O Jogo dos Deuses: A Casa da Esperança
12 Ysla: Um segredo forçado a se revelar
Tudo o que lembro é de estar sendo perseguida por uma cobra gigante e mais nada. De repente eu estava sendo carregada por uma mulher que eu não conhecia.
Percebi que Ana estava no mesmo estado que eu, mas ela ainda estava desacordada e nos braços de Jane. Presumi que a mulher que me carregava fosse uma amiga. Eu estava me sentindo mais jovem do que era e com uma energia inesgotável.
– Que bom que acordou. Você podia comer menos, está pesada. – disse a mulher de cabelos azuis.
Ela me chamou de gorda ou foi impressão minha?
– Se eu comer menos do que costumo eu vou desaparecer.
A mulher riu e me colocou gentilmente no chão.
– Quem é você afinal? – a questionei.
– Vejo que não se lembra de mim. Pois bem, sou Hebe, a deusa da juventude.
– Tenho uma vaga lembrança, mas alguém pode me dizer o que aconteceu e por que Ana está desmaiada?
Jane olhou para o chão, mas foi Hebe quem começou a falar.
– Você e Ana possuem um vinculo com Cronos, não sei dizer o porquê e nem como isso aconteceu. Vocês duas estavam sendo controladas assim como outros dois entre os escolhidos de Atena. Ainda não temos recursos de como acabar com este vinculo.
– A Casa da Esperança. – disse Jane – É o único jeito. A casa tem poder suficiente para uma cura como esta. Se não meu pai não teria ido para lá.
– Certo. Por que estamos descendo uma montanha?
– É um vulcão na verdade. – corrigiu-me Hebe – Vocês estavam acorrentadas na beira da boca do vulcão. Achamos que Cronos queria usar vocês como algum tipo de sacrifício.
Eu preferira não ter perguntado depois dessas respostas. Nós continuamos a descer o vulcão, desta vez eu estava a pé.
De repente eu comecei a me sentir fraca e o cenário ao meu redor mudara. Eu estava novamente no quarto em chamas com Wendell me encarando.
– Quer mais algum favor? – disse eu a ele.
– Por enquanto não, apenas esteja preparada pelo que virá.
– Pare com joguinhos Wendell! O que virá?
– A verdade Ysla. E você terá que aceitá-la para viver em paz consigo mesma.
Eu olhei para Wendell, para aqueles olhos de fogo.
– Eu preciso te dizer uma coisa...
– E eu ouviria, mas meu tempo chegou ao fim. Vim apenas para avisá-la. Prepare-se para a batalha Raio de Sol.
Eu não senti raiva quando Wendell me chamou de Raio de Sol, diferentemente de Ares.
– Uma ultima coisa, diga para pararem de pronunciar meu nome romano, ele precisa descansar.
Eu pisquei e estava de volta ao vulcão. Eu não sei por quanto tempo mais eu poderia segurar este segredo.
Estávamos perto do fim do caminho quando começou a chover.
A frente havia uma cabana improvisada com pedaços de arvores estacados no chão e como teto havia folhas gigantes de bananeira.
Atena sorriu quando nos viu e as meninas vieram nos receber.
Emilly contara tudo o que acontecera, a caverna, os titãs e Prometeu, que dera sua vida para proteger outras dez e uma deusa.
Um garoto apareceu. Ele tinha os cabelos de cor roxa e olhos verdes. Sua pele era lisa e brilhante.
– Olá. – disse ele, enquanto outras cinco pessoas surgiam atrás dele – Sou Ethan, filho de Deméter.
Ele apontou para uma garota de cabelos ruivos e olhos dourados.
– Esta é Ophellia, filha de Huracán. Aquela é Carol, filha de Zeus.
Ele apontou para a outra garota, esta tinha os cabelos pretos e olhos de cor cinza. Ela parecia ser a valentona pelo jeito que andava, mas ainda era cedo para tirar minhas conclusões.
Ele apontara para um garoto de cabelos cor de vinho e olhos de cor lilás.
