O Jogo Assassino

7 Capítulo VI


“A cada dia me pego analisando nosso progresso e os passos dados pelo assassino, e percebo que não fizemos nada: continuamos atrás, tanto que não ouso contar.”

— Michael Wonder, Agente Especial.

Assim que o portão se fechou, o carro foi desligado: estava estacionado no quintal, como se não tivesse sido usado a momento algum. Os agentes saíram do veículo: Michael e Lenon responsáveis por levarem as caixas — quais estavam firmes entre os braços, parecendo ser a coisa mais frágil e preciosa que já tiveram a cargo de cuidar —, e Mikaella, que, assim que fechou o veículo, pegou caminho a frente dos colegas, para abrir a porta da casa, por qual entraram calmamente.

Mikaella, assim fechada à porta, colocou a chave sobre a ilha da cozinha, junto ao smartphone de Michael, que, por sua vez, direcionou-se a mesa de vidro, na qual deixou a caixa, gesto que fora copiado por Lenon, que parecia aliviado por ter tirado tal peso.

Olhando para aquela caixa, Wonder se pegou pensando sobre as provas:

“Será que...” Interrompeu-se de imediato, recusava pensar em tais coisas sem nem ao menos ter começado.

Ao invés disso, distanciou-se do pensamento e da mesa, em direção a sua bolsa no chão, pegando-a e colocando uma das alças no ombro.

— Vamos nos acomodar — sugeriu. Os amigos concordaram, e assim que colocaram suas bolsas nas costas, deixaram a sala.

Passaram por outros cômodos — sem interesse — até a escada em espiral e subiram. No segundo andar, depararam-se com um corredor claro, de várias portas escondendo seu interior e de chão amadeirado; e sem titubear, Michael direcionou-se a primeira porta à direita, abrindo-a.

— Esse é o quarto de hóspedes. — Expôs, sem ao menos olhar, apenas abrindo passagem para eles entrarem. — Lenon pode ficar com esse.

Era um quarto simples, mas aconchegante: paredes claras, tendo a principal — qual tinha a televisão suspensa em um painel — em azul claro; uma cama de casal, aparentemente macia, no meio do quarto, com dois criados-mudos em cada lado, e um guarda-roupa de portas escuras, acoplada com uma escrivaninha na parede esquerda.

Lenon, um tanto envergonhado, deixou a bolsa no chão.

— Agora, para você... — encarou Mikaella, mas sem dizer nada, saiu do quarto, prostrando-se no corredor a olhar para as portas. Eram tantas possibilidades! Antes saberia de cor, mas com a reforma, tudo parecia ter mudado. — Acho que... — rodou sobre os calcanhares, até parar de frente a porta à direita, a de frente a eles —... esse — anunciou a abrindo, e assim analisado, aparentou alivio.

Mikaella aproximou-se e analisou: era semelhante ao outro — tamanho, cor, móveis —, nada a mais, nada a menos. Entrou, deixou a bolsa no chão, ao lado da porta e saiu, fechando a porta. Wonder, o último a encontrar um quarto, entrou na penúltima porta do lado direito, de onde não demorou a sair, mas dessa vez sem bolsa.

— Vamos. — Nem precisou explicar, pois aquela palavra já dizia tudo: trabalho. E, concordando, voltaram ao térreo.

Black e Wonder foram à sala de jantar, pegaram as caixas sobre a mesa e voltaram para a sala, colocando-as delicadamente sobre o chão, ao lado da mesa-de-centro, a qual os companheiros cercaram, sentados no chão.

Park, sem demora, tirou a tampa e espalhou prova por prova sobre o vidro da pequena mesa, separando-as por pilhas organizadas: relatórios policiais; autópsia; fotos; bilhetes; e outros.

Mike adiantou-se sobre a pilha da autópsia.

— Temos que fazer a relação familiar. — Lembrou Mika, colocando a pequena pilha de bilhetes a sua frente: seria responsável por decifra-los.

Os companheiros se entreolharam de modo questionar — “Quem vai fazer?” —; uma discussão silenciosa que, no fim, resultou um suspiro de Lenon. Havia perdido.

— Eu faço. — Levantou-se do chão, e subiu as escadas com tamanha pressa, pulando degraus, e após um curto momento, voltou a se reunir, junto a seu notebook embaixo do braço, sentando-se no sofá com o aparelho apoiado sobre as pernas. — Me passa os nomes — pediu, apertando o botão de ligar. A tela preta dissipou-se, um “Bem-vindo” surgiu, junto à música de fundo.

Em um pedaço de papel Mikaella escreveu com uma caligrafia redonda e legível, o nome dos sete casais, sem preocupar-se com a ordem — já que essa não interferiria em nada —, entregando ao colega, que começou a digitar em seu computador.

