O Jogo Assassino
4 Capítulo III
“Temos o objetivo de proteger o nosso país, de trazer paz e o bem, então, nada mais correto que mandarmos os agentes mais confiantes e eficientes. Mas acho que os que escolhemos não possuem esse requisito...”.
— Sandra Vilder, Chefe do FBI.
A morena, em silêncio, observou um a um daquela sala, com um olhar indecifrável, qual, mesmo com o sorriso que lhe brotara nos lábios sem motivos, deixava os agentes cada vez mais apreensivos. Se a intenção dela era de fazer suspense, havia conseguido!
— Então... — voltou a se pronunciar, voltando a ficar séria —... como havia dito: foi uma escolha em equipe — explicou dobrando o papel ao meio —, e assim escolhemos... — releu a folha para relembrar os nomes: — Michael Wonder — anunciou calmamente, encarando-o. Michael nada disse, nem uma reação demonstrou, apenas deu de ombros, despreocupado. — Lenon Black. — Encarou o homem do outro lado da mesa, de cabelo aloirado e olhos castanhos, que lhe encarou por cima do ombro, duvidoso com o anunciado, deixando claro que não esperava ser chamado, já que, entre todos ali reunidos, era o que menos saía para uma investigação de longa distância... — E por último: Mikaella Park. — Finalizou, mas diferente dessa: não a encarou, apenas devolveu a folha há Emilly, e entrelaçou os dedos das mãos sobre a mesa de madeira, encarando ninguém especificamente.
O ambiente voltou à calmaria, maioria das pessoas presentes voltou a ficar relaxados, já que não foram escolhidos. Mas Mikaella e Lenon não eram uma dessas, por consequente da escolha, continuaram a encarar a morena, esperando que essa estivesse errada na hora do anunciou, mas não...
— Por hoje é só — disse sorrindo —, agradeço a atenção de todos. — E então, deu fim à reunião, e todos, entendendo a deixa, começaram a se levantar e sair calmamente do local, uns conversando, outros em silencio. E o grupo convocado estava a fazer o mesmo, mas assim que estavam prestes a passar pela porta dupla, Sandra impediu, os chamando.
Viraram-se para a morena, que continuava a sorrir, dessa vez mais largamente.
— Senhora Park, senhores Black e Wonder, sabem o que fazer? — questionou ainda sentada na cadeira, encarando-os.
Do modo como falara, era como se estivesse se dirigindo a um bando de criança no jardim da infância, não adultos convocados a um trabalho sério. E para piorar a situação, Mika não tinha paciência para esse tipo de coisa.
“Não é nosso primeiro trabalho, chefe”, as palavras lhe passaram pela mente, e estavam na ponta da língua, fazendo-a coçar, mas ela se mordeu, repreendendo-se, porque sabia que além das palavras brutas, a voz sairia de mesmo em acompanhamento, e não seria uma coisa sensata a se fazer.
— Sim senhora — Michael retrucou de prontidão, calmo, concordando com a cabeça.
— Tudo bem, só não se esquecem de nos manter informados — lembrou a chefe, empurrando a cadeira para traz com o peso do corpo, levantando-se em seguida, junto a Emilly, que guardou as inúmeras folhas na pasta. O grupo concordou com a cabeça. — Bem, bom trabalho a vocês — desejou com a voz serena, sustentando um sorriso nos lábios, um que Mikaella julgara ser falso, chegando a ser sarcástico.
Todavia, mesmo assim, retribuiu o sorriso:
— Obrigada. Faremos o nosso melhor. — E após isso, saiu acompanhada de Michael e Lenon.
Após pegarem o elevador, se direcionaram a porta de saída. Não ficariam no prédio a fazer algum outro trabalho, já que tinham prioridades agora.
— Temos que começar o mais rápido possível. — Pronunciou-se Michael ao passarem pela porta, sendo o único a pensar rapidamente sobre o assunto. Deu um passo à frente e procurou entre o mar de veículos e pessoas seu carro prata. — E não temos escolhas, ou seja...
— Temos que ir para lá. — Lenon suspirou a resposta, desanimado, como se aquela parte fosse a pior de seu trabalho.
— Sim — Michael concordou com a cabeça. — Vamos nos encontrar no aeroporto a uma, tudo bem? — olhou para seus colegas, quais deixavam claros, apenas no olhar, o desanimo para o trabalho, mas relutantes concordaram. — Nos encontramos lá — após isso, despediu-se e saiu de perto, em direção ao carro.
Lenon, sem ao menos resistir, suspirou tedioso.
— Fica assim não Lenon... — Mika bateu em seu ombro, tentando encoraja-lo —... logo acaba. — Lhe deu um fraco sorriso, tentando acreditar no que dizia também, logo despedindo-se, saindo correndo para seu carro no outro lado da rua.
O aloirado observou os colegas de trabalho sumirem entre a multidão; entrarem em seus carros, e então, sumindo ao virar a rua, em sentidos opostos; não precisava ver para saber que estavam indo, cada um para suas casas, arrumar as malas. Ele, por outro lado, ficou um tempo parado, olhando ao redor, pensativo, até que, sem escolhas, decidiu fazer o mesmo: ir a sua casa preparar suas malas.
