Notas iniciais
Bom... Realmente espero que vocês gostem. Não sei se o primeiro cap de uma fic realmente define se será boa ou não, mas peço para que comentem se gostaram ou não aprovaram. Sério! Isso será de MUITA ajuda pra mim e pro que eu pretendo fazer no decorrer da história.
Como dito anteriormente, quem leu Assassin's Creed: Renascença, vai ver que tem alguns vestígios deste. Devo confessar que estou bem animada com isso, mas sem mais delongas... Enjoy!

(...) A chuva fina escorria sob o capuz de uma figura sinuosa, cujas roupas eram quase tão negras quanto à noite que cercava o espaço acima de seus cabelos loiros, escondidos pela tal peça. Um céu perturbado e sem estrelas visíveis, se tornando ainda mais mórbido e escuro que os que já foram narrados pelo escritor favorito de tal silhueta, o tal Edgar Allan Poe. O fluxo perto da Pont d'Avignon era praticamente inexistente, afinal, era um tempo mais do que frio e chuvoso. Os franceses daquela área estavam mais do que certos em não sair de suas confortáveis casas. Estavam mais do que certos em não se misturarem ao inferno que era a violência daquele lado da França.

Acontece que Nataline Jounett, conhecida pelo codinome de Pigeon*, precisara ir até a cidade resolver... Negócios, como seu próprio chefe costumava chamar as missões nas quais mandava sua querida pomba para reunir dinheiro juntamente com seus irmãos de Guilda. A grana, afinal, havia sido arrecadada; assim como alguns corpos acabaram sem vida no confronto entre os sete integrantes da Guilda dos Charlatões, Mestres e Ladrões do Sul com o Clã de Arrebatamento, uns grupos abarrotados de ladrões profissionais da mesma área que acabaram por terem – seus mortos – jogados do alto da tal Avignon.

E, com um pouco de sorte que suas miseráveis almas tivessem, seriam descobertos na manhã seguinte, por oficiais ou pobres pescadores que ao invés de peixes, teriam enroscado seus anzóis nas entranhas de tais cadáveres.

É claro que a loira que se escondia sobre véus e capuzes negros poderia muito bem escalar as paredes ou ir pelos telhados das construções não muito bem lapidadas daquela área, mas a chuva tornava tudo mais escorregadio e perigoso. Além do quê, o corpo de Line – como era chamada por alguns de seus protegidos de Guilda, estes que foram expressamente proibidos de contarem a alguém que a chamavam de algo que não fosse seu codinome – ainda estava se recuperando de uma considerável lesão que ela sofrera na semana anterior, ao tentar fugir por um mercado movimentado e acabar tropeçando em uma telha mais fraca, fazendo-a torcer o tornozelo de forma absurdamente dolorosa. Dor que dava indícios de existência até os dias atuais.

Seus “irmãos”, visivelmente, não seguiam pelas ruas como ela. Pulavam com a habilidade de macacos e praticamente voavam pelos ares com a prática do animal cujo era seu próprio codinome. Se não fossem os olhos bem treinados de Pigeon, talvez nem fosse capaz de enxergá-los com suas vestes negras, assim como as dela, camuflando-se ao céu de aparência quase tão mórbida quanto eles próprios. Eram diferentes portes físicos, mas todos de habilidade igualada. Juntamente com esta, de pular todo e qualquer obstáculo e distância, a de matar também.

E assim que percebeu, logo estava saindo dos limites da cidade, seguindo por um tipo de bosque escuro também, cujas luzes da cidade se tornavam mais distantes por cima dos ombros das pessoas que por ali andavam. Os acompanhantes da figura loira agora se juntaram a ela, em terra firme. Demonstrando respeito, caminhando atrás da menina que mantinha uma postura inalterada, com o olhar fixo somente no caminho que lhe era iluminado pela luz da lua lá no alto, quase como se esta fosse a única disposta a acobertar, mesmo que com seu manto brilhoso e luxuoso demais para tais vermes da sociedade, tais elementos, tão discretos em meio à multidão que o brilho do sol parecia se recusar a acolher, já que sempre que um dos integrantes da Guilda morria ou era preso, era por ter saído sob o calor de tal astro, iluminado como se fosse realmente identificado pelos oficiais como autor de variados crimes.

