O Lado Bom Da Vida
24 Capitulo 23 - Preocupações e Planos de Viagem.
Notas iniciais
Eu realmente nunca gostei do conto " A Pequena Sereia". Eu li pela primeira vez quando eu tinha acabado de fazer 10 anos e pedi para a minha mãe comprar um livro pra mim de aniversario. Ela acabou me dando esse conto. Li o livro uma única vez e o deixei guardado na prateleira de livros. Eis o motivo por eu ter odiado: Aos 15 anos, Ariel se cansou de ser mágica. Ela queria uma alma e sentir o amor humano, então trocou seu rabo de sereia por um rapaz e então cada passo era como se caminhasse sobre espadas. Eu nunca gostei. Era um conto de fadas, ela deveria poder ter as duas coisas. Ela não deveria poder escolher uma coisa ou outra. Conto de fadas não era para ser alguma coisa feliz?
Mas eu queria que Christian estivesse pelo menos esse 1% de poder escolher entre ter pernas, aonde poderia caminhar pela areias e pedras ou ficar assim do jeito que ele está agora.
Me levantei da minha cama fazendo bocejo e me espreguiçando. Acabei me lembrando da noite passada. A memoria do beijo, do toque de suas mãos em minha costa, seu cheiro, o toque suave de seus lábios em mim... Só de me lembrar um arrepio passa pelo meu corpo mas é um arrepio diferente, é um arrepio de... felicidade e alegria.
Me sinto tão... feeeeeliz!
Resolvi olhar no calendário e vi que faltava setenta e seis dias.
Meu sorriso sumiu de meu rosto e vi o meu reflexo no espelho. Meu rosto dizia o quanto eu estou preocupada. Soltei um suspiro e fui para a coxinha preparar o café da manhã. Encontrei Kate sentada no sofá com uma tigela de cereal com leite.
– Bom dia Ana — disse ela animada.
Olhei em volta na procura de seu novo namorado.
– Bom dia Kate — abri a geladeira e peguei os ovos — Ele não dormiu aqui na noite passada?
Fui para o fogão, peguei a frigideira e fiz ovos mexidos.
– Quem? Ah... não — ela se levantou do sofá e sentou na cadeira da bacanda — O nome dele é Elliot. Ele é bem legal e sexy. Quero que você conheça ele.
– Oh, legal — depositei os ovos no prato e me sentei do lado de Kate.
– Podemos jantar juntos qualquer dia — sugeriu ela.
– Hum, você sabe que eu não tenho hora pra voltar — olhei pra ela — Você sabe, ás vezes chego tarde ou cedo. Não tenho um horário definido.
– Eu sei e por isso quero que você convida Christian pra jantar conosco.
Pensei um pouco sobre isso.
– Não seria uma má ideia — eu disse — Vou conversar com Sra. Grey primeiro e depois vejo se Christian vai querer sair de casa.
Kate bufou. Olhei para ela.
– Ele vai ter que aceitar. Diga pra ele que eu não aceito "não" como resposta.
Assenti e terminei de comer os meus ovos.
– Mas eu posso convencer ele á sair de casa — murmurei.
Kate me deu um sorriso largo. Eu retribui.
– Quem sabe podemos marcar na semana que vem? — sugeri Kate.
– Perfeito.
Ficamos em silêncio por longos minutos.
Ela me olhou com os olhos semicerrados.
– Você está bem? Está com cara de bunda.
Solte uma risada.
– Estou ótima.
Ela se recostou na cadeira e cruzou os braços.
– Eu te conheço, Ana — disse ela — Desembuça.
Mordi os lábios até ela pergunta de novo o que estava acontecendo.
– Kate, você acha que poderia fazer alguma faculdade?
– Faculdade? Do quê?
Dei de ombros.
– Não sei. Alguma coisa relacionada a Jornalismo ou Literatura.
– Por quê? Porque está me perguntando isso?
Soltei um suspiro.
