O Jogo dos Deuses: A Casa da Esperança

8 Larissa: Um gigante irritante e túneis desagradáveis


Seguimos a estrada cercada pela floresta por exatamente uma hora. Dexter andava a frente. Kayanne e Emilly estavam atrás de Dexter discutindo algo que eu não conseguia ouvir. Presumi que se tratava do modo como eu matara o minotauro.

– Estamos sendo seguidas. – disse Ysla olhando para o céu.

Mulheres com bicos e asas brancas voavam sobre nossas cabeças como urubus cercando o alimento. Não sei se as definia como mulheres ou ave.

– São harpias. – disse Ana, que levava se martelo em uma das mãos no caso de sermos atacadas novamente.

Foi necessário que andássemos por uma hora e meia para que finalmente avistássemos o castelo que a voz misteriosa mencionara em seu discurso.

Fizemos uma pausa para recuperarmos nossa força e energia. Dexter não se interessou pela comida, ele apenas ficou olhando o castelo como um velho inimigo.

Voltamos a caminhar depois do nosso lanche do fim da manhã.

Ysla estava atenta com o seu arco em mãos. Dexter começara a rosnar para o castelo.

As enormes portas de ferro do castelo rangeram ao se abrirem para entrarmos. O hall de entrada lembrava um jardim japonês. Estava tudo em ordem. Outra porta de ferro enferrujada se abrira ao fundo, por onde continuamos a seguir.

Um corredor extremamente largo surgiu a nossa frente, um corredor que logo se transformou em uma sala com o tamanho de dois campos de futebol.

Jane estava ajoelhada com as mãos acorrentadas a uma parede. Ela estava desacordada.

– Isso não é nada comparado ao que vou fazer com os Olimpianos. – disse uma voz atrás de nós.

Eu não sabia como descrever a aparência do gigante, pois ele estava envolto em escuridão, o que me fez lembrar Nix.

Clitio falava através de um mortal que o acompanhava. Eu sabia que era um mortal porque eu podia sentir sua fraca força vital.

– Meu mestre levantou os gigantes mais uma vez para cumprir sua vingança.

– Quem é seu mestre? – interveio Emilly sem mostrar fraqueza.

– Haha! Logo descobrirão. Ele ainda está incapacitado e precisa recuperar toda a sua energia. Quando ele estiver poderoso ao máximo, todos os mundos perecerão diante de seu nome! – disse Clitio, dando ênfase à última palavra.

Clitio nos olhou como se nos desaprovasse.

– Então – prosseguiu ele – Decidiram? Estão contra ou conosco?

– Nós nunca estaremos com vocês! – gritou Kayanne.

Jane não lutara em nenhuma de nossas batalhas e não lutaria nesta, o que me fez pensar que todos os acontecimentos poderiam ter sido apenas testes.

– Neste caso, sofram as consequências. – disse Clitio calmamente, desembainhando sua espada negra e avançando sobre nós.

Quando ele avançou foi o mesmo momento em que o teto caiu, deixando um buraco no qual uma luz forte entrava.

No lugar onde os escombros caíram estava um homem com os cabelos em corte militar enquanto usava um uniforme das forças armadas.

– Ele voltou. – reclamou Ysla.

– Estou de volta minhas queridas. – disse o deus da guerra.

Clitio parecia assustado, ou pelo menos foi o que deduzi de sua escuridão.

– Veio morrer Ares? – indagou Clitio.

– Na verdade eu vim me divertir um pouco. – respondeu Ares rindo.

– Hahaha! Vocês não tem nenhuma chance. O Olimpo está dividido e seus semideuses morrerão. Não esconda a verdade Ares! Deixe as trevas te dominar, isso sim será a diversão.

Ares conjurou uma lança com uma enorme lâmina na ponta e partiu para cima de Clitio.

Enquanto os dois lutavam para decidir quem era o melhor, nós corremos para libertar Jane, que estava despertando aos poucos.

– Venha me ajudar Vara Mágica! – gritou ares para mim. Olhei irritada para ele.

Jane acordara e parecia sem forças para levantar.

