O Ladrão de Livros
1 Uma moça, um presente.
Notas iniciais
Bom, sem muitas delongas, Boa leitura!
Naquela casa, aquela pequena e suja casa. Nela vivia senhor Melvin. Um senhor de 61 anos de idade. Era jardineiro da pequena biblioteca local de Salem. Senhor Melvin era um homem carrancudo e cheio de mágoas da vida. Era muito calvo ,de pele clara e com os traços do rosto já gastos e murchos. Vivia com um macacão e uma blusa de flanela suja e surrada.
Senhor Melvin, tinha um neto. Que se chamava Fredward. Um jovem garoto de cinco anos. Branco de cabelos castanhos e bochechas rosadas. Era um garoto muito tímido e sozinho. Fredward e Melvin moravam juntos naquela suja e pequena casa. Melvin não tinha muito tempo para Freddie, e pouco o tratava bem, por ser muito carrancudo. Hoje Fredward faria seis anos e olhava tristemente pela janela do pequeno e mísero quarto que cabia uma cama de ferro velha e um gaveteiro pequeno.
-Freddie! Venha cá! –O menino escutou o avô o chamar da sala. Ele suspirou feliz, talvez hoje Melvin tenha se lembrado do seu aniversario. Pensou o garoto. Ele deu um pulo e foi sorrateiro para a pequena e bagunçada salinha.
-Sim, vovô! –ele disse sorridente. Mesmo com um sorriso simples e meigo de uma criança, Melvin não desmanchou a sua feição carrancuda para o neto.
-Pedi para que limpasse aquelas janelas, não pedi? –disse senhor Melvin com a voz medonha que geralmente fazia as crianças correrem.
- Sim, vovô! –confirmou cabisbaixo Freddie. Com a esperança de pelo menos um parabéns ou o carrinho de madeira que tanto queria do avô se fora. –Eu esqueci.
-Esqueceu?! Como pode esquecer moleque?! Não faz nada da vida. –ele disse exaltado tirando cinto que prendia a calça do macacão. –Vai aprender a não esquecer! – E bateu com força o cinto de couro velho no braço fraco e macio de Freddie. O menino tentava segurar o choro, sempre que chorava a surra era pior. Ficou uma grande marca vermelha e pulsante em seu braço. Senhor Melvin mostrou um sorriso desdenhoso no rosto e bateu novamente com força, nas pernas do garoto. Que se ajoelhou tentando proteger-se. Mas nada adiantou, sem pena e piedade, senhor Melvin lascou o cinto de couro, nas costas do menino. Esse Freddie não conseguiu esconder a grande dor que ecoava sobra seu corpo, não conseguia nem gritar direito pois havia um nó preso na garganta. Com muita força Freddie olhou para cima e encontrou o olhar de raiva do avô.
-Desculpa vovô... As limparei agora mesmo. –disse fracamente o menino que nem em pé conseguia ficar.
-Agora quer limpá-las não é?! –disse senhor Melvin batendo o cinto agora com força no ombro de Freddie pegando na bochecha e orelha direita do menino que gemeu de dor. –Pois melhor! –disse pensativo senhor Melvin. Freddie o encarou com lagrimas escorrendo do rosto avermelhado. – Irá limpar todo o chão da biblioteca! –disse vitorioso e aliviado.
- S-sim se-senhor! –Freddie gaguejava de dor, tentando levantar sem apoio nenhum. Percebeu que sua bochecha sangrava.
-Hoje, fará o meu serviço! –disse o senhor Melvin andando ate um canto da salinha e pegando um balde de ferro com algumas coisas dentro dele. –A biblioteca esta sendo reposta de livros hoje e você a limpará me ouviu menino?!
-Sim senhor! –disse Freddie pegando o balde. –Onde esta a vassoura?
-Vassoura?! Quero que limpe com uma escova de dente... A sua escova! –disse serio o homem. O menino não queria arriscar mais uma ‘cintada’ do avô e acentiu com a cabeça. Foi no banheiro apertado e pegou de um copo que antes era usado para beber água, agora sustentava as duas escovas e pasta. Pegou a menor e a jogou dentro do balde. Voltou para a sala e pegou a chave da biblioteca que o avô tinha.
-Se amanha eu for lá e tive um grão de sujeira, será uma semana sem comida, para dá valor ao que come também! –disse o velho se jogando na sua velha poltrona verde musgo.
Freddie saiu fraco e cheio de dor, caminhou para os fundos da casinha onde dava para uma grande casa abraçada de tijolos vermelhos de três andares. Era a porta dos fundos da biblioteca, Freddie colocou as chaves na fechadura e abriu a porta. Viu um grande salão, o chão com lajotas brancas e pretas, formando um livro em cada lajota. Mesas de madeiras circulares pequenas que comportava quatro lugares, um balcão de madeira onde tinha uma luminária inglesa e uma pilha de livros. Freddie olhou para cima e viu um grande lustre cintilar. Estava um pouco escuro e silencioso, não devia ter ninguém, Freddie sentou-se em uma das cadeiras e se pôs a chorar. Ele não pedia nada de mais ao avô, só um pouco de carinho. Mas nunca o tinha, não sabia o que aconteceu com seus pais e muito menos tinha outra família a recorrer. Depois de algum tempo sentiu o corpo exausto e queria dormir, mas se não fizesse o que o avô mandara apanharia ou ate coisa pior. Relutante o pequeno garoto pegou a escovinha e mergulhou-a no balde com água e sabão, ajoelhou-se no chão de lajotas e começou a esfregar.
