O Líder Da Máfia
6 Bye Bye ! Foi um desprazer conhecê-lo
Notas iniciais
Assim que entramos no apartamento, comecei a espirrar compulsivamente enquanto ia em direção ao meu quarto. Definitivamente, ficar sem casaco no inverno e ainda por cima resfriada foi o pior dos meus erros. Alecssander me convenceu de que vestir um agasalho e beber algo quente faria eu me sentir melhor, então foi o que eu fiz.
Minha garganta estava doendo, eu não parava de espirrar e repentinamente comecei a sentir muito frio, como se estivesse nevando dentro do meu quarto. Vesti uma legging, uma regata e um moletom pesado de cachorrinho ridículo e amarrotado, porém, quente.
O idiota me entregou uma caneca com café puro super quente e, mesmo depois de beber tudo e deitar em baixo dos cobertores, eu ainda estava tremendo. Alecssander se sentou na cama ao meu lado e ao perceber meus dentes batendo, colocou a palma da mão sobre minha testa.
— Meu Deus Darella ! Você ta queimando ! — ele disse puxando os cobertores brutalmente, me fazendo encolher na cama. O frio estava me consumindo de forma absurda.
— S-s-seu idi-idiota.. Devolve meu co-cobertor... — gaguejei, tentando puxar os cobertores novamente, mas ele me impediu.
— Você precisa de um banho gelado, consegue sozinha ? — ele perguntou e eu assenti, mas quando sentei na cama para me levantar, minhas pernas vacilaram, senti uma tontura repentina e minha cabeça foi direto para o peito de Alecssander, que me deu apoio para ficar em pé.
O convenci de que estava bem o suficiente para andar até o banheiro já que não era muito distante do meu quarto, mas na metade do caminho acabei cambaleando e caindo nos braços de Alecssander que me pegou no colo e me levou até o restante do caminho. Ele retirou meu moletom e estava prestes a retirar minha regata quando eu o impedi.
— E-eu consigo fazer i-isso sozinha... — murmurei com dificuldade.
— Você não consegue nem ficar em pé sozinha. — Alecssander respondeu.
— Você n-não vai me ver nua de novo ! — gritei. Ele revirou os olhos.
— Não seja infantil Darella, eu não vou fazer nada com você, principalmente nesse estado. Me deixe tirar pelo menos sua calça.
Ele retirou minha calça contra minha vontade e depois ligou o chuveiro se colocando em baixo da água com roupa e tudo e ainda me segurando em seus braços. Eu não tinha forças para falar nada, por isso fiquei em silêncio suportando a água que caía sobre nós que supostamente era pra ser morna, mas estava extremamente fria pra mim.
— A-Alecssander.. D-d-desliga a porra desse chu-chuveiro... — murmurei tentando sair de baixo da água, mas o idiota me impediu.
— Já vai acabar... — ele disse me apertando contra seu peitoral.
— NÃO ! — gritei desesperada. Eu não conseguia raciocinar direito. — ME TIRA DAQUI !
— Darella — o babaca me segurou mais forte quando comecei a me debater. — Fica calma !
Eu estava gritando e e me debatendo como uma criança mimada até que finalmente Alecssander desligou o chuveiro e me levou novamente até o quarto, onde me ajudou a me secar com a toalha e depois me sentou na cama.
— Olha... Você vai me bater se eu tentar trocar sua roupa, então preciso que você faça isso sozinha, entendeu ? — ele disse e eu concordei com a cabeça — Eu vou lá na sala trocar de camisa.
Assim que Alecssander saiu, tive que fazer um pequeno esforço para trocar de roupa. Já não estava mais com aquele frio insuportável e nem com a tontura, mas ainda não estava bem o suficiente. Retirei a regata molhada e vesti uma calça amarrotada e meu moletom de cachorrinho e me sentei na cama, puxando o cobertor até a altura do quadril. O idiota chegou alguns minutos depois com um copo de água em uma das mãos e comprimidos na outra.
— Eu não vou tomar remédio. — eu disse com minha rotineira expressão séria.
— Sim, você vai. — ele colocou o copo sobre o criado mudo e me entregou o remédio.
— Não, eu não vou. — retruquei devolvendo o remédio pra ele.
