O Jogo Assassino
1 Prólogo
“Todos possuem motivos para o que fazem, eu não sou diferente. Porém, o meu não começa aqui, mas posso afirmar que esse é o que me fez pensar seriamente em como prosseguir ao longo do tempo.”
— Assassino.
New York
Eram duas da manhã, e como esperado o corredor do hotel estava completamente silencioso, provavelmente todos estavam dormindo. Ou quase todos.
O ranger de uma das portas ali espalhadas começou a soar pelo corredor com calma, como se a pessoa que a abria não quisesse acordar ninguém — nem os hóspedes da suíte de qual saía —; e assim que escutara essa se fechar as suas costas, colocou-se a distanciar: pegou caminho pelo corredor de paredes brancas, sem se preocupar se algumas das câmeras ali espalhadas captariam sua imagem, o que seria impossível, pois essas estavam ali de enfeite, sem funcionamento algum já que as colocavam para afligir os desordeiros, e pessoas que pensavam em aprontar. Mas ele não caía nessa.
O homem passou pelo elevador, e direcionou-se à escada de incêndio, fazer sua utilização, e ao chegar ao térreo, com a mesma calma, caminhou para o fundo do edifício saindo pela mesma porta que havia utilizado há algumas horas. Caminhou pelo beco escuro, até sair na rua, qual dessa poderia pegar caminho para o lugar que queria, todavia, decidiu ficar ali, parado, a observar a rua deserta: olhou as lojas fechadas; a estrada vazia; alguns carros estacionados em frente a casas ou prédios.
Apenas ficou a olhar para a cidade ainda adormecida, até que desviou para sua mão enluvada, qual amassava um papel qualquer. Não, não era um papel qualquer, muito pelo contrário: era o papel que servia de incentivo para prosseguir o que fazia.
Pensando assim, abriu o papel e releu o trecho, agora, pela última vez. Leu aquelas letras em garrancho, sentindo novamente o gosto amargo na boca, o gosto que parecia servir como estimulo.
“A paz nunca será eterna, pois em qualquer lugar possuímos crimes e criminosos, mas há algo que o contem, esse é a polícia.”
Ao terminar de ler, não conseguiu resistir, e mais uma vez perguntou-se como um ser como aquele podia escrever algo assim! Com desgosto, voltou a amassar o papel.
— Ridículo — cuspiu as palavras, aproximando-se da lixeira a sua frente. — Como se isso fosse verdade. — Jogou o papel nessa, logo pegando caminho para qualquer lugar. O que tinha que fazer poderia esperar, nesse momento precisava pensar.
Caminhou pela rua com passos lentos, sem interesse a sua volta; continuava pensativo sobre a citação anterior, e sem respostas olhou para o céu ainda escuro com a lua a enfeita-lo, e observou, absorvendo o silêncio, e como se esse tivesse lhe trazido à solução que tanto esperava, seus lábios curvaram-se em um amplo sorriso.
— Vamos ver se isso realmente acontece. — Comentou, parecendo divertir-se com o que havia pensado.
Após um suspiro satisfeito, voltou a olhar para a rua, a parte mergulhada na penumbra, e ainda sorrindo cobriu a cabeça com o capuz; enfiou as mãos no bolso da blusa e pegou caminho para aquela mesma direção, que lhe convidava em silêncio, logo sumindo entre essa, como se fizesse parte dela. A última coisa que soou pelo silêncio antes de sumir, fora sua risada rouca e sombria.
É, sem duvida aquela fora o melhor cenário que tivera entre os outros assassinatos! Aquele, sim, era o verdadeiro começo!
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