O Legado Esquecido

12 A história da Ordem


A semana em Hogwarts parecia mais sombria do que o habitual. Mesmo os corredores movimentados e os risos ocasionais entre os alunos não conseguiam apagar a tensão que pairava sobre o grupo. O mistério da Ordem da Lua Negra havia se infiltrado em cada um deles, e a pergunta que os assombrava era a mesma: quem eram essas pessoas e como estavam conectadas a Merlin?

Rose passava horas na biblioteca, cercada por livros que cheiravam a pó e tempo. Ela anotava freneticamente, cruzando informações entre relatos históricos e textos de magia avançada. “Merlin desapareceu séculos antes de qualquer registro confiável da Ordem,” murmurou para si mesma, rabiscando uma nota em seu pergaminho. “Mas há menções de sociedades que seguiam seus ensinamentos… Será que a Ordem começou como um grupo legítimo?”

Enquanto isso, Albus e Scorpius exploravam a Torre de Astronomia durante uma pausa entre as aulas. A lua estava em sua fase mais escura, e o céu parecia mais vasto e insondável do que nunca. “Você acha que eles estão entre nós?” perguntou Scorpius, observando o horizonte. “Alunos, professores… Talvez alguém que confiamos esteja nos observando.”

“Essa ideia não sai da minha cabeça,” respondeu Albus, a voz baixa e tensa. “Se a Ordem realmente está conectada a Merlin, eles podem estar tentando proteger algo. Ou esconder.”

Perto da Sala de Troféus, Hugo e Lily encontraram Lorcan e Lysander, que estavam debruçados sobre um mapa encantado que haviam conseguido de Filch — por meios que preferiam não revelar. “Se a data no troféu é relevante, talvez estejamos procurando no lugar errado,” sugeriu Lorcan. Ele apontou para uma área quase esquecida no mapa: uma seção subterrânea que parecia levar para fora dos limites conhecidos de Hogwarts.

“E se essa seção for onde Merlin escondeu o artefato?” Lily perguntou, seus olhos brilhando de empolgação.

“Ou onde a Ordem da Lua Negra pode estar se reunindo,” completou Hugo, inquieto.

Mais tarde, o grupo se reuniu na Sala Precisa. A sala, como sempre, se adaptava às suas necessidades, agora oferecendo um espaço acolhedor com paredes cobertas de mapas, livros e desenhos de runas antigas. Rose espalhou suas anotações sobre a mesa, enquanto Fred trazia uma bandeja com lanches que “pegara emprestados” do Salão Principal.

“Aqui está o que sabemos,” começou Rose, com a voz firme. “A Ordem da Lua Negra foi mencionada pela primeira vez em textos datados de 1472, mas suas origens reais são incertas. Parece que começaram como protetores do legado de Merlin, mas algo mudou ao longo do tempo.”

“Traição,” murmurou Scorpius, recordando as palavras de Firenze. “Merlin confiou algo a eles, mas essa confiança foi quebrada.”

“E se o objetivo deles não for proteger o artefato, mas impedir que alguém o use?” sugeriu Lorcan.

“Então por que nos ameaçar?” questionou Albus. “Não estamos tentando roubar nada, só descobrir a verdade.”

O debate foi interrompido quando um ruído ecoou do lado de fora da Sala Precisa. Todos congelaram, segurando suas varinhas prontas. O som de passos ecoou nos corredores, aproximando-se. Por um momento, o medo os dominou. Mas, quando a porta se abriu, era apenas James, ofegante e com o cabelo bagunçado.

“Vocês não vão acreditar no que eu vi,” disse ele, entre respirações pesadas. “No corredor perto das masmorras, há símbolos. Eles brilham sob a luz da varinha, como se estivessem… reagindo.”

Rose imediatamente se levantou. “Precisamos verificar isso agora.”

O grupo seguiu James até o local, tomando cuidado para não atrair atenção. Quando chegaram, Rose sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Os símbolos gravados na pedra eram inconfundíveis: o mesmo padrão lunar que haviam visto no túnel e no troféu.

“Isso é… um tipo de magia antiga,” disse Lysander, observando as marcas. “Parece um feitiço de passagem. Mas por que está aqui?”

Antes que alguém pudesse responder, uma voz suave e ameaçadora ecoou pelo corredor. “Vocês estão se metendo onde não deviam.”

Todos se viraram, encontrando uma figura encapuzada emergindo da escuridão. A figura ergueu a varinha, e um brilho de luz cortou o ar. O grupo se espalhou, suas próprias varinhas em mãos.

“Quem é você?” gritou Albus, tentando soar confiante apesar do medo.

“Aqueles que servem à Ordem não precisam de nomes,” respondeu a figura. “Voltem para suas vidas normais, crianças. Vocês não entenderão o que está em jogo.”

“É você quem não entende!” gritou Rose. “Merlin confiou algo ao mundo, e nós temos o direito de saber o que é.”

A figura hesitou por um momento, quase como se estivesse considerando as palavras de Rose. Mas então, com um movimento rápido, lançou outro feitiço. A energia explodiu ao redor, e os símbolos nas paredes começaram a brilhar intensamente.

Antes que o grupo pudesse reagir, a figura desapareceu, deixando para trás apenas o silêncio e o brilho residual das runas.

“Isso foi um aviso,” disse Scorpius, com a voz tremendo levemente.

“Ou um convite,” corrigiu Rose, seus olhos fixos nos símbolos. “Estamos mais perto do que eles gostariam. E não vamos parar agora.”