Começamos a discutir enquanto Alecssander tentava inutilmente colocar o remédio na minha boca e eu fazia de tudo para não deixar. Foi então que ele me deitou na cama e eu acabei ficando com as mãos em seu peitoral; nossos rostos estavam extremamente próximos e eu senti meu rosto esquentar, mas felizmente o babaca não percebeu já que meu rosto já estava vermelho devido a febre. Ele começou a aproximar seu rosto do meu.
— O-O-O que pensa que está fazendo ? — gaguejei.
— Eu... — ele encarou minha boca. Então passou o polegar pelo meu lábio inferior, fazendo meus lábios ficarem entre abertos. De repente, senti um gosto amargo e notei que ele havia jogado o remédio dentro da minha boca, e mesmo sem querer, acabei engolindo. — CONSEGUI !
— SEU IDIOTA ! — ele gargalhava. Peguei o copo de água que estava em cima do criado mudo e joguei todo o líquido na cara de Alecssander, que instantaneamente parou de rir.
Agora quem gargalhava era eu, o que não era uma coisa comum. Mas a expressão do idiota com água pelo rosto e um pouco na camisa estava tão engraçada que era difícil não rir.
Alecssander não estava bravo ou sequer com a cara fechada. Ele estava sorrindo.
— O que foi ? — perguntei.
— Você está sorrindo, sem ser sarcasticamente ou de forma provocativa. Simplesmente... Sorrindo. — ele respondeu e eu confesso que aquilo me deixou meio sem graça.
Ouvimos batidas de leve na porta de entrada e então eu me levantei para atender, mas o idiota me impediu.
— Já estou bem o suficiente para atender a porta. — eu disse já indo em direção à porta com minhas pantufas de gatinho no pé.
— Pantufas de gato ? Moletom de cachorro ? — o idiota riu — Isso não é roupa que uma menina má usaria.
Apenas ignorei seu comentário insignificante e abri a porta, dando de cara com dois federais.
— Policiais. — cumprimentei-os com a cabeça e vi Alecssander do outro lado da sala se enrijecer.
— Senhorita, fomos informados de que Alecssander Al'Capone está morando com você. — disse um dos policiais.
Essa era a minha chance. Eu poderia entregar Alecssander e finalmente me livrar dele, poderia inventar qualquer mentira para justificar sua moradia aqui e ainda sairia impune; como uma vítima que foi ameaçada pelo mafioso. Mas ao olhar para o lado, vi seu olhar sério e apreensivo, não o olhar que alguém da máfia faria, mas sim o mesmo olhar de uma criança com medo dos trovões.
— Deve ter sido um engano. — eu disse. Mas que merda eu estava fazendo ? Eu poderia entrega-lo mas por alguma razão, não consegui. Talvez eu tenha sentido um pouco de pena dele. É, deve ser isso.
— Testemunhas disseram que um tiro foi disparado da janela desse apartamento e matou um homem, e quem atirou foi Alecssander Al' Capone. — continuou o policial.
— Eu moro sozinha, senhor. Além disso, esse é um dos andares mais altos e a não ser que estivessem me espionando, não poderiam ver nada. — prossegui.
— Entendo. De qualquer forma, temos que revistar seu apartamento. — vi Alecssander arregalar os olhos e então eu impedi a entrada do policial que me encarou com o cenho franzido. — Está querendo desafiar a lei, mocinha ?
— Nada disso. Mas pelo que eu conheço da lei, vocês só tem permissão para revistar meu apartamento com um mandato. Vocês tem um mandato ? — perguntei e vi o policial dar um passo para trás. Ele recompôs a postura como se estivesse derrotado.
— Nós voltaremos com um mandato. Tenha um bom dia. — o outro policial disse.
— Igualmente. — respondi por fim fechando a porta.
Alecssander soltou o ar -que provavelmente ele nem percebeu que estava prendendo-, aliviado. Então ele me encarou.
— Por que me defendeu ?
— Não seja idiota. — revirei os olhos — Apenas livrei a minha pele. Se eles te encontrassem, eu também seria presa.
Ficamos nos encarando em silêncio por alguns minutos até eu espirrar e Alecssander suspirar pesadamente.
— Você está melhor ? — ele quebrou o silêncio.
— Melhor do que antes, sim. — respondi e ele assentiu.
Silêncio de novo.
— Olha... Desculpa por ter te metido nessa enrascada. — ele começou. Dei uma risada sarcástica.
— Qual delas ? — perguntei e ele franziu o cenho.
