O Jogo Assassino

5 Capítulo IV


“Insegurança, inquietação, pessimismo, raiva e outros são emoções que nós, agentes, temos que controlar, independentemente de tudo que fazemos e que nos envolve”.

— Lenon Black, Agente Especial.

Os colegas estavam no avião, sentados em seus devidos lugares, enquanto outros ainda embarcavam, para assim poder decolar.

— Não sei o porquê de termos que ir de avião. — Mais uma vez Lenon reclamou. Esse estava sentado na poltrona do corredor, deixando clara a inquietação que tentava esconder, sem sucesso.

— De avião nós chegaremos mais rápido. — Michael, na poltrona a seu lado, explicou com a voz calma mais uma de suas “observações”, sem tirar a atenção de seu notebook.

— Mas se fossemos de carro seria mais econômico! — Insistiu firme, realmente querendo por defeito na escolha dos colegas.

Mikaella sentada na poltrona da janela, por qual observava as pessoas embarcando com calma, enquanto apenas escutava a “discussão”, de esguelha conseguiu ver Wonder parar o que estava fazendo no notebook, deixando os dedos parados sobre algumas teclas.

— Lenon, primeiro: estamos indo a trabalho, não em um passeio, ou seja, dinheiro não é discutido — comentou sorrindo, junto a uma voz calma, mas ainda firme, encarando o colega. Não estava enraivecido, apenas queria por fim no papo desnecessário. — E segundo: não temos tempo para permanecer quatro horas e meia em um carro.

Black abriu e fechou a boca procurando algo para retrucar, mas nada encontrou. Havia perdido, estava óbvio, e Michael percebendo que não teria palavras contra as suas, voltou à atenção a tela do notebook, retornando o que havia parado.

Mikaella não conseguiu segurar a risada que lhe escapou pelos lábios.

— Para um homem de 26 anos, você reclama muito. — Comentou com certo divertimento em voz, sem ao menos olhar o mencionado que lhe encarava ofendido: — Tenta relaxar — fez menção de olhá-lo —, logo acaba — repetiu o encorajamento de manhã, sorrindo-lhe como naquele momento.

Lenon nada questionou, apenas olhou-a questionador. Aquilo só podia ser seu mantra antes de começar um trabalho! Mas Park, sem se preocupar, voltou à atenção a janela.

E após alguns minutos o avião pegou voo.

New York

Aeroporto La Guardia*

3:00 PM.

Após uma hora “calma”, onde Mikaella pudera ficar escutando música, perdendo-se no mundo dos pensamentos; Lenon conseguira ler um livro para distrair-se e controlar a inquietação, e de Michael ficar sem tirar os olhos do notebook, chegaram. A viagem fora rápida, assim como Wonder havia dito, e ao desembarcarem e pegarem suas malas o trio prosseguiu caminho pelo grande hall do aeroporto até a saída, que assim atravessada à porta dupla de vidro, pararam.

— Vamos para onde? — Mikaella questionou, olhando para Michael, que olhava os vários táxis ali parado.

— Primeiro iremos deixar as malas na casa dos meus pais — após o portador de olhos azuis, arrumar a alça da bolsa em seu ombro, ergueu o braço chamando um táxi, qual rapidamente parou em sua frente. — Depois iremos à delegacia.

Os colegas aproximaram-se de Mike, que colocava as bolsas no porta-malas do veículo de pintura amarela e preta.

— Casa dos teus pais? Acha uma boa ideia? — fora Mika que questionara, surpresa pela iniciativa do colega.

— Fica tranquila — disse calmo, estendo a mão pedindo pelas bolas, quais, assim entregues, colocou-as junto as suas. — Eles não estão lá. — Após guardar as bolsas, fechou a porta com um estrondo e se virou aos colegas. Mikaella continuava o olhando, demonstrando a confusão que o comentário havia lhe causado, e percebendo, decidiu explicar: — Quando ocorreram os primeiros assassinatos, eu os convenci de viajar, e agora estão em Miami, aproveitando a praia. — Finalizou, sorrindo muito satisfeito, talvez, com sua ideia. — Agora entrem e vamos — abriu a porta do passageiro, e sentou-se ao lado do motorista.

Os colegas se entreolharam, mas sem nada a comentar, entraram.

— Long Island, 34th Street** — Michael passou o endereço assim que Lenon fechara a porta, e o taxista, sem demora, pegou a estrada.

*

O veículo estacionou em frente a uma casa amarela de muros cinza e portão branco, ambos escondendo a visão do interior. Após pagar o taxista, Michael saiu junto a seus colegas os ajudando a pegar as bagagens, e assim que o estrondo do porta-malas sendo fechado soou pela rua silenciosa, o taxista manobrou o carro, e antes de sumir a distância, buzinou em despedida.

Michael observou a rua — agora deserta —, antes de colocar a bolsa que estava em sua mão em um dos ombros e procurar no bolso lateral o molho de chaves, que assim encontrado, abriu o portão e após tirarem as malas da calçada, adentraram o recinto. Depois de trancar o portão e guardar a chave no bolso da calça, virou-se, mas não teve tempo de procurar os colegas porque sua atenção fora tomada pela casa, rapidamente.

Aquela realmente era a casa dos seus pais? Essa era uma duvida que lhe passava pela cabeça enquanto observava com os olhos arregalados. Sabia que essa havia tido uma reforma, mas não esperava aquilo.