Não gostava da ideia, mas tinha que se contentar com o fato, que havia sido escolhido, e não tinha volta.
Washington, D.C
Aeroporto Ronald Reagan.
1:00 PM
No horário marcado os três estavam no aeroporto fazendo o check-in e despachando suas malas. Mikaella estava na fila, acompanhando Michael, e enquanto esperava, corria os olhos pelo aeroporto; pelas pessoas que entravam e saíam; cada indivíduo sentado nos bancos de espera azul e nada confortável olhando o nada, lendo ou apenas esperando seu voo.
Para um dia qualquer, estava bem agitado.
Prosseguiu a observação, até que seus olhos castanhos correram por cada assento, até que focou em um jornal que alguém, por desventura, havia o esquecido. Impresso na parte superior da folha, na capa, vinha à data de publicação — 27 de março — e logo abaixo a matéria, e vendo o enorme título em negrito, não resistiu: começou a ler o que conseguia.
— As notícias correm rápido, não? — comentou e Michael, ao ouvir, olhou para onde encarava.
Ele estreitou os olhos para enxergar um pouco da notícia e, no fim, deu de ombros.
— Tudo que eleve a venda eles publicam — pegou os documentos, agradeceu a moça com um sorriso e saiu da fila. — Vamos?
— Tenho outra escolha? — arqueou a sobrancelha, acompanhando-o lentamente.
— Não.
— Então vamos — suspirou e, assim, foram ao encontro do outro colega que esperava encostado na parede, com um olhar serio que era acompanhado por uma carranca insatisfeita.
Antes de se distanciarem, Mika olhou pela última vez aquele jornal, focada:
NO FIM, A POLÍCIA CONSEGUE OU NÃO CONSEGUE?
Parece que não, já que desde o começo do caso não encontraram nada. Mas será que com o orgulho ferido e pela desaprovação da população, enfim irão pedir ajuda? Se sim, de onde vão vir? Quem será? [...]
Decidiu parar. Michael estava certo: eles só publicavam coisas que aumentasse as vendas.
London.
— Medo populacional e baixa eficiência policial. — Era o título mais chamativo que pôde ler nos últimos tempos, e aquilo lhe fazia rir, e nada melhor ler aquela piada enquanto embebedava-se aos poucos. — Ontem, dia 26 de Março foi registrado mais um assassinato em Nova York, totalizando sete mortes em menos de três meses pondo a população em estado de medo, pavor e insatisfação!
Deu uma pausa e olhou para a foto das vítimas, mais uma vez: uma mulher, linda com cabelo loiro lhe escorrendo pelos ombros e olhos bonitos, que noites antes estavam felizes. O marido? Dane-se ele, era mais um desgraçado e inútil no mundo! Se soubesse o que é compaixão, sentiria pela mulher por ter vivido tudo isso por causa do marido mentiroso e traidor.
Mas como era desprovido disso, pouco lhe importou.
Após bebericar a bebida, prosseguiu a leitura:
— A população questiona o método da polícia e sua eficiência em seu trabalho — riu alto, satisfeito. Passou os olhos pelo jornal, lendo-o, apreciando-o, enquanto tomava um longo gole de seu uísque.
Com certeza aquilo estaria pendurado na parede, um quadro de recordação! Era sempre bom aproveitar o momento, pois um dia poderia acabar... e então, riu com o pensamento.
O que estava pensando? Isso nunca chegaria ao fim! Muito longe disso! A polícia era tão...
— Quê? — parou rapidamente, ao ler aquelas letras que pareciam pular para fora do papel. Seu sorriso sumiu: — “Parece que após ver tamanha insatisfação da população, talvez, levado a concordar, a polícia irá chamar ajuda para solucionar o crime: mas quem será?” — seu copo ficou sobre a mesinha ao lado da poltrona, e agora segurava o jornal com as duas mãos, lendo e relendo aquela parte.
Aquilo era real? Como podia ser assim? Tão rápido? Ele queria diversão! Cadê a diversão que planejara?!
— Droga! — Grunhiu enraivecido. — Maldição!
O papel que antes se divertia; que antes pensava em emoldurar estava, agora, amassado aos seus pés. Precisava fazer algo para impedir aquilo, mas como?
Seus olhos caíram sobre o telefone, o qual, sem pensar, pegou e discou os números que sabia de cor. No primeiro toque já fora atendido.
— Alô?
— Vocês ainda estão em New York? — ele não reconhecia sua própria voz, mas dane-se, aquilo não lhe importava.
— Sim.
— Ótimo. Quero que façam uma coisa. — Seus olhos caíram sobre o jornal amassado, e como um flash, as palavras surgiram a sua frente. Com certeza não acabaria assim! — Descubra quem são os possíveis amiguinhos que vão ajudar a polícia... — Ódio, era a única coisa que ele sabia que sentia: ódio e raiva misturando-se como velhas amigas. — Quero nomes! — Esclareceu o que realmente queria.
— Sim senhor — antes mesmo de escutar a resposta, desligou o telefone.
Agora era esperar, e desejava que conseguisse esperar o necessário.
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