Lutei lado a lado com Ares contra o gigante Clitio. Quando dávamos um golpe juntos parecia que ele iria desmoronar.

O castelo tremeu quando Clitio urrou de dor após um ataque de Ares.

– Você não pode vencer a guerra. – disse Ares.

– No momento talvez não, mas voltaremos a nos enfrentar filho de Zeus. – respondeu Clítio.

Clítio simplesmente explodiu em sua escuridão e desapareceu sem deixar rastros.

Ares pareceu desapontado com a fuga do gigante e voltou-se para todas nós.

– Vou-me embora. Obrigado pela diversão queridas.

Ares começou a brilhar e desapareceu também.

Corri até Jane que estava sendo carregada com os braços nos ombros das gêmeas.

– Temos que sair daqui – disse Emilly – Este castelo está ruindo.

De fato estava. O chão ao nosso redor começara a rachar e não podíamos andar rápido o suficiente, pois Jane não se recuperara completamente.

Andamos apressadamente para fora da sala na qual estávamos, passamos novamente pelo jardim japonês, onde paramos. Jane começara a sentir dores.

Mesmo no jardim do castelo o chão também estava rachando, e diferentemente da sala, o jardim estava se partindo de diversas formas. Não demorou até formar um enorme abismo entre nós e a saída.

– O que fazemos agora? – perguntou Yasmim.

Eu olhei para o anel que Wendell me dera antes de partir.

– Nos ajude Wendell! – eu pedi ao anel, que imediatamente começou a queimar em meu dedo.

O chão se abriu cada vez mais.

– Não podemos ir em frente e nem voltar para dentro. – comentou Ana.

– Então vamos descer. – eu disse.

O chão se abriu abaixo de nós e fomos de encontro à escuridão do abismo que nos engolia obrigatoriamente. Eu realmente esperava que ele nos cuspisse, embora fosse nojento, mas isto não aconteceu.

Gotas pingavam do teto acima de nós quatro. Mal víamos a luz de onde tínhamos caído. Ysla, Emilly, Jane e eu caímos juntas, enquanto as outras eu não sabia onde estavam. Eu mal conseguia ver a mim mesma.

Jane parecia estar pior do que antes e Emilly estava com um corte no braço direito. Eu e Ysla parecíamos bem, mas minha perna doía bastante.

– Acho que torci meu tornozelo. – eu disse.

– Pelo menos sobrevivemos à queda. – comentou Emilly – Tudo bem Ysla?

– Sim. Não estou ferida. – disse ela sem demonstrar qualquer tipo de sentimento – Wendell amorteceu a nossa queda, eu o vi enquanto caiamos.

Fiquei surpresa por Ysla ter visto Wendell, mas por que ela o viu quando fui eu quem pediu ajuda?

Jane gemeu ao tentar se levantar, teríamos ajudado se ela não tivesse negado e se levantado sozinha.

– Ainda não chegou a nossa hora. – disse Jane – Não estou a fim de visitar o Mundo Inferior tão cedo.

Emilly riu.

– Vamos seguir em frente. – disse Ysla sem fazer cerimônia.

Alguma coisa deveria estar afetando Ysla, pois ela estava diferente em todos os sentidos. Jane não parecia ter notado.

Seguimos pelo túnel escuro que se estendia a nossa frente. Seria uma boa ideia se Ana deixasse ima chama acesa para iluminar o caminho, mas ela não estava conosco.

Jane estava com o seu senso de direção desequilibrado, então Emilly seguia à frente, pois ela dissera que sentia os tuneis ao redor e a presença de cinco pessoas, das quais três estavam juntas, deduzi que eram as meninas, mas e os outros dois? Seriam desafios ou amigos?

As paredes das cavernas estavam úmidas e água escorria pelo chão entrando na escuridão que ainda dominava nossa visão.

Entramos em um túnel que estava a nossa direita e Emilly parou.

– Tem alguma coisa rastejando em nossa direção.

Começamos a ouvir ruídos que se aproximavam cada vez mais rápido.

– Não olhem! – gritou Jane enquanto algo de repente nos jogara de lado – É um basilisco.