— O que quer dizer com isso ?
— Quero dizer que desde quando você apareceu na minha vida, eu estive em uma enrascada.
— Não fale como se eu fizesse tanta merda assim. Admita que eu deixei sua vida bem mais interessante.
— Interessante ?! Arriscar minha vida todos os dias é interessante ? Não tem um dia sequer que passe sem alguém apontar uma arma para mim por sua causa ! E agora até a polícia está vindo na minha casa por que suspeitam que você está aqui !
— Se este é o problema tudo bem, eu vou embora !
— Finalmente ! — gritei por fim dando as costas para ele e indo até meu quarto, trancando a porta e me jogando na cama, deixando Alecssander sozinho na sala.
Suspirei pesadamente. Eu estava com um nó na garganta inexplicável que ia crescendo e ficando agonizante conforme os segundos passavam.
A festa durou o dia inteiro e agora já passava das oito da noite. Eu não havia almoçado e não pretendia sair desse quarto enquanto Alecssander estivesse na sala, então me contentei em ficar aqui e estudar. Isso, vou ocupar minha mente com fórmulas de física. No entanto, o apartamento estava extremamente silencioso e logo eu acabei adormecendo em cima dos livros.
[...]
Quando acordei no outro dia, as roupas de Alecssander haviam sumido e a única coisa que restou dele foi um pouco de dinheiro e um bilhete em cima do balcão que dizia "Como prometido, aqui tem dinheiro suficiente para pagar cafés por um mês" e nada mais. Peguei o dinheiro, comprei meu café e fui para a faculdade, onde dei de cara com Amber e suas amigas logo na entrada.
— Olha só quem está aqui... — ela disse jogando o cabelo para o lado e impedindo minha passagem. Bufei.
— O que você quer, Amber ? — perguntei.
— Eu e minhas amigas queremos comer naquele restaurante granfino a algumas quadras daqui e não temos dinheiro suficiente... — ela sorriu.
— Problema de vocês, agora saiam do meu caminho. — respondi com a cara fechada.
— Eu acho que você não entendeu. — a amiga dela disse e Amber prosseguiu.
— Nos dê seu dinheiro. — eu ri ao ouvir isso.
— Absolutamente não. Vocês conhecem a palavra trabalhar ?
— Uma pessoa rica como eu não precisa trabalhar. — ela colocou a mão na cintura.
— Se é tão rica assim, por que não pede dinheiro para o seu papai ao invés de tentar roubar ?
— Ora sua...
Amber tentou tomar minha bolsa para pegar o dinheiro, mas eu a empurrei com força fazendo ela cambalear em cima de seus saltos altos super finos e cair de bunda no chão. As amigas foram imediatamente ajuda-la a se levantar e eu comecei a caminhar em direção ao prédio principal.
— Uma geniazinha como você nunca vai conseguir um homem na vida, já eu se estalar os dedos, mil aparecerão para beijar os meus pés.
— Uma geniazinha como eu nunca vai precisar usar o corpo para conseguir algo na vida. — eu disse aquela frase que estava entalada na garganta e sorri vitoriosa ao ver a cara de incredulidade que Amber e suas amigas fizeram.
Finalmente, as aulas se seguiram normalmente. Os professores sempre optavam por mim quando ninguém sabia as respostas das perguntas e eu respondia a contra gosto, nunca errando. Até que o diretor entrou na sala anunciando que haveria um baile de primavera no mês que vem para recepcionar os novos alunos e juntar fundos para um futuro evento. Não preciso nem dizer que eu achei uma tremenda perda de tempo, não é mesmo ?! A faculdade nunca fez coisas desse tipo, por que logo agora ? Estou começando a ter minhas dúvidas se essa é realmente a melhor faculdade de Nova Iorque ou não. Todos na sala ficaram extremamente animados com o suposto baile, principalmente Amber e suas seguidoras que, segundo elas, poderiam mostrar para os novatos quem manda na faculdade. Sinceramente, tenho pena dessas três.
No intervalo me sentei em baixo da árvore, fazer isso já estava virando rotina e junto disso, vem Oliver que não se cansa de me atormentar todos os dias. Mesmo ele sendo totalmente irritante e insuportável, já estou me acostumando com sua presença nos meus intervalos. As vezes eu até respondo suas perguntas. As vezes.
— E o que achou da notícia do baile ? — ele perguntou.