– Não sei. É uma coisa que Chris me disse alguns dias atrás sobre o que eu deveria fazer da minha vida.
–E?
– E fiquei pensando que talvez esteja na hora de fazer uma faculdade. Sei lá, é só uma coisa que está na minha cabeça.
– Você teria que pagar o curso — sussurrou ela — Você disse que esse emprego de cuidadora é por seis meses. Você teria que achar outro emprego.
– Eu sei disso, Kate — baixei o olhar — Eu tenho economizado.
– Espera aí — disse Kate girando na cadeira — Não entendi direito. Pensei que quisesse continuar com o Christian. Pensei que o motivo disso tudo era mantê-lo vivo e continuar trabalhando com ele.
– Sim, mas... — olhei pro teto tentando impedir que as lágrimas caíssem.
– Mas o quê?
– Isso é complicado, Kate.
– Ficar só com um pé numa rede balançando e ainda segurando um ovo numa colher, também é complicado.
Soltei um pequena risada e olhei para abaixo. Minha boca tremulava por cauda do choro que eu estava segurando.
Kate pegou na minha mão e deu um aperto.
– Você acha que vai perder a batalha? — perguntou baixinho.
– Não sei. Uma hora eu acho que sim e depois acho que não — fechei meus olhos — Não consigo entender. Eu quero que ele viva mas ele aparenta não querer.
– Oh Ana, não fica assim — ela me abraçou — Você precisa conversar com ele.
– Você não entende Kate — eu olhei para ela — Eu fiz grandes planos. Muitos planos na verdade. Vou lha mostrar daqui a pouco.
– E você acha que não vai conseguir realizar todos eles ?
– Eu tenho que realizar todos eles — digo — Eu não posso perder ele. Kate.
Ela da um aperto em minha mão.
– Espera. Como assim não pode perder ele?
Respirei fundo. Eu tenho que contar para ela.
– Ontem a noite eu o beijei.
Ela fez uma cara de espanto — como se não esperava por isso.
– E? Continua.
– Eu estou apaixonada por Christian.
Kate arregalou os olhos.
– E você acha que o amor é reciproco?
Encarei ela.
– Não sei. Ontem a noite, quando eu me declarei, ele me disse que queria ficar comigo.
– E isso não é uma coisa boa, Ana?
– Hã... não sei.
– Como não sabe?
– E se o amor não for o suficiente?
– Ana, o amor sempre é o suficiente — diz Kate — Se ele disse que quer ficar com você, é porque é verdade. Exclui isso da sua mente. Se entrega para ele. Se entrega pro amor, Anastácia!
Kate sabia muito bem como motivar uma pessoa. Dei o meu melhor sorriso para ele e a abracei.
– Obrigada Kate.
– Não foi nada — diz ela — Olha, vai lá trabalhar. Tenha um dia normal como antigamente. Se ele quiser ficar com você, ele vai até você. Converse com ele. Esclareça as suas duvidas e fica com ele. Ame Christian.
– Kate... não sei o que te dizer mas obrigada de novo — abracei ela de novo e fui para o meu quarto me arrumar para mais um dia de trabalho.
* * *
Eu não era única preocupada com os dias de Christian Grey.
Sra. Grey me chamou para se sentar com ela na sala antes que Christian acordasse. Assim eu me sentei, ela me perguntou como estavam as coisas com o seu filho.
– Estamos saindo com mais frequência — respondi.
Ela balançou a cabeça, como se concordasse.
– Ele tem conversado bem mais — acrescentei.
– Só se for com você — ela deu uma risada — Mas você comentou com ele sobre viajar ?
– Bem... não — menti.
– Então, não me importo pra qual lugar você queira ir. Mas sei que não fiquei muito entusiasmada com essa sua ideia, mas meu marido e eu temos conversado bastante sobre isso e achamos que...
Ela ficou em silêncio e tomou um gole do seu chá.
– Bem, achamos que você deveria seguir com o plano de viajar para o interior.
