O Ladro negro da Chapeuzinho Vermelho.
1 Capítulo Único.
Notas iniciais
Olá a todos os leitores, meu nome é Alexandra e no momento que estou contando isso, tenho 22 anos. Várias pessoas sempre contaram minha história na infância, eu era conhecida como Chapéuzinho Vermelho. O que ninguém sabe, é o que realmente aconteceu de fato nessa história, os acontecimentos por trás de todos os fatos que seus pais sempre contaram para você.
Então, se ainda tem uma ilusão de que eu era uma linda garotinha inocente que adorava ajudar sua avó, não leia isso. Evite ficar assusstado com a verdade, pois isso é o que sempre acontece. Dito isto, vamos á história que você irá ler por contra própria e seu risco.
10 ANOS ATRÁS:
Acordei com um sono que não consigo descrever, sempre resmungando por ter dado a hora de ir para a escola. Sinceramente, não estou a fim de viajar 1 hora dentro do carro para chegar a cidade e ter que escutar aqueles professores de meia tigela falando coisas que eu nunca sei o que é.
Olhei para meu relógio, eram 4 horas da manhã, o horário que geralmente acordo para dar tempo de arrumar tudo e ainda passar no Facebook e olhar as fofocas do dia. Estava até que um pouco animada naquela manhã, pois saiu o novo IPad da Apple e vou pedir para minha mãe de aniversário, dia 30 de Março.
Levantei e fui me arrastando até o banheiro do meu quarto. Chegando lá, me olhei no espelho e vi meus cachos ruivos todos bagunçados por causa da noite de sono. Eu realmente nunca me importei com a aparência, mas deixar aquele cabelo assim não dá.
Olhei para o chuveiro que ficava ao lado da privada, e soltei um longo suspiro. Odeio tomar banho, não que eu seja porca, mas é que água me lembra coisas horríveis. Tirei o meu pijama de dormir e entrei para o banho sem demorar.
Enquanto a água escorria, fiquei pensando em coisas banais e em como iria pedir o novo IPad para minha mãe de um jeito que ela não possa recusar de forma alguma. Pensei mais uma vez no Inferno/Escola e as tarefas de casa que deixei de fazer. Quando percebi, já tinha se passado 10 minutos e minha mãe batia na porta do banheiro freneticamente para mim sair.
- Saia daí Alexandra! Acha que água é infinita? — ela bateu forte mais uma fez na porta.
- Estou indo mãe! Que saco! — resmunguei e a voz saiu um pouco mais alto do que eu esperava.
- Não grite comigo, mocinha! — advertiu ela e bateu mais uma vez na porta, como ela é chata!
Sai do banho relutante, e abri a porta vendo minha mãe muito zangada do lado de fora batendo o pé e suspirando de frustação.
- Da próxima vez que demorar assim, irei derrubas essa porta e te pegar no tapa! — ela berrou e eu apenas fechei o ouvido.
- Tudo bem mãe, para de ser chata! — resmunguei.
Ela me lançou um olhar mortal, e saiu do quarto com os passos longos e pesados. Revirei os olhos por aquela situação um tanto quanto frustante. Olhei para o meu longo guarda-roupa marrom e suspirei de novo, odeio ter que ficar me produzindo. Sim, sou o oposto da maioria das meninas hoje em dia, se pudesse eu me vestiria o dia inteiro só de pijama com preguiça de me arrumar.
Andei até meu guarda-roupa praticamente arrastando o pé no chão de preguiça, e abri lentamente suas grandes portas. Olhei alguns minutos para o meu closet de roupas, e escolhi mesmo uma calça preta e o uniforme da escola.
Me vesti com muita dificuldade, odiava essas coisas, e começei a produzir meu cabelo e meu rosto. Não demorei muito, pois apenas dei umas penteadas básicas nos meus cachos ruivos, e passei um leve gloss rosa.
Finalmente, depois de toda essa tortura, estava na hora de entrar no Facebook pelo meu computador e ver as notícias e as fofocas. Andei até uma mesinha pequena que ficava no canto do quarto ao lado de uma janela onde tinha um simples computador branco, daqueles bem antigos.
