Notas iniciais
Olá !
Seja bem vindo a essa história e espero que goste !
(Créditos à Munn nesse capítulo)

Boa leitura !

Andando apressadamente pelas ruas da cidade de Nova Iorque, em pleno outono onde aparentemente o vento fica muito forte e não se pode mais usar mangas curtas, indo em direção ao StarBucks Coffe é o meu caso. Era uma sexta-feira de outubro e eu havia acordado atrasada para a faculdade, e como se isso não bastasse, eu não conseguia sinal no celular nem por um milésimo de segundo para poder avisar meu atraso para as secretárias da faculdade.

— Mas que MERDA ! — esbravejei chutando uma lata de lixo qualquer e guardando o celular na bolsa.

Quando avistei o logo da StarBucks Coffe a algumas quadras, soltei o ar aliviada. Eu era uma completa viciada em cafeína, e mesmo atrasada quase meia hora para a aula, não podia deixar de comprar meu café rotineiro. Enquanto corria pelas ruas gélidas da cidade conhecida como "Big Apple", esbarrei em um homem mais velho e acabei caindo de joelho no chão, deixando-o ralado tal como minha meia-calça completamente rasgada. O homem nem sequer pediu desculpa e quando me levantei, vi meu casaco levemente sujo de terra e um lado da minha saia encharcado devido a poça de água que eu havia pisado. Gritei um palavrão não muito amigável, o que atraiu a atenção de algumas pessoas, e fui em direção à cafeteria. Empurrei a porta com uma brutalidade desnecessária e fui em direção ao caixa, onde fiz meu pedido.

— Moça, você está bem ? — a atendente do caixa sorria de uma forma muito desnecessária e falou comigo como se o que aconteceu fosse algo completamente natural.

NATURAL O CARALHO !

— Eu pareço estar bem ? — respondi rispidamente. Eu não era uma pessoa simpática e muito menos amigável, e essa atendente escolheu o pior dos dias para vir se intrometer na minha vida.

Me sentei em uma mesa e comecei a prestar atenção no noticiário que estava sendo transmitido na pequena TV a alguns metros de mim. Mostrava a foto de um homem trajando um terno todo preto sentado em um banco de madeira no Central Park, o jornalista murmurou algo que eu não consegui entender, e então disse que esse homem era o líder da maior máfia americana e que estava sendo procurado já tinha alguns anos. Revirei os olhos, pensando no quão inútil eram os federais por não conseguir prender um dos milhares de bandidos dessa cidade medíocre.

A atendente exageradamente simpática veio em minha direção e colocou o copo de isopor na mesa em minha frente, e eu pude sentir o cheiro delicioso de café fresco. Ela já estava se virando para sair, mas quando voltou para me perguntar algo, bateu o braço no copo, o que resultou em meu casaco encharcado de café super quente.

— Ai meu Deus, senhorita, me desculpe. — ela disse passando a mão por meu casaco na tentativa inútil de limpar.

— Mas que INFERNO, viu ? — esbravejei, assustando a garota ao meu lado, que ainda tentava limpar o casaco que eu havia retirado e jogado em cima da mesa — Para com isso ! É café, não vai limpar !

— E-Eu posso pagar...

— Não, você não pode !

— T-Tem algo que eu possa fazer pra te recompensar ? — ela perguntou e eu a encarei, dando uma risada sarcástica.

— Se tem algo que você pode fazer ?! O mínimo que você pode fazer é me dar outro café sem custo e sumir da minha frente antes que eu bata nessa sua cara falsa. — eu gritei e a garota imediatamente foi em direção à cozinha, onde ela mesma fez o café e pediu para outra atendente me entregar e alguns curiosos prestavam atenção no que estava acontecendo. — E vocês ? Não tem nada melhor para fazer ? Vão cuidar das suas próprias vidas !

Ao longo da vida desenvolvi uma personalidade agressiva e raivosa, do tipo que não liga pra nada nem pra ninguém. Odeio ser incomodada por meros idiotas.

Na verdade, eu nunca fui o tipo de pessoa que faz questão da presença de outros, desde a morte de meu pai há alguns anos, eu vivia com minha mãe em uma casa afastada da cidade sendo que nós raramente saíamos e quando a polícia invadiu minha casa dizendo que minha mãe estava presa por tráfico de drogas, eu logo entendi o por quê. Por isso não há mais nada que eu me importe agora, sentimentos e emoções foram algo que sumiram da minha vida e eu não sinto falta, assim consigo viver bem sozinha.

Digo sozinha por que desde que minha mãe foi presa, eu a visitava de ano em ano, onde recebia uma pequena quantia de dinheiro que eu não sei de onde ela conseguia, mas foi o suficiente para que eu pudesse comprar um lugar para morar. A última vez que a visitei foi para que ela assinasse a minha emancipação, isso já faz alguns anos, e desde então vivo sozinha em um pequeno apartamento no bairro de Manhattan.