Fiquei surpresa. Eu não esperava por essa noticia.
– Oh, eu agradeço muito Sra. Grey.
– Sei que Christian ficaria feliz.
– Bom, eu espero.
Sra. Grey franziu a cenho.
– Como assim ?
Mordi meu lábio.
– Bom, ele me disse que não queria viajar e eu acabei concordando com ele.
– Oh, mas ele parecia tão feliz quando está com você.
Senti meu rosto corar.
– Mas eu vou convencer com ele sobre esse assunto.
– Eu agradeço, Anastácia — ela deu um pequeno sorriso.
Sra. Grey olhou pela janela, onde encontrava o seu jardim cheio de rosas e flores — que eu não sabia o nome — rosas e azuis.
– Dois meses e meio. É o que falta.
Abaixei minha cabeça e fechei meus olhos.
– Estou fazendo o possível, Sra. Grey.
– Eu sei, Anastácia — ela concordou com a cabeça — Eu sei.
Simplesmente eu me levantei, deixando a Sra. Grey olhando para o jardim perdida em seus pensamentos e saí da sala.
* * *
Christian ainda estava dormindo. Então, resolvi não encher o saco dele e o deixei descansar. Só que na verdade, eu ainda não estava pronta para olhar para ele. Eu tenho medo de que ache que ontem foi um erro e que eu não deveria ter beijado ele. Balancei minha cabeça tentando tirar esse pensamento.
Isso era certo. Eu tenho a total certeza. Os meus sentimentos por ele são verdadeiros e eu quero ficar com ele. Mas primeiro eu preciso pensar em como fazer ele mudar de ideia porque até agora parece que ele não quer mudar o seu pensamento, e isso está me preocupando cada vez mais.
Encontrei o notebook de Taylor na cozinha, olhei para todos os cantos e não encontrei ele. Acho que Taylor não ligaria muito se eu usasse por alguns minutos para se fazer uma pequena pesquisa.
Entrei naquele site de cuidadores e paraplégicos, pedindo algum tipo de ajuda. De novo.
" Alguém sabe me dizer um lugar onde um paraplégico posso participar de aventuras? Bom, não sei o que eu realmente estou procurando mas eu aceito todos os tipos de sugestões possíveis. Preciso fazer o meu amigo/paciente ver que a vida não é tão limitada.
Agradeço. Ana. "
Fechei o notebook e fui fazer um suco de laranja para Christian para o caso de ele acordasse logo. Abri a geladeira e deixei o suco numa das pasteleiras.
– Bom dia Ana — ouvi a voz de Taylor.
Dei um pulo de susto e fechei a porta da geladeira com tudo.
– Com esse susto eu vou achar que você está fazendo alguma coisa errada.
Ele me deu um sorriso.
– Não. Não é nada — eu digo rapidamente.
Ele me encarou.
– Bom, é que eu usei o computador... — ele olhou para a mesa — Eu fiz um a pesquisa. Era meio que urgente.
– Que tipo de pesquisa? — pergunta ele sentando numa das cadeiras que está em volta da mesa de jantar.
– Bom, pesquisas — dei de ombros. Eu não queria contar para ele sobre o site que eu venho pedindo ajudas.
– Hum, sei — ele abre o notebook. Fecho meus olhos. Ele vai descobrir.
– É que eu encontrei um site sobre cuidadores e lá tem vários tipos de ajuda — digo tentando me explicar — Encontrei pessoas legais que me ajudaram com o calendário.
– Que calendário ?- pergunta Taylor curioso.
– Um calendário que eu fiz sobre algumas coisas que eu poderia fazer com Christian — ele me olha — Digo, que nós dois poderia fazer.
Engulo em seco.
– Não se preocupe, Ana — disse ele — Eu também iria precisar de algum tipo de ajuda. Ei, acho que você recebeu alguns comentários.
– Sério? Foi tão rápido.
Pego a cadeira mais próxima e me sento ao lado de Taylor. Ele me passa o computador.
