O Jardim da Alma
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O sonho de Lucy , era poder voar por todos os lados. Ela tinha dentro de si o carisma que ninguém mais tinha , procurava achar uma subsistência clássica do seu amor, e então encontrou em Lucas. Ele era um rapaz levado , e enfrentava diversos tipos de barreiras apesar da pouca idade. Dizia que queria ver como o mundo era , e parecia bater com os mesmos tipos de ideias , da qual Lucy tinha. Os dois conheciam-se a pouco tempo, mas Lucy, enxergava as qualidades que nem mesmo Lucas , tinha enxergado em si mesmo. Lucy era a pessoa mais doce que Lucas conhecia , e isso fazia com que seus dias ficassem completos. Ele observava a sua felicidade e a sua simplicidade , e sabia que mesmo por detrás de toda aquela alegria , Lucy enfrentava momentos difíceis com a sua família. Lucas tinha uma mãe que sofria de uma doença chamada, *Síndrome de Rett* e vivia para cuidar dela e do irmão mais novo. Ele era filho de pais separados , e ainda sim, se lembrava do dia que os pais tiveram a briga decisiva, da qual mudou sua vida e a de Will para sempre.
FlashBack on
— Você não é bom marido, nunca foi! — Ele ouvira sua mãe gritar .
— Olha só quem fala , a santinha que nunca faz nada! — Ele ouvi-o devolver da mesma maneira.
— Nunca mais quero poder aguentar esse tipo de situação, não quero mais morar com você! — Ela falou.
— Acho então que devemos nos separar! — Ele havia entrado em consenso. Logo, Will que ainda era pequeno, começa a chorar. Lucas corre para o quarto e o pega no colo.
— Vai ficar tudo bem Will, seu irmão vai estar aqui sempre com você. — Após acalmar o irmão , Lucas ouve o pai.
— Lucas, venha meu filho, traga o William.- ele obedece , e o vê com os olhos cheios de lágrimas.
— O papai ama muito vocês, e quero que saibam , que a mamãe é uma boa pessoa , e vai cuidar muito bem de vocês. — Sua mãe estava logo atrás sem conter as lágrimas.
— Gabrielle, eu sei que você cuidará bem deles, adeus. -Lucas o viu colocando suas malas no carro entrar e sumir na avenida a frente de sua casa.
— Venha, mamãe vai cuidar de vocês. — ela levou os dois para o quarto e Lucas perguntou:
— Mamãe, porque o papai foi embora ?
— Porque não damos mais certo meu filho, decidimos que seria melhor para vocês dois.
— Para onde ele vai?
— Para a casa da vovó.
— Ele vai vir sempre ver eu e meu irmão ?
— Sim, meu filho. Ele ama muito vocês. Agora dorme , temos um longo dia amanhã. —
FlashBack off
Ele havia descoberto a doença da mãe há cinco anos . Já estava com 19 anos e por causa de tudo que estava acontecendo havia parado de estudar por um ano. E decidiu voltar naquele ano.
Lucy, era da mesma sala de Lucas e ambos eram amigos inseparáveis. Lucy sabia dos problemas que ele enfrentava , e mesmo com todos os seus problemas , tentava amenizar os de Lucas. Sempre queria o fazer sorrir , cuidar e mostrar que sempre estaria ali. Como era boa na cozinha , certa vez fizera para ele um bolo de chocolate e leite ninho. Quando entregou para ele , ela viu seus olhos brilhar, e então ele a agradeceu:
— Nossa, Lucy. Quanta bondade!- Disse ele com um sorriso de orelha a orelha.
— De nada Luc, gosto quando você sorrir , principalmente quando é verdadeiro. — Lucy havia falado demais , e viu ele corar. Logo ele agradece.
— Obrigado, muito gentil de sua parte.- Na hora do intervalo, ele sentou ao seu lado, e comeu o bolo que ela lhe dera.
— Está uma delícia, muito bom mesmo. — ela sentiu suas bochechas esquentarem e em seguida agradeceu.
Todas as pessoas que os conheciam , achavam que ele nasceu para ela , e ela nasceu para ele. Porém, essa história acaba se conturbando , quando Lucas fala para Lucy:
— Lu?
— Fala Luc, o que foi? — Perguntou a moça ao rapaz.
— Eu preciso te contar uma coisa.-
— Oh Meu Deus, o que é , sobre sua mãe ? — A garota ja o olhava assustado.
— Não, minha mãe por enquanto está bem, é sobre mim...- Ele diz.
— Então fala logo, eu to me assustando.
