O Líder Da Máfia
13 Amigos e... Alecssander
Notas iniciais
— Que tal irmos num karaokê hoje ? — Rosalya sugeriu.
— Não. — respondi sem retirar os olhos do livro que estava lendo.
— Ah, vamos ! Vai ser legal ! — ela insistiu.
— Não. — repeti.
— Qual é Darella ?! A Rosa tem razão. — agora foi a vez de Oliver. Esses dois haviam ficados tão próximos em apenas três meses que chegava a ser estranho e irritante. Bufei.
— As provas serão daqui três semanas e se forem reprovados serão obrigados a estudar nas férias, deviam se preocupar com isso ao invés de ir à um bar e encher a cara com cerveja... — comecei, fechando o livro a contra gosta e encarando os dois em minha frente — Além disso, não sei cantar e não gosto de lugares barulhentos. Minha resposta é não e ponto final.
— Você não precisa cantar se não quiser — Oliver disse.
— E podemos estudar para as provas na semana que vem, hoje vamos nos divertir ! — Rosalya disse animada. — Rose, Christine e algumas pessoas das salas de Física, de Artes Marciais e de Moda também irão, vai ser legal. Vamos, por favoooor ?!
Suspirei, olhando para cima e passando a encarar os raios de sol que passavam por entre as folhas da árvore que eu estava apoiada. Estávamos no nosso lugar de sempre sentados na grama do campus no intervalo das aulas da faculdade e Oliver e Rosalya estavam me perturbando, como de costume.
— E então ? — Oliver me cutucou com o cotovelo. Bufei.
— Tanto faz. — falei e eles comemoraram.
— Eu vou avisar a galera ! — Rosalya disse se levantando animadamente e correndo pelo campus. Oliver suspirou.
— Darella... — ele começou — Como você sabe quando está gostando de alguém ?
Aquilo me pegou de surpresa. Oliver estava encarando suas mãos que arrancavam alguns ramos de grama no chão.
— O quê ? — foi a única coisa que consegui dizer.
— Hum ? Ah, desculpa... Eu falei sem pensar. — ele disse parecendo acordar de seus devaneios.
— Então tá. — dei de ombros, abrindo meu livro novamente. Passou-se alguns minutos e Oliver voltou a falar.
— Eu acho que gosto da Rosalya. — ele disse me fazendo levantar o olhar em sua direção. Ele olhava para o lado que Rosalya foi com um olhar distante.
— Acha ? — perguntei sem interesse e ele assentiu — Então fala para ela. — dei de ombros. Ele começou a ficar com o rosto vermelho.
— Não consigo... — murmurou. Bufei.
— E por que não ? — eu disse com uma voz seca, mas não estava gostando de ver um amigo desse jeito. Eu acabei de chama-lo de amigo ?! Quando foi que comecei a me importar com esse idiota ?!
— Eu... Não sei. — ele franziu o cenho. — A Rosalya é incrível e quando estou perto dela, acabo agindo como um idiota. — ele suspirou — Não sei o que fazer e não quero guardar esses sentimentos.
— Mas você já fez isso uma vez. — falei e ele me encarou, com uma sobrancelha arqueada — Digo, quando falou que gostava de mim.
— Mas com você foi diferente. A Rosalya é esperta, animada, linda e... Não que você não seja ! — ele disse rapidamente — Mas é que eu nem sei que sentimentos são esses e... Ah, sei lá.
Ficamos em silêncio.
— Você... Poderia falar com ela ? — ele disse de repente — Poderia perguntar sobre seus sentimentos ?
O grande "não" ficou entalado na minha garganta, mas ao ver o olhar suplicante e desesperado de Oliver, suspirei pesadamente. Era apenas uma pergunta afinal, não teria problema.
— Tudo bem... — murmurei e ele sorriu.
— Obrigado, Darella.
— Não me agradeça ainda. — falei seca e ele assentiu, suavizando sua expressão. Ficamos em silêncio novamente até Rosalya voltar. Fiquei encarando Oliver e realmente, ele parecia nervoso perto dela porém com um brilho nos olhos que eu nunca havia percebido antes.
— Boas notícias: a maioria do pessoal aceitou ir e nos encontraremos lá as sete. — Rosalya disse sorridente.
O sinal que indicava o fim do intervalo soou pelo campus e nós nos levantamos e começamos a caminhar em direção ao prédio principal, com Rosalya e Oliver tagarelando sem parar ao meu lado e eu sem prestar atenção em nada, porque assuntos como moda, festas e blá blá blá não me interessam.