Entrei no meu Facebook e para a minha alegria, meu namorado Jheff estava lá. Sim, eu tinha um namorado, a única coisa que fazia a minha ida a escola ficar menos entediante, eu disse MENOS.
Ele me mandou um oi e eu mandei outro, e ficamos falando coisas sem sentido e banais até dar a hora de mim sair. Sim, ele acorda essas horas, porque ele não dorme. Meu namorado geralmente nunca dorme, porque ele tem um distúrbio que faz seu corpo nunca ficar cansado, então ai estava ele 5 horas da manhã conversando comigo.
Olhei no relógio e tinha dado 5:45 da manhã, meus pais já deviam estar na cozinha preparando o café da manhã.
Desci as escadas pois meu quarto ficava no segundo andar, e cheguei á cozinha onde vi minha mãe preparando os ovos mexidos, e meu pai lendo um jornal do dia. Típico, parece até um daqueles seriados de TV Americana que a família é típica e feliz.
- Oi filha. — disse minha mãe sem olhar para trás e centrada nos ovos mexidos da panela.
- Oi mãe, oi pai. — disse e vi que meu pai apenas levantou a mão direita sobre o jornal e acenou para mim, o que tem de tão interessantes em papéis sobre coisas que não lhe interessa?
Minha mãe desligou o fogão de 4 bocas, e pegou os ovos mexidos e o bacon frito. Não sei se contei para vocês, mas eu AMO bacon. Tipo, isto vale toda a refeição do café da manhã.
Ela colocou os pratos sobre a mesa de uma forma brusca, e pelo olhar que lançou para o meu pai, percebi que estavam brigados como sempre. Olhei para o bacon frito com certa fome no olhar, e comecei a devorá-los imediatamente.
- Come devagar. — meu pai pronunciou sua primeira palavra e bebeu uma xícara de café.
- Estou com fome. E tem Bacon. — disse isso com a boca cheia e voltando a comer mais.
Minha mãe por incrível que pareça não fez nada, nem reforçou a idéia do meu pai, apenas ficou de cara feia olhando para o meu pai. Deve ter acontecido algo sério.
Quando finalmente acabei de comer, estava satisfeita com aquela gordura no bacon, e até hoje não sei como sou magra desse jeito. Bebi um copo de suco em uma só virada, e repousei na cadeira com a mão na barriga, satisfeita.
- Então mãe, tenho que lhe pedir algo. — disse me ajeitando na cadeira e olhando para ela.
- Diga filha. — sua expressão azeda se suavizou um pouco, o que me deixou mais tranquila para pedir o que queria.
- Então, fiquei sabendo que lançou o novo IPad e estava pensando se você poderia.. — disse isso e minha mãe levantou a mão indicando para mim parar de falar.
- De jeito nenhum Alexandra, nossa situação financeira está muito ruim. Sobrevivemos por cultivarmos algodão, e você ainda pede umas coisas dessas que custam uma fortuna? — A cada palavra seu tom se voz aumentava.
- Mas mãe.. — disse e fui interrompida de novo, e a raiva só aumentado dentro de mim.
- Mas nada, não e pronto. SEM DISCUSSÃO! — dessa vez ela berrou de verdade.
- PAI ? — disse e a voz saiu gritada sem querer.
- Filha, não temos condições para comprar essa porcaria. Agora vá já para o seu quarto! — ele abaixou o jornal e aponto o dedo para as escadas com o olhar rígido e a expressão raivosa.
Com a raiva zunindo em minha cabeça, sai da mesa com raiva e joguei a cadeira no chão ao sair. Meus pais não falaram nada de espanto, pois eu nunca tinha agido com tanta brutalidade assim. Estou pouco me fudendo para isso, o que eu queria mesmo era vingança contra eles.
Entrei no meu quarto e fechei a porta com força, sem ligar para o que os meus pais iriam fazer em seguida, e começei a me derramar em lágrimas.
- PORQUE É TÃO DIFÍCIL ME DAR UM POUCO DE LUXO? — berrei para mim mesma no quarto e percebi passos na escada. Deitei de novo em minha cama e me derramei mais uma vez em lágrimas de frustação.