— Eu conheci alguém...- Lucy parou de olha-lo e fitou tudo o que estava a sua frente, mas não o olhou.
— Ah...- disse ela.
— Eu queria que você soubesse, eu estou feliz por causa disso. — Ele disse a encarando.
— Nossa! Isso é muito bom. Qual o nome dela ? — Ela fingiu animação.
— Victória. Ela é minha vizinha, nos conhecemos à algum tempo. — Disse ele com um sorriso enorme no rosto.
— Espero que vocês tenham muitas felicidades. — Disse ela fingindo não se importar.
— Obrigada Lucy, você não sabe o quanto isso era importante para mim. — Ele a olhou com olhar de gratidão, mesmo doendo em seu íntimo, ela abriu mão do sentimento que sentia por ele naquele momento somente para vê-lo feliz. Logo , para fugir dali, a moça fez menção de pegar o celular e olhar as horas.
— Nossa, olha que horas já são, tenho que ir embora. Conversamos mais tarde. — Disse ela se levantando, em seguida deu um beijo na bochecha dele e sumiu da vista de Lucas. Quando a moça entra em sua casa , ver seu irmão com sua avó.
— O que houve , Carlinhos ?
— A vovó, deu outra crise. — Sua avó sofria da doença de Parkinson, e mesmo no estado em que estava, tentava fazer algo, e isso piorava os tremores.
— Você poderia arrumar isso para mim, por favor? — Disse ela indicando as coisas que estavam jogadas no chão — Deixa que eu a ajudo . Depois faça-me outro favor ? Traga -me a cadeira de rodas para senta-la? — ela e o irmão haviam crescido sobre os cuidados da avó na infância, hoje, eram eles que cuidavam dela. Seus pais tinham que trabalhar , para tentar bancar os remédios da doença e o tratamento que era muito caro. Quando seu irmão lhe trouxe a cadeira, ela a sentou e a levou para o banheiro. Lucy tinha 17 anos e a responsabilidade que tinha era imensa. Depois de tudo ocorrido, na noite daquele dia, Lucy deitou em seu travesseiro.
— Pai, eu sei que não sou de pedir as coisas , mas quero que o senhor me ajude — Ela suspirou- dói ver minha avó naquele estado, e o Carlinhos coitado, só tem 12 anos para passar por isso- ela suspirou novamente e continuou- eu sei que não existe melhora, mas ajude-nos a ter mais forças. Algo que peço também pai, e que o senhor dê força a Lucas , não é só eu que preciso de ajuda, ele passa por tantas dificuldades , das quais eu nem sei o que fazer para ajuda-lo, ajude-lhe a sempre ter mais forças pai, ajude-lhe que sua mãe consiga a melhora que ele tanto espera... — Nesse momento, os olhos da menina já estavam cheios de lágrimas. — Por favor , nos ajude pai. Amém.
Ela terminou de orar , e virou-se na cama. Lembrou de sua conversa mais cedo com Lucas , e momentaneamente veio-lhe o impulso de chorar. Ela chorou durante muito tempo, lembrando de todos os problemas dela , e de todos os quais via Lucas enfrentar. Seus olhos já estavam pesados quando ela adormeceu.
Lucas só conseguia pensar em Victória e Lucy, naquela noite , sua mãe havia dado uma crise séria, por causa da doença que tinha, mas logo após, ele conseguiu acalma-la e coloca-la para dormir. Seu pai morava em outra cidade, e vinha nos visitar todos os finais de semana mas , ele sabia das condições em que se encontravam , e pagava todas as despesas do tratamento de sua mãe. Seu pai parecia muito apaixonado por ela , mesmo depois de se separarem, ele dizia que ela era a mulher mais incrível que teve em sua vida. Ele não se casou novamente. Quando descobriu o estado da sua ex mulher, ele dissera para os filhos que queria voltar a morar com eles, Lucas o convencera que seria melhor ele os ajudar financeiramente , que o emprego que ele tinha , não podia largar de lado. Ele pensava em todos os seus problemas ao mesmo tempo, e em meio a tantos que tinham, lembrou da cena do bolo que Lucy , havia feito para ele. Sorriu momentaneamente, Lucy era extremamente carinhosa, e se importava de verdade com ele . Era uma amiga da qual ele nunca iria querer ficar longe , sentira-se feliz , quando abordou sobre o assunto de Victória com ela , e ela continuou sorrindo , com aquela alegria que sempre teve. Victória sempre foi uma menina engraçada, não era tão doce e amável como Lucy, mas era uma pessoa entanto. Fazia Lucas se desligar dos problemas, e isso , era o que ele sempre quis. Os dois começaram a se gostar , e logo ele a pediu em namoro. Victória tinha uma altura mediana , cerca de 1,73, seus cabelos loiros era curto até a altura dos ombros , e seus olhos eram da cor de mel. Lucas lembrou quando a viu da primeira vez, e seus olhos o atraíram. Suas linhas de pensamentos o fizeram pensar em Lucy, que apesar de ser baixinha , sua presença era enorme. Ela tinha a boca bem delineada , e os cabelos negros e ondulados até o meio das costas. Seu olhos castanhos , tinham um brilho maravilhoso. O tamanho de Lucas em comparação com as duas eram gritantes, principalmente quando dizia-se a respeito de Lucy. Lucas tinha 1,92 de altura , seu tamanho era enorme , perto de tais garotas. Naquela noite, ele fora dormir sorrindo pensando nas pessoas maravilhosas que tinham em sua vida.