– Este é Harry, filho de Dionísio. – continuou Ethan – Este ser que parece normal se chama Daniel, ele é filho de Ares.
Daniel estava apoiado a uma das estacas de árvore com o olhar distante. Seus cabelos eram escuros e seus olhos eram cinza.
– Por fim temos Julian, filho de Afrodite.
– Por favor, não me julgue por minha mãe. – disse Julian. Seus cabelos eram louros e seus olhos azuis.
– Estamos em família. Não se preocupe. – disse eu a ele.
Ana acordara no momento da apresentação, então não foi preciso repetir. Hebe contara para os outros o que dissera pra mim e eu disse o que Wendell pedira.
– Do que vamos chamá-lo então? – perguntou Carol.
– De Huracán é claro. Este é o nome dele. – disse Ophellia irritada.
Jane me olhava de uma forma estranha, como se tentasse decifrar algo.
– O que foi? – perguntei a ela.
– Você recebeu a bênção de Huracán. – respondeu Larissa.
– Por que você parece irritada toda vez que falamos dele? – questionei.
– A cada vez que ele aparece ou faz alguma coisa ele fica sem energia. – disse Jane jogando todas as palavras no meu rosto.
Jane levantou e saiu da cabana improvisada.
– Aconteceu alguma coisa com ela? – perguntou Kayanne.
– Ela está preocupada com a última frase da profecia. – respondeu Atena, entrando na conversa – Vocês estão perto d'A Casa da Esperança, tudo o que precisam fazer é cruzar o oceano e isto está mexendo com ela. Huracán foi tudo que ela sempre teve, e se não fosse a casa ele já teria morrido.
Agora entendíamos o que estava se passando. Eu esquecera completamente da profecia, mas Jane pensara sobre isso o tempo inteiro. Talvez por isso ela não participasse de nossas batalhas, para que Huracán tivesse mais tempo de vida.
A profecia não era clara o suficiente para dizer que o deus a morrer era Huracán, mas os últimos acontecimentos apontavam para ele. Eu realmente me senti mal, aliás, eu convivera com ele por um bom tempo.
– Eu vou falar com ela. – me ofereci.
Eu mergulhei mata adentro a procura de Jane. Parara de chover, mas o ar permanecera úmido. Perdi a noção do tempo enquanto caminhava, eu quase me perdi em meus pensamentos.
Cheguei a uma parte da mata onde não havia arvores, pelo menos não dentro do enorme circulo em que eu estava.
"Chegue mais perto filha de Apolo. Não tenha medo, não a machucarei, só quero conversar".
Aquela voz era familiar. A mesma voz que nos mandara para o castelo aonde o gigante Clítio nos esperava.
Caminhei até o centro e não sei o porquê, mas deitei olhando para o céu, como se estivesse sendo controlada.
– O que você quer de mim? Pendurar-me na boca de um vulcão novamente?
A voz gargalhou.
"Como eu disse, eu quero apenas conversar, propor um acordo".
– Por que eu deveria confiar em você?
"Eu posso te dar o que você quer. Eu vi os seus desejos Ysla Hudgens. Sei sobre o seu amor impossível e eu posso torná-lo possível".
Não sei se ficava assustada ou o quê. Será que ele podia ler mentes?
"Não há maneiras de uma mortal como você ganhar o amor de um deus sob promessa do Estige. Contudo, quando eu estiver no poder, eu poderei conceder este desejo que tanto lhe consome. Eu poderei torná-la imortal, ou mesmo tirar a imortalidade dele. Huracán seria seu de qualquer forma. Apenas você e ele".
Aquilo me deixou quase se fôlego.
"Tentador não é mesmo? Não irei pressioná-la. Darei tempo para decidir. Podemos fazer muitas coisas juntos, mas seja breve".
A voz desaparecera e eu voltara a controlar a minha vontade. Demorou até eu perceber que Jane estava em pé ao lado de uma árvore me olhando.
– Você ama meu pai? – perguntou Jane, como se não acreditasse no que acabara de ouvir – Isso é verdade Ysla?
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