Ao chegar na sala, Amber e suas amigas já estavam lá e me encaravam com seus famosos olhares de inveja, nojo ou seja lá o que for, de qualquer forma, não me importo. Desde o dia em que decidi parar de vestir roupas largas e passar a usar roupas mais coladas e sensuais, Amber e muitas outras pessoas prendiam sua atenção em mim quando eu passava por elas, talvez por nunca terem me visto além de "a geniazinha que sempre fica em primeiro lugar nas provas" mas isso já faz mais de três meses então essa implicância de Amber e suas amigas já está virando obsessão. Eu comecei a me vestir desse jeito apenas para provocar Alecssander, mas não vou negar quando digo que gostei de valorizar mais "minhas curvas", como diz Rosalya.
No meio da aula recebi uma mensagem de Rosalya dizendo que iria passar no apartamento de Alecssander mais tarde para nos arrumarmos juntas e eu simplesmente dei de ombros e não respondi. Nesses três meses continuei no apartamento do babaca porque ficando lá eu não precisaria pagar o aluguel do meu e isso facilita minha vida, ainda mais porque o idiota não se importa com a minha moradia lá.
No fim das aulas, me despedi dos meus supostos amigos e entrei no carro do motorista de Alecssander, que me levaria de volta ao apartamento. Ele vem me buscar e me trás na faculdade todos os dias e eu não recuso pois isso me poupa de pegar um metrô lotado de gente suada.
Ele parou o carro no estacionamento particular do babaca e se despediu de mim no vigésimo segundo andar, que eu descobri ser onde ele morava.
O apartamento do idiota estava em silêncio, o que me fez pensar que o mesmo estava no escritório da máfia onde ele costumava ficar quase todos os dias. Fui andando preguiçosamente em direção ao banheiro para tomar um banho, retirei minhas roupas pelo caminho. Eu estava cansada e sonolenta porque não havia dormido bem nos últimos dias devido aos aumentos de temperatura.
Depois de um demorado banho que me fez relaxar e ficar ainda mais sonolenta, enrolei uma toalha em volta do corpo e fui até meu quarto fechando a porta e me jogando na cama. Eu estava com tanto sono que poderia dormir ali mesmo e foi o que eu fiz. Joguei a toalha em algum canto do quarto e me deitei de bruços na cama, apoiando a cabeça sobre os braços. Eu iria sair somente a noite e não faria nada no dia além de estudar, então não vejo problema em dormir por alguns minutos. A porta estava destrancada mas Alecssander só chegaria a noite ou apenas de madrugada, então não importava. Não demorou muito até eu começar a cochilar.
[...]
Acordei com batidas impacientes na porta do quarto e ao olhar por trás da cortina, percebi que já havia escurecido e eu havia dormido demais.
— Pode entrar... — murmurei ainda meio sonolenta.
Alecssander entrou no quarto e ao me encarar corou de imediato e desviou o olhar, focando no que parecia ser a escrivaninha perto da janela.
— E-Eu... B-B-Bom... — ele gaguejou.
— O que você quer ? — falei com a voz ainda fraca seguida de um bocejo e passei a mão esquerda pelos cabelos, apoiando a cabeça na mesma em seguida.
— E-Eu s-só... Hum... — ele gaguejou novamente. — Essa definitivamente foi a pior provocação. — ele murmurou para si mesmo e eu demorei para entender. Eu havia me esquecido que estava totalmente nua em cima da cama e por sorte ele não viu nada além do que minha bunda, já que eu estava de bruços. Senti todo o sangue do meu corpo ir até o rosto, puxei o lençol preto que cobriu todo meu corpo e sentei na cama segurando o lençol acima de meus peitos com força.
— S-S-Seu idiota ! — esbravejei — Sai daqui !
Joguei um travesseiro em sua direção e ele saiu do quarto e fechou a porta imediatamente, murmurando alguma coisa que eu não entendi muito bem mas parecia ser algo relacionado a " A Rosalya está na sala". Suspirei enquanto ia em direção ao closet para vestir uma roupa qualquer e desci as escadas onde encontrei Rosalya sentada no sofá mexendo no celular e Alecssander apoiado na parede enquanto tomava uma garrafa de cerveja. Quando nossos olhares se cruzaram, vi ele me analisando de baixo a cima e depois corando e senti minhas bochechas esquentarem, então ele acabou desviando o olhar.
Rosalya me cumprimentou c um abraço e logo subimos as escadas novamente e fomos ao meu quarto, onde ela abriu o closet sem minha permissão e começou a fuçar ali.