Dois meses depois...
Lucy estava evitando de falar com Lucas, ele a questionava o porque da distância, e ela dava uma resposta dizendo que estava ocupada demais. Ela sentia-se culpada e preocupada ao mesmo tempo, pois tinha amor na mãe de Lucas , e acabara se afastando dela também. Ela tentara ocupar a cabeça , e como já sabia tocar violão, compôs uma música para Lucas da qual ele nunca iria ouvir. Naquela tarde , ela resolvera terminar a letra.
quando você chegou aqui , me fez compreender o que é sentir , Observar você ao sol, me fez compreender, que nada melhor que te ouvir...
Menino dos olhos castanhos , não mecha com meu coração assim, esse teu cheiro me faz ter mas vontade de ter aqui. Para de brincar com o meu coração , e sorria para mim mas uma vez, menino dos olhos castanhos eu só penso em você...
Lucy estava tão desligada , quando sua porta abri e ela ouve alguém atrás de si:
— Linda música. — Ela se sobressaltou e virou.
— O-oi Lucas, t-tudo bem, n-nossa, o que faz aqui? — Ela já estava corada.
— Resolvi ver como você estava , essa semana você foi a escola duas vezes.
— É, porque eu estava indisposta , e ...
— Porque você pediu para mudar de sala ? — ele a pergunta , e Lucy não sabe como isso chegou ao ouvido dele.
— Como você sabe disso? — Ela deixa o violão em cima da cama, e olha para ele.
— Bianca me contou, veio perguntar se estávamos brigados.
— Não estamos.
— Parece.
— Porque diz isso?
— Você está me evitando.
— Não estou!
— Está sim.
— Não estou!
— Está.
— Eu não vou ficar discutindo,Lucas.-
— Nem eu! Então responda porque está me evitando? Eu te fiz alguma coisa ?
— Não , não fez.
— Então o que é caramba, porque você não está falando comigo? O que está acontecendo? Somos amigos não somos?
— Somos. Esse é o problema!
— Do que você está falando? — Antes de ela responder , o telefone dele toca e ele atende. Ela o observa até ele empalidecer e por fim dizer.
— Tudo Bem Will, eu já estou indo.
— Lucas o que houve?!
— Minha mãe .
— O que tem ela ?
— Está no hospital, não consegue respirar.
— Meu Deus...
Lucas entra em desespero e sai do quarto de Lucy, ele vai para fora e pega sua bicicleta, antes que consiga sair Lucy fala:
— Lucas , espere. Meu pai te leva lá. — Ela entra em casa , e logo em seguida o pai dela sai , eles entram no carro e seguem para o hospital. Na sala de espera , Lucas vê seu irmão sentado e pergunta:
— Onde ela está?
— Ela foi para UTI.
— O que houve ?
— Eu fui leva-la um copo de água , quando a chamei, ela não me respondia, e percebi que não respirava então liguei para ambulância.
— Fez bem , Will, fez bem. Conseguiu falar com o papai?
— Não. — Disse Will com a voz falha.
—Eu vou ligar para o Papai. — Ele pegou seu telefone e discou o número, avisou seu pai. Em seguida foi a recepção e conferiu os documentos. Uma enfermeira vinha , e ele lhe perguntou:
— Moça , eu gostaria de saber do estado de saúde de Gabrielle Moretto.
— Me desculpe , mas ainda não temos informações suficientes, já o médico lhe trará notícias.
Ele fica apreensivo e Lucy tenta acalma-lo.
— Vai ficar tudo bem Lucas, você vai ver.
