Aquele fora um dia não muito normal. Aliás, não é sempre que você descobre ser filha de um deus.

Meu nome é Ana Porter, sou filha de Hefesto, o deus ferreiro.

Tudo deixou de ser normal quando a irmã do meu amigo Wendell surgiu em nossa sala de aula – apenas para complementar, nós éramos do terceiro ano do Ensino Médio e também brasileiros.

Voltando ao assunto... Wendell não tinha nenhuma irmã ou irmão até aquela manhã, ou ele havia escondido este fato de seus amigos, mas ali estava ela. Wendell aparentava estar triste quando olhou para ela.

Ele estava sentado ao lado de sua amiga Larissa. À sua frente estavam duas outras amigas, que eram gêmeas, Ysla e Yasmim. Diferenciá-las era fácil, pois Ysla tinha os cabelos negros e Yasmim os tinha de cor chocolate. No mesmo momento, eu estava com minhas amigas, Emilly e Kayanne.

A irmã dele se identificou como Atena, um nome diferente, eu pensei. Seus cabelos eram longos. Seus olhos eram cinza como os de Kayanne também.

– Está na hora? – perguntou Wendell, agora encarando sua irmã.

Atena assentiu.

– O conselho vai se reunir. Precisamos de você Huracán.

Ela chamara Wendell de Huracán? Um apelido estranho que me fez pensar se ele escondia algo mais de nós (e se fosse o nome verdadeiro dele?).

Wendell se levantou e entregou seis anéis de cor prata para cada uma de suas amigas. O anel era gelado.

– Essas alianças me ligarão a cada uma de vocês. Quando precisarem irei auxilia-las no que for preciso.

– Você está indo embora? – perguntou Larissa, com medo de ouvir a resposta – Vai nos deixar?

Ele a olhou como se fosse chorar, mas se conteve.

– Considere como um até logo. Passei quase dezoito anos como um mortal, preciso voltar a minha natureza.

Mas do que ele estava falando?

Ele dizia aquilo como se fosse algo normal de alguém fazer.

– Huracán veio para esta escola para ter certeza sobre quem vocês são. Semideusas – terminou Atena.

Como é que é? Eu uma semideusa?

Parecia impossível, mas conforme ela explicava com detalhes sobre cada coisa de que havíamos passado dos momentos dos quais acontecera coisas inexplicáveis, eu e as outras garotas ganhávamos a certeza de quem éramos.

Nos anéis que Wendell nos dera estava escrito o nome de nossos pais divinos. No meu lia-se Hefesto, e depois o nome mudara para um símbolo, o martelo, mas não se transformou outra vez.

Ele nos olhou de forma estranha, como se pudesse ver o que teríamos que enfrentar. Eu pude ver as chamas dentro de seus olhos.

– Eu sou o terceiro filho de Zeus e Hera, sou o deus do fogo e do otimismo.

A revelação deixou um silêncio prolongado entre nós.

– Voltaremos a nos ver? – perguntou Larissa, quebrando o silêncio.

– O Olimpo precisará de você meninas – disse Atena – Quando a hora chegar, os anéis queimarão para avisar.

Atena olhou para Kayanne como se lamentasse algo.

– Nos veremos outra vez filha.

A semelhança entre as duas era indiscutível.

Wendell nos deu uma ultima olhada antes de se queimar, desaparecendo de nossas vistas até se apagar. Atena fez o mesmo, e uma coruja surgiu em seu lugar ao invés de fogo, e começou a brilhar intensamente, e de repente, desapareceu também.

Você deve estar se perguntando se ninguém viu tudo isso... Bem, estávamos sozinhos quando tudo ocorreu.