Agora eu usava apenas uma blusa de lã fina enquanto segurava meu casaco em uma mão e o café em outra. Fiz sinal para um táxi que me ignorou completamente e além disso passou por cima de uma poça de água, o que resultou em eu estando completamente encharcada, suja e atrasada. Outro táxi parou ao meu lado logo em seguida e enfim pude ir para a faculdade estando quase uma hora atrasada, com os cabelos completamente bagunçados, o casaco em minha mão com uma mancha gigante de café com leite e chantilly e agora, levemente encharcada.

O motorista que parecia estar tendo um péssimo dia assim como eu me deixou em frente aos portões da faculdade, ao qual eu adentrei e fui calmamente em direção ao corredor vazio onde se situava as salas de Física. Eu realmente não precisava fazer faculdade, pois meu conhecimento ia muito além do de muitos professores, mas se quisesse trabalhar um dia precisava de um diploma.

Ao entrar, a porta rangeu com um barulho quase ensurdecedor, o que atraiu milhares de olhares em minha direção e eu os ignorei e fui me sentar na primeira cadeira disponível que eu avistei.

— Senhorita Melrose, devido ao seu atraso poderia responder à esta questão ? — o professor dirigiu seu olhar até mim.

— Hum... Não. E meu sobrenome é Melbourne. — respondi.

— Não importa. — o professor deu de ombros. — Você se acha tão esperta mas aposto que não consegue resolver metade das questões do quadro.

Seu velho idiota, você escolheu um péssimo dia pra me desafiar.

— Eu não queria falar nada para que você não ficasse envergonhado, mas já que esse é o caso então eu gostaria de dizer que sua lógica nas questões um e dois estão erradas, pois não se aplica essa lei nesse tipo de questão. Como professor você devia no mínimo saber as respostas corretas para não passar pela vergonha de ser corrigido por uma mera aluna. Você se acha tão esperto, mas aposto que nem tinha reparado em seu próprio erro. — cruzei os braços, me sentindo vitoriosa.

Todos ficaram em silêncio enquanto o professor apagava rapidamente as questões erradas e substituía pelas certas. A aula se seguiu naturalmente depois disso, sendo que agora o professor evitava contato visual e físico comigo.

Na saída, duas meninas vieram falar comigo, elas eram nada mais que colegas, pois eu não as considerava tanto ao ponto de chama-las de amigas.

— Ai Dare, você arrasou na aula de hoje ! — uma delas disse se agarrando ao meu braço, que eu puxei brutalmente.

— Dare ?! Mas que porra é essa ? — perguntei.

— Seu apelido... Dã ! — ela sorriu e eu senti a raiva subir em meu sangue.

— Meu nome é Darella. Achei que soubesse. — eu disse seca.

— Eu sei mas-

— Mas nada Christine. Não temos esse tipo de intimidade para começar a colocar apelidos umas nas outras. Na verdade, não temos intimidade alguma.

Comecei a caminhar em direção à saída da faculdade sendo seguida por duas babacas que não paravam de falar. Eu não estava conseguindo me controlar, tava tudo dando errado, tava tudo uma merda e eu só queria ficar em paz por apenas cinco minutos, mas neste dia pedir por paz era algo quase impossível. A raiva estava me consumindo, eu queria socar a cara daquelas duas e fazê-las se sentirem mal e inferiores.

Era um pensamento completamente rude e imbecil da minha parte, mas não consigo me lembrar de conhecer alguém com tanta simpatia sem ter nem um mínimo de interesse. Posso dar o exemplo dessas duas: fingem ser minhas colegas mas ambas estão com nota baixa em Física. Revirei os olhos com esses pensamentos.

— Ei, Darella, vamos em uma boate hoje ? — a outra babaca que se chamava Rose falou comigo.

— Eu não vou em boates, Rose. Preciso estudar. — eu disse bufando.

— Mas você não faz nada além de estudar, Darella ! As vezes é bom dar uma relaxada ! A gente quer ir apenas para dançar, beber, conhecer garotos e esquecer dos problemas da vida real. — Christine se pronunciou.

— Não dá para esquecer os problemas da vida real, não sejam ingênuas. — revirei os olhos. Elas suspiraram, derrotadas.

— Ta bom, mas se mudar de ideia nos avise, sairemos antes das dez. — Rose disse e então elas viraram a esquina da casa delas e eu segui para a minha.

Chegando lá, arremessei minha bolsa em algum canto da sala e me joguei no sofá, finalmente tendo paz. Por conta do cansaço, acabei adormecendo e acordando algumas horas mais tarde, mais precisamente nove e meia da noite. Senti meu estômago roncar e decidi preparar algo para comer, e o grande prato da noite foi macarrão instantâneo.

