O Jogo dos Deuses: A Casa da Esperança
13 Ana: O Fardo de Hefesto
Notas iniciais
Os doze semideuses finalmente estavam juntos.
Hebe nos trouxe algumas frutas da floresta, pois a mochila que tínhamos havia ficado na caverna em meio à confusão. Demorou até que Ysla e Jane retornassem, mas logo voltaram trazendo alimentos naturais, mas sinceramente eu estava com saudade de comer um delicioso hambúrguer, ou dois.
– O que aconteceu aos deuses maias? – perguntou Julian à Jane.
Jane o encarou como se não quisesse responder.
– A maioria desapareceu enquanto outros se converteram. – respondeu Atena ao perceber a vontade de Jane de pular no pescoço de Julian.
Ysla ficara quieta durante a tarde que passava. Ela ficara pensativa desde que voltara da mata com Jane. Por razões de privacidade ninguém perguntara o motivo, mas sempre checávamos se ela precisava de algo.
Jane também estivera bastante quieta desde que voltara. Atena nos aconselhou a não perguntar o motivo a menos que quiséssemos virar bolas de pedra gigante.
– Tem alguém se aproximando. – Larissa disse de repente, parecia que ela havia tomado um susto antes de falar, pois parte de sua pele estava pálida.
Larissa desenvolvera a habilidade de sentir a força vital das pessoas desde que ela lutara contra sua irmã Circe e ganhara seu cajado de poder. Às vezes era estranho, pois Emilly tinha a mesma habilidade, mas às vezes uma sentia o que a outra não conseguia.
– Não é inimigo. – concluiu Emilly com os seus sentidos.
Ainda eram apenas quatro horas, mas o céu já insistia em anoitecer, ou... Havia outra explicação para uma escuridão repentina, e ela tinha nome.
– Olá crianças! – exclamou Nyx animada.
Diferentemente do nosso primeiro encontro, agora estava mais claro, possivelmente porque Nyx estava deixando assim, para que pudéssemos vê-la.
Atena parecia à única não animada com a chegada surpresa de Nyx e era impossível esconder a alegria de Jane em vê-la.
– Alguma noticia de minha mãe? – perguntara Jane na esperança de que ela estivesse bem.
– Na verdade não. – respondeu Nyx com tristeza – Tudo o que sei é o que Huracán me conta, e quando perguntei dela ele ficou surpreso, então presumi de que ela ainda não chegara.
– Como você tem falado com ele? – quis saber Ophellia que entrara na conversa depois de comer alguns pedaços de abacaxi extremamente doce.
– Ora, através de Iris é claro, aliás, tenho um recado dele para vocês.
Nyx estalou os dedos e surgiu um pequeno pedaço de pergaminho flutuando em sua frente. Ela o leu dando ênfase como uma atriz em uma cena dramática:
– Preparem-se para guerra, Poseidon precisa de vocês imediatamente. E fim. – terminou Nyx, com um largo sorriso que chegou a nos assustar.
Ysla se levantou pronta para falar alguma coisa, mas apenas bocejou.
– Não devemos estar perto. – começou Kayanne – Não ouço nenhum som de guerra por perto.
– Isso porque não é na superfície – interrompeu Yasmim – e sim nos domínios de meu pai. Eu pude ver o preparo para guerra quando eu desmaiei. Agora eu consigo sentir o inimigo se aproximando de Atlântida com suas armas.
– Então é você quem deve nos guiar. – disse Ethan à Yasmim, dando-lhe confiança – Deusa Atena virá conosco?
– Não posso, fiquei mais do que necessário. Agora vocês estarão sob os cuidados de Jane e de Hebe. Preciso voltar ao Olimpo para ajudar Hera. – respondeu a deusa.
Kayanne deu um último abraço em sua mãe, antes que a mesma desaparecesse deixando apenas a saudade.
Em silêncio nós doze caminhamos acompanhados de Jane e Hebe com participação especial de Nyx. Yasmim seguia a frente por motivos óbvios.
Andar e andar foi o que mais fizemos desde que chegamos a este mundo novo, mas eu estava gostando de ficar aqui, embora ainda tivesse saudade de onde eu nascera.
Enquanto descíamos à colina a noite se tornava mais clara com a chegada da lua e das estrelas. Nix estava calma, mas ao mesmo tempo animada.
Eu andava com Ophellia e Harry ao meu lado enquanto as gêmeas e as duas deusas andavam à frente e os outros as nossas costas.
– Por que o Daniel é tão quieto e nervoso? – perguntei aos dois ao meu lado.
Harry olhou para trás para ter certeza de que estávamos a uma distância razoável.
– A maior parte do tempo é porque ele não teve escolha. – respondeu Harry enquanto vagalumes voavam em torno de Ophellia.
– Como assim não teve escolha? – perguntou Ophellia, que aparentemente também não sabia da história.
– Quando estávamos na arena em Olímpia, antes de começarmos esta missão, Héstia o apresentou quando estávamos de partida.
– Na verdade foram duas noites antes da partida. – disse Julian de repente ao lado de Ophellia à minha esquerda – Você ficou meio bêbado no dia da partida, não dizia nada com sentido.
Ophellia riu ao meu lado enquanto Harry o encarava.
