O Líder Da Máfia

9 Crise de ciúmes ? Impossível


Notas iniciais
Oi meus amores ! Como estão ? Mil perdões pela demora, espero que não tenham desistido de mim, porque eu não desisti da história e nem de vocês ! Hahaha Espero que gostem desse capítulo, e não deixem de comentar o que acharam. Boa Leitura !

E finalmente chegou sábado, o dia do tão esperado baile de primavera. Sexta-feira na faculdade todos estavam completamente eufóricos e ansiosos, comentando sobre isso sem parar pelos corredores. E eu... Bom, não ligo. Realmente não quero ir, só vou por que as duas idiotas me obrigaram quando me incluíram na equipe de decoração e por que me fizeram comprar um vestido caríssimo. Quer dizer eu não comprei, ele milagrosamente veio parar em minhas mãos e até agora não entendo como e nem porque, mas sinceramente, não ligo. É apenas um vestido e eu só vou usa-lo uma vez na vida.

Agora eu assistia o noticiário enquanto bebia café tranquilamente. O baile seria somente à noite, as oito horas. Três dias antes do baile foi anunciado que todos deveriam ir acompanhados para ficar bonito nas fotos do anuário, o que me deu apenas mais uma razão para não querer ir. Christine e Rose já tinham seus devidos acompanhantes e eu ainda estava sozinha. Pensei em convidar Oliver, mas ele pensaria que eu convidei ele por outro motivo além de ele ser minha única opção, então desisti logo de cara. Faltava apenas algumas horas para o baile e eu estava sozinha. Nunca pensei que chegaria ao ponto de parecer uma ridícula que depende de um homem para ir numa festa da faculdade, que situação deplorável.

Escutei alguém batendo na porta e imediatamente fui abri-la, dando de cara com dois brutamontes de dois metros de altura e super fortes, vestindo roupas inteiras pretas.

— Senhorita Melbourne ? — um deles disse.

— Sou eu. — respondi seca e franzindo o cenho, desconfiada.

— Você vem conosco. — o outro disse e então eles simplesmente entraram dentro do apartamento e tentaram me pegar.

Eles agarraram meus braços e me puxaram para fora do apartamento e eu resistia com gritos e me debatia sem parar, o que estava sendo uma ação completamente inútil já que eles são dois e cada um deles tem o dobro da minha força. Não sei como mas os vizinhos não fizeram questão de abrir a porta e ver o que estava acontecendo, mesmo com meus gritos clamando por socorro. Bando de miseráveis.

— NÃO ! — gritei — ME SOLTA SEUS IDIOTAS !

— Eu vou injetar tranqüilizante nessa mulher ! — gritou um deles puxando meu braço mais forte. Comecei a sentir uma dor aguda em ambos os braços e me rendi, vendo que se continuasse me debatendo só prejudicaria a mim mesma.

Quando estávamos perto de entrar em um carro que estava estacionado em um beco sem movimento ao lado do prédio, um deles soltou um resmungo e simplesmente caiu no chão e o outro fez o mesmo logo em seguida. Fiquei parada no mesmo lugar sem entender nada, vendo os dois brutamontes caídos no chão como se estivessem paralisados.

— Você está bem ?

Ouvi uma voz conhecida atrás de mim e ao me virar, não pude evitar de soltar um suspiro de alívio. Ele segurava uma arma grande em mãos; não sei descrever a arma pois não entendo nada de armamento. Sua respiração estava desregulada, parecia ter corrido quilômetros. Ele vestia uma regata preta e uma calça com estampa militar junto de luvas pretas de couro que só protegiam a palma da mão.

— Alecssander, você... — comecei e ele jogou a arma no chão e andou rapidamente em minha direção, até me surpreender em um abraço apertado. Fiquei com os braços ao lado do corpo, sem reação — ...Voltou.

— Espero não estar atrasado. — ele disse e depois soltou uma risada baixa que fez cóssegas na minha nuca.

— Por que diabos você voltou ? — perguntei depois que ele me soltou.

— É assim que você me agradece ? — ele disse colocando a mão sobre o peito, como se estivesse ofendido.

— Apenas responda. — voltei a minha rotineira expressão séria.

— Eu nunca fui embora. — ele forçou um sorriso.

Ficamos em silêncio, sem desviar o olhar um do outro, apenas ouvindo o som dos carros passando na rua do outro lado do prédio. Quando consegui sair daquela espécie de transe, olhei os homens ao lado dos meus pés e me surpreendi; eu tinha me esquecido completamente deles.

— Eles... Eles estão... — comecei, apontando para os homens.

— Não, não estão mortos. — ele leu meus pensamentos e eu assenti. Isso mesmo babaca, continue lendo meus pensamentos e me poupando saliva, pensei. — Estão apenas dormindo, atirei tranquilizantes. Falando nisso, acho melhor irmos antes que acordem.

Ele pegou a arma no chão e em seguida me puxou pelo pulso em direção ao meu apartamento.

— Agora que sabem onde você mora, certamente irão voltar. — ele pensou alto e então me encarou — Venha, a partir de agora você vai morar comigo.

— Mas... Você me disse que não tinha para onde ir... — murmurei e ele deu de ombros.

— Eu menti. Agora vamos logo. — ele puxou meu pulso mas eu o puxei de volta brutalmente.

— Eu preciso fazer as malas. — falei ainda a contra gosto de ir morar com ele.