Christine me mandou uma mensagem perguntando se eu ia para a boate, e como já era previsto, mandei minha resposta com um grande "não" e fui em direção ao meu quarto, onde sentei-me em frente a escrivaninha e comecei meus estudos diários. Eu me acostumei a estudar todos os dias devido ao meu pai, quando eu era mais nova eu apenas estudava e enquanto as outras meninas da minha idade estavam curtindo a infância e brincando de boneca, eu já estudava ácidos e bases.

Ouvi alguém batendo desesperadamente na porta enquanto eu resolvia algumas questões básicas de física quântica, eu levantei-me e fui calmamente abrir.

— O que as duas estão fazendo aqui a essa hora da noite ? — perguntei sem ânimo na voz. Eram as duas patetas de mais cedo, que usavam vestidos super curtos e maquiagens extremamente fortes.

— Viemos te buscar. — Rose disse entrando no apartamento sem minha permissão e sendo seguida por Christine.

— Eu já disse que não vou. — cruzei os braços bufando e fechando a porta atrás de mim.

— Mas é sexta de noite Darella ! O que as pessoas fazem numa sexta à noite ? — Christine protestou.

— As pessoas não sei, mas eu estudo. — eu disse indo em direção ao meu quarto com as duas babacas me seguindo.

— Ah não ! Não, não e não ! Você não vai estudar numa sexta-feira de noite ! — Rose pegou meus cadernos e livros e os guardou em minha bolsa.

— Ei ! Me devolve isso ! — eu disse tentando pegar a bolsa de sua mão, mas ela desviou e a escondeu de mim enquanto Christine procurava algo em meu guarda-roupa.

— Credo Darella ! Você só tem roupas comportadinhas... Por acaso pensa em ir para um convento ? — Christine disse jogando alguns vestidos em cima da minha cama.

— Você não tem nenhum vestido curto ? Nenhuma blusinha decotada ? — Rose perguntou e eu neguei com a cabeça.

— Veste isso. Esperaremos aqui. — Christine me jogou uma blusa e uma saia e então eu fui em direção ao banheiro me trocar a contra gosto.

Christine tinha escolhido uma blusa listrada preto e branco que deixava os ombros à mostra e mangas três quartos, com uma saia preta armada e uma bolsa de ombro preta pequena, nada que chamasse muita atenção.

— Ainda parece que ela vai para um convento, mas não está tão ruim. Com os sapatos e maquiagem certos, vai ficar ótimo.- Rose analisou e então ficou de pé. — Onde você guarda as maquiagens ?

— Eu não tenho maquiagens. — revirei os olhos.

— Como não tem maquiagem ?

— Você é surda ? — gritei. — Eu não vejo necessidade em usar, então não gasto meu dinheiro comprando.

— Meu Deus... — ela suspirou, olhando para cima. — Chris, me alcance o kit primeiros socorros feminino.

— Mas o qu-

Fui interrompida quando Rose passou um líquido pelo meu rosto contra minha vontade e depois disso começou a contornar meu olho várias vezes, então passou um batom vermelho e quando parou, Christine invadiu meu guarda-roupa novamente e voltou com um par de botas pretas.

— Está perfeito. Agora vamos. — Rose me puxou pelo braço em direção a porta do apartamento.

— Eu ainda tenho o livre árbitro de decidir se eu posso ficar em casa ou não ? — perguntei, sendo completamente ignorada.

A boate era a apenas algumas quadras do meu prédio, então fomos andando e quanto mais nos aproximavamos, mais alta ficava a música. Senti arrependimento por não ter insistido mais em ficar em casa quando vi a quantidade imensa de pessoas que aguardavam em uma fila para entrar na boate. Não sei como, mas Rose e Christine disseram que um milionário havia dado à elas entradas para a sala VIP e a primeira coisa que fui capaz de pensar era que as duas havia seduzido o homem, mas tudo bem por causa disso não precisamos enfrentar a fila. A sala VIP era igual um camarote, porém mais luxuoso e ao fundo da sala pude ver que sentado em um sofá vermelho estava um homem que trajava um terno branco e estava cercado por várias mulheres, e por um momento, e apenas por um momento, tive pena delas pois seriam usadas como um brinquedo descartável por esse tipo de homem. Eu senti que o conhecia de algum lugar e fiquei o encarando, mas acabei nem percebendo quando ele começou a retribuir o olhar e eu fui obrigada a desviar.

Christine e Rose começaram a beber loucamente e foram dançar com alguns meninos que elas acabaram de conhecer, me deixando sozinha sentada em uma daquelas cadeiras altas de frente para o bar.

— Pelo visto, você não está tendo um dia muito bom. — ouvi uma voz masculina e quando me virei, era o garçom.