— Com qual roupa você vai ? — ela gritou de lá de dentro. Eu me sentei na ponta da cama e olhei para baixo, me analisando. Eu usava um short jeans claro e uma regata preta, não estava tão ruim.
— Assim. — falei, dando de ombros. Ela colocou a cabeça para fora do closet me analisando de baixo à cima e fazendo uma expressão incrédula em seguida.
— Não, não, não ! — ela começou — Você não vai assim de jeito nenhum, vamos achar uma roupa decente.
— Mas eu me sinto bem assim. — revirei os olhos.
— E eu sou uma estudante de moda e deixar minha amiga ir vestida desse jeito seria um insulto.
Ela me puxou pelo braço e, a contra gosto, me fez provar diversos vestidos, saias e blusas até finalmente chegarmos em um acordo de que seria um vestido preto com alças que subiam do meio dos peitos e davam a volta no pescoço e a saia era colada e ia até metade das coxas; saltos altos pretos e acessórios que combinam, deixando meu cabelo liso e solto. Ela estava usando um vestido azul royal simples de alcinhas e armado na saia junto de saltos agulha branco e um casaco branco três quartos nas mangas com detalhes em dourado e acessórios dourados, cabelo preso em um coque com a franja solta sobre os olhos.
Nós descemos as escadas, encontrando a sala vazia
Alecssander havia deixado uma mensagem no meu celular dizendo que saiu com uns amigos e voltaria só de madrugada. Dei de ombros; não é como se eu me importasse.
Rosalya nos levou em seu carro até um karaokê movimentado no centro de Nova Iorque e ao entrar, Rose acenou de uma mesa e nós fomos até lá. Havia algumas pessoas desconhecidas na mesa que eu cumprimentei com um aceno de cabeça; apenas para ser educada.
Todos nos sentamos ao redor de uma mesa redonda com sofás de couro preto e enquanto os outros ainda chegavam, pedimos pizza. Não pude evitar de fazer uma expressão de nojo ao ver Amber e suas amigas passando pela porta de entrada e elas fizeram a mesma expressão quando me viram.
— Quem ainda falta chegar ? — Christine perguntou a ninguém em especial.
— Oliver e seus amigos, eu acho. — falou Rosalya dando de ombros mostrando desinteresse.
A porta de entrada fez barulho novamente e eu virei a cabeça para ver se era Oliver, mas me surpreendi quando vi Alecssander, que vestia uma calça branca e uma camisa jeans, Grace, que vestia um vestido florido com um casaco jeans claro, e alguns homens que eu não me lembrava de ter visto antes. Eles sentaram-se em uma mesa do outro lado do karaokê, um tanto distante de nós e Rosalya percebeu a direção que eu estava encarando e olhou também, soltando um resmungo logo em seguida.
— Ele está nos seguindo de novo ? — ela murmurou.
— Ele não olhou para cá, talvez nem tenha nos visto. — dei de ombros.
Oliver e seus amigos chegaram algum tempo depois e finalmente todos estávamos sentados e espremidos em volta da mesa. A pizza chegou logo em seguida e depois de comer, todos foram cantar no karaokê, deixando eu e Rosalya sozinhas na mesa.
Oliver a encarava do mini palco com um olhar esperançoso enquanto cantava uma música romântica com a voz um pouco desafinada. Pelo visto, ele tentava mandar uma indireta para ela que estava completamente distraída ao meu lado.
— Rosalya, como você sabe quando está gostando de alguém ? — perguntei de repente me lembrando do favor que Oliver me pediu. Ela arqueou as sobrancelhas, surpresa, e depois deu um sorriso malicioso.
— Minha menina está gostando de alguém ?! — ela disse me cutucando com o cotovelo repetidas vezes e depois deu um gritinho animado.
— Cala a boca Rosalya ! — a repreendi olhando para os lados para ver se alguém tinha escutado. — Apenas responda.
— Bom... — ela apoiou a cabeça nas mãos em cima da mesa. — Você sabe que está gostando de alguém quando você sente o coração acelerar perto dele; ou você quer estar ao lado dessa pessoa a todo momento; quer sorrir sempre que está ao lado dele... Mais ou menos por aí. Mas me fala: quem é o cara que conquistou seu coraçãozinho de pedra hein ?
Por motivos desconhecidos, olhei para o lado, encarando Alecssander do outro lado do karaokê. Ele tomava uma garrafa de cerveja em silêncio enquanto todos na mesa a sua volta conversavam e riam sem parar. Então ele virou a cabeça e analisou o karaokê, finalmente notando minha presença na mesa perto do palco. Quando nossos olhares se cruzaram, voltei meu olhar para minhas mãos cruzadas sobre a mesa.