Analisou o local onde passou a infância: o quintal de grama bem cuidada e sempre molhada pelo sereno, onde brincou e se sujou de lama tantas vezes, agora, estava cimentado. Alguns verdes se esforçavam para aparecer entre algumas pedras que foram postas formando o caminho até a porta da casa, mas parecia que aos poucos essas estavam se cansando. E o local antes amplo, fora reduzido por dois veículos.

E mesmo surpreso e aturdido, decidiu não prolongar nos pensamentos do passado; pegou suas malas e seguiu o caminho de pedras até a porta antes ébano — que um dia rachara andando de bicicleta —, agora de carvalho envernizado, encontrando os colegas ao lado, esperando ser aberta, e assim o fez escancarando a porta, e ao invés de deparar-se com uma pequena cozinha de azulejos escuros, deparou-se com uma típica — e bonita — cozinha americana: o chão em madeira desgastada; as paredes em azulejos claros fazendo-a ficar maior e mais iluminada, junto a um teto de boa disposição de lâmpadas de LED em DryWall e uma janela enorme em frente a pia. Tinha um balcão enorme e uma ilha com um mármore escuro e polido; os armários em portas de correr em laminado branco e uma mureta de no mínimo um metro e dez de altura, também servindo de balcão, dividindo a cozinha do resto da casa.

Entrou com passos receosos, seguido pelos colegas que também observavam a casa. Passaram pela sala de jantar que tinha uma mesa de vidro de seis cadeiras e seguiu para mais fundo: a sala. Essa continuava ampla, arejada e bem iluminada — tanto pelas lâmpadas, quanto pela porta de vidro direcionada ao corredor da lavanderia —; a frente do balcão tinha quatro bancos presos no chão, onde qualquer um que quisesse ver o cozinheiro em ação poderia ficar. As mobílias eram rústicas e em madeira, onde nessas tinham porta-retratos espalhados relatando a vida de todos. No meio da sala tinha uma mesa-de-centro de vidro; dois sofás beges e duas poltronas pretas reclináveis posicionadas em frente à televisão suspensa na parede.

Tudo havia mudado desde a última vez que fora lá — há oito ou dez meses —, e a “pequena reforma” que sua mãe dissera, fora completamente mentira!

Michael saiu de seus devaneios ao ver os amigos colocando as bolsas no chão.

— Bela casa — Lenon elogiou, ainda observando a casa, de canto a canto.

— Realmente. — Concordou imitando o gesto dos colegas: colocando a bolsa no chão. — Bem, temos que ir; mais tarde a gente se acomoda.

Mika e Lenon concordaram e voltaram para o lado de fora. Michael, antes de sair, pegou uma das chaves suspensas no chaveiro na parede, já destravando o carro.

— Entrem. — Disse, apontando para o Sedã cinza, enquanto passava a chave na porta.

Como havia sido pedido, entraram: Mika no banco do passageiro e Lenon no de trás. Michael sentou-se no banco do motorista e apertou o botão do portão automático, e enquanto esse abria, ligou o carro.

— O que vamos fazer quando chegar lá? Apenas mostrar os distintivos e pedir as provas? — Lenon perguntou, abrindo a janela de trás.

— Muito precipitado. — Advertiu Mikaella fazendo o colega a olhar com a sobrancelha arqueada, confuso. — Antes de pedir as provas temos que conversar com os responsáveis pelo caso, saber tudo que sabem e saber sobre a situação — explicou.

— Então vamos ter que procurar eles... — o desanimo estava eminente em voz. Já sabia que com a correria que a delegacia estava tendo, não seria fácil.

— Vai ser rápido — Michael pronunciou-se já começando a se distanciar da casa, assim que o portão branco terminou de fechar. — Já os comuniquei da nossa chegada. — Explicou, sem tirar a atenção da rua, qual, assim virada a esquina, pegou a avenida que haviam pegado para chegar lá.

Os dois o olharam confusos.

— Quando? — indagou Lenon, mais rápido que Mika que nem conseguira abrir a boca.

— Enquanto estávamos no avião — virou a direita para uma rua qualquer, logo saindo em uma ponte. — Ou vocês acham que estava mexendo no notebook para nada? — olhou para os colegas pelo retrovisor.

Ambos estavam calados, tentando não o encarar, deixando claro que eles haviam cogitado essa hipótese. Com tal confirmação, riu.

— Eu estava trocando mensagem com uma das policiais encarregada do caso — começou a explicar, mesmo que ninguém houvesse pedido. — Quando chegarmos só precisaremos encontrá-la. — Voltou à atenção para a ponte que estava tanto vazia, já sabendo que logo chegariam.

Notas finais
* O Aeroporto La Guardia encontra-se em New York. Desconheço seu lugar especifico, apenas coloquei após pesquisar os aeroportos pela região. ** Sobre a rua: igual ao caso do aeroporto, apenas pesquisei e fiz uma escolha aleatória. *** A casa é apenas uma parte de minha criatividade, ou seja, cada detalhe é inventado. Hey gente!! Tudo bem? Estou me sentindo uma completa mentirosa, disse que iria postar entre quinta e sexta, e olha quando postei: Quarta-feira! Quase uma semana depois! E, sinceramente, sinto muito por isso. Mas irei "tentar" me redimir postando dois capítulos hoje — esse e o outro!! Então, desculpem-me: o atraso, o capítulo e os erros que eu tenha cometido, e até lá :*