Narrado por Renesmee


A tarde passou sem pressa, como há muito tempo não acontecia. Sophie espalhou o tabuleiro do banco imobiliário no tapete da sala, pegou os dados e declarou:

— Hoje eu vou ganhar. Sem piedade.

— Isso é o que você pensa — Jacob disse, fingindo aquecer os dedos como se fosse uma atleta. — Eu fui campeão nesse jogo na juventude.

— Vai perder pra uma médica mirim de 12 anos — retruquei, sorrindo ao vê-los discutindo regras e estratégias como dois veteranos de guerra.

As horas passaram entre risos, pequenas trapaças disfarçadas e Sophie tentando comprar tudo que via pela frente. Jacob, claro, fez aliança com ela contra mim — e ainda assim, fui eu quem ganhou. Mas ninguém reclamou. Sophie estava animada demais para ligar pra qualquer resultado.

— Foi o melhor jogo de todos — ela disse, deitada no sofá com os pés no colo do pai. — A gente devia fazer isso sempre.

Sorri e acariciei os cabelos dela.

— Concordo. E agora, que tal um jantar pra fechar essa tarde perfeita?

Sophie se animou, sentando de um pulo:

— Num restaurante! Um legal, tipo aqueles de filme! Os três juntos.

Jacob não hesitou:

— É uma ideia excelente. Que tal o Pietro Nolita? É todo rosa, a comida é italiana, e tem uma vibe retrô. Vocês vão amar.

Sophie arregalou os olhos.

— Perfeito, adoro esse lugar!



O restaurante era pequeno e charmoso, no coração do Soho. As paredes cor-de-rosa, as luzes quentes e os quadros antigos criavam um clima acolhedor. Sophie pediu macarrão novamente — com muita alegria — e começou a contar suas teorias sobre o universo, o futuro e… sobre nós.

— Sabe… tem crianças que têm os pais separados e elas acham triste. Mas eu tenho os meus juntos. Mesmo que vocês não sejam “casados”, a gente tá aqui agora. E isso é o que importa, né?

Jacob a olhou com ternura.

— Importa muito, minha pequena. Mais do que você imagina.

Sophie apoiou o rosto nas mãos e disse, como quem pensa alto:

— Mas… vocês poderiam facilitar as coisas e se casar. Seria mais prático.

Eu quase engasguei com o vinho e Jacob soltou uma gargalhada abafada.

— Sophie… — falei, tentando conter o riso.

— O quê? Eu sei que vocês se amam — ela disse com naturalidade. — Eu vejo como olham um pro outro. E não precisa ter 30 anos pra entender essas coisas.

Jacob olhou pra mim naquele instante. E eu senti o impacto do olhar. Como se ele dissesse tudo o que estava preso nos silêncios dos últimos dias.

— Eu tô criando uma filósofa — murmurei, pegando a mão de Sophie por cima da mesa e sorrindo.

Ela sorriu, satisfeita, e voltou a comer, como se tivesse apenas jogado uma verdade óbvia no ar.

Jacob encostou no encosto da cadeira, me observando em silêncio. O calor do olhar dele me alcançou. E por um momento, eu me esqueci de tudo que existia fora daquela mesa.

Do lado de fora, a cidade seguia seu ritmo frenético.

Dentro do Pietro Nolita… o tempo parecia ter parado.

E ali, entre pratos de massa e o sorriso mais doce do mundo sentado entre nós, eu senti que meu coração… estava onde sempre quis estar.


Chegamos ao apartamento de Jacob, e a cidade lá fora parecia distante demais da paz que se instalara entre nós três. Sophie dormia profundamente no banco de trás, os cabelos bagunçados sobre os ombros, as mãos ainda segurando um guardanapo do restaurante.

— Ei, princesa… já chegamos — Jacob disse com delicadeza.

Ela resmungou algo e esfregou os olhos, sonolenta, enquanto eu a ajudava a sair do carro.

— Tá tudo bem… a mamãe tá aqui — sussurrei, sentindo o calor daquelas palavras.