Ouvi alguém bater na porta com um estrondo, e ela cair no chão e o som da madeira se partindo. Era meu pai com o sangue nos olhos e o cinto na mão pronto para me bater.
Com uma força incrível, ele acertou o cinto bem na minha bunda, e começou a me bater freneticamente e eu chorando quase sangue de dor e de raiva ao mesmo tempo. Olhei para o espelho e dava para ver seus músculos rígidos enquanto me batia com força no meu corpo todo.
Quando finalmente ele parou, saiu do quarto que agora não tinha porta com uma expressão totalmente calma, como se nada tivesse acontecido e meus sentimentos e minha dor não importasse.
A raiva estava a mil, e a qualquer minuto iria fazer alguma besteira contra eles. Olhei para a gaveta onde guardava uma faca minha, mas me controlei mais uma vez.
Decidi tomar coragem e descer as escadas. Tentei levantar ainda com a bunda e minhas costas doendo, e fui mancando até a cozinha onde vi meus pais tomando café da manhã ainda em calma, como se isso fosse normal. Pelo que percebi até a briga deles acabaram.
Andei até a porta principal e abri revelando uma grande varanda em frente com alguns bancos do lado de fora. Tinha uma vista para uma longa montanha que se abria logo á frente, e um pequeno caminho de terra usado para sair com o carro e me levar até a escola. Olhei para o meu relógio e eram 6:00.
Sentei em um dos bancos de madeira que ficava mais perto da estrada e tinha a vista melhor para o vale. Era aquele lugar que sempre me acalmava e me fazia esquecer os problemas diários que sempre acontecia. Após alguns minutos, vi o barulho de uma porta se abrindo e meu pai saiu do lado de fora com uma expressão calma e vazia, e isto era o que me dava mais raiva. Ele sempre agia como se a 2 minutos não tivesse me espancado, como se isso fosse algo normal em sua rotina, o que de fato era mesmo, pois frequentemente ele arrumava uma desculpa para me espancar no quarto.
Ele nem olhou para mim, e nem disse vamos, apenas entrou no carro e fui logo atrás dele com medo de que ele se irrite e mais uma vez me espancasse. Meu cabelo estava solto em meus ombros, e meus cachos dourados cor de fogo deciam através dele e iam até a cintura. Sim, meu cabelo era bem longo, o que para meu namorado era a coisa mais linda do mundo, o que eu não achava.
Entrei no carro e meu pai ligou o carro. Ele saiu da garagem usando o controle do portão automático, e seguiu para a pequena estrada na montanha. Meu pai ficou calado, apenas olhando firmimente para o volante.
Passamos por uma grande floresta que eu sempre ficava imaginando como era dentro dela. Isso quando eu tinha uns 5 anos, mesmo agora que tenho 13 ainda penso nisso, é inevitável.
Descemos a grande montanha em 30 minutos, e seguimos por uma estrada movimentada e pavimentada. Era incrível como os dois mundos meus estavam a apenas 30 minutos, o calmo e o barulhento cheio de pessoas com pressa e nojentas sem eduação.
Após passar uma hora, chegamos á escola Honei Comb, onde o inferno iria começar. Cheguei uns 20 minutos mais cedo, o que significava que poderia ver meu namorado mais cedo e não necessariamente na aula.
Entrei nos grandes portões de ferro na escola, e já podia ver as primeiras meninas e meninos andando nos apertados corredores dela. Andei um pouco mais á frente e subi ás escadas, pois minha sala ficava no segundo andar.
Olhei mais uma vez e vi, sala 13 8° A e entrei com relutância na sala de aula com uma preguiça e tédio enorme. Olhei mais para o canto em meu assento, e vi meu lindo namorado sentado lá, o que me fez valer a pena toda essa produção.
Ele me olhou com aqueles olhos vermelhos iguais fogos, que pareciam ser lentes, mas não era. Seus cabelos pretos estavam rebeldes sobre sua cabeça, e ele usava uma calça azul e o uniforme com camiseta de manga.
