O Lado Bom Da Vida
11 Capitulo 10 - Algumas Perguntas Básicas.
Notas iniciais
Eu revirei os olhos.
Christian semicerrou os olhos e sua boca ficou numa linha reta. Olhei para Taylor e me olhou tipo "não estou estendo nada". Olhei de volta para Christian, vi que a suas mãos se apertaram com forças. Meu coração começou a palpitar rápido e minha respiração falhar.
– O que? — perguntei.
Christian não respondeu e se virou para a televisão.
E, eu fiquei sem entender.
***
Na sexta-feira, quando eu coloquei o meu pé esquerdo na entrada da porta, chegou a Sra. Grey comunicando que mais tarde Christian tem fisioterapia.
– Como? — perguntei.
– Eu tive a ousadia de marcar uma fisioterapia para ele — Sra. Grey disse num tom formal e sério — Espero que Christian esteja no horário marcado, ás 15:00.
E assim, saiu da casa. Fiquei paralisada na porta, não sabia como reagir a essa situação. Claro que fiquei feliz por eu ter sida avisada agora, porque se não eu ia passar a noite inteira em claro branca de preocupação. Também fiquei feliz por Christian ter aceitado fazer fisioterapia, com o tempo ele poderia voltar a andar. Mas agora, bateu a preocupação, leva-lo de carro até o hospital. Claro que sei dirigir, fiz o teste e passe. Mas desde então eu nunca mais andei de carro. Essa era a minha unica preocupação.
Em cima da mesa do centro tem um pasta transparente. Fui até lá, peguei a pasta e abri. Dentro continha todos os documentos de Christian e tinha um cartão. Olhei atrás do cartão e verifiquei a data que estava nela: era a de hoje.
Uma parte de mim esperava que a Sra. Grey estivesse errada.
– Sua mãe vai conosco? — perguntei.
Eu estou no quarto de Christian, tirando o pó da comoda. Eu ficava pensando no jeito melhor de fazer essa pergunta. Christian não me respondeu e eu olhei para ele. Seu olhar esta confuso.
– Vai na onde? — perguntou ele — E aonde nós vamos?
Não consegui esconder a minha surpresa. Abri minha boca para falar mas nada saiu dela. Sra. Grey não contou para ele sobre a fisioterapia? E Taylor sabia?
– Não te contaram — eu sussurrei.
Eu tive a ousadia de marcar uma fisioterapia para ele, a voz da Sra. Grey ficou em minha cabeça.
– Me contaram o que? — Christian ficou nervoso, dava para ver claramente a força que ele esta fazendo na mão.
Eu hesitei. Não sabia como reagir. Conto ou não conto? Eis a questão.
Eu conheço Christian muito bem para ver a sua reação. Fiquei nervosa, minhas mãos começou a sua e meu coração bateu forte.
– Sua mão marcou fisioterapia hoje ás 15h para você — falei tão rápido que fiquei em duvida se Christian entendeu.
– O que? — ele gritou. Dei um pulo de susto, meu coração bateu mais forte, não conseguia respirar. Esse era a reação que eu temia. Eu vou matar a mãe dele por me ponhar nesta situação!
– Eu disse que sua mãe...
– Eu entendi o que você disse — ele me cortou — Só não entendi o porque que ela marcou esse negocio. O que ela esta pensando?
O que? Negocio? Foi isso mesmo o que ele disse?
– Porque você não quer fisioterapia? — perguntei.
– Porque não deu certo da ultima vez — Christian virou de costa para mim — E não vai dar certo dessa vez.
– Como você pode ter tanta certeza? — eu estava ficando nervosa com ele — Você nem começou a fazer!
Christian continuou de costa para mim e fui até ele. Christian olhava duro para a janela, eu me ajoelhei na sua frente e peguei sua mão. Christian olhou para mim.
– Vai dar tudo certo — eu disse — Você não pode ter tanta certeza disso se ainda não começou fazer. Relaxa, vamos hoje e se não gostar, nós nunca mais vamos.
Christian sorriu para mim.
– Okay, Anastasia — ele apertou a minha mão — Você esta certa.
Sorri com essa vitoria. Me levantei e chamei Taylor.
– Porque esta chamando Taylor? — perguntou Christian.
– Ele não vai?
– Porque ele iria com nós?
Por um momento eu fiquei desesperada. Não queria que ele soubesse que eu estou amedrontada por levar ele de carro até o hospital.
– Por nada — respondi e me virei de costa para ele, olhando pela a janela com grades.
– Anastasia — chamou Christian — Qual é o problema?
– Esta bem. Eu só... só queria que Taylor fosse com nós, acho que seria mais fácil para mim.
– Para você? — perguntou Christian.
– Sim, Christian. Para mim.
– Acha que eu não sei me cuidar? — perguntou ele.
– Você consegue operar aquela maquina sozinho? — eu estava nervosa — É capaz de me dizer exatamente o que eu preciso fazer?
Quando me virei para olhar Christian, vi que Taylor estava ao lado dele. Os dois estavam sorrindo um para outro.
– O que é tão engraçado? — perguntei.
– Você — respondeu Christian. Olhei duro para ele e cruzei os meus braços — Anastasia esta nervosa — disse ele para Taylor.
– Não estou nervosa — protestei.
– É evidente que não — devolveu ele.
Fui pisando duro até a porta e olhei de cara feia para os dois.
– É bom vocês estarem prontos antes de nós partir! — gritei para eles.