Entramos devagar, como quem não queria acordar o tempo. Sophie se apoiou em mim até o quarto, e eu a ajudei a tirar o vestido e vestir o pijama azul claro com desenhos de astronautas — o favorito dela.

— Boa noite, minha estrela — murmurei enquanto ela já fechava os olhos. Sua respiração desacelerou quase instantaneamente.

— Te amo, mamãe — ela murmurou com a voz adormecida.

— Eu também te amo, Sophie… com todo meu coração.

Beijei sua testa com carinho e ajeitei a coberta sobre seu corpo magro e aquecido pelo sono. A luz fraca do abajur deixava o quarto com um ar sereno e seguro. Como deveria ser.

Jacob entrou silenciosamente no quarto, ainda com os sapatos nas mãos. Olhou para a cama e sussurrou:

— Ela dormiu?

Assenti com um sorriso terno.

Ele se aproximou da filha, se abaixou e beijou sua testa com a mesma delicadeza de sempre. O gesto simples que sempre me fazia esquecer qualquer raiva ou confusão.

Saímos do quarto juntos, fechando a porta com cuidado. O corredor estava mergulhado na penumbra, só com a luz fraca da sala acesa ao fundo.

Eu virei de lado para me despedir, mas Jacob se virou também — e foi nesse instante que nossos corpos ficaram próximos demais para que o silêncio durasse.

Ele me olhou. Aquele olhar.

A respiração dele estava próxima. A minha também.

E então… ele me beijou.

Foi um beijo firme, intenso, cheio de sentimentos guardados por anos — dor, desejo, arrependimento e amor. Minha mão foi instintivamente ao peito dele. Eu deveria ter recuado. Dizer alguma coisa. Lembrar de promessas feitas a outro homem. Mas não fiz nada disso.

Porque naquele segundo, nada fazia mais sentido do que os lábios de Jacob nos meus. Nenhuma culpa. Nenhum medo. Só ele. Só nós dois.

O beijo se quebrou devagar, como quem teme destruir um momento perfeito.

Ele encostou a testa na minha, o coração acelerado. Eu ainda sentia o gosto dele na minha boca.

— Desculpa — ele sussurrou, sem afastar o rosto.

Mas não havia nada a ser desculpado.

Eu estava ali. Eu permiti.

— Eu… — comecei, mas minha voz sumiu.

— Eu não devia ter feito isso… — Jacob sussurrou, ainda com a testa encostada na minha. — Mas se eu dissesse que me arrependo, estaria mentindo.

Fechei os olhos. Meu coração estava disparado, e meus pensamentos bagunçados demais para conseguir negar o óbvio.

— A gente tentou, Jacob… fingir que não sente, fingir que é tarde demais. Mas nunca foi tarde. Nem quando eu fui embora. Nem quando você foi— falei com a voz baixa, quase um sussurro.

Ele respirou fundo, como se absorvesse cada palavra.

— Eu te amei em silêncio por todos esses anos. E quando finalmente te encontrei de novo… você estava ainda mais distante. E eu… com medo de te perder de novo.

— Eu também tive medo — confessei. — Mas agora… só tenho medo de continuar negando isso.

Nos olhos dele, havia algo que não via há muito tempo. Uma mistura de certeza e desejo contido. Ele deslizou a mão pelos meus cabelos e, com suavidade, me puxou para mais um beijo. Esse, diferente do primeiro, foi lento… quase reverente. Como se dissesse "você é minha " sem precisar de palavras.

Senti seus braços me envolverem com firmeza e, num impulso natural, ele me pegou no colo. Ofegante, envolvi os braços em seu pescoço, e deixei minha cabeça encostar no ombro dele.

— Você é minha ?— ele perguntou, parando por um breve instante, os olhos fixos nos meus.

Assenti, sem hesitar.

— Nunca deixei de ser.

Ele me levou até o quarto dele com passos firmes. O quarto era silencioso, com a luz suave do abajur aceso na mesa de cabeceira, criando sombras douradas nas paredes. Ele me colocou devagar sobre a cama, como se eu fosse algo precioso — ou frágil demais para ser tocado com pressa.