Ele andou até mim sorrindo e quase correndo, e eu fiz o mesmo. Ele me abraçou e nós nos beijamos no meio da sala mesmo. Um beijo longo e apaixonado, sem se importar o que eles iriam pensar em volta. Tudo o que eu mais amava nessa vida era o meu namorado Jheff Robson, mesmo que isso pareca um pouco meloso. Ele era tão perfeito, gostava de Rock, ler livros de ficção, e tudo mais o que eu adorava fazer.
- Está linda! — ele olhou bem fundo nos meus olhos cinzas. — Esses cachos ruivos até hoje me encanta!
- Para de ser bobo! — dei um tapinha no ombro dele e ri. — Você que está bonito.
Então nos beijamos mais uma vez e formos para os nossos assentos que óbvio, eram juntos. Eu ficava na frente e ele atrás, de modo que ele passava aula inteira mechendo em meus cabelos ruivos e me elogiando. De vez em quando ele mordia minha orelha me deixando maluca e me fazendo suspirar.
A aula começou e para a minha grande sorte, era de matemática. Odiava matemática, eu simplismente não conseguia entender o porque de misturar letras com números.
O resto do dia passou arrastando, e eu sempre contando os minutos para ir embora daquela joça. Finalmente bateu o sinal do recreio, após minha professora de história terminar uma frase sobre como o Cristóvão Colombo era uma pessoa digna e blábláblá.
Sai as pressas para o recreio, hoje era dia de macarrão, e eu adorava macarrão. Nem esperei meu namorado direito, apenas saí correndo ao ouvir o primeiro toque do sinal.
Cheguei na cantina e pedi meu delicioso macarrão com carne moída, e vi ao meu lado meu namorado com uma cara feia para mim. Não disse nada e apenas segui para a minha mesa com a barriga roncando, e um namorado muito furioso atrás de mim.
- Desculpa. — disse para ele com a boca cheia quando vi sua cara.
- Não tem nada, apenas vejo que troca a comida por mim. — ele riu e eu tive que acompanhá-lo.
- Olha, sinto lhe dizer mas, isto é mais importante. — disse com um ar de riso e ele fez um biquinho.
- Então, seus pais vão lhe dar o novo IPad? — disse ele. — Os meus já pediram na Internet. — Nessa hora engasguei com a comida.
- Eles vão te dar o novo IPad? — disse e ele assentiu. — Que bom para você, os meus não vão. Novidade. — disse com ar de deboche.
- Que pena. — ele disse.
- Que pena nada, para de ser falso. — dei um murro no ombro dele. — Mas então, vai me mostrar ele quando chegar?
- Claro, mas vai demorar uns dias. Mas será a primeira a ver. — ele deu sua primeira garfada e quando olhou para o meu prato vazio arregalou os olhos.
- Caramba, eu quem sou o homem dessa relação, eu quem deveria comer mais rápido. — ele falou com a boca cheia de macarrão.
- Então terá que arrumar outra, pois ninguém ganha de mim. — dito isto, ele nem teve tempo de responder e o sinal já tocou para voltar para as salas.
Andamos abraçados até a sala de aula, e quando nos sentamos e o professor já ia chegar, nos beijamos. Foi um beijo que durou uns 2 segundos, seria mais se não tivesse chegado o babaca do professor e estragado esse momento.
- Vocês dois, não aqui. — o professor de Inglês apontou para nós dois e a sala inteira viu, o que me deixou corada.
O resto do dia vocês sabem, fiquei super entendiada com as aulas, o meu namorado mechia em meus cabelos e me elogiava, e meu pai foi me buscar no final das aulas.
- Xau amor. — beijei ele.
- Xau linda. — ele saiu e foi para o carro de sua mãe.
Chegando em casa, vi minha mãe fazendo o jantar. Do lado, tinha uma caixa branca com uma foto de um celular grande, mais parecido com um Tablet.
- MÃE! — gritei. — VOCÊ COMPROU! — corri e abraçei ela.
Ela assusstada, olhou para mim com uma cara feia e de susto, e disse:
- Não são para você, é para o filho do colega de seu pai. Ele faz aniversário hoje. — ela falou com uma grande simplicidade.