Um dos elementos que seguia atrás de Nataline, deu mais alguns passos a frente, colocando-se ao lado da garota com seus dezoito e poucos anos. Baixou seu próprio capuz, revelando um pouco de seus cabelos vermelho-cereja e um belo par de olhos azuis, que ao iluminar da lua, parecia ter se tornado mais vivo. Uma enorme cicatriz de luta cruzava toda a diagonal de seu rosto, tão juvenil, mas com traços tão... Severos.

– Quanto de grana arrecadou Monsieur Le Renard*? – Perguntou ela. Além do Mestre de Táticas do grupo, Renard era como o banqueiro da Guilda. Sempre ia aos Negócios para avaliar se os irmãos haviam adquirido a quantia necessária imposta pelo Chefe, Giuseppe Bovalier, único dentre todos que não tinha um codinome, afinal, ele mandava. E os ajuizados ou simplesmente foragidos da lei, obedeciam. Porque se o procuravam e pediam por abrigo, era porque, sim, estavam mesmo dispostos a conviver com suas regras rígidas e seus conformes um tanto quanto loucos na maioria das vezes.

– Ah, Pigeon, certamente uns bons sete mil euros. Mais do que o esperado por Vossa Excelência. – Respondeu Renard, com um tom animado, um pouco mais alto do que deveria por conta da chuva que caía. Seus passos eram firmes, assim como o de todos os outros, por conta do terreno enlameado que aquele bosque se tornou. – Certamente ele ficará bem feliz. Poderemos repor nosso armamento e atacar o Arrebatamento novamente...

– Vermes. – A voz de Nataline saiu um tanto quanto desdenhosa, apesar do tom inofensivo que ela parecia ter. Tom inofensivo este que, os sete assassinos e ladrões ali, à sua mercê, sabiam que não significava nada, tampouco combinava com a verdadeira personalidade da menina. – Quem diria que fanáticos religiosos possuiriam tanto dinheiro... E fossem tão patéticos na hora de lutar.

– Mas eles feriram um de nós, Pigeon. – Uma voz meio vacilante acabou por sair da parte de trás dos seguidores da menina. Quase que exatamente ao mesmo tempo, todos pararam e aquele que pronunciou tal fato cortou caminho entre seus iguais para se aproximar de Jounett e Renard. Puxou a manga de seu braço direito, revelando um pouco sob a luz da lua, de sangue em seu braço. Havia sido atingido por uma adaga. E o rapaz pareceu se tornar ainda mais pálido do que já era.

A loira baixou seu próprio capuz, vendo melhor o sangue pingar no chão juntamente com a água. Rapidamente procurou tirar uma parte de sua própria capa, da seda mais cara do mercado francês. Logo que o barulho de pano sendo rasgado se sucedeu, o mesmo foi envolto no sangramento do rapazote que deveria ter lá seus quatorzes anos e estava com o codinome inicial, algo como Coyote. Certamente, depois de ter se ferido em sua primeira batalha, era provável que ele nunca mais saísse da Mansão da Guilda até reconquistar a confiança e aprovação de Giuseppe.

– D’aigle* – Chamou Le Renard com seu típico tom autoritário, para um dos outros irmãos. – Vá à frente e vá pedindo para Vitanne preparar os soros e os antibióticos! – Logo, voltou-se para as outras silhuetas, quase que imperceptíveis se não tivessem um pouco da lua iluminando a parte de cima de suas cabeças, consequentemente, revelando um pouco de seus rostos. A maioria, com cicatrizes quase tão chamativas quanto as de Le Renard. – Mais algum ferido?!

É claro que qualquer outro não teria admitido. Sabiam que se algum deles indicasse que haviam sido machucado ou ferido em alguma tentativa de roubo, futuramente lhe cortariam as “asas” para continuar nos Negócios. E, imaginavam todos eles, futuramente não pudessem estar na Linha de Frente entre os Charlatões e Ladrões, se tornando assim, Mestres do que quer que fosse que suas habilidades permitissem ser. Desde vigaristas que conseguiam enganar guardas ou oficiais para que finalmente os mercenários e ladrões entrassem em ação, até assassinos profissionais e exímios escaladores.

