O Leão De Fogo
1 Revelo meu talento com matemática
Notas iniciais
Aquela era uma manhã fria de quinta-feira e estávamos em março e parecia que esta seria a coisa mais relevante do meu dia. É claro que não foi. Não se espera muito de uma quinta-feira em minha escola, ninguém gostava de encarar uma sessão de tortura de 100 minutos com a aula de geografia com a Sra. Harris, uma senhora assustadora que sempre ameaçava nos bater com a régua de madeira, como nos tempos antigos, mas valeria o sacrifício, pois na sexta-feira não teríamos de ir à escola, já que haveria uma reunião de pais e mestres.
É o seguinte, meu nome é Austin. Austin Stevens e tenho 14 anos e sou de Leão, eu sei que você deve estar pensando agora que o meu signo não é um detalhe importante, mas acredite, é sim, logo você entenderá. Enfim, sou um daqueles que não se encaixa entre os populares, que se isola em um grupo único de amigos, mas não quer dizer que eu não queira ou que não me importe com minha vida social, é mais porque acredito na total indiferença do resto da escola comigo e com tantas outras pessoas. Basicamente, o que eu chamo de grupo de amigos é metade da minha classe, pessoas com quem convivo desde que me matriculei, há dois anos antes, no sétimo ano. Acho que posso destacar uma dessas pessoas, que foi a primeira com quem tive contato: Meu melhor amigo Mason Collins, um cara que veio da Inglaterra. Seu sotaque era um tanto marcante, tinha cabelos curtos e castanhos e olhos escuros. Era um ótimo amigo, com quem sempre pude contar.
Para falar a verdade, minha escola não é como as que se costumava ver na televisão, cheia de estereótipos, dividida em jogadores de futebol, nerds, descolados e patricinhas. Talvez seja um pouco assim, mas nem tanto.
Naquela manhã, tive uma surpresa grotesca, com Mason vindo correndo até mim quando eu guardava alguns livros no meu armário:
- Você soube Austin? — Perguntou ele.
- Soube o quê? — Respondi.
- A Sra. Harris faltou, não teremos aulas com ela.
- Mas então o que teremos agora?
- Dessa você vai gostar: serão duas aulas de matemática.
- Incrível! – Eu exclamei.
- É, eu achei que você iria se animar, você tem uma facilidade imensa para cálculos.
- Não sei como, simplesmente tenho – afirmei.
Ele falara de um jeito que parecia que ele dava importância à minha facilidade com cálculos, mas não dei importância a isso. Então eu fui feliz para a sala de aula. Aquilo era o paraíso; talvez o inferno para o resto da classe, mas o éden para mim. A facilidade que eu possuía com cálculos era tremenda, até eu mesmo a considerava absurda. Ter essa facilidade é ser, na sociedade contemporânea, "nerd", mas eu acho que nunca tive tamanha facilidade para fazer algo como para matemática.
O resto do dia foi normal... Aquela rotina normal de todo adolescente de 14 anos... Chegar em casa, almoçar, dormir, assistir à televisão. A noite baixou um tanto rápido, e sempre que eu tinha aulas de matemática, me esgotava mentalmente, então me apressei em dormir.
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