— Não temos tempo. Assim que aqueles mafiosos acordarem, vão vir atrás de você. Tudo que você precisar tem na minha casa, vamos Darella !

— Mas- murmurei mas ele puxou meu braço com brutalidade e eu soltei um resmungo, fazendo Alecssander me encarar. O idiota ficou encarando meu braço por alguns segundos, antes de cerrar os pulsos e ranger os dentes.

— Malditos ! — ele esbravejou. Ao direcionar meu olhar para o braço percebi que estava vermelho, começando a surgir hematomas. Me surpreendi com isso. Os homens eram fortes, mas não achei que eram tanto ao ponto de deixar hematomas nos meus braços. Alecssander suspirou. — Olha, eu sei que não quer morar comigo de novo mas se você for, isso — ele apontou com a cabeça para o meu braço — Nunca mais vai acontecer, porque eu não vou deixar. E quanto mais perto você estiver, melhor. — ele fez uma pausa. — Você vem ou não ?

Ele ofereceu a mão em minha direção e eu fiquei receosa. Obviamente eu não queria que mafiosos invadissem minha casa novamente para me sequestrar, mas morar com Alecssander não parecia ser a melhor das idéias. Vendo que eu não tinha muita escolha, segurei sua mão e ele me puxou em direção à saída, deixando meu apartamento, meus livros e todas as minhas preciosas coisas trancadas ali. Ele nos conduziu até seu carro e logo deu partida, acelerando em seguida. Se passou cerca de cinco minutos com Alecssander dirigindo até que ouvimos tiros e de repente, uma bala atingiu o vidro traseiro e o quebrou por completo.

— Se abaixa ! — gritou o idiota e eu obedeci, levando a cabeça até os joelhos. Ele pegou sua pistola no cinto da calça e deu alguns tiros para trás, até aumentar a velocidade do carro. Agora ele dirigia velozmente pelas ruas de New York furando semáforos, desviando de carros e virando nas ruas sem se importar com nada.

— Você devia por o cinto. — eu disse vendo que o velocímetro já estava acima de cem por hora. Ele deu uma risada alta.

— Essa devia ser a última das suas preocupações.

Um motoqueiro chegou do lado direito do carro e apontou uma arma para mim, o que me fez abaixar a cabeça até os joelhos novamente e Alecssander aumentar ainda mais a velocidade. Ele virou com tudo em um beco apertado e eu jurei que o carro iria raspar nas paredes. Felizmente, depois de desviar de alguns carros e acelerar muito mais a frente, o babaca despistou a moto e voltou a dirigir com calma, entrando no estacionamento de um prédio depois de uns dez minutos. Ele estacionou o carro em uma vaga no meio de vários outros carros no primeiro subsolo e me conduziu até as escadas onde passamos por uma porta com um letreiro escrito "Estacionamento Exclusivo Sr. Fairchild".

— Exclusivo sr. Fairchild ? — eu disse com o cenho franzido enquanto o idiota me conduzia por um imenso térreo luxuoso em direção ao balcão de recepção. Ele colocou óculos escuros e colou um bigode falso que ele retirou do bolso — Por que diabos estamos em um apartamento de luxo ? E por que você colocou o carro no estacionamento do Sr. Fairchild ? Ele deve ser o dono daqui e você colocou o carro no estacionamento dele !

— Bom dia Annie. — o idiota disse para a recepcionista que levantou os olhos com um mal humor, mas ao vê-lo mudou para uma expressão assustada e depois simpática rapidamente.

— B-Bom dia Sr. Fairchild. Como foi de viagem ? — ela gaguejou e eu arregalei os olhos, surpresa.

— Muito bem. Alguma novidade ? — Alecssander falava tudo com um sorriso brincalhão no rosto, provavelmente achando engraçada minha expressão.

— Sim, alguns homens querem fazer parceria com o condomínio. O que devo responder ?

— Rejeite. Não faço parcerias e isso vale para qualquer outra proposta, ouviu ?

— S-Sim, senhor.

— Ótimo. — Alecssander me puxou pelo pulso e apertou o botão para chamar o elevador.

Ficamos em um silêncio mortal enquanto o elevador descia vagarosamente do décimo nono andar até o térreo. Fiquei pensando nas informações que acabei de descobrir sobre o homem ao meu lado e várias perguntas surgiram nos meus pensamentos, sendo uma delas o por que do idiota ter mentido sobre não ter para onde ir sendo que ele é o dono de um condomínio de luxo. Eu estava com raiva ? Surpresa ? Não sei dizer.

Meu sustento vinha da pequena herança que meu pai me deixou antes de morrer e do dinheiro que minha mãe consegue provavelmente se prostituindo na prisão -revirei os olhos instantaneamente com esse pensamento- e é claro que eu odeio ser dependente de alguém e que realmente gostaria de arrumar um emprego, mas ultimamente anda sendo difícil devido à pouca quantidade de vagas de trabalho em Nova Iorque. E enquanto tem gente como eu batalhando para conseguir algo na vida, pessoas como Alecssander estalam os dedos e tem tudo o que quiserem aos seus pés. A vida é realmente injusta. Revirei os olhos novamente.

Enfim o elevador chegou. O babaca apertou o botão do último andar e eu não pude evitar de revirar os olhos pela milésima vez. É claro que ele mora na cobertura, não esperaria menos de uma pessoa como ele. Já com o elevador subindo vagarosamente pelos andares, o idiota retirou os óculos escuros e o bigode falso, então ficamos em um silêncio absoluto e ele parecia visivelmente incomodado com isso, e é claro que eu não perguntei o motivo, não é como se eu me importasse ou estivesse interessada em saber. Alecssander morava na cobertura, ou seja, no quinquagésimo andar e ainda estávamos passando pelo décimo.

