia que tinha levantei e corri floresta adentro. Só pude ouvir Leon dizer ao seu outro capanga algo como: “Vá atrás dela!”. Corri ate para na saída da floresta, cai no chão cansada, fechei os olhos implorando para que os cavaleiros tenham parado de me perseguir, porém estremeci assim que ouvi uma voz:

– Ei menina, você está bem? – olhei para cima e vi três figuras encapuzadas á minha frente, o pavor se estampou na minha face e as lagrimas que eu guardei durante todo esse tempo vieram a tona.

– CHEGA! P-POR FAVOR ME MATE, MAS JÁ CHEGA!- Berrei com todas as minhas forças restantes, o chão ao meu redor ficou levemente congelado com meu nervosismo. Pude sentir os olhos dos três em cima de mim, até que uma mão suave e macia tocou levemente a minha testa e me fez olha-la. Vi em minha frente a figura de uma mulher no auge de seus trinta anos, tinha cabelos negros e olhos violetas. Ela olhou para mim sorrindo, um sorriso doce e sereno.

– Não iremos lhe fazer mal algum pequena, ao contrário, viemos buscar lhe para se juntar a nós. – Falou calmamente.

– O que vocês são? – Indaguei curiosa.

– Sacerdotes elementais de dimensão Elementary ou Elementar, como preferir. – respondeu um homem encapuzado que estava atrás da sacerdotisa.

– Me desculpem, mas eu tenho que voltar para casa, preciso ver como Loriel e Fin estão. – falei me levantando para ir embora.

– Se for para lá você vai ser morta, por que eles não vão parar de te caçar. — disse um dos sacerdotes.

Franzo o cenho confusa com a afirmação do sacerdote.

– Como você sabe?- Indaguei.

– Sabe o que? – perguntou de volta.

– Como sabe que estão me caçando

– Sabemos de muitas coisas Hazel, coisas que fariam até o mais corajoso tremer de medo, coisas sobre o seu clã. – respondeu a sacerdotisa.

– O que, por exemplo?

– Sabemos sobre o legado da fênix.

– Legado da fênix? O que é isso? – Indaguei curiosa, eu sabia que ela estava fazendo isso para eu ir com ela para a dimensão Elementar, mas infelizmente ela estava conseguindo me seduzir com aquelas respostas. Eu precisava saber o porquê de me caçarem tanto, o porquê de terem matado a minha família.

– Só saberá se vier conosco, você aceita? – a sacerdotisa me olhou com expectativa.

– Eu aceito! – ela sorriu e puxou do bolso de sua capa uma pequena chave de metal perolado, esticou sua delicada mão para frente, os outros sacerdotes seguraram um pedaço da chave em sua mão, por extinto fiz o mesmo até ela berra em alto e bom som:

– Sede dos Elementais.

E uma imensa luz irradiou da chave, fechei os olhos por causa da claridade e senti algo me puxar, quando abri os olhos eu não estava mais no final de uma floresta e sim em frente a um imenso portão. A sacerdotisa me olhou e disse:

– Seja bem-vinda a sede do Elementais, Hazel Flaming.

Notas finais
Quem não entendeu o capítulo, é só avisar nos comentários. Os primeiros a comentar vai ter direito a spoiler.