Deitei e o vi se ajoelhar ao meu lado, passando os dedos com carinho pelas mechas do meu cabelo, observando-me como quem observa o reencontro de um sonho com a realidade.

Os lábios dele novamente buscaram os meus dessa vez com mais desejo e fúria, minhas mãos o puxaram pela camisa e ele ergueu os braços me ajudando a tira-la. As mãos dele também puxaram minha camiseta me empurrando contra a cama . Fechei os olhos e mordi meu lábio inferior ao sentir os lábios quente de Jacob tocar minha pele. Foi como se algo adormecido dentro de mim tivesse despertado. Minha pele aqueceu e ele me encarou quando sua boca encontrou um dos meus seios.

— Jake! — eu gemi puxando os cabelos dele. Ele desceu os lábios pela minha barriga encontrando o botão da minha calça jeans e em segundos a puxou por minhas pernas.

Ergui meu corpo na cama apoiando pelos cotovelos e o observei se desfazer da calça e da Box que usava.

— Vem cá! Ele sussurrou com urgência e eu me sentei diante dele, segurei seu pau duro com uma das mãos e então o chupei — Que delicia— Ele gemeu rouco, senti uma das mãos dele em meus cabelos os segurando enquanto ele movia o quadril contra minha boca. — Isso minha ruiva, mama gostoso...

Os movimentos dele aceleraram mas ele parou e segurou meu queixo dando um sorriso e me beijou me deitando lentamente com o corpo sobre o meu, os lábios dele deslizaram por meu pescoço me causando arrepios.

— Me diz o que você quer meu amor...ele sussurrou entre os beijos.

— Que me foda...

— Eu não ouvi.

— Me fode Jacob.

Ele afastou minha calcinha e me penetrou de uma só vez, forte, intenso. Minhas pernas envolveram o quadril deles minhas unhas cravaram em suas costas.

— Isso Jake...assim... sussurrei entre meus gemidos

— Você é minha Ness...nunca mais foge de mim..

Antes quenwu pudesse responder à boca dele encontrou a minha em um beijo desesperador, nossas línguas travaram uma batalha enquanto eu o sentia cada vez mais rápido e forte. Meu corpo se arqueou debaixo do dele quando cheguei ao ápice. Segundos depois Kacob também chegou desabando o corpo sobre o meu.


A respiração dele ainda estava quente contra minha pele quando deslizei os dedos por suas costas nuas, sentindo o ritmo do seu peito desacelerar aos poucos. Estávamos deitados lado a lado, os lençóis emaranhados sobre nossos corpos entrelaçados, e a luz fraca do abajur pintava sombras suaves em sua pele dourada.

Jacob passou o braço pela minha cintura e me puxou para mais perto, colando nossos corpos como se quisesse me manter ali para sempre.

— Sabe… — ele murmurou, beijando meu ombro — durante anos, eu sonhei com isso. Mas mesmo nos meus sonhos, não parecia tão perfeito como agora.

Sorri, com os olhos ainda fechados, sentindo a pele arrepiar com o toque suave dos lábios dele.

— Porque agora é de verdade — sussurrei. — E isso assusta um pouco, pra ser sincera.

Ele levantou o rosto e me olhou, os olhos castanhos intensos, mas serenos.

— Eu também estou assustado. Mas, dessa vez, eu não vou recuar. Não vou te deixar fugir de novo.

Desviei o olhar, tentando conter o turbilhão dentro de mim. Ainda parecia impossível que, depois de tudo o que passamos, depois de tantos erros, mágoas e distâncias… ainda havia espaço para o amor. E ele estava ali, diante de mim. Quente. Vivo. Recíproco.

— Jake… — chamei baixinho, passando os dedos por sua mandíbula marcada — eu também te amo. Sempre amei, mesmo quando tentei me convencer do contrário. Mas…

— Eu sei — ele me interrompeu suavemente. — Não precisamos resolver tudo agora. Nem planejar o amanhã. Só me promete uma coisa.

— Qual?

— Que dessa vez, você vai ficar.