Nos últimos três meses eu estava confusa em relação a ele. Meu coração socava em meu peito todas as vezes que ele chegava perto demais ou por qualquer coisinha idiota que fizesse. Afinal, eu já não o odiava mais ? Revirei os olhos. Eu estava ficando fraca, me deixando levar pelos encantos do mafioso babaca, mas sei que em breve ele se livraria de mim como deve fazer com todas as garotas que pega. Senti uma raiva subir pelo meu sangue ao pensar que Alecssander estaria apenas brincando comigo. De novo.
— NÃO. ACREDITO. — Rosalya disse pausadamente me despertando dos meus devaneios e acompanhando meu olhar — VOCÊ ESTÁ GOSTANDO DO ALECSSANDER ! — ela soltou um gritinho que atraiu a atenção de algumas mesas ao redor e eu abaixei a cabeça sentindo minhas bochechas esquentarem.
— C-Claro que não Rosalya ! Fala baixo ! — murmurei.
— Está sim ! Ai. Meu. Deus ! Agora tudo faz sentido ! As trocas de olhares, os sorrisos quase imperceptíveis no rosto de ambos, você olhando para o lado quando perguntei sobre quem você gostava... — ela soltou outro gritinho — Super apoio vocês dois !
— Isso não tem nada a ver comigo ! — revirei os olhos — É para um amigo.
— Ah é ?! — ela duvidou — Quem ?
Fiquei em silêncio. Eu não sabia se poderia entregar Oliver ou não, por isso preferi apenas ficar quieta.
— Eu sabia ! — ela comemorou. — Você gosta dele !
Suspirei.
— Sinto uma atração por ele, não vou negar. — disse, assumindo isso mais para mim mesma do que para Rosalya. — Mas é apenas uma atração física, Rosalya. Ele é um homem muito atraente e eu sou humana, é normal que eu me sinta atraída dessa forma, mas nada além disso.
Rosalya revirou os olhos.
— Se você acha isso, tudo bem. — ela disse, parecendo decepcionada. — De qualquer forma, você deveria falar com ele sobre isso.
— Ele debocharia de mim por ser idiota ao ponto de gostar de uma mafioso que só está me usando como brinquedinho para seu próprio divertimento. — falei quase que de automático, arregalando os olhos em seguida vendo que eu assumi gostar dele. Revirei os olhos. Isso não pode ser verdade, foi o calor do momento, apenas isso.
— Alecssander não está brincando com você. — ela disse, assumindo uma expressão séria. — Fiquei muitos anos na máfia americana e sei que se ele estivesse apenas brincando, já teria te descartado há muito tempo.
— Entendo... — murmurei, ficando pensativa de repente.
Tudo isso é muito confuso e eu não sei o que pensar. Eu gosto dele ? Será que ele sente o mesmo ? E se eu estiver enganada ? E se tudo isso for apenas um de seus joguinhos ? Suspirei. Eu deixaria para pensar melhor nisso em outra ocasião, mas por ora vou apenas deixar em segundo plano.
— Você está gostando de alguém ? — perguntei tentando desviar o assunto de mim e focar em Oliver e Rosalya. Ela deu de ombros.
— Que eu saiba não.
— E o Oliver ? Achei que vocês estivessem bem próximos... — incentivei.
— Oliver é um cara legal e um bom amigo, mas não tenho algum outro sentimento por ele além de amizade. — ela disse antes de beber um gole da cerveja em sua frente.
Balancei a cabeça positivamente pensando em como Oliver ficaria ao saber disso. Talvez seja melhor se eu nem falar nada e fingir que esqueci de perguntar.
— Vamos ao banheiro ? — ela perguntou. Eu balancei a cabeça positivamente, a seguindo.
Para meu azar -ou talvez sorte- o banheiro era perto da mesa de Alecssander e precisamos passar ao lado dele. Quando nossos olhares se cruzaram, vi o semblante de um sorriso em seu rosto e senti meu coração idiota dar uma leve palpitação e rapidamente desviei o olhar.
O banheiro era muito pequeno e por isso fiquei esperando do lado de fora, e obviamente Alecssander não perdeu a oportunidade de vir me atormentar. Ele me surpreendeu quando me empurrou contra a parede e antes que eu pudesse gritar, colocou o dedo indicador em frente aos seus lábios pedindo silêncio. Ele deu um passo a frente se aproximando ainda mais e eu reagi imediatamente.