- Mas porque não me deram um também? — disse reunindo minhas forças para não chamá-la de uma vadia, vaca desgraçada.
- Porque ele não é nosso filho, temos de agradá-lo. E além do mais você não merece.
Cerrei os punhos com tanta força, que os meus dedos ficaram mais brancos que o branco de todo o branco do mundo. Controlei minha raiva fortemente, e andei até o meu quarto com todo o meu corpo rígido de raiva. Sem nem pensar duas vezes, abri a gaveta aonde ficava minha faca.
Peguei ela com os olhos vermelhos de um quase choro profundo, e embrulhei ela no papel para disfarçá-la. Era uma faca de 5 centímetros de puro aço, afiada igual uma navalha que ganhei de meu namorado.
Parei na porta relutante com o que ia fazer, mas mesmo assim segui para a cozinha apertando forte a faca em minhas mãos. Olhei para os meus pais que estavam os dois ajudando a preparar a janta.
Com um golpe forte e cega pela raiva, enterrei a faca em minha mãe enquanto peguei a panela que estava fritando a carne e joguei na cabeça de meu pai, deixando ele em carne viva.
Tirei a faca das costas da minha mãe e coloquei na do meu pai, só para ter certeza. Por um longo e assustador minuto, fiquei apenas olhando os dois se debaterem de dor enquanto sua respiração ficava mais fraca e pesada. Arranquei a faca do coração do meu pai, e ela pingava sangue fresquinho. Passei a mão por ela e lambi meus dedos só para sentir o gosto férreo do sangue de que um dia foi um espancador.
Só então, senti uma presença atrás de mim, e pude ver que era a minha avó que provavelmente foi convidada para o jantar. Por um minuto, sua expressão ficou totalmente vazia, mas depois passou para raiva.
- O que você fez? — ela partiu para cima de mim com um pedaço de madeira.
- Saia daqui vagabunda! — disse e acertei o meu pé bem no peito dela, fazendo ela cair no chão.
- Irei lhe entregar para a polícia! Irá passar o resto da vida no reformatório. — quando ela disse isso levei um baque, e minha raiva saiu na hora. Olhei em volta para ver o que fiz enquanto estava cega de raiva, e vi meus pais mortos no chão com a cara deformada.
Me afoguei em minhas lágrimas que saíram mais fortes que uma cachoeira. Percebi a burrada enorme que eu fiz, matei meus pais por causa de um IPad. Olhei para minha avó que se levantava do chão, e sua expressão passou de raiva para um olhar malicioso.
- A partir de agora, terá de fazer tudo que eu mandar, peste. — ela disse e eu levei um baque mais forte ainda. — Eu nunca liguei para estes dois idiotas mesmo, são uns babacas. Mas se não fizer o que eu mandar a partir de agora, irei lhe entregar para a polícia e você ficará lá o resto da vida!
- Não! — disse tentando abraçá-la mas ela apenas afastou de mim com uma cara de nojo.
- Não sou mais sua avó, sou sua patroa. Então nada de abraços, escrava. — disse ela e eu me derramei em lágrimas mais uma vez.
- Minha primeira ordem é que você todo dia leve pizzas para mim quentinhas de manhã cedo na minha casa, que fica no meio da floresta. Se não cumprir isto, eu lhe entrego! — ela disse isso e saiu da casa batendo forte na porta.
Meu mundo virou de cabeça para baixo de repente, e eu me vi desmaindo no chão.
Quando acordei, estava com uma dor de cabeça enorme e sentia um cheiro forte na cozinha. Tive um sonhos estranho, onde eu matava meus pais e minha avó fez eu tornar sua escrava para não me dedurar. Foi horrível este sonho.
Andei até a cozinha para ver que cheiro era esse, e me deparo com o corpo dos meus pais no chão jogados com o sangue seco. Quando olho para isso, dou mais um baque e lembro que isso não foi um sonho, foi a realidade.
Olhei para o balcão, e vi a caixa branca com o IPad suja de sangue, ainda fechada. Peguei esta caixa com as mãos fracas, e joguei ela no chão com toda a força que pude, conseguindo ouvir um barulho de algo se quebrando dentro dela.
