O Jogo dos Espíritos
4 Capítulo 4
Notas iniciais
– Você tem certeza que quer mesmo fazer isso Sam? –Tyler pergunta, parando o carro já em frente à casa dos Massi.
– Tenho. –Sam diz ainda pensando – Olha, se você estiver com medo de toda essa parada, não precisa ir.
–Eu não estou com medo. Quem falou isso? – Diz Tyler nervoso.
–Sei lá, desde que saímos da sorveteria você não para de pedir pra desistir desta ideia.
–Por que eu acho loucura. Aquilo é só um jogo.
– Se é só um jogo, não tem que se preocupar tanto, não acha? – Sam, pisca para Tyler enquanto sai do carro.
– Estranho, já são quase nove e ninguém chegou ainda. – Diz Tyler olhando para o relógio.
– Freddie me mandou uma mensagem dizendo vão se atrasar, parece que os policiais pararam o carro do Gibby, por excesso de peso do lado do motorista. – Diz Sam olhando para o celular.
– Saquei. – Tyler diz em meio a risos – Então, já que eles vão demorar e nós estamos aqui sozinhos, que tal aproveitarmos esse momento pra... Nos distrairmos. – O garoto se aproxima de Sam.
– Hum, e que tipo de distração? – Sam joga um olhar curioso para o rapaz bem na sua frente.
–Deixa eu te mostrar. – Tyler se aproxima e a pega pela cintura acabando assim, com o espaço que havia entre eles.
Um beijo. Um beijo doce e calmo, que foi se intensificando, tornando-se atrevido e escaldante. Tyler foi levando a loira até que ela encostasse-se ao carro sem se quer desgrudar um do outro...
–Não deviam ficar beijando dessa forma em público. – Diz Freddie saindo do carro e indo até eles, acompanhando de Gibby e Tasha.
Sam e Tyler se separam ofegantes e sem graça. Mais ofegantes.
–Ah... Vocês já estão aqui. – Tyler olha sem graça, se ajeitando.
–Não. Estamos em casa ainda. – Freddie diz irônico.
–Não estamos não. Aqui não é minha casa. – Diz Gibby confuso – Rá, você se enganou Benson. – Gibby aponta para Freddie, comemorando, enquanto todos o olham assustado.
– Amorzinho, o Freddie não estava falando sério. – Tasha diz perto de Gibby.
– Então tá né?! – Diz Sam já se tomando a frente de todos. – Vamos acabar com isso logo.
– Eu só não entendi porque temos que jogar na casa da senhora Massi. – Diz Freddie.
– Porque aqui é mais tranquilo e tem um maior espaço.
– Como conseguiu as chaves? – Pergunta Gibby.
–A senhora Massi, está de viagem por alguns dias e me pediu para vir aqui conferir tudo durante esses dias. – Diz Sam já abrindo a porta principal da casa.
– Porque não podíamos jogar isso durante o dia? Essa casa, à noite, é tão... Assustador. – Diz Freddie observando cada canto da casa.
– Qual é nerd, está com medinho? – Diz Sam provocando.
– Mas é claro que não. – Diz Freddie passando a frente de Sam.
–Então, aonde vamos jogar? – Pergunta Tyler.
–Ali, naquela mesa na copa. – Sam aponta para uma enorme mesa na sala de jantar.
Sam leva algumas velas e lanternas até a mesa, para iluminar o local.
–Porque não podemos simplesmente acender as luzes? – Gibby pergunta enquanto acende uma vela.
–Porque os vizinhos iam notar que tem gente na casa, imbecil. – Sam retruca. – Droga! Esqueci o tabuleiro dentro do carro.
– Eu vou lá pegar. – Diz Tyler já com as chaves do carro em mãos.
–Não eu vou, termina de arrumar aqui. – Sam sai em direção ao carro.
– Como você fala com alguém usando um jogo de tabuleiro? – Tyler vira pra Freddie que também arruma as velas – Sei lá, tipo: ei ta me ouvindo? A ligação tá caindo o sinal aqui do além da ruim. – Faz imitação com gestos caçoando.
–Olha, a Sam quer fazer isso. Então cala a boca e colabora. – Freddie diz e sai de perto dele, que revira os olhos.
– Pois é... – Tasha passa sobre Tyler e joga um olhar de concordância.
Já com tabuleiro em mãos, Sam olha fixamente para ele e se mistura com seus pensamentos. Ela sabe que tudo isso é loucura, que esse jogo era apenas um jogo bobo. Ela mesma convencia Carly disso. Mas a saudade de sua amiga a fazia acredita no mínimo de chance que aquilo trazia. Ela não estava com medo. Mas estava preparada para o fato de nada acontecer. Entrou na casa e posiciona o tabuleiro no centro da mesa.
– Aqui está – Sam diz, já se sentando em volta da mesa como todos.
– Bom, vamos jogar então. – Diz Tyler tentando não rir daquela situação.