Demorei um segundo antes de responder, porque aquela pergunta mexeu com tudo dentro de mim. Mas quando olhei nos olhos dele, soube que não havia mais espaço para dúvidas.

— Eu vou ficar, Jake. Não importa o que venha… eu vou ficar.

Ele sorriu, aquele sorriso largo e tranquilo que eu sempre amei, e me beijou de novo. Devagar. Doce. Como se estivesse me agradecendo por finalmente ter voltado pra casa.

Nos aninhamos sob os lençóis, meus dedos brincando com os fios do seu cabelo e os dele desenhando círculos preguiçosos em minhas costas. Um silêncio confortável nos envolveu, entrecortado apenas por palavras sussurradas, promessas de recomeço, e beijos que pareciam selar cada uma delas.

Naquela noite, não existia o passado. Nem o medo. Nem o tempo perdido.

Só nós dois.

E o amor que, apesar de tudo, sempre sobreviveu.



Narrado por Jacob


O sol começava a invadir o quarto através das frestas da cortina quando abri os olhos. Ao meu lado, Renesmee dormia tranquilamente, os cabelos espalhados no travesseiro, a expressão serena. Por um instante, fiquei apenas a observá-la, deixando o silêncio da manhã preencher o espaço entre nós.

Ela estava ali.

Real. Inteira. Minha.

Mas não quis acordá-la. Aquela paz merecia durar um pouco mais.

Levantei devagar, vesti uma bermuda e uma camiseta, e fui para a cozinha. Comecei a preparar o café, com o cuidado de manter tudo em silêncio — ou quase tudo. Era difícil ser discreto com a cafeteira velha fazendo seu tradicional chiado.

— Humm... eu sabia que era café — ouvi uma voz ainda sonolenta atrás de mim.

Me virei e vi Sophie, de pijama e pantufas, os cabelos bagunçados e os olhos semicerrados, entrando na cozinha.

— Bom dia, dorminhoca — sorri.

— Acordei com o cheiro — ela reclamou com uma careta, sentando à mesa. Pegou o celular e fez um bico. — Mandei mensagem de bom dia pra mamãe e ela nem respondeu ainda. Isso é crime, sabia?

Olhei para o corredor e vi a silhueta de Renesmee se aproximando. Ela usava uma das minhas camisas, que caía solta sobre o corpo e quase cobria totalmente as pernas. Me peguei sorrindo com a cena, um calor confortável crescendo no peito.

— É que… ela vai te dar bom dia pessoalmente — falei, ainda sorrindo.

No segundo seguinte, Sophie foi surpreendida por um abraço pelas costas.

— Booom dia, minha menina — disse Renesmee, apertando-a com carinho.

Sophie deu um pequeno pulo, surpresa, e virou o rosto com os olhos arregalados.

— Mãe! Você me assustou! — disse, entre risos, antes de estreitar o olhar. — Essa camisa é do meu pai.

— É — respondeu Nessie, com um sorrisinho discreto, sentando ao lado da filha.

Sophie inclinou a cabeça, juntando as peças em silêncio por um momento.

— Você dormiu aqui?

Renesmee e eu nos entreolhamos, e não consegui evitar a vontade de rir diante do olhar esperto da nossa filha.

— Dormi — Renesmee respondeu com sinceridade e calma. — Às vezes, a vida resolve dar um jeito de colocar tudo no lugar.

Sophie nos olhou, depois olhou para a cafeteira, e então sorriu demonstrando sua felicidade.

— Vocês voltaram? Isso significa que eu não vou dividir vocês com mais ninguém.?Agora somos três. Um trio imbatível?

— Isso mesmo— disse Nessie, sorrindo.

— Somos uma família — acrescentei, sentando à mesa com as duas.

Sophie deu um sorrisinho satisfeito e pegou uma torrada, como se tivesse acabado de firmar um tratado de paz mundial.

A manhã tinha começado diferente. Cheia de perguntas, mas também de respostas silenciosas, servidas entre xícaras de café, risadas e promessas veladas.

E eu soube ali que tudo estava realmente mudando.

Pra melhor.