— Física básica ! — falei mais alto do que eu imaginava.
— O quê ? — ele perguntou, franzindo o cenho, porém com um sorriso divertido nos lábios.
— D-Dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço, isso é física básica. Então se afaste ! — gaguejei, o que não costumava ser normal até eu conhecer esse idiota.
— Talvez devêssemos desafiar as leis da física... — ele sussurrou sedutoramente colocando uma mecha do meu cabelo atrás da orelha. Senti meu coração idiota dando fortes socadas em meu peito, e confesso que fiquei com medo de Alecssander ouvir. Quando foi que fiquei tão vulnerável perto dele ?! Nossa convivência não mudou nos últimos meses, a não ser por meu coração que não sabe se controlar.
Para minha sorte, Rosalya saiu do banheiro apertado e veio lavar as mãos na pia ao nosso lado. Assim que nos viu, lançou um sorriso malicioso de imediato e estava prestes a voltar para a mesa quando se virou para trás e nos encarou, ainda com aquela expressão.
— Pega esse boy de uma vez, amiga. Aproveita que ele ta te dando mole — Alecssander riu eu tive vontade de pegar uma cadeira e jogar na cabeça desses dois, em Rosalya especialmente.
— Você deveria seguir os conselhos dela — ele sorriu do mesmo jeito que Rosalya a poucos minutos atrás e mais uma vez, meu coração não foi capaz de se controlar. Maldito !
— E você deveria estudar um pouco de física. — aproveitei a oportunidade de empurra-lo quando ele se distraiu e andei rapidamente até a mesa, tentando ao máximo chegar antes que Alecssander me seguisse.
— Sua safada ! — Rosalya berrou e eu senti minhas bochechas queimarem como brasa — Ele beija bem ? Foi meio rápido, então duvido que você tenha prestado atenção nisso...
— Nós não nos beijamos Rosalya ! E poderia ter a decência de falar mais baixo ?! — a repreendi — E duvido que ele me beijaria, ele só está brincando comigo — revirei os olhos.
— Então você quer que ele te beije ? — ela voltou ao olhar malicioso.
Demorei alguns minutos para responder.
— C-Claro que não !
— Você hesitou ! — ela gargalhou. — Vou te provar que ele não está apenas brincando. — ela disse convencida e minutos depois, senti uma presença ao meu lado.
— Posso me sentar com vocês ? — ouvi aquela voz ao meu lado e balancei a cabeça negativamente de imediato, mas Rosalya não perdeu tempo.
— Ora, mas é claro. Sente-se ao lado da Darella por favor ! — ela disse toda sorridente indicando o lugar para que Alecssander se sentasse. Ele obedeceu e eu bufei baixinho, amaldiçoando Rosalya com todas as minhas forças.
Felizmente, ele não tentou puxar assunto ou algo do tipo. Ficamos apenas os três em silêncio, sendo que Rosalya digitava no celular enquanto nós dois assistíamos ao karaokê. Troquei alguns olhares com o babaca, confesso, mas foi apenas para tentar adivinhar suas intenções. Fracassei miseravelmente e vi Rosalya sorrindo de forma satisfeita enquanto guardava o celular na bolsa.
O resto da noite até que foi agradável. O pessoal não se incomodou com a presença de Alecssander principalmente quando todos começaram a beber loucamente até esquecerem os próprios nomes. Quando chegamos nesse nível, pedi ao babaca para me levar embora e ele aceitou, sem questionar.
Quando chegamos ao apartamento, murmurei "boa noite" para ele e corri até meu quarto, onde retirei os destruidores de pés mais conhecidos como saltos altos e ataquei longe.
Me joguei na cama, sentindo meu celular apitar em seguida. Haviam três mensagem de Rosalya e eu as abri imediatamente. Estava escrito "EU AVISEI" em negrito e abaixo duas fotos: a primeira retratava eu encarando Alecssander com o semblante de um sorriso no rosto sem que ele percebesse. Tentei me lembrar em que momento o olhei assim, mas fracassei. Na segunda foto, era o idiota quem me mandava esse olhar e sorria enquanto eu olhava distraída para o outro lado.
Ao receber aquelas mensagens, deixei escapar um sorriso. Agradeci Rosalya e guardei o celular novamente. Talvez Rosalya não estivesse tão errada. Eu gosto um pouco dele. Na verdade, o certo seria dizer que não o odeio, mas também não gosto. Eu o aturo. É, é exatamente isso. Virei para o lado e tentei dormir, acreditando que o que sinto por Alecssander é atração física, nada mais.
Fale com o autor