Fiquei o encarando por alguns segundos e então desviei o olhar e revirei os olhos, o ignorando. Ele não tinha nada a ver com isso.

— E pelo visto não gosta de fazer novas amizades também. — ele soltou uma risada fraca e então empurrou um copo com um líquido verde em minha direção. — Toma, por conta da casa.

O garçom foi para o outro lado do bar me deixando sozinha encarando aquela bebida em minha frente.

— Pode beber. É marguerita, não tem quase nada de álcool. — Rose disse se sentando ao meu lado.

Ela estava mais sóbria do que Christine, que a essa altura dançava loucamente na pista de dança. Fiquei encarando aquele líquido verde e então bebi um pequeno gole, a bebida parecia uma limonada e tinha um leve gosto de álcool. Eu acabei pedindo mais uma e mais outra, e quando me dei conta, já estava bêbada dançando junto de Christine na pista de dança. Eu era fraca com bebida, já que nunca tomava, então logo senti uma vontade repentina de vomitar e a última coisa que me lembro desta noite é de Christine ter falado algo e eu concordar.

[...]

Acordei com uma claridade insuportável em meus olhos e uma dor de cabeça horrível e então me dei conta de que aquele não era o meu quarto. Me levantei lentamente tentando me acostumar com o sol que entrava pela janela e então percebi que estava seminua, trajando apenas minha lingerie e sozinha em um quarto desconhecido. Boa notícia: tenho quase certeza de que não fui abusada impropriamente, má notícia: eu não fazia ideia de onde estava. Lembranças da noite anterior passavam vagamente pela minha cabeça e então eu decidi levantar e me localizar. Ao colocar minhas roupas e sair do quarto, vi várias portas idênticas com um número gravado em cada uma delas e então cheguei à conclusão de que estava em um hotel. Desci até o térreo e fui na recepção.

— Bom dia senhorita Fairchild. — o atendente disse sorrindo de forma simpática.

— Fairchild ?! Mas que porra... Ah, que se foda. Onde eu estou ? — perguntei com minha cara fechada e o mal humor de sempre.

— No hotel Campbell, senhorita. — ele continuava sorrindo, o que me deixava irritada.

— Pra que lado fica Manhattan ? — perguntei seca, pegando meu celular e vendo que já passava de meio dia.

— À uns dez quilômetros para o sul. — o atendente apontou para a direita, indicando o caminho.

— Dez quilômetros ?! PUTA QUE PARIU ! — esbravejei. Eu não achava que tinha ido tão longe. — Quanto é a diária do hotel ?

— Ah, nada. O senhor Fairchild deixou tudo pago ontem a noite quando vocês chegaram e saiu mais cedo hoje de manhã para resolver uns problemas de seu trabalho.

— Como é ? Tinha um homem comigo ? — perguntei, me exaltando.

— Sim, senhora.

Bufei e fui até a saída do hotel, onde chamei um táxi para voltar pra Manhattan. A corrida foi um tanto longa e demorada devido ao dia de hoje ser sábado e o trânsito estava lento, além de ter custado uma fortuna o que fez meu mal humor ficar ainda maior. Quando cheguei em meu apartamento dei de cara com as duas babacas com expressões apreensivas jogadas no sofá da sala.

— O que vocês duas estão fazendo no meu apartamento ?! Como conseguiram entrar ? — perguntei com grosseria. Elas não responderam. — Ficaram mudas ?!

— Darella, tem um vídeo que você precisa assistir... — disse Rose pegando seu celular.

Sentei-me ao seu lado no sofá e então Rose deu play em um vídeo onde eu estava dançando loucamente até Christine falar algo em meu ouvido e eu começar a caminhar sedutoramente em direção ao homem sentado no sofá vermelho. Ao chegar em sua frente, eu comecei a dançar de um jeito provocativo, rebolando com as mãos no cós da saia e quando o homem ficou de pé, eu o empurrei no sofá novamente e sentei em cima de suas pernas, onde comecei a dançar seduzindo-o. Depois de um tempo, eu e o homem saímos da sala VIP e então o vídeo acaba e a ficha cai: foi com ele que estive no hotel de mais cedo. Estremeci ao pensar que posso ter sido abusada e não lembro.

Se não desse para ver claramente que era eu naquele vídeo, eu não acreditaria. Eu parecia uma puta, uma garota de programa, e não acredito que me deixei rebaixar a esse nível.

— Rose envie esse vídeo para meu celular e as duas saiam imediatamente do meu apartamento. — eu disse grossa e elas obedeceram sem questionar.

Segundos depois o vídeo chegou em meu celular e eu o vi mais umas três vezes, até finalmente lembrar de onde eu conhecia aquele homem: era o líder da máfia americana que eu tinha visto no noticiário do outro dia.

Notas finais
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Até o próximo capítulo !