— Ah que inferno ! — Alecssander esbravejou, bufando — Desse jeito só chegaremos no meu andar no outro dia.

— Levando em consideração a velocidade que o elevador está subindo e a altura do seu andar, chegaremos lá em cerca de cinco a dez minutos. — eu disse automaticamente, como um robô recitando seus códigos. O idiota revirou os olhos.

— Ok, você faz física na faculdade, já sei disso. — ele levantou os braços em sinal de rendição e eu coloquei a mão em frente a boca e soltei uma risada baixa, suficientemente baixa para que ele não ouvisse. Não que eu me importe é claro, só não quero dar esse gostinho para ele.

Finalmente o elevador chegou no último andar e assim que ele abriu as portas, dei de cara com uma única porta dupla que Alecssander destrancou e enfim entramos em seu apartamento. Era um lugar completamente distinto da minha realidade e eu não consigo nem descrever. Logo na entrada havia uma sala com um sofá branco de couro em formato de "L" com almofadas cinza e pretas em cima do mesmo e atrás dele, janelas de vidro substituiam as paredes e davam a visão dos prédios de New York que agora nem pareciam ser tão grandes. No teto havia um lustre luxuoso com o que parecia ser cristais e lâmpadas que se assemelhavam a velas. O babaca me puxou pelo pulso e começou a me apresentar o apartamento, mostrando cômodos extremamente luxuosos e chiques demais para o meu gosto. Ele abriu uma porta de vidro que levava a uma sacada onde havia uma piscina grande que chegava até a beira do prédio, algumas cadeiras reclináveis de cor branca, uma jacuzzi em volta de um playground de madeira com uma pequena escada a alguns metros da piscina e uma mesa redonda perto de uma churrasqueira. Alecssander me puxou pelo pulso mais uma vez e me fez subir uma escada grande em espiral que rodeava um lustre prata com bolas de cristal. No andar de cima havia a suíte do idiota -que ele se recusou a abrir e me proibiu de entrar ali sem a autorização dele- e bem em frente o quarto de hóspedes, que agora supostamente seria o meu quarto. Nele havia uma cama grande de casal com várias almofadas e encosto de estofado braco com dourado, como se fosse aquelas camas de reis que vemos em filmes. Atrás da cama havia uma parede de espelho, no teto um lustre pequeno, na frente da cama um sofá estofado de cor branca, uma TV na parede e uma escrivaninha na parede ao lado esquerdo da cama e ao lado direito, uma porta de vidro que levava a uma sacada com vista para os grandes prédios da linda Nova Iorque primaveril. Havia duas portas na parede que eu ainda não havia aberto e quando abri arregalei os olhos, surpresa, e encarei Alecssander.

— Um closet ? É sério isso ? — eu quase gritei a frase, mas mantive a expressão séria e tentei fazer a uma voz seca. Pigarreei. — Você não me deu tempo para pegar roupas.

— Podemos comprar novas. — ele deu de ombros.

— Não tenho dinheiro suficiente para repôr minhas roupas. — revirei os olhos.

— Mas eu tenho. — sua expressão estava séria, o que me fez pensar que ele não estava brincando.

— Eu não vou depender de você. — cruzei os braços e o encarei de forma seca.

— Não estou pedindo para que dependa. — ele retrucou e eu fiquei meio insegura. Odiaria o fato de ter que ficar devendo para esse babaca. Ele bufou — Se te incomoda tanto o fato de comprar roupas novas, então eu mando Jared buscar suas coisas no seu apartamento.

— Jared...? — franzi o cenho.

— Meu motorista. — nós ficamos em silêncio — Bom, vou te deixar sozinha. Caso queira tomar um banho, o banheiro é no final do corredor. Estarei na cozinha se precisar.

Ele saiu do quarto e fechou a porta, me deixando sozinha. Me joguei de costas na cama e suspirei, pensando nos problemas que eu me meti por não ter escolhido a opção de ficar no meu apartamento, com sequestradores e o conforto de nada muito luxuoso como o lugar em que eu me encontro no momento. Suspirei pesadamente antes de decidir tomar um banho, vendo que faltava quatro horas para o baile e eu ainda não tinha acompanhante algum. O banheiro possuía uma hidromassagem com quatro lugares e eu acabei decidindo que tomar um banho nela talvez não seja má ideia. Esperei ela encher com água quente, retirei as roupas e entrei, sentindo uma sensação gostosa possuir meu corpo quase que instantâneamente. Não sei quando tempo fiquei ali, mas foi o suficiente para me fazer relaxar; eu me sentia renovada. Peguei um roupão que estava junto de muitos outros dentro do armário e fui até o meu mais novo quarto, onde encontrei uma mala grande em cima da cama. Ao abrir, vi várias peças de roupas e vários pares de sapatos mas não novos, e sim os que estavam no meu apartamento junto da caixa da La Boutique e dos meus livros e cadernos da faculdade. Troquei de roupa rapidamente colocando uma legging com uma blusa larga, peguei meu celular e desci até a cozinha, encontrando Alecssander sentado em uma cadeira alta em frente ao balcão.

— Eu gostaria de um copo de água. — falei, seca.

