Notas iniciais
Oi meus amores ! Como estão ? Gostaria de dar novamente os créditos à FML Pepper por um trecho desse capítulo. Enfim, espero que gostem e não deixem de comentar o que acharam Boa leitura !

Se foi fácil me recuperar dos acontecimentos do dia anterior ? Nem um pouco.

Alecssanderagia normalmente, como se nada tivesse acontecido, e a idiota aqui sentia até arrepios quando ele chegava perto demais. Mas essa nem é a pior parte; a pior parte é que esse cretino deixou marcas pelo meu corpo inteiro ! Marcas de mordidas e chupões eram destaque, principalmente na região do pescoço, da clavícula e do colo dos seios.

Depois de muito tempo com comentários maliciosos, Rosalya me ajudou a esconder as marcas com maquiagem, pelo menos as que não ficariam cobertas pelas roupas. A maquiagem ajudou de certa forma, mas não era nenhum tipo de milagre. Maldito Alecssander !

— Você está com um sorriso estranho no rosto e eu estou com medo de perguntar o motivo. — falei para Alecssander que dirigia pela avenida movimentada com um sorriso malicioso no rosto, encarando a estrada em sua frente.

Ele piscou rapidamente como se tivesse acabado de acordar de um transe e me encarou com um sorriso quando parou no sinal vermelho.

— Estou animado para ver você fracassando miseravelmente nas aulas de tiro, perceber que foi uma péssima ideia e desistir — ele disse.

Revirei os olhos.

— Eu vou conseguir ! — protestei — E você vai me ajudar também.

— Gostaria de saber de onde você tira tanta confiança e certeza. — ele disse enquanto virava numa avenida.

Soltei uma risada baixa enquanto colocava para trás a franja que insistia em sair do meu rabo de cavalo. Alecssander ficou me observando por alguns segundos até desviar o olhar para a estrada assim que percebeu que o sinal ficou verde.

Ele dirigiu por cerca de uma hora até pararmos na frente de algum tipo de academia de tiro.

— Olha só, quem é vivo sempre aparece ! — disse um homem calvo cheio de tatuagens e piercings com olhos negros. Provavelmente o dono do lugar.

— Olá Charlie, também estou feliz em te ver... Vivo. E livre. — disse Alecssander com um sorriso enquanto cumprimentava o homem com um aperto de mãos.

— Alecssander seu... Babaca. — ele sorriu e então olhou para mim com um sorriso malicioso — E quem seria essa belezinha ?

Alecssander pigarreou e encarou Charlie com uma expressão séria enquanto me puxava para mais perto de si pela cintura.

Possessivo, pensei, revirando os olhos.

Charlie fez uma careta e levantou as mãos em sinal de rendição.

— Opa, opa, já entendi. Território proibido — ele disse — O que é do Alecssander é apenas do Alecssander.

Prendi a risada e Alecssander me olhou rapidamente pelo canto do olho.

— Por que veio ? Duvido que tenha vindo de tão longe só pra me ver. — Alecssander revirou os olhos e Charlie riu — Veio buscar armas ? Faz tempo que você não compra comigo. Recebi uma encomenda boa essa semana, mas não acho que você viria pessoalmente pegar, então o que você quer no clube Lawrence ?

— Preciso de uma das suas salas emprestada por um tempo.

— Opa, perfeito, tenho várias à disposição. — disse Charlie animadamente indo pegar o que parecia ser uma espécie de ficha atrás do balcão, a qual ele começou a preencher. — Mas vamos falar sobre dinheiro. Quanto pretende pagar ? Estamos falando sobre duzentinhos, trezentinhos...?

— Não pretendo pagar — Alecssander foi direto ao ponto e Charlie franziu o cenho — Você vai deixar passar essa — informou — Pelos velhos tempos.

O homem ficou com uma expressão confusa por alguns minutos, até assumir uma expressão emburrada.

— Filho da puta... — murmurou rasgando a ficha em vários pedaços — A última sala do corredor esquerdo é sua seu... Pão duro. — ele deu uma chave à Alecssander.

— Você é um bom amigo, Charlie — Alecssander disse com um sorriso, nos conduzindo até o corredor.

Charlie mostrou o dedo do meio para Alecssander antes de virarmos no corredor cheio de portas numeradas.

— O que houve entre vocês ? — perguntei.

— Entre mim e Charlie ? — eu assenti — Ele era meu fornecedor de armas até ser pego pela polícia. Naquela época, a máfia precisava dos serviços dele então eu meio que subornei alguns policiais para libera-lo e ele ficou me devendo uma. E aqui estamos.

Assenti vagarosamente, encerrando o assunto.

Enquanto caminhavamos distraidamente pelo corredor, nossas mãos se esbarraram por uma fração de segundo e infelizmente eu não resisti à vontade de segurar sua mão, então foi o que eu fiz. Ele pareceu surpreso, mas não soltou, pelo contrário, entrelaçou nossos dedos, o que me sorrir involuntariamente.