– É melhor que falem agora, porque eu juro por Deus que se Vitanne descobrir uma ferida ou machucado, em vocês, eu mesmo faço questão de aumentá-los! – Ameaçou, sabendo que aquele tipo de gente só funcionava sob pressão. Só que, para sua sorte, talvez todos os outros estivessem bem. E quando o tal D’aigle tomou a frente de todos, correndo pela chuva e tomando a lama como um tipo de escorregador imaginário para se mandar pelas árvores então, todos continuaram em seu ritmo. Um pouco mais apressados, talvez, por já enxergarem a área cuja Mansão se localizava, logo tomaram partida da mesma.

Ao chegarem numa área cujas árvores foram claramente desmatadas, havia um alçapão camuflado por aí e que de dia, era escondido por vários galhos secos e até mesmo alguns troncos caídos. Afastaram tais adereços e, puxando o mesmo, quase um por um pulou no que viria a ser um túnel. Os bolsos cheios de moedas causavam um barulho que ecoava por aquela entrada subterrânea; e como o decidido, o que fora ferido, Coyote, entrou na frente, guiado por Le Renard.

Como o que já fora definido também, o último dos irmãos que ficasse a entrar pelo túnel, deveria certificar-se de que não haviam sido seguidos e que, se fossem, exterminasse qualquer um que se aproximasse. Havia outras entradas por ali, mas aquela era a única que levava diretamente até o interior da Mansão. E Panthère, a única menina do grupo daquela noite, além de Nataline, ficara encarregada disso.

Agora, finalmente enxergando as luzes que significavam que a sala de estar da Guilda estava próxima, os músculos dos irmãos relaxaram. Alguns já iam até despindo suas capas, revelando seus semblantes cansados enquanto outros iam recolhendo suas adagas, facas, canivetes, revólveres... Tudo que portavam, com a esperança de poderem tomar um banho, serem recebidos para um jantar e irem finalmente dormir.

Assim que alcançaram o outro alçapão que certamente já fora aberto por D’aigle, acabaram por finalmente encontrar com a luz de tom avermelhado e com a sala de cores variadas entre a laranja, amarelo e preto, habitada por Vitanne ao lado do tal rapaz, apenas esperando o ferido. Assim que este foi ajudado pelos outros a subir pelo portal, a moça ruiva resmungou algo enquanto o puxava sem dó alguma pela orelha, depois de ter-lhe baixado o capuz e praticamente o arrastado em direção ao que era seu consultório.

Ter uma enfermeira-chefe sádica e mal-humorada dava naquilo.

E aqueles que estavam de desarmando ainda dentro do túnel, que devia ter lá seus bons cem metros, deixaram suas coisas caírem sobre os sofás da ampla sala. Não havia risco das coisas se misturarem; cada acessório estava devidamente marcado com os codinomes de cada pessoa. E então, várias silhuetas foram se revelando; ruivos, mais loiros, morenos. Magros, gordos, esguios e raquíticos. Morenos, pardos e até mesmo negros. Mal encarados e pessoas com expressões aparentemente angelicais.

Era engraçado analisar cada faceta diabólica que poderia existir por aí e que, felizmente, hoje residia na Guilda de Charlatões, Mestres e Ladrões.


Notas finais
Oh god, finalmente feito... Queria agradecer ao povo que me ajudou um pouco a ter mais noção do que colocar no enredo disso e... Talvez o título e a sinopse sejam provisórias. Mas nenhuma mudança brusca, prometo!
Obrigado Dusk, Neko, Nat e Laura. A Bree também foi a primeira a ler esse treco, mesmo que em partes -v- Ah, e espero que tais pessoas identifiquem seus respectivos personagens, é :3
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Significado dos Codinomes/palavras/frases:
Pingeon: Pomba.
Le Renard: A raposa ou Raposa.
D'aigle: Águia.
Panthère: Pantera.
Monsieur: Senhor.