Subi para o meu quarto correndo, não iria ver mais essa cena e estava até agora tentando não acreditar nisso. Olhei no meu relógio enquanto subia as escadas, e eram 3 horas da manhã. Iria falar com meu namorado, mas não arrisquei, afinal poderia falar uma merda tão grande que ele acabaria terminando comigo.
Lembrei que minha avó me disse para mim todos os dias levar pizza para ela de manhã, e eu levaria para não ser presa num reformatório ou coisa pior.
Eu ainda estava com a roupa de uniforme e os cabelos ruivos todos sujos, então subi para o meu quarto ainda chorando e tomei um banho. Eu odiava banhos, mas esse é como um presente divino dos Deuses. Fiquei pensando mais uma vez em todas as coisas que eu fiz.
Me arrumei e fiz minha higiene pessoal, e desci para a cozinha. Não olhei para os corpos do meu pai, a dor estava se passando e não ligava mais para o que eu fiz. Olhei no relógio já era 6:00 horas da manhã e liguei para a pizzaria, pois não sei fazer pizza.
Após ter ligado, uns 30 minutos depois chegou o cara com a pizza de entregou ela, pedi 2 para que a minha avó gorda não passasse fome. Peguei as pizzas, e saí andando na estrada até chegar a floresta onde passava todo santo dia para ir á escola.
Percebi que tinha uma pequena passagem que nunca tinha reparado na floresta, e nela levava mais á frente a uns 200 metros para uma casa velha e quase abandonada, se não fosse a minha avó sentada tricotando.
Quando ela me viu, rapidamente entrou para dentro da casa, e fechou a porta bruscamente. Andei pelo caminho com certa relutância, e cheguei na porta da casa dela. Bati na porta e ouvi sua voz grave e fina falando:
- Entre querida! — QUERIDA? Ela me santageou por isso e me chamava assim?
Mesmo com uma raiva tremenda, entrei na sua casa e vi ela deitada fingindo estar doente.
- Oi avó. — disse para ela e me lançou um olhar desprezivel.
- Avó? O que te disse peste? Sou sua chefe! — ela falou e levantou as costas da cama ficando sentada. — Agora ande, me traga as pizzas num prato e numa bandeija. E quero que coloque na minha boca.
O que? Era isto mesmo que eu ouvi? Apenas assenti robótica por causa da raiva e fui para a cozinha. Enquanto preparava o que aquela vadia queria, direto olhava para um par de facar na mesa.
- Eu não pensaria em fazer isso, peste. — ela estava parada a uns 2 metros na minha frente e olhou para as facas. — Só porque sou velha e você é uma ex-neta não ache que eu não lhe mataria.
Apenas assenti ainda com uma raiva tremenda, como minha vida mudou assim de uma hora para outra? Apenas algumas horas e minha realidade era totalmente diferente.
- Como irei para a escola? — disse sem olhar para ela.
- Me chame de Senhora a cada frase, e olhe para mim. E segundo, não irá mais na escola, agora é minha escrava e dará um jeito de trabalhar para conseguir dinheiro.
Com o sangue nos olhos de tanta raiva, apenas assenti tudo o que ela falou pois o último lugar na terra que eu queria ir era numa prisão ou reformatório. Terminei de arrumar o prato com a pizza e tudo o que a madame vaca pediu, e servi ela que estava se deitando em sua cama.
- Aqui está. — disse e coloquei a bandeja sobre suas pernas longas e finas enterradas em baixo do cobertor.
- O que eu disse larápia? É para me dar na boca! — ela me olhou com uma expressão raivosa, e tive que me controlar para não voar no pescoço daquela velha.
Apenas assenti com raiva e as mãos tremendo, e comecei a picar a pizza em pequenos pedaços e levar o garfo até a boca da minha avó. Era atentador forças esse garfo boca a baixo na minha avó, mas tive que me controlar.
- Todo esse tempo você sempre me odiou? — disse olhando para ela. — Senhora. — completei pois lembrei se suas instruções idiotas.
- Claro que sim. Desde que você nasceu seus pais idiotas pararam de me servir comida fresquinha na mesa todo dia. Eu sempre falei para eles que estava doente, mas quando você nasceu eles pediram para mim contratar um cuidador com o meu salário. — ela completou e dei mais uma pizza na boca dela.