Quando chegamos à sala que Charlie nos indicou, não pude evitar de soltar uma exclamação de surpresa; a sala era duas vezes maior que a do Alecssander no apartamento, parecia uma sala de ginástica com espelhos em uma parede, alvos, colchonetes e outros utensílios no chão e mais atrás, um grande mural com diversas opções de armas.

— Com qual posso começar ? — perguntei animadamente — Eu sugiro essa — apontei para uma arma parecida com as que os agentes da máfia sempre usavam.

Alecssander soltou uma risada baixa enquanto pegava alguns colchonetes e os colocava no meio da sala.

— Não era você que odiava armas e todos os criminosos ?

— Isso mudou — falei enquanto passava a ponta dos dedos sobre uma arma grande, depois o olhei com um sorriso sincero. — Eu não os odeio mais. Quer dizer, nem todos.

Alecssander parou o que estava fazendo e me analisou por alguns segundos, certamente pensando o que eu quis dizer com aquilo. No fim, deu de ombros e pegou mais colchonetes.

— Aliás — comecei — Por que está forrando o chão com colchonetes ao invés de me ensinar a atirar ?

— Você disse que quer aprender a se defender sozinha, e eu vou te ajudar — ele disse retirando a camisa. Mirei meu olhar instantaneamente para seu peitoral, mas tentei disfarçar.

Arqueei uma sobrancelha.

— Mas e as armas ?

— Eu vou te ensinar a usa-las. — assegurou. — Depois que você aprender a se defender sem elas. Venha até aqui. — ele apontou para o colchonete em sua frente.

Com o cenho franzido e com um pouco de receio, deixei minha bolsa num canto e me aproximei vagarosamente, ficando de frente para ele.

— Certo. O que eu faço ? — perguntei.

— Vamos começar treinando seus reflexos. Preparada ? — eu assenti.

Num rodopio, ele já estava atrás de mim, imobilizando meus braços.

— Ai ! Como você fez isso ?

Ele me soltou e tornou a se posicionar à minha frente.

— Foco, Darella. Você tem que estar focada. Avalie os prováveis movimentos do seu oponente.

— Certo. Vamos tentar de novo... Aiií !

E Alec já estava atrás de mim. Imobilizando-me. De novo.

Soltei um suspiro.

— Quer desistir ? — ele perguntou depois de me soltar.

— De jeito nenhum ! — exclamei rapidamente — Vamos lá !

Alecssander voltou à sua posição inicial e deu sinal de que ia atacar.

— Mas que droga ! — resmunguei ao vê-lo me prender novamente. Aquilo começava a perder a graça. Para mim. Não para ele, que parecia estar se divertindo bastante. Tentei mordê-lo, mas ele não reagiu. Na verdade, riu e me soltou.

— Você achou que se livraria de um mafioso a dentadas ? — havia um misto de incredulidade e gozação em sua voz.

— Eu... Você tem algum tipo de camada protetora ao redor do corpo ou então toma alguma droga para não sentir dor ? Porque sabe, uma pessoa normal reagiria a isso.

Ele riu.

— Somos mafiosos, Darella. Nós já esperamos por esse tipo de reação da vítima.

— Então como vocês não sentem dor ?

Ele riu novamente.

— Nós sentimos dor. Mas isso não é motivo para desistir.

Ficamos algum tempo em silêncio.

— "Vítima" ? — perguntei de repente com o cenho franzido — Isso quer dizer que você já pegou meninas como eu ? Meninas que não tiveram nem oportunidade de se defender ? — arqueei as sobrancelhas. — Você já esteve no lugar do cara que me ameaçou no beco ?

Sua expressão se tornou fria e vazia, e sua postura ficou rígida. Era visível que ele ficou bem incomodado com a pergunta.

— Isso não vem ao caso. Vamos continuar com o treinamento.

— Não tente desviar do assunto !

Ele suspirou, sabendo que eu não desistiria tão cedo da resposta.

— Olha, eu era uma pessoa bem diferente antes de te conhecer, não duvide disso. Fiz coisas horríveis. Coisas de que me arrependo. Mas está no passado. Agora, podemos por favor continuar com o treinamento ? Ou você prefere ir embora ?

Suspirei, achando melhor não insistir naquele assunto. Por ora.

— Vamos de novo ! — comandei, e num piscar de olhos, ele assumira a mesma posição anterior, ou seja, me imobilizando por trás.

Dessa vez não reagi, na verdade eu não tive nem como pensar nessa hipótese. Sua respiração quente me atingiu a nuca, paralisando-me com mais eficiência que seu golpe anterior. Um tremor seguido de um formigamento. Estávamos tão colados que eu não conseguia distinguir se aquele trepidar vinha do meu corpo ou do dele.