— É só pegar. Agora você também mora aqui. — ele disse apontando para a geladeira.

Assenti, deixando o celular no balcão. Abri a geladeira, pegando uma garrafa de água e despejando o líquido num copo de vidro. Ao me virar de frente para Alecssander, ele estava com uma expressão séria.

— Algum problema ? — perguntei.

— Por que não me contou sobre o baile de hoje a noite ? — ele me encarou. Percebi que havia uma nova mensagem no meu celular e certamente era sobre o baile. Dei de ombros.

— Você já sabia.

— Como soube disso ?

— Foi um palpite, mas agora tenho certeza. — dei um gole na minha água.

Ficamos em silêncio e eu comecei a encarar Alecssander. Uma parte de mim dizia que isso daria muita merda e que o melhor seria eu ficar quieta, e outra parte dizia que essa era a minha melhor opção no momento. Acabei suspirando pesadamente, me rendendo. Não é como se eu tivesse muitas opções e o baile seria em apenas algumas horas. Senti minhas mãos começarem a suar quando me peguei pensando em como convidaria esse idiota para ir ao baile comigo. Eu não sou uma pessoa muito amigável para esse tipo de coisa e ele certamente não vai estar esperando por isso, então como diabos vou fazer essa porra de convite ?!

— V-Você... — comecei de repente, fazendo seu olhar se direcionar até meus olhos. Desviei o olhar — Você não gostaria de ir ao baile comigo... — o encarei — Gostaria ?

Ele estava com uma expressão surpresa, com as sobrancelhas arqueadas e a boca entre aberta, sem nenhuma resposta. Me arrependi imensamente e me senti uma ridícula quando ele sorriu. Ele estava debochando de mim, certamente pensando no quão desesperada eu estava por ser obrigada a convida-lo e infelizmente, não posso discordar disso.

— Eu adoraria. — ele disse e eu confesso que fiquei surpresa, mas tentei não demonstrar. Dei de ombros.

— Tá, tanto faz. — eu disse de forma seca e desinteressada, mas estava aliviada por não precisar ir sozinha.

[...]

Já passava das sete e quarenta e cinco e nós estávamos atrasados para o baile devido a insistência de Grace, a famosa agente Pines. Ela veio até o apartamento de Alecssander e o idiota tocou no assunto do baile e eu disse que não iria fazer maquiagem nem penteado, a morena quase surtou e insistiu em fazer isso por mim, e aqui estamos. Felizmente ela me ajudou a colocar o vestido, me poupando de precisar pedir ajuda a Alecssander e agora terminava de fazer o penteado, já que a maquiagem já estava pronta.

— Prontinho. — ela disse me levando até o espelho.

Eu não me reconhecia. O vestido caia super bem e destacava minhas curvas, o cabelo estava preso em um coque bagunçado para mostrar a transparência nas costas e a maquiagem era leve e sem muito destaque para realçar minha " beleza natural", segundo ela.

—O-Obrigada... — murmurei. Ela sorriu.

— Agora vão logo por que vocês já estão atrasados. — ela disse me empurrando para fora do quarto e eu a impedi.

— Eu preciso pegar algo antes... — ela assentiu e me deixou sozinha no quarto.

Fui até minha mala e peguei a bolsa da faculdade, jogando tudo que havia dentro dela na cama até finalmente encontrar o par de pulseiras de flor. Coloquei uma em meu braço e a outra eu entregaria ao babaca assim que o visse. Ainda antes de sair do quarto, tomei o antipsicótico já que a visita de Thomas seria a última coisa que eu gostaria nessa noite.

Saí do quarto e desci os primeiros degraus da escada chegando até a metade, onde parei quando meu olhar se cruzou com o de Alecssander. Por que diabos eu parei ?! Não sei dizer, simplesmente não conseguia me mexer com seu olhar surpreso sobre mim.

— Impressão minha ou ta rolando um clima aqui ? — Grace disse nos despertando do transe. Revirei os olhos.

— Impressão sua. — falei, seca e voltei a descer as escadas, por fim chegando ao lado de Alecssander.

— Então tá. — ela deu de ombros — Vou indo, bom baile pra vocês dois.

Ela saiu do apartamento acenando e deixou eu e o babaca sozinhos. Só agora reparei que ele usava um terno preto perfeitamente ajustado ao seu corpo e havia feito a barba, mas não a retirado por completo. O cabelo estava jogado pra trás, mas alguns fios rebeldes insistiam em sair do lugar, fazendo com que seu cabelo não ficasse totalmente arrumado. As mãos estavam no bolso da calça e ele parecia agitado. Ficamos de frente para as portas do elevador, aguardando o mesmo voltar.

— Você precisa usar isso para poder entrar no baile. — falei, entregando a flor a ele que logo colocou-a no pulso.

Ficamos em um silêncio absoluto.

— Grace me falou que você havia ficado bonita mas... — ele murmurou e não terminou a frase, me fazendo encara-lo. Ele encarava seus pés e voltou as mãos aos bolsos.

— Termine uma frase quando você começar, idiota. — falei revirando os olhos e então ele me encarou.

— Você está incrível.

— Obrigada. — eu disse com minha rotineira expressão séria desviando o olhar. Ele falou com tanta convicção que tenho certeza que meu rosto ruborizou.

O elevador demorou muito para chegar, e quando entramos nele e começou a descer, todo o caminho foi em um silêncio mortal. Passamos novamente pela porta com o letreiro e eu senti a curiosidade me consumindo.