– Eu ouvi de que ele nasceu na época errada – recomeçou Julian – Ele mesmo confirmou de que sua mãe é Afrodite, então Hefesto decidiu castigá-lo com a morte pela traição de sua esposa.
– É obvio que não foi o que aconteceu. – continuou Harry – Huracán interviu, e foi ele quem contou à Hefesto que Daniel tinha nascido no tempo errado, mas ele não negou a vingança a Hefesto, que por sua vez encontrou outra forma de torturá-lo sem precisar matá-lo.
– A imortalidade. – adivinhei, e não era a resposta errada de acordo com as expressões de Harry e Julian.
– Ele deve ter uns trinta anos ou mais. – comentou Julian.
– A Carol diz que ele é a chave para encontrar alguém – continuou Harry – Já que ele não é um semideus entendi? Ela disse que ouviu o pai dela falando sobre Daniel em uma reunião com Hera e Huracán, mas um tigre a expulsou do salão.
Eu sabia que os deuses podiam ser cruéis, mesmo assim, ouvir aquilo me magoou.
Nix decidira voltar para o seu castelo, pois segundo ela a viajem estava sem animação. Após sua saída as estrelas ficaram mais visíveis.
Surgiu um cometa cruzando o céu, e eu tive a certeza de que cairia em algum lugar na floresta na qual estávamos. Eu estava certa e o único detalhe era que a sua rota de colisão passaria por nós.
Por incrível que pareça, o tal cometa não nos atingiu, mas ficou pairando sobre nós como uma esfera azul brilhante.
Aos poucos a esfera brilhante foi ganhando o formato de um homem musculoso dentro de um traje que parecia ser espacial. Seus cabelos castanhos lembravam os de um roqueiro dos anos 80. Seu cavanhaque e bigode finos também eram castanhos e seus olhos eram azul-escuros como o mar durante a noite.
– Podem me levar à Atlântida? – perguntou ele gentilmente.
Os garotos o olharam de forma estranha, eu não sabia como descrever a reação deles exatamente.
Eu encarei o homem que sorria inocentemente.
– Quem é você? – perguntou Emilly em meu lugar.
Eu permanecia travada encarando o homem que surgira em uma esfera.
– Me desculpem. – pediu ele com um sorriso encantador – Eu sou o deus dos mares e meu nome é Njord.
Deus dos mares? Eu teria protestado se não estivesse travada.
– Vocês não precisam se preocupar, eu sou apenas um reforço. Recebi uma mensagem de sua rainha Hera.
– Um deus nórdico nos ajudando? – questionou Kayanne.
Njord assentiu.
– As coisas estão piorando por todos os lados. O Olimpo tem sofrido ataques constantes depois que Zeus voltou, mas Hera ainda controla as coisas. – respondeu o deus nórdico. – Estamos juntos nesta guerra semideuses.
Continuamos a caminhar por insistência de Yasmim até que finalmente chegamos às margens de um lago.
Ouvimos claramente o som do vento batendo nas folhas das arvores e das ondas indo e vindo sobre o cascalho na margem do lago.
Seguimos Yasmim e Njord para dentro do rio, que por incrível que pareça não estava molhada, provavelmente uma vantagem de ter uma filha de Poseidon conosco, fazendo o impossível se tornar possível. Espero que não tenha soado como um comercial de televisão.
Era incrível estar em baixo d'água. Embora fosse noite, o céu aquático era claro, não tanto quanto o dia.
Ao longe podíamos ver as luzes de altos prédios. Atlântida estava a nossa frente. Às vezes eu ouvia alguma coisa rastejando a nossa volta. Yasmim nos aconselhara a fingir que nada estava ali para a nossa segurança. Acredite, não fiquei melhor com o conselho e sem querer comecei a ferver a água ao meu redor.
– Se controle Porter! – rugiu Daniel para mim.
Juro que tive vontade de fervê-lo, mas o seu olhar me dava mais medo do que o som de algo rastejando enquanto calculava a hora perfeita para devorar um cara irritante e onze semideuses saborosos. Soei pessimista eu acho, mas fico feliz em dizer que chegamos bem à entrada da cidade aquática.
– Como você sabe o meu sobrenome? – questionei Daniel.
Ele me encarou.
– Eu sei de coisas que você nem imagina. Coisas de cada um de vocês.
Naquele momento eu decidi de que eu não seria amiga de Daniel, nós seriamos rivais.
A cidade a nossa frente parecia deserta exceto pela mulher que nos esperava no arco de entrada. Seus cabelos de cor azul bebê flutuavam assustadoramente enquanto ela fuzilava Yasmim com os olhos azuis e penetrantes que ela possuía. Ela usava um vestido azul brilhante cujo fim desaparecia ou se fundia a água.
– Meu marido os aguarda na sala do trono. Acompanhem-me. – disse a mulher sem cerimônia.
Perguntei a Yasmim sobre a mulher arrogante.
– Ela é Anfitrite, rainha dos mares, ninfa das águas calmas e aparentemente uma madrasta muito chata.
A madrasta de Yasmim nos levou pelo que parecia uma via principal como em Olímpia.
Foram sete minutos de caminhada até estarmos de frente ao palácio de Poseidon. Era azul como eu imaginava e em algumas partes havia detalhes com conchas. O palácio lembrava o palácio no Olimpo.
Já estava na hora de conhecer o deus dos mares.
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