O Juramento

1 Capítulo Unico


Notas iniciais
É minha primeira fic da menina que roubava livros, fiz a mais de um ano quando li pela primeira vez o livro, que é o meu preferido. Podia ter melhorado bastante este pequeno enredo, mas resolvi deixar como esta.

Começou como todas as noites dês que havia ido morar com Isa Hermann e o prefeito. Ela ficava deitada em sua cama olhando para a caixa do acordeão de seu pai até conseguir pegar no sono.Às vezes ela sonhava com seu irmão, outras com o dia de destruição da Rua Himel e com todos que um dia fizeram parte dela, mas naquela noite o sonho havia sido diferente e ao mesmo tempo parecido com todos os outros que já teve.

A menina estava no vagão de um trem e usava um lindo vestido, o mesmo que cobriu seu corpo empoeirado no enterro de Hans e Rosa Humbermann, só que naquela imagem não havia sujeira em seu corpo e nem um menino morto a seus pés. Havia apenas duas crianças, dois irmãos seguindo sozinhos a viagem. De repente o barulho do trem foi silenciado, neve começou a cair à cabeça dos viajantes e o corredor do vagão se transformou em um pedaço de uma rua.

-É a Rua Himel. –A menina anunciou segurando a mão de seu irmão enquanto em seu rosto se formava um sorriso.

-Veja Liesel nossas mães e nosso pai. –O menino falou apontando para as três figuras a sua frente que também sorriam.

-Impossível. –Ela sussurrou sem solta o irmão, sem sair do lugar, sem acredita no que e em quem via. Todos que um dia desejou que estivessem juntos e vivos estavam lá, todos que um dia ela perdeu causando uma enorme saudade.

-É possível Liesel acredite. –Uma voz disse fazendo sua figura se juntar as outras três.

-Max! –A menina exclamou reconhecendo seu amigo Judeu.

-Olá sacudidora de palavras. –Ele a cumprimentou.

-E não se esqueça de mim sua Saumenasch roubadoras de livros.–Dessa vez nada a menina disse, apenas deixou que o sorriso ainda em seu rosto aumentasse ao ver o garoto de cabelos amarelos a sua frente, o mesmo garoto sonhava em ser o Jesse Owens, o mesmo que a ajudou em vários furtos, o mesmo que tirou O assobiador das aguas do Rio Amper e lhe pediu em beijo como recompensa, o mesmo que só ganhou seu tão aclamado beijo depois de morto.

-Rudy. –Foram suas únicas palavras dirigidas ao garoto, palavras estas que foram seguidas por uma lagrima que escorreu o rosto da menina ao se lembrar da ultima vez que viu seu amigo.

Mas como ele podia esta ali se estava morto? Como podia chamá-la de Saumenasch se quando ela implorou para ouvi-lo nada foi dito? Ela não sabia e naquele momento não queria saber, pois ali viu sua chance de fazer diferente, viu a oportunidade de atender ambos os desejos. E disposta a aproveitar tal chance à menina soltou a mão de seu irmão indo rapidamente em direção de seu amigo, seu amante.

-Beije-me seu Saukerl. –Ela pediu parando a centímetros dele, de Rudy.

-Sabia que um dia ia morrer de vontade de me beijar Liesel.–O garoto disse confiante em suas palavras e encostando seus lábios carnudos nos da menina a sua frente, mas antes que Liesel pudesse de fato senti-lo o garoto afastou-se murmurando suas penúltimas palavras daquela noite.–Só que esta vontade se realizou tarde demais.

-Não! –Liesel protestou tentando traze-lo novamente para perto de si o que foi inútil, já que quando menos imaginou a figura de Rudy desapareceu assim como todos que antes pareciam felizes ao vê-la, as casas que compunham a Rua Himel desmancharam-se em pó, a sua frente surgiu uma fogueira igual ao que ela presenciou no aniversario Führer e de lá furtou O Dar de ombros.

-Você jurou Liesel, jurou que enquanto um de nos estivesse vivos jamais me beijaria. Eu realmente não queria que tivesse comprido o juramento. – A voz de Rudy ecoou em seus ouvidos parecendo que vinha da fogueira e quando a menina novamente protestaria, acordou.

Naquela noite Liesel não dormiu novamente. A menina que roubava livros apenas amaldiçoou pelo juramente que havia feito anos atrás em sua corrida com Rudy Steiner.

Amaldiçoou-se por ter comprido o juramento.

Mas no fim suas maldiçoes da nada adiantaram, com o passar dos anos Liesel cresceu e aprendeu a se perdoa, e mesmo que ainda o arrependimento estivesse em si sabia que era daquela forma que tudo tinha que acontecer, apesar de que no fundo queria que tudo tivesse sido diferente, e como queria. Mas o que mais podia ter feito? Era só uma menina que estava começando sua vida, estava aprendendo a esconder judeus em seu porão, aprendendo a magica de ler e roubar. Era uma menina confusa com seus sentimentos, uma menina que roubava livros e corações.

Uma menina que mais tarde diria: — Será que você me perdoa Rudy?

Ultima nota:

Ele havia a perdoado.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!