— Quantos carros desse estacionamento são seus ? — perguntei.

— Todos eles.

Ele deu de ombros como se tivesse dito "bom dia", me deixando com uma expressão pasma. Olhei em volta e percebi que os carros eram de luxo, ou seja, só naquele estacionamento tinha mais dinheiro do que eu jamais conseguiria trabalhando na minha vida inteira.

Ele foi até um mural com várias chaves e pegou a da famosa Range Rover preta, me conduzindo até a mesma. Saímos do estacionamento e Alecssander dirigiu por uns quinze minutos até finalmente chegarmos em frente à faculdade, as oito em ponto. Alecssander abriu a porta para que eu descesse do carro e me ofereceu o braço que eu educadamente aceitei, apenas por que ele era meu acompanhante.

Infelizmente já havia muita gente no ginásio a essa hora e quando passamos pela entrada, fomos o centro das atenções, principalmente pela famosa "geniazinha" estar usando um vestido mega transparente e pelo fato dela estar acompanhada de um homem que ninguém nunca viu antes. Amber e suas amigas estavam plantadas na entrada, e ficaram abismadas quando me viram junto de Alecssander.

— P-Preciso ver sua flor. — Amber murmurou quase babando no peito do idiota. Ele mostrou o pulso na direção dela e ela assentiu, voltando a encara-lo — P-Pode entrar... Sou Amber, por sinal.

— Sou James. Prazer em conhece-la Amber. — ele deu um de seus sorrisos sedutores que faria qualquer garota abaixar a calcinha ali mesmo. Amber quase teve um infarto.

Andamos pelo ginásio super movimentado, sendo acompanhados com o olhar a cada passo e ignorando os comentários indecentes que faziam sobre mim, o que deixava Alecssander visivelmente incomodado.

— Darella ?!

Ouvi um grito que parecia ser familiar e ao me virar, fui surpreendida por um abraço de urso e minha visão foi substituída por longos cabelos platinados na minha frente.

— R-Rosalya ? — murmurei e então ela me soltou, ficando com as mãos em meus ombros.

— Meu Deus ! — ela falava com um sotaque francês que estava me dando vontade de rir. Ela encarou Alecssander e fechou a cara — Você ! Por que você está aqui ?

— Pergunto o mesmo. — ele sorriu de forma travessa — Você está melhor do que quando nos vimos da última vez, Rosalya.

— E você continua o mesmo idiota. — ela revirou os olhos e me encarou — Eu pedi um tempo para me afastar da máfia e felizmente eles aceitaram, então decidi fazer faculdade. A da França não é tão boa quanto a de Nova Iorque.

— Mas por que não escolheu algo mais perto ? Alemanha ? Reino Unido ? — perguntei.

— Eu tenho família aqui. — ela disse e sorriu.

Ao longe, pude ver Amber e suas amigas fofocando e olhando em nossa direção sem parar. Amber puxou o vestido para baixo na região das costelas, fazendo o decote de seu vestido rosa pink ficar ainda maior até que enfim, ela jogou o cabelo para trás e veio andando em nossa direção, andando daquela forma super irritante jogando o quadril para lá e para cá com a bunda empinada e com um ar determinado.

— Oi James... Lembra de mim ? — ela disse para Alecssander.

— Claro... Amber, não é ? A garota que estava na entrada. — ele disse e ela assentiu com um sorriso malicioso no rosto.

— E agora, uma música para todos os casais apaixonados. — o DJ anunciou colocando uma música mais lenta.

— Ah, eu amo essa música ! — Amber disse e então pegou no pulso do idiota — Vem dançar comigo ?

— Me desculpe Amber, mas essa noite eu estou acompanhando alguém. — ele respondeu colocando o braço por cima de meus ombros e Amber me olhou com uma expressão de nojo.

— Eu tenho certeza de que a Darella não vai se importar de me emprestar você por cinco minutinhos... Você vai, querida ? — ela disse com uma voz manhosa forçada.

Não, eu não vou me importar. É o que eu quero dizer mas não consigo. A frase está entalada na minha garganta mas eu simplesmente não consigo dize-la.

— N-Não. — murmurei e em seguida, pigarreei — Não, não me importo. Fique a vontade, Ale... Digo, James.

Depois de dizer isso, Amber sorriu e puxou o braço dele em direção ao conjunto de casais no meio da pista de dança. Alecssander colocou as mãos educadamente na cintura de Amber e ela, entrelaçou os braços em volta do pescoço dele e apertou os peitos conta seu peitoral, fazendo eles ficarem mil vezes maiores e quase saltarem para fora do vestido. Ao olhar para baixo, percebi que meus peitos de limão nunca chegariam aos pés dos peitos de melão da loira pesadelo, e isso me fez fechar a cara.

— Eu não sei por que, mas não fui com a cara dessa tal Amber... — disse Rosalya ao meu lado cruzando os braços abaixo dos peitos, fazendo eles ficarem maiores sob o vestido roxo curtinho com decote em forma de coração e um tecido transparente que chegava até os ombros. O vestido em si era de renda lilás com um cinto detalhado em pedraria na cintura e curto e armado acima da metade das coxas. Provavelmente Rosalya era a única do baile que estava usando um vestido curto. Me peguei encarando seus peitos e pensando que o que Alecssander sempre diz talvez seja verdade, eu sou mesmo uma tábua.