Uma hora, talvez bem mais tivesse se passado e Freddie mal saiu do centro do salão, o menino empurrava com as poucas forças que tinha as mesas e cadeiras para limpar de baixo delas. Com o rosto sujo de suor e sangue, ele parou para descansar um pouco. E acabou olhando que tinha o resto do salão de baixo, todas as prateleiras, isso em três andares de livros. Seus olhos brotaram mais lagrimas e raiva. Colocou as mãos no rosto e ficou ali chorando, alto, quase gritando, era mais um pedido de ajuda, alguém que o socorresse. Depois de um longo tempo, seu choro foi cessando. Ate ouvir passas em sua direção, seu coração acelerou, limpou as lagrimas e voltou rápido ao balde, para que seu avô não batesse nele. Mas não era seu avo , sequer era um homem. Era uma jovem mulher adulta. Os cabelos loiros e lisos, os olhos castanhos cintilantes e uma roupa simples.
-Ah meu Deus! O que é isso? –ela acelerou o passou ao ver o estado do menino. Ela ergueu a cabeça de Freddie para olhar o sangramento, viu a marca que agora estava ficando roxa no braço, e viu nas costas o sangue seco que nem Freddie percebera. –Você esta bem, anjo? –ela acariciou suas bochechas, Freddie ruborizou. Nunca teve carinho, sequer de uma mulher, que tanto imaginava como mãe.
-Sim! –ele disse inseguro
-Quem lhe fez isso? E o que esta fazendo tão tarde aqui? –ela perguntou com uma nota de raiva e desaprovação.
-Ninguém! –Freddie disse rápido e com medo, se falasse que fora seu avô, o caseiro, talvez ele fosse demitido e Freddie seria largado na rua.
-Se não quer contar agora, não há problema anjo! Só... Largue isso, vamos limpar você! –ela o pegou no colo com dificuldade. E o levou para uma sala.
-Não... Eu tenho que acabar de limpar! –Freddie disse baixinho se acomodando no ombro da mulher. Ela sorriu
-Tudo bem, o caseiro faz isso pra você! –ao dizer isso, Freddie se ergueu tentando sair.
-Não! Não pode chamar ele! –ele gritava no meio da escada. A mulher o olhou assustada, mas começou a pensar e concordou.
-Certo, não o chamo! –ela disse rápida e o garoto se aquietou. Eles caminharam para cima onde tinha varias e varias filas de prateleiras lotadas de livro. Ela adentrou numa salinha. Onde tinha varias caixas de papelão, uma mesa com livros e cadernos.
-Essa é a minha sala, sou Rosa, a nova bibliotecária! –ela disse alargando um sorriso. –A senhora Sarah, pediu aposentadoria! –ela disse sentando o menino numa cadeira e pegando um balde de água gelada e um pano limpo. Tirou a blusa de Freddie e se espantou ao ver as marcas em suas costas, roxas com marcas de sangue. Ela começou a limpar com cuidado com o pano úmido, até estar todo limpo. Depois com carinho foi limpando sua bochecha. -qual é o seu nome?
-Freddie...
-Belo nome! Meu pai tinha esse nome! –ela disse emocionada.
-Hoje é meu aniversario. –disse Freddie depois de um bom tempo silencioso, a mulher o olhou com certo brilho de pena em seus olhos.
-É mesmo? Quantos anos?
-acho que seis... –Freddie pensou, não sabia se era sua verdadeira idade.
-pronto! –ela disse colocando um curativo, ela pegou um casaco por ali no escritório e vestiu o menino, ficou bem grande, mas quente e confortável.
-Hum... Tenho um presente para você então! – ela disse sorrindo, e foi ate uma caixa, onde tinha vários e vários livros. Ela tirou de lá um livro de capa verde bem clara com a imagem de um ratinho cinza de nariz triangular sorrindo mostrando dois dentinhos irregulares.
-Aqui! Um livro. –ela estendeu para o menino que o segurou ansioso, nunca ganhara nenhum presente de aniversario, ou melhor, nenhum presente, fora o que a mulher gorda da feira dava sempre uma maçã para ele comer. Mas era tão diferente, Freddie abraçou a mulher com força lhe dando um muito obrigado gratificante, olhou e olhou para a capa varias vezes sem dizer nada.
-O que está escrito? –ele perguntou. A mulher o olhou de novo com pena nos olhos
- A vida do ratinho Sam. –ela disse gentilmente – não sabe ler né?
-Não... Não vou à escola! –ele confirmou cabisbaixo
-Venha para cá toda tarde, eu lhe ensinarei a ler com este livro, que tal? –ela sugeriu animada.
-Faria isso por mim? –ele disse entusiasmado.
-Mais é claro! –ela se levantou. –Pode começar a vir amanha!
-Oh, muito obrigado tia Rosa! –ele a abraçou novamente. –Mas... Tenho que acabar de limpar... –ele disse meio tristonho, mas bem mais animado e melhor.
-Não precisa...
-Eu tenho! –ele implorou sufocado
-Hum... Certo, eu então lhe ajudarei, e com vassouras!
E assim feito. Eles desceram e começaram a limpar com um pano nas vassouras, ele passava um paninho nas estantes enquanto ela limpava o chão. Duas horas depois, eles terminaram tudo. Rosa deu para o menino como recompensa um bom sanduiche e um grande copo de suco. Freddie nunca se sentiu tão bem como se sentira hoje. Depois de tudo, Rosa iria levar Freddie em casa, mas ele disse que era perto e iria sozinho, para que Melvin não arranjasse confusões com a adorável moça. Com a alegria indo embora Freddie adentrou a casa, com o livro escondido dentro do casaco. Viu seu avô dormindo no sofá com o jornal sob o colo. Freddie foi quieto para o quarto, onde ficou encarando o livro a noite toda ate adormecer...
Continua...
Notas finais
EU ADORO REVIEWS ENTÃO, NÃO TENHA PENA DE ESCREVER! :D
OBRIGADA POR LER!
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