- Então é isso que vou fazer o resto da vida? Ficar te servindo minha senhora? — disse senhora com uma ênfase de desgosto.
- Sim, parabéns você acertou. Agora ande, está muito devagar. — ela apenas me olhou com deboche e me deu vontade de pegar a pizza inteira e colocar dentro da sua boca, mas como já falei minha liberdade depende dessa velha aproveitadora.
Após terminar dar uns três pedaços de pizzas, ela disse que ficou satisfeita e me pediu para trazer água, apenas assenti com as mãos tremendo de raiva. Sempre que eu ia para a cozinha eu olhava para aquelas facas que estavam me chamando.
- A propósito. — Minha avó gritou de lá. — Você agora dorme aqui e irá ser minha escrava. — ela riu com deboche e dei um murro na pia da cozinha tomando o devido cuidado de ser forte mas ser silencioso.
Passei o resto da tarde inteira fazendo tudo o que aquela idiota pedia, e finalmente após a noite cair, ela me deu um sossego.
- Está anoitecendo, é hora de você ir no supermercado fazer compras. — ela falou como se isso fosse a coisa mais simples do mundo.
- Oque? Mas eu não sei dirigir. — falei.
- Como você irá não me interessa. Apenas vá. — ela subiu as escadas e foi para o seu quarto.
- O que tenho que comprar? — me rendi.
- O que seu dinheiro dar. — ela falou e eu quase engasguei com a saliva, ela quer que eu gaste meu dinheiro para comprar as coisas?
Mesmo assim, saí pela porta e segui na direção da estrada que fica ao lado da montanha. Agora a floresta estava duas vezes mais assusstadora, mas eu nem liguei porque a raiva que estava em mim era tão grande que eu seria capaz de matar um tigre com as unhas.
Fui para a minha casa onde o cheiro de corpo morto estava no ar, e na mesma hora me derramei em lágrimas de desespero, raiva e frustação. Minha vida inteira se acabou em menos de 3 horas, em apenas uma noite. Isto é um novo recorde mundial.
Peguei o carro do meu pai mesmo tendo apenas 13 anos, mas ele era bem baixo, o suficiente para que eu consiga ver.
Sentei no banco, e tentei ligar o carro. Foram várias tentativas até finalmente o motor dar sinal de vida e funcionar. Não poderia dizer que eu dirigi muito mal, pois meu avô que inclusive era marido daquela vaca, me ensinou o básico para casos de emergências.
Finalmente, após 1 hora e meia dirigindo, consegui chegar ao mercado, onde pude ver as pessoas em volta me olhando com uma cara assusstada. Acho que meninas de 13 anos não costumam dirigir carros.
Entrei no supermercado e vi que eu tinha uns 20 dólares na mão, que peguei no potinho da cozinha. Logo logo iria ter que arrumar um emprego de não sei o que, e conseguir mais dinheiro para não ser entregue á polícia. Estou repitindo isso muito, não é? Pois bem, porque minha frustação está gigante.
Pedi todas as coisas que aquela vadia quis, e voltei para sua casa, onde ela já estava dormindo e eu peguei o telefone pedindo mais uma pizza.
2 MESES DEPOIS
Estava em um local mais adentro da mata, pois de acordo com informações que recebi era ali que ele morava. Afastei o mato que se abria em minha frente com as mãos, e revelou uma casa duas vezes mais medonha que a casa daquela vadia. E sim, eu não chamo mais ela de avó.
Cheguei mais perto dela e pude sentir o cheiro de mofo de madeira, o local realmente estava castigado com o tempo. Cheguei mais perto da casa, e pude ver que estava sentado um Senhor que aparentava ter uns 40 anos de idade.
- Olá. — me aproximei do Senhor e se virou para mim com um susto.
- O que você quer aqui criança insolente? — berrou ele.
- Soube que é um assassino de aluguel. — disse como se isso fosse a coisa mais simples do mundo.
- Não direi nada para você criança. Quem lhe mandou aqui? O FBI? — ele levantou da cadeira e apontou uma arma na minha testa.