— Você não viu nada. — falei me referindo a Amber que apertava cada vez mais os peitos no peitoral do babaca, que não parava de encarar os melões dela.

Eu não entendo o motivo, mas de alguma forma estava incomodada. Talvez seja por ter sido obrigada a vir até esse baile que até agora, não houve nada demais ou talvez seja pelo fato daqueles dois estarem quase se comendo na pista de dança. Sinceramente, Amber e Alecssander são dois tipos de pessoas que eu tenho repugnância.

— Darella ?! — ouvi uma voz conhecida e como Rosalya, Rose e Christine vieram correndo para me abraçar. Amber e o idiota chegaram ao nosso lado logo depois.

— Oi. — falei, seca, para as duas idiotas.

— Nossa você está tão linda e... Quem é essa ? — Christine perguntou se referindo a Rosalya, que se apresentou educadamente. Foram feitas as devidas apresentações e então, Alecssander se pronunciou.

— Eu vou pegar bebida. Quer algo ? — ele se dirigiu a mim, mas Amber respondeu.

— Eu quero ponche !

— Ele estava falando com a Darella, querida. — disse Rosalya. Amber se virou para ela a olhando dos pés a cabeça.

— E você é quem ?

— Não quero nada. — respondi, seca, para Alecssander que assentiu e saiu em seguida, interrompendo a provável discussão que aconteceria. Amber me encarou.

— Você costuma se vestir mais como uma mendiga, mas esse vestido até que não é nada mal.

— Está com ciúmes por ser melhor que o seu ? — Rosalya alfinetou, com um sorriso.

— Queridinha, o meu vestido é exclusivo e importado, melhor do que isso aí que você ta usando. — ela apontou com as unhas super grandes para o rosto de Rosalya, que estava prestes a retrucar quando Alecssander voltou, entregando o ponche a ela e bebendo um gole do que parecia ser uísque.

— Eles estão vendendo bebidas alcoólicas ? — perguntei a ele, franzindo o cenho. Ele assentiu. — Mas não era proibido ?!

— É um baile de faculdade, todos aqui tem mais de dezoito anos então não vejo motivo para não venderem. — ele deu de ombros.

— Darella, obrigada por vir. — Rose disse. Eu tinha até me esquecido que elas estavam ali.

— Vocês me obrigaram a vir. — respondi, com a expressão séria.

— Ah, mas você está se divertindo e-

— Não. — a interrompi — Não estou me divertindo.

— D-Desculpa... — Rose murmurou, constrangida.

Ficou um silêncio tenso entre todos nós, com os olhares se intercalando entre Rose, que estava totalmente sem graça, e eu, que continuava com minha famosa expressão séria. De repente, o DJ trocou para uma música mais lenta e Amber imediatamente aproveitou a oportunidade.

— Vamos dançar essa Jem ? — ela disse. E Jem ? Sério ?! Eu conheço Alecssander a mais tempo e nem por isso o chamo de Alec. Revirei os olhos.

Alecssander não respondeu, o que me fez encara-lo e para minha surpresa, ele olhava fixamente para mim. Ele esticou sua mão direita em minha direção e apontou com a cabeça em direção à pista de dança.

— Não. — respondi, cruzando os braços. Pude ouvir alguém bufando ao meu lado.

— Vai logo Darella. É só uma dança. — Rosalya disse com os braços cruzados.

— Não. — repeti.

— Esquece ela, Jem. Dança comigo. — disse Amber, agarrada ao blazer do idiota. Por algum motivo que eu não entendi, a fuzilei com o olhar e ela pareceu nem perceber ou se percebeu, ignorou. Revirei os olhos soltando os braços e com a mão esquerda, segurei a mão do babaca.

— Apenas uma dança. — falei e ele sorriu, me conduzindo lentamente em direção à pista de dança. Alguns curiosos nos acompanhavam com o olhar.

— Sabe... Estou feliz por ter me convidado. — ele começou.

— Não pense que eu queria ter te convidado. Eu não tinha opções e você estava disponível, apenas isso. — eu disse, seca.

Ele soltou uma risada nasal e então ficamos em silêncio.

— E também... — comecei — É uma forma de agradecer. Por me deixar ficar no seu apartamento até que as coisas se acalmem com os mafiosos... Na verdade, eu nem deveria estar agradecendo, foi você que me meteu nessa enrascada !

— Eu sei... — ele murmurou. — Vou resolver isso o mais rápido possível. Prometo.

Ficamos em silêncio e então finalmente chegamos até o meio da pista. Ele colocou as mãos em minha cintura e eu, em seus ombros. Mantive uma distância adequada dele, e ele não parecia ligar.

— Sabe... Eu percebi a forma que você trata suas amigas...

— Não são minhas amigas. São colegas. — falei, seca.

— Por que não são amigas ?

— Por que amizade e qualquer outro sentimento torna qualquer um mais fraco, vulnerável. É uma coisa que eu não vejo necessidade.

— Ter amigas não faz de você mais fraca. É bom ter alguém em quem você possa confiar e chamar para tomar uma cerveja as vezes. Eu vi a forma como você e Rosalya conversam e ela pode ser sua amiga e você pode confiar nela. Aquelas duas... Rose e Christine, certo ?! Elas parecem ser legais, você pode confiar nelas também. Não tem nada de mau nisso.

— Entendo... — murmurei. Então ter amigas me torna mais forte ? Aceito o desafio.