— Tente, Darella ! — ele comandou ao perceber meu estado petrificado — Tente se livrar de mim. — sua voz macia sussurrando em minha orelha direita me deixou zonza.

— Não consigo. — arfei desanimada e ele me soltou.

— Você tem duas alternativas: antecipar o movimento do seu adversário ou libertar-se dele o mais rápido possível.

— Mas são alternativas de fuga !

— Não. São alternativas de sobrevivência ! — esbravejou — O que você queria ? Partir para o confronto ? Usar logo armas, dentes ou os próprios punhos ? Ah, já sei... Vai implorar para o bandido te soltar e te deixar ir numa boa ?

Sua resposta azeda me fez encolher.

— Você tem que tentar se livrar do seu adversário o mais rápido possível. Não pode permitir ser imobilizada. Tem que agir antes, fui claro ?

— O que eu tenho que fazer então ?

— O oposto do que vem fazendo. Seu oponente espera exatamente o que você está tentando fazer. É tão óbvio — ele revirou os olhos — Você precisa surpreendê-lo. Precisa desiquilibrá-lo. Essa é sua única saída.

— Mas como ? Vocês... Quero dizer, você é forte demais e o dobro do meu tamanho.

— Eu não sou tão forte e tão alto assim. E isso não influencia em nada. — suspirou — O que você tem que fazer é alterar o centro de resistência do seu adversário. — meu olhar confuso o fez explicar: — Você vai se abaixar o mais rápido que puder e executar este movimento de torção com o corpo — ele exemplificou com um giro. O negócio era muito mais difícil do que eu poderia imaginar.

— Ok. Vamos tentar novamente.

Eu não queria desistir, mas, depois de umas dez frustantes tentativas, minha determinação já tinha ido por água abaixo, juntamente com minha paciência.

— Que INFERNO !

— Tudo bem. Já fez muito para um primeiro dia. — consolou.

— Não !

— Não o quê ?

— Eu não vou embora antes de conseguir. — rosnei e ele riu.

— Darella, se esse golpe fosse fácil, todos saberiam como se livrar dele, não acha ? Você vai ter que praticar bastante até conseguir. Por hoje, chega.

— Por favor ? — implorei.

— Só mais uma vez e depois voltamos para o hotel.

— Combinado.

— Aqui — desta vez ele não apareceu magicamente às minhas costas como um fantasma. Lentamente, Alecssander se posicionou atrás de mim e imobilizou meus braços. — Concentre-se. Anteveja. Respire enquanto age, ok ? Quando eu diss... Arrh !

Trapaceei. Antes mesmo que ele desse o comando, eu me abaixei e, sem conseguir acreditar no que acabara de fazer, girei meu corpo rapidamente e o desequilibrei. Ou será que ele se deixou desequilibrar ? Bom, o fato é que nós tombamos e eu caí por cima de Alecssander.

— Uau ! — ele sorria, deixando seu rosto a centímetros do meu — Acho que encontrei uma ótima aluna. Vamos acelerar nosso treinamento.

— Posso passar para as armas ? — perguntei, esperançosa.

— Talvez.

Franzi o cenho.

— Talvez por quê ?

— Porque... — ele sussurou. Nossas respirações ofegantes se cruzaram. Atordoada, não fiz menção de sair de cima dele. Alecssander começou a se aproximar demais, e eu apertei suas mãos ao lado de sua cabeça com avidez. Foi então que ele me surpreendeu e, num giro rápido, inverteu nossas posições, me deixando imobilizada debaixo dele. — Porque você não está preparada para isso ! — ele disse entre risos.

Revirei os olhos e me juntei à seus risos. Depois de alguns segundos, ele saiu de cima de mim e me ajudou a levantar para irmos embora.

— Você foi bem para um primeiro dia, e por isso vai ganhar uma recompensa.

— Que tipo de recomp... — ele não me deixou terminar e logo colou sua boca na minha em um beijo rápido. Ao se afastar e ver meu estado surpreso, soltou uma risada divertida.

Quando ele deu as costas para mim e foi vestir sua camisa, pude perceber que eu não era a única que havia ficado cheia de marcas do dia anterior; nas costas de Alecssander, podia-se ver claramente marcas vermelhas das minhas unhas.

Ele colocou o braço por cima de meus ombros e passamos pela recepção para deixar a chave, onde estava Charlie que, ao nos ver, assumiu uma expressão emburrada.

— Você costumava ser mais malvado com as garotas quando nos conhecemos, Alecssander. — ele disse.

— Malvado ? — perguntei com o cenho franzido assim que passamos pela porta da saída — Como assim ?

— Esquece isso. Charlie fala demais. — ele disse com um sorriso.

Suspirei e entrei no carro.

Alecssander parecia esconder muitos segredos, mas será que ele não confiava em mim para contá-los ou simplesmente queria esquecer o passado ?

Notas finais
Gostaram ? Não ? Comentem ! Até o próximo capítulo !