– Tem umas regras antes, tipo, você não pode jogar num cemitério, nunca jogue sozinho e sempre diga adeus. – Diz Sam indicando o ‘adeus’ no tabuleiro.
– Anda logo, vamos fazer isso. – Diz Freddie já meio nervoso.
Todos, então, colocaram seus dedos sobre o indicador que estava bem ao centro do tabuleiro, menos Tasha.
– O que foi? – Gibby pergunta olhando para a namorada.
–Não sei se acredito nisso, mas não quero colocar a mão nisso.
–Ah para, isso vende em loja de brinquedos. – Diz Tyler rindo.
Ela, por fim, coloca os dedos sobre o indicador.
– Agora fazemos um circula pra cada um de nós – Sam movimenta o indicador, fazendo um 5 círculos sobre o tabuleiro e tira do bolso uma foto da Carly e coloca sobre a mesa – e fala: corações sinceros reunidos estamos. Espíritos próximos nos invocamos. – Todos se entre olham – Se tiver alguma presença aqui, por favor, se mostre.
O silêncio permanece no ar.
–Á uma presença aqui entre nós? – Sam pergunta olhando para o tabuleiro, assim como todos.
O indicador meche lentamente e para.
–Isso é uma piada. – Tyler diz inconformado.
– Qual é gente? Quem está fazendo isso? – Gibby pergunta assustado.
Todos se olham para ver se alguém afirma, mas todos negam. O indicador novamente começa a se mexer até chegar no “SIM”.
– Tyler para com isso. – Diz Sam brava olhando para o garoto.
– Eu não estou empurrando. – Diz o rapaz.
Todos olham para o indicador que permanece na palavra.
– Você quer dizer alguma coisa? – Sam diz em voz alta.
O indicador se movimenta, indicando as seguintes letras: O I A M I G O.
– Falou, oi amigo? – Diz Freddie, confuso.
– Oi amigo. – diz Sam. – Quem é você? – Ela pergunta e todos olham para o tabuleiro concentrados.
“ C ” – mostra o indicador.
– Carly... – Diz Freddie se segurando para não chorar. – Tyler se é você que está se passando pela Carly, eu juro que isso é muita maldade.
–Não sou eu cara, eu juro. – Diz Tyler já assustado.
– Chega isso já está assustando! – Tasha tira os dedos assustada – Vamos parar agora.
– Quer colocar a mão de volta Tasha, por favor. – Diz Sam.
E assim a garota faz.
– Carly... – Sam começa cabisbaixa – eu poderia ter feito alguma coisa? A gente poderia ter ajudado você? Tem alguma coisa que queira dizer sobre... Se você fez isso mesmo. Você fez isso?
Entre toda tensão, um barulha ecoa no ar e todos olham para cima assustados.
–Gente, desencana, a casa é antiga. – Diz Tyler tentando não transparecer seu nervosismo.
– Continue Sam. – Diz Freddie voltando — se para o jogo, como todos.
–Eu sinto sua falta. – Sam respira segurando toda aquela agitação dentro dela.
– Eu também. – Diz Freddie.
– Todos nós. – Gibby acrescenta.
–Se estiver ouvindo, a gente só queria uma chance de dizer adeus. – Conclui Sam.
O indicador de move até a palavra “ADEUS” e todas as velas se pagam.
Todos ficam assustados e Sam rapidamente tenta reacender as velas com o isqueiro.
– Droga! Não está acendendo. – Sam, meio tremendo aperta o isqueiro várias vezes.
–Calma. Deixa que eu faço isso, você está muito nervosa. – Freddie tira o isqueiro das mãos da loira e tenta acender, mas é em vão. – Que estranho, ele estava normal.
– Deixa, vou ver se encontro um fósforo. – Diz Sam indo em direção à cozinha.
– Eu vou com você. – Diz Freddie a seguindo.
– Calma Tasha, não é de verdade está bom? É só um jogo. – Diz Tyler, tentando acalmar a garota que se reprimia toda.
– Tá bom gente, agora fala sério, era você que estava mexendo o indicador? – Diz Gibby olhando para Tyler.
– Não... E você?
–Eu não.
– Até onde sabemos, era a Sam – começa Tyler – talvez ela precisasse disso. Talvez ela nem soubesse o que estava fazendo.
Sam foi andando rapidamente até a cozinha, consequentemente batendo em vários móveis.
–Sam calma. – Disse Freddie seguindo a garota, iluminando o caminho com o celular. – Você vai ficar toda roxa desse jeito.
– Eu estou calma. Quem disse que não? – ela diz nervosa, ainda andando pressamente até bater com as costas no balcão da cozinha – Eu estou calma – Ela vai caindo de costas para o balcão até alcançar o chão.
– Sam... – Freddie abaixa, ficando de frente a loira, que abraça seus joelhos – Vai ficar tudo bem. Olha eu...
Neste momento ouve se um barulho bem ali perto.
–O que foi isso? – Diz Sam se levantando.
–Sam, olha pro fogão. – Diz Freddie, já apavorado.
Uma das chamas estava acessa.
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