E assim, enfim, começou o trabalho: Lenon concentrado na tela do notebook, batucando os dedos sobre o teclado, com o barulho soando pelo local, audível; Michael lendo cada autópsia, procurando as diferenças, ou qualquer outra coisa e Mikaella, tentando achar algum código e entender tais bilhetes indecifráveis.

E assim durou, por três dias...

30 de Março

Tudo corria como havia começado: apenas análises de evidencias.

Não conseguiram achar nada de diferente: os bilhetes continuavam sem sentido. Park tentara coloca-los juntos, separados, em ordem decrescente, tudo que podia, mas nada mudara: continuavam sendo papéis com números e letras espalhadas, quase que aleatoriamente. Michael continuava a reler as autópsias, quantas vezes fossem necessárias, mas nada havia de diferente. O único que fazia progresso — e muito bem — era Lenon.

— Aqui diz que as vítimas foram torturadas — Michael contou, colocando a folha sobre a mesa. Era a quinta autópsia, a qual lia pela terceira, quarta, talvez quinta vez! —, além de apresentar cortes e lesões nas pernas e braços. — Suspirou. Todas as vítimas apareceram assim, nada de diferente. — Algumas vítimas apareceram com as costelas ou ossos quebrados. — Olhou a palavra destacada pela cor amarelo-florescente, todavia, nem precisava olhar: já tinha decorado a maioria das palavras ali gravadas. — Mas a causa da morte é a mesma: perda de sangue após a perfuração profunda na garganta... — massageou as têmporas, e mais uma vez, soltou um suspiro cansado.

“Como isso pode acontecer?”, indagou-se irritado, em lamento.

— A marca dele é o corte na garganta — Mikaella havia parado de fazer as anotações e as combinações para escuta-lo. Seu comentário era o óbvio, mas pouco se importava. — Mas por que a tortura?

Michael iria responder, mas assim que abrira a boca, seu celular tocou sobre a mesa. Deu uma olhada rápida na tela, o que lhe fez arquear a sobrancelha.

— Licença — pediu pegando o aparelho e levantando-se às pressas, direcionando-se a cozinha para atender.

Mikaella e Lenon observaram-no, atônitos pela pressa repentina.

— Alô? — dissera, sendo quase impossível de distinguir a pequena palavra. — É ele. — Confirmou e se calou. A costumeira face calma transformara-se em seria, e seus olhos tornaram-se escuros. Ele quase não falava, apenas murmurava um “sim” ou “ahãm”, acenando com a cabeça, mais concentrado em ouvir — para não perder nenhum detalhe, palavra ou fonética — do que questionar.

— O que será que é? — sussurrou Lenon, curioso.

Mika olhou o homem, que passava, no momento, a mão no cabelo, bagunçando-o, quase que eufórico.

— Faço a mínima ideia — admitiu, sem desviar a atenção dos gestos do outro. Gestos que sabia os significados: — A única coisa que tenho certeza, é que não é boa coisa.

— Me envie o endereço, por favor. — Pediu com tamanho nervosismo, quase raiva... talvez raiva. — Sim, vamos para aí — foi o fim, desligando e guardando o smartphone no bolso da calça. — Nós vemos isso depois — anunciou serio, pegando a chave do carro sobre a ilha.

Aquilo não tinha um significado bom, e pelos gestos repetitivos, apreensivos e nervosos — mexer no cabelo; gesticular muito, e outros —, estava mais claro: era algo envolvido com o caso.

— O que houve? — Lenon questionou, já que Mika nem uma palavra conseguiria proferir no momento.

— Novas vítimas — disse, rangendo os dentes. — E nós vamos para lá, agora. — Não foi uma pergunta, ou ao menos um pedido, fora uma ordem, seria e clara.

Um silêncio sepulcral formou-se. Ninguém esperava isso, e pouco queriam...

— Aonde? — Mikaella questionou, dissipando a atmosfera pesada, levantando-se junto a Lenon.

— Vão me enviar ainda — retorquiu indo à porta. — Mas por enquanto tenho o essencial de como chegar. — Abriu a porta, sumindo ao passar por essa.

Os colegas lhe acompanharam as pressas, fechando a porta assim que saíram. Não tinham tempo de espera ou perguntas, então iriam com as poucas informações que tinham.

Acomodaram-se no banco do carro, e logo saíram pela rua, pegando a Avenida 47 e seguindo o rumo, sendo as placas os guias.

Após alguns segundos o celular de Mike tocou e como estava ocupado, Mikaella fez o trabalho de pega-lo da porta-moedas; olhou para a tela e, rapidamente, abriu a mensagem. O remetente era Mye, o assunto já gritava na parte superior — “Esse é o endereço. Venham rápido!” —, e como texto, vinha o mencionado:

— É o endereço.

Assim dado à informação, Michael concordou com a cabeça e pegou a saída à direita, indo o mais rápido que podia.

Notas finais
Os capítulos podem sofrer alterações, mas por enquanto é isso :) Espero que tenham gostado e até a próxima ^^