Segui caminho até a cozinha e resolvi fazer uma xícara de chá.
***
Do lado de fora da casa o carro parecia comum, mas quando abri a porta traseira, uma rampa descia pela lateral e se estendia até o chão. Com Taylor empurrando Christian até a rampa, o mesmo foi guiado devagar para dentro do carro. Colocou o sinto em Christian e verificou se estava tudo certo. Até agora estava indo bem. Fui para o banco do motorista e Taylor se sentou ao meu lado, no banco do passageiro. Tentando fazer com que as minhas mãos parassem de tremer, liguei o motor e segui caminho até o hospital.
Toda vez que eu olhava pelo o retrovisor — o que acontecia toda hora — eu ficava olhando a cadeira de Christian, com medo que a amarração se soltasse e ele caísse para o lado de fora. Quando eu pisava forte no freio ou acelerava rápido demais, eu olhava para Christian pelo o retrovisor se via um sorriso em seu rosto.
Quando chegamos ao hospital, eu estava suando frio. Percorri o estacionamento e achei uma vaga. Estacionei e desci a rampa da cadeira de rodas e Taylor ajudou Christian sair.
Reparei que Christian não disse uma unica palavra desde quando saímos de casa.
O hospital era um edifício grande e branco. Eu fiquei hesitante quando Christian disse seu nome para a recepcionista e então seguimos ele por um longo corredor.
– Acho muito bom você não fizer isso sempre — Christian esta se referindo a mochila de "auto-socorro" — como eu batizei ela — que eu tinha feito mais cedo. Christian não queria levar ela por teimosia mas eu trouxe ela, caso ele precise de alguma coisa. Depois de um tempo, eu achei essa ideia maluca. Nós estávamos num hospital, claro que aqui ia ter ajuda!
Não acompanhei a consulta.Taylor e eu nos sentamos numa cadeira reconfortável do lado da porta da sala do médico. O lugar tinha cheiro de hospital e havia quadros pendurados na parede. Eu fiquei me perguntando porque quadros.
– O que eles estão fazendo lá dentro? — perguntei não conseguindo esconder a minha curiosidade.
– É apenas um check-up.
– Isso serve para ver ele se poderia voltar a andar? — perguntei.
Taylor olhou para mim.
– Ele não vai melhorar — disse ele — Christian tem uma lesão na coluna.
– Sim — eu concordei — Mas ele sente dores nas pernas.
– Ele sente dor porque ele fica muito parado e sentado, isso faz com que ele sente dor — comentou Taylor — E como ele ficou um tempo sem fazer fisioterapia, acho que piorou a situação.
Isso podia ser verdade? Sentir dor nas pernas não significava que poderia voltar a andar? Ou não?
– Então porque ele esta fazendo fisioterapia?
– Para manter as condições físicas — Taylor disse — Para os ossos não desmineralizarem, evitar trombose nas pernas, esses tipos de coisas.
Calei a minha boca, não queria mais continuar falando sobre isso. Mas eu estou super curiosa, quero comentar sobre isso. Quando eu abro a minha boca para falar algo, Taylor abriu a boca para falar.
– Ele não vai voltar a andar, Anastasia.
– Como você sabe disso?
– Sinceramente? Christian é paraplégico — disse Taylor — Ele não consegue mexer, mais ou menos....- Taylor colocou as mãos um pouco pra baixo da cintura — Os médicos ainda não conseguiram achar um jeito de consertar a situação dele.
Olho para a porta , fico tentando imaginar a expressão de Christian. Será que ele deve estar com aquela cara de ironia?
– Mas, ainda existe vários tipos de avanços médicos, não é? — perguntei. Estava desesperada para achar um brecha nessa conversa — Quer dizer, num hospital com esse sempre há alguma chance.
– Sempre há esperança, Anastasia — disse Taylor.
– Totalmente — eu disse.
Dois minutos depois de silencio absoluto entre eu e Taylor, eu sugiro ir buscar um café. Acabei encontrando uma lanchonete fora do hospital e pedi dois café para viajem.
Entreguei o café de Taylor e me sentei ao seu lado. Christian estava dentro da sala fazia meia hora e eu estava ficando entediada. Fiquei pensando em Christian, se ele era paraplégico um pouco pra baixo da cintura, sera que ele conseguiria erguer... o brinquedo dele?
– Meu Deus. Pense em tudo que ele não poderia fazer — balancei a minha cabeça incrédula — Não pode mais andar de bicicleta ou correr — Taylor para mim assustado e eu acabei sussurrando — Nada de sexo.
– Claro que dá para fazer sexo, Anastasia — disse Taylor — Só que a mulher tem que ficar por cima.
– Mas você acha que ele consegue ergue o... você sabe... brinquedo dele? — perguntei e rapidamente abaixei a cabeça. Meu rosto começou a pegar fogo.
– Não sei, Anastasia — disse Taylor e ele me olhou por um momento — Acho que consegue, a maioria consegue. E porque você esta me perguntando isso?
Puta merda, como eu vou escapar disso? Como vou me esquivar dessa pergunta? Quando eu abri a boca para responder a porta do consultório se abre, fechei a boca rapidamente. Eu e Taylor nos levantamos e Christian saiu pela a porta.
– Tudo bem? — fui até ele e segurei a sua mão.
– Ocorreu tudo bem — respondeu Christian.
Ele apertou a minha mão.
Eu respirei aliviada.
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