— E... — Alecssander encostou sua boca em meu ouvido e aumentou a proximidade de nossos corpos. — Você pode confiar em mim também.

Fiquei em silêncio e segundos depois, o DJ mudou a música para Thinking Out Loud, do Ed Sheeran.

— Sabe dançar essa ? — ele murmurou no meu ouvido.

— Eu não sei dançar. — murmurei de volta.

— A gênia estudante de física não sabe dançar ? — ele debochou.

— Eu tenho coisas melhores para fazer ao invés de perder meu tempo aprendendo a dançar. — falei, seca.

— Então apenas me acompanhe. — ele disse retirando a mão esquerda da minha cintura e pegando minha mão direita, a erguendo na altura do ombro. Ele deu um passo para o lado e eu para frente, ficando algo completamente desengonçado. — Coloca o pé para o lado. Um pra lá e um pra cá, é simples.

Respirei fundo e tentamos de novo, agora dando certo. Não era nenhuma dança coreografada e perfeita, levando em consideração que eu não sabia dançar, mas não ficou tão ruim. E eram passos simples, do tipo alguns rodopios as vezes.

No final, com as últimas frases de Ed Sheeran, ele apertou sua mão em minha cintura e me trouxe para mais perto, colando nossos corpos. Lentamente, deixou minha mão que estava segurando a sua em seu pescoço e voltou a colocar ambas as mãos em minha cintura.

Ficamos encarando um ao outro como se estivéssemos hipnotizados, e o transe acabou quando houve uma salva de palmas e eu acabei me afastando imediatamente do idiota. Agora que notei que ninguém dançava na pista e eu e o babaca estávamos no meio de um círculo de pessoas batendo palmas.

— Uau ! Vocês deram um show ! — disse Rosalya com um sorriso no rosto enquanto ainda batia palmas quando voltamos para perto delas.

— É, foi legalzinho. — disse Amber de cara emburrada e braços cruzados.

— Ei... Pode me fazer um favor ? — Alecssander sussurrou em meu ouvido.

— O que você quer dessa vez ?

— Pode me passar o número da Amber ?

Ok, aquilo me surpreendeu.

— Por que diabos você quer o número da Amber ? — perguntei, um pouco alto demais. Felizmente, a música do baile estava mais alta que minha voz e nenhuma das meninas a nossa volta ouviu. Ele deu de ombros.

— Ela é bonita e ta me dando mole desde a hora que chegamos.

Fiquei encarando Alecssander com uma expressão indignada. Dentro de mim esta uma mistura de sentimentos que eu não consigo explicar, algo misturado com raiva, indignação e repugnância. Tantas meninas nesse baile e ele está interessado pela vadia da Amber.

— O que foi ? Que cara é essa ? — ele se fez de desentendido.

— Você dois se merecem. — cuspi as palavras de forma sombria e o deixei sozinho, ignorando as diversas vezes que ele chamou meu nome.

Vagando sem rumo pelo ginásio com pessoas esbarrando propositalmente em mim só estava cooperando para que meu mal humor aumentasse cada vez mais. Foi então que esbarraram em mim mais uma vez e eu já estava prestes a gritar um xingamento quando a pessoa virou de frente.

— Darella ?! Achei que não viria...

— Mas olha só, quem diria, Darella Melbourne em um baile, é com certeza uma coisa extraordinária ! — gritei atraindo a atenção de alguns que estavam por perto.

— V-Você está bem ? — Oliver murmurou.

— Eu estou ótima, não está vendo ?! — me exaltei novamente.

— D-Darella venha comigo. — ele disse me puxando pelo braço em direção à pista de dança.

— Você acha que dançar vai fazer meu mal humor passar ?- falei seca quando chegamos no meio da pista.

— Eu espero que sim — ele disse começando a se mexer de um lado para o outro. Fiquei o encarando com uma expressão séria e ele revirou os olhos e parou de dançar. — Vamos, Darella, você precisa descontrair.

— Eu preciso voltar para o meu apartamento, isso sim. — murmurei.

— Quer que eu te leve ? — ele ofereceu. Eu estava prestes a aceitar quando lembrei que eu não morava mais no meu apartamento. Bufei.

— Não. — respondi. Começou a tocar uma musica lenta e eu ia sair da pista de dança quando vi Alecssander e Amber dançando a alguns metros de nós. — Você não queria dançar ?! Então vamos dançar.

Coloquei as mãos nos ombros dele e ele passou os braços em volta da minha cintura e então começamos a dançar. Alecssander rapidamente notou nós perto deles e fechou a cara, o que me deixou satisfeita. Afinal, por que eu queria que ele me visse com Oliver ? Eu normalmente sou a pessoa que sempre tem uma resposta, mas depois que esse idiota surgiu na minha vida, há muitas perguntas que não consigo responder. E eu odeio isso.

— Darella... Eu estava pensando... — Oliver começou, mas eu não prestei atenção no que ele disse depois disso.

Eu estava encarando Alecssander com um sorriso vitorioso no rosto mas de repente, e para minha completa surpresa, senti a boca de Oliver colar na minha e a expressão do babaca passar de séria para sombria.

— O-Oliver... Por que fez isso ?! — eu disse depois de por as duas mãos em seu peitoral para afasta-lo.

— Você não ouviu nada do que eu disse ?

Quando fui responder, fomos surpreendidos por um soco extremamente forte no maxilar esquerdo de Oliver. Ele cambaleou para o lado e encarou com raiva quem o socou.