- Não senhor. — Estava suando frio de medo. — Quero apenas um serviço seu.
- Humpfh. — resmungou ele. — Não costumo prestar serviços para crianças de .. 12 anos?
- 13. — corrigi.
- 13. Não costumo fazer isso, mas se pagar adiantado que mal tem. — ele olhou para mim com uma cara apressada. — Vamos, me diga quem e direi o quanto cobrarei.
- Bom, quero que mate minha avó. — disse e peguei um bolo de notas de 50 dólares que roubei de uma carteira. — Aqui tem 2000 dólares, aceita?
Ele olhou para aquele bolo de notas com os olhos brilhando, e na mesma hora percebi que estava no papo.
- Sim, sim, claro. Desculpe ter lhe chamado de criança. — ele pegou o bolo de notas na minha mão e olhou para mim de novo. — Onde ela mora e em que horário quer que eu faça isso?
- Bom, primeiramente quero se se fantasie de lobo, para que assim a minha avó não tenha com quem recorrer caso te veja e você fracasse. Eu me fantasiarei de um vestido vermelho, e uma cesta de doces. — completei e ele apenas assentiu olhando para as notas.
- Aqui está sua fantasia, vista-se que eu irei me trocar aqui perto. Depois iremos para a casa da minha avó e você irá matá-la, depois irei ligar para a polícia fingindo que nunca conheci minha avó e me passando de vítima de lobo mal. — completei.
Então, ele apenas assentiu e foi se vestir. Após algumas horas, mandei ele ir primeiro na casa de minha avó e assassinar ela.
- Tudo bem, quando matá-la me dá um toque no celular. — disse e ele seguiu para a estrada que ficava no meio da floresta enquanto eu ficava na beira da estrada ao lado da montanha.
Após 30 minutos, meu celular vibra no bolso e esta era a minha deixa. Saí andando e saltitando para a casa da minha ex-avó morta, como se eu fosse apenas uma criançinha inocente que queria entregar doces para a vovó e um lobo mal matou ela.
Chegando lá na casa dela, pude ver que ela estava na cama toda ensanguentada com um buraco enorme no peito. Pedi para que o "lobo mal" arranhasse ela com a faca para parecer unhas, e deixar uns pelos da fantasia no local.
Então, ele fez tudo isso e peguei meu telefone e liguei para a polícia.
Após duas horas, a polícia chega na cena do crime, e encontra eu fingindo que estava chorando com um bonitinho vestido vermelho no canto.
- Venha comigo docinho, iremos lhe levar para um local seguro. — falou um policial loiro se agachando perto de mim com uma voz calma.
- Mas e vovó? Um lobo mal matou ela. — menti e fiz uma cara de dó.
- Desculpe doçura, prometemos que iremos cuidar muito bem de você. — ele estendeu a mão para mim pegá-la e levantei de repente.
Então, após esse dia fiquei em um orfanato onde pude conhecer vários amigos e até ver meu namorado de tempos em tempos.
Mas, na boca do povo, eu sempre fui a linda criançinha inocente que teve sua avó morta por um lobo mal. A partir desse dia, fiquei conhecida como Chapéuzinho Vermelho.
10 ANOS DEPOIS
Estou eu aqui, escrevendo esta carta, contando tudo que aconteceu por trás daquela histórinha bonitinha que seus pais lhe contam antes de irem dormir.
Então esta sou eu, Alexandra de 22 anos supervisora de um orfanato, que ficou conhecida mais como Chapéuzinho Vermelho.
Quando seus pais lhe contarem essa história, diga para eles a verdade sobre tudo o que realmente aconteceu.
Na verdade, sou uma psicopata que matou seus pais por causa de um IPad, e o lobo mal é apenas mais um assassino enviado por aquela garotinha de 13 anos na época com um lindo vestido vermelho e um chapéuzinho.
Eu rio quando as pessoas contam esta história, mas essa é a verdade.
Obrigado leitores, e aqui termino minha carta, que esta verdadeira história passe de gerações em gerações. Pois até lá eu morri e não tem ninguém para me prender.
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