— Um completo pé no saco. — respondi.
— Como você pode achar isso ? — ele parecia incrédulo e eu dei de ombros.
— Achando. Os alunos vão se focar em ajudar o baile e esquecerão completamente os estudos. E o baile será gente dançando, bebendo, rei e a rainha do baile... Aquele clichê enjoativo de sempre. — eu disse e Oliver riu, concordando com a cabeça. Depois de alguns minutos em silêncio, ele parecia incomodado. — Algum problema ?
— Não é só que... É só que... — agora ele parecia nervoso.
— Fala de uma vez Oliver !
— Eu... Acho que gosto de você. — ele murmurou e eu arregalei os olhos.
— O que ?
— Eu gosto de você ! — ele disse mais alto e depois tentou me beijar, mas eu desviei.
— Ei ! — gritei — Não pense que só por que disse que gosta de mim, pode me beijar !
— Tem razão... Me desculpe. — ele murmurou desviando o olhar.
Me levantei rapidamente e comecei a caminhar com pressa, quase correndo em direção ao prédio principal. Eu tinha certeza de que estava com o rosto vermelho e não queria que ele e nem ninguém visse, não que eu me importe com a opinião das pessoas, mas seria completamente constrangedor.
— Darella espera ! — Oliver disse segurando meu braço. — Por que fugiu ? Olha, eu sei que foi de repente, mas eu só queria que você soubesse disso.
— Oliver eu... — suspirei — Eu estudo física. Minha vida é resumida em fórmulas e teorias. Não tenho tempo e nem paciência para sentimentos.
— Quer dizer... Que nunca se apaixonou por alguém ? — ele perguntou e instintivamente, pensei em Thomas e logo senti um calafrio subir pelo meu corpo. Depois do que houve com Thomas, eu prometi a mim mesma que nunca mais cometeria o erro de me apaixonar.
— Eu não acredito no amor e você também não deveria. É uma completa perda de tempo.- respondi rispidamente soltando meu braço da mão de Oliver. Sua expressão passou de esperançosa para completamente vazia.
— Então, bom... Esqueça que isso aconteceu está bem ? Eu vou guardar esses sentimentos para mim e prometo nunca mais comentar sobre isso se você me deixar continuar ser seu amigo. — Oliver disse, se afastando e eu percebi que ele ficou completamente sem graça.
— Espera, Oliver, não foi isso que eu quis dizer... — eu disse tentando alcança-lo mas ele já estava longe.
— Ta tudo bem, eu estou bem, sério ! Eu... Eu... A gente se vê por aí ! — ele disse quase gritando e começou a correr em direção ao prédio principal e de repente, comecei a me sentir mal. Oliver parecia ter acreditado que, se eu não aceitei seus sentimentos, ninguém mais aceitaria.
[...]
Ao chegar em meu apartamento novamente, me senti solitária. Já era perfeitamente normal para mim chegar em casa e ver roupas espalhadas pelo apartamento inteiro, isso sem mencionar Alecssander que não se importava nem um pouco em andar apenas de cueca pelo apartamento, sem se importar com o que eu diria ou o quanto reclamaria. Suas risadas e piadinhas que antes faziam o apartamento ficar barulhento, não existiam mais. Agora, o apartamento estava impecavelmente organizado e silencioso.
— Alecssander ? — gritei, esperando alguma resposta. Mas não houve nada além do silêncio.
Fui correndo em direção ao sofá e me joguei com tudo sobre ele, suspirando aliviada. Ao sentir o cheiro do perfume de Alecssander instantaneamente lembrei de seu abraço ontem na festa. Era confortável e protetor. Espantando esses pensamentos, tirei o casaco pesado e fiquei apenas com uma blusa de lã. Liguei o rádio em uma música aleatória e comecei a dançar pela casa, sabendo que o idiota não estaria ali para fazer piadas. Eu estava livre, ele realmente foi embora e eu finalmente poderia ter sossego. E então me peguei pensando em como ele cuidou e vinha cuidando de mim nos meses que moramos juntos, pensei em ontem; em como ele quase me beijou no dia da festa ou então nas vezes em que ele me beijou contra a minha vontade, apenas por provocação. Eu jamais sentiria falta disso. Ou sentiria ? Não. Com toda certeza, não sentiria. Espantei esses pensamentos e voltei a comemorar.
Finalmente, teria paz.
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