— Se fizer isso de novo, um soco vai ser pouco comparado ao que eu vou fazer com você ! — Alecssander cuspiu as palavras. Se fosse qualquer outra pessoa eu não teria ficado apreensiva, mas sabendo que esse idiota pode realmente fazer coisa pior, não pude evitar de imaginar o que ele faria com Oliver. Decidi me intrometer.

— Ei ! Você não tem o direito de bater nele assim ! Ele não fez nada !

— Não fez nada ?! Ele te beijou !

— E qual o problema ?! Não é como se você fosse meu dono !

— Você estava se jogando em cima dele !

— Falou o cara que está dançando com essa... Vadia loira há mais de meia hora !

— Darella, pare com isso, você está fazendo escândalo desnecessário !

— PAREM OS DOIS ! — o diretor falou se intrometendo no meio. Todos do baile nos encaravam e até a música havia parado. — Os dois saiam daqui agora e só voltem quando se acalmarem !

— Vai ser um prazer sair desse baile medíocre ! Eu nem deveria ter vindo nessa porra ! Apenas uma perda de tempo ! — gritei indo em direção à saída e Alecsaander veio logo atrás.

— Espera... — ele disse alguns metros atrás de mim — Espera, porra !

— Esperar por que ?! Pra dar tempo de você voltar lá e pedir o número da Amber ? Me poupe Alecssander !

Ouvi alguém correndo até mim e me virei pronta para xingar, mas acabei dando de cara com Oliver ao meu lado e o idiota a alguns metros de nós.

— Ei, posso te levar até em casa ? — ele disse.

— Óbvio que não, ela vai comigo. — Alecssander gritou, nos alçando.

— Cala a boca Alecssander ! — gritei e ele se calou. Respirei fundo passando a mão pelos cabelos que a essa altura devem estar completamente desgrenhados e me recompus. — Te vejo no apartamento, babaca.

Murmurei a última palavra e puxei Oliver pelo pulso, deixando Alecssander sozinho. Ele me conduziu até seu carro e eu passei o endereço do apartamento do idiota e então começou a dirigir. Felizmente, não tive tempo de pensar no que acabou de acontecer e logo chegamos. Me despedi de Oliver dizendo que outro dia conversamos melhor e entrei no condomínio, pegando o elevador com apenas duas pessoas que desceram nos primeiros andares. Ao chegar no apartamento, fui correndo até meu quarto temporário e retirei o vestido pouco me importando se ia rasgar ou não. Eu já estava farta daquela noite, estava tudo uma merda, tudo dando errado e eu só queria que acabasse logo. Soltei o cabelo e vesti meu pijama, já me preparando para ir dormir. Mas nem sempre temos o que queremos.

— Darella, abre essa porta. — era Alecssander do outro lado batendo insistentemente.

— Vai dormir seu idiota ! — gritei e ele continuou batendo, me forçando a ir abrir a maldita porta. — O que você quer ?

— Conversar sobre o que aconteceu nos últimos quinze minutos. — ele cruzou os braços. Ele havia retirado o blazer, aberto os três primeiros botões da camisa e desmanchado a gravata.

— Não temos nada para conversar, tenha uma ótima noite. — eu disse fazendo menção de fechar a porta, mas ele impediu se colocando entre ela.

— Quer parar de ser tão marrenta ?! — ele revirou os olhos.

— Falou o cara que deu um soco no Oliver por que está com ciúmes ! — dei ênfase na última palavra para que o atingisse.

— Olha só quem fala, a garota cheia de marra que não admite que está com ciúmes da Amber ! — ele retrucou.

Aquilo havia me pegado de surpresa. Então aquela raiva que eu senti durante a noite inteira era ciúmes ? Aquela angústia em ver Amber colada nele era ciúmes ? Revirei os olhos com esse pensamento. Óbvio que não. Eu mal conheço esse idiota e simplesmente não há motivos para ter ciúmes dele. É impossível.

— Eu não estou com ciúmes. — cruzei os braços.

— Sim, você está. E isso está estampado na sua cara.

— Impossível. — revirei os olhos — Se já terminou, então saia. Eu quero dormir.

— Eu vou provar que você está com ciúmes. Apenas aguarde.

— Alecssander, você é um idiota. — eu disse o olhando com desdém e fechando a porta em sua cara, a trancando em seguida.

Ouvi meu celular vibrar em cima do criado mudo e ao pega-lo, era uma mensagem de Oliver.

Oliver: Aquele cara era seu namorado ?

Darella: Absolutamente não.

Oliver: Q bm, me sinto mais aliviado agora ! B noite, linda :)

Revirei os olhos. Eu achava super irritante conversar com Oliver pelo celular por essa mania dele de ficar abreviando as palavras. Qual o motivo pra não escrever a palavra inteira ? Preguiça ?

Darella: Boa noite.

Deixei o celular no criado mudo e apaguei as luzes, me jogando de costas na cama mega confortável e macia, a sensação era de estar deitando em cima de uma nuvem, diferente da minha cama que era macia mas nada comparada a essa.

Suspirei pesadamente fechando os olhos e me lembrando de tudo que aconteceu nessa noite como se fosse um flashback passando pelos meus pensamentos.

— Ciúmes né...? — murmurei sentindo meus olhos pesados, adormecendo pouco tempo depois.

Notas finais
E aí ??? Muuuita treta rolando ! Hahaha Gostaram ? Não ? Comentem ! Até o próximo capítulo !