Tinha trinta e oito comentários. Nossa, tudo isso em apenas cinco minutos. Fico espantada com todos os comentários das pessoas dizendo que eu deveria ter forças e que eu estava fazendo o certo pelo o meu paciente.
Havia várias historias sobre natação para paraplégicos, bungee jumping, canoagem e até sobre esqui na neve. Neve. Aonde eu acharia neve?
Havia também nado com golfinhos e mergulho submarino com pessoas dando suporte. Havia com comentários dizendo que existia cadeira flutuantes que permitiriam que ele pescasse — achei essa uma boa ideia. Algumas pessoas postaram fotos ou vídeos de si mesmas praticando algum tipo de esportes.
Enquanto eu rolava a pagina, um comentário me chamou a atenção.
" Por que você não leva o seu paciente para o Rancho Four Winds, ele fica na Califórnia. Eu fui para lá no ano passado. Aquele lugar é mágico. Seu paciente vai gostar muito.
Kile "
Encarei Taylor. E ele me encarou.
– O que você acha? — perguntei.
Ele sorriu para mim mostrando todos os seus dentes brancos.
– Califórnia. — ele balançou a cabeça concordando — É pra lá que vamos.
– Meu Deus, estou tão empolgada. Vou pesquisar sobre esse lugar agora mesmo. Preciso fazer tantas coisa. Ai. Meu. Deus.
– Calma Ana — disse Taylor — Ainda não está nada confirmado.
– Eu sei Taylor. Mas sinto que isso vai funcionar. Sei que vai.
– Vai dar tudo certo — Taylor se levantou — Vou ver se Christian acordou e você pesquise mais sobre esse lugar. E, mais tarde falaremos sobre isso.
Concordei e mostrei o meu melhor sorriso para ele.
– Vai dar certo, Ana — diz e sai da cozinha.
Rancho Four Winds é um centro especializado que oferecia ajuda para "que você se esqueça de que precisa de ajuda", segundo o site. Dei um risada quando eu li isso. o Rancho em si era uma casa terreá, que por sinal era linda. Os depoimentos na pagina estavam repletos de pessoas felizes e alegres, dizendo que aquele lugar é maravilho e magico. Algumas pessoas estavam agradecidas e eles juravam que havia mudado a maneira como elas encaravam a deficiência — e elas mesmas. Pelo menos três usuários que estavam online no chat da pagina afirmaram que o lugar tinha mudado a vida deles.
O Rancho tinha todas as facilidades para os cadeirantes. Havia banhos de hidromassagem e massagistas especializados. Havia assistência médica treinada para qualquer tipo de emergência. E também tem um cinema com espaços para cadeirantes com direito a pipoca a vontade. Havia uma banheira de água quente ao ar livre, na qual poderia se sentar e ficar observando as estrelas. Reservei dois quartos para um semana e alguns dias no complexo hoteleiro na praia, onde Chris poderia apreciar o pôr-do-sol. E o mais incrível e melhor de tudo, eu tinha achado um ponto alto para as férias que Christian jamais esqueceria: um salto de paraquedas com instrutores especializados em paraplégicos. Eles tinham um equipamento especial que lhes permitia prender Christian á eles.
Eu poderia mostrar a Christian o folheto do hotel mas não queria contar nada sobre o assunto ainda. Estava tao feliz que não queria que o mau humor dele contagiasse a minha felicidade. Ia apenas ficar lá com ele e vê-lo saltar. Naqueles poucos e preciosos minutos, Christian Grey estaria leve e livre. Poderia fugir da maldita cadeira. Poderia ser livre. Poderia viver. Poderia fugir da gravidade.
Sempre que eu olhava o Rancho na tela do computador, sentia crescer uma animação — tanto por aquela ser a minha primeira viagem de longa distancia quanto porque podia ser aquilo.
Porque podia ser aquilo que mudaria a cabeça de Christian Grey.
E, é claro. Eu estaria lá por ele.
Como sempre vou estar.
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