DOMINGO, 21 DE DEZEMBRO.

Kalu Albuquerque jogou as tranças negras e longas sobre as costas e mergulhou no lago, seus amigos a observavam de cima das rochas e batiam palmas que ecoavam fortemente ao redor do bosque. Era um final de domingo, uma tarde tranquila onde se ouvia apenas o som dos pássaros e um pouco da baderna que ali acontecia.

Os vinhos estavam todos pela metade e as guimbas de cigarro boiavam em poças que a chuva passada havia deixado. Annabel, Tarsius, Agatha e Ariel admiravam a linda garota nadar em círculos e aplaudiam a cada levantada de braços que Kalu dava. Tudo estava perfeito, do jeito que os cinco amigos sempre gostaram.

- Ei, seus fracos! – Kalu debochava de seus amigos. – Entrem nessa água também, senão não tem graça.

Ariel tirou os tênis e a camiseta, jogou o celular para fora do bolso da calça e mergulhou, em seguida vieram Annabel e Agatha sem se preocupar se estavam vestidas. Tarsius relutou um pouco, tinha medo de água desde o dia em que se afogara no clube de campo, mas resolveu não ser diferente dos amigos e se juntou a eles.

- Sabem por que este bosque se chama Bosque dos Padres? — Ariel se aproximou dos amigos e sussurrou. – Porque dizem que existe uma igreja submersa neste lago, aqui onde estamos nadando.

- Essa história é a maior furada, cara. – Tarsius parecia inseguro, ele já havia ouvido falar sobre a tal igreja submersa. – Meu pai me contou que foi o velho Ciro que inventou isso, nunca houve igreja alguma aqui!

Todos caíram na risada ao se lembrar do velho Ciro, um mendigo da cidade. O município de Novo Sol era muito pequeno, tinha uma população de cerca de 7.000 habitantes e todos se conheciam, não havia ninguém que não se lembrasse do velho Ciro, que andava por aí com seus cachorros o seguindo e farejando seu saco de pão duro.

- Eu ouvi algo diferente, dizem que aqui foi um cemitério de padres há muitos anos atrás. – Agora era Annabel quem falava enquanto soltava seus cabelos tingidos de vermelho. – Vocês se lembram de quando o Lucas Billlaque disse ter visto um velho com túnica andando por aqui?

- Ah, mas é claro, aquele garoto é uma piada. – Agatha estava um pouco bêbada com o vinho. – Ele é cheio de contar essas histórias, essas coisas de mortos andando por aí não existem.

Conversaram um pouco mais sobre as histórias contadas a respeito do bosque e depois foram para as suas casas. Mal sabiam os amigos que aquele seria o último dia de suas curtições dali a muito tempo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.