— Eu torço para isso Lu, eu quero que isso aconteça. — Ele chorou e Lucy sentou ao seu lado.
Duas horas depois...
Lucas se levanta e vai a recepção perguntar do estado de sua mãe , ele liga para sua namorada e ela não atende suas ligações . Seu pai havia chegado à duas horas , e tentava acalmar o irmão mais novo que estava desesperado. O médico se aproxima e ele pergunta:
— E ai doutor, como minha mãe está?- Todos os olham nos olhos e o Doutor fala com uma voz desolada.
—Fizemos de tudo, mas não conseguimos salva-la. — Todos ficam atônitos, e Lucas cai ajoelhado. Lucy pega a sua mão, e o puxa para um abraço ali mesmo. Eles ficam abraçados de tal maneira que Lucy começa a chorar junto. Will e seu pai , ficam abraçados e se entregam as lágrimas. Aquilo tudo , fizera a partir daquele momento, que Lucas mudasse para sempre.
Quatro meses depois...
*Lucas*
Depois da morte de minha mãe , meu pai veio morar conosco. Meu irmão e eu , ainda sentíamos muita falta dela. Eu me lembrava sobre tudo que eu fizera nos últimos meses , e constatei que minha vida tinha parado. Fechei os olhos e lembrei da ultima vez que vi minha mãe em vida. Junto com esse pensamento , veio em minha mente Lucy me abraçando. Abri os olhos tentando parar de pensar nela. Depois de alguns dias da morte de minha mãe , Victória veio me procurar , mas de nada adiantara , porque quando eu mais precisei dela , ela não estava aqui. Descobri dias depois que ela havia viajado para uma amiga em Ilha Solteira , e a mesma havia falado que não queria mais continuar nosso relacionamento. Quando eu soube disso, resolvi terminar o que mal tinha começado, para lá na frente, não me arrependesse de nada. Nesse tempo, eu me afastei de todos, até mesmo de Lucy. Tinha uns 4 meses que eu não ia para a escola, e sabia que havia perdido o ano, e que não havia mais escapatória. Lucy sempre tentava entrar em contato comigo, ia em minha casa e eu sempre mandava falar que não estava. Certa vez , eu a vi no portão de casa , estava claramente preocupada, e então, ouvi meu pai falar a verdade:
— Lucy, ele não quer ver ninguém. Ele fica mandando eu falar para você, que ele não está, mas ele se isolou de todos. — Disse meu pai a ela preocupado. Pude perceber os olhos da garota marejados e em seguida , ele prosseguiu:
— Eu quero ajudar ele , mas nem mesmo eu consigo conversar. — O pai dizia com a voz fraca e então eu viu uma lágrima grossa escorrer pelo o rosto de Lucy e ela limpar rapidamente antes de falar:
— Só diz para ele , que quando ele precisar de mim, ele sabe onde me encontrar. — Menina disse com a voz embargada , e o rosto dela carregava uma tristeza da qual nunca vi transparecer. Depois disso, meu pai viera conversar comigo, tentando me convencer de voltar a ter uma vida social, para não ficar tão deprimido, mesmo assim me recusava. Naquele dia , Lucy me mandou uma mensagem no Whatsapp, e eu visualizei sem coragem de responder. Ela havia colocado o status um coração partido , e sua foto continuava a mesma.
Eu sorri.
Depois de muito tempo, eu sorri. Mas, eu não havia sorrido pela a situação , mas sim, por perceber que ela deixara ainda a mesma foto que eu tinha dito que era a minha favorita . Ampliei a foto e observei seu sorriso. Eu pensava porque não conseguia falar com Lucy? Já havia tanto tempo que tinha me isolado que estava com medo dela não querer mais conversar comigo. Suspirei pesadamente. Tantas coisas mudam em 4 meses . Depois daquele dia , Lucy não me procurou mais, e isso acabou dilacerando meu coração.
Meu pai já não aguentava mais , me intimou , dizendo que precisava ir esfriar a cabeça , que aquilo não fazia bem para mim. Ele falara de um jeito do qual eu nunca o vi falar antes:
— Anda, saia. Eu não aguento mais Lucas, você só tem 19 anos . — Ele respirou e continuou — Sua mãe nunca iria querer ver seu filho assim, você tem que ver as pessoas , você tem que ver Lucy. Aquela menina vive procurando por você , querendo saber como você está e o que você faz ? A ignora. Isso não é certo. Todos nós ainda sofremos imensamente a perda de sua mãe, seu Irmão vive sonhando com ela , e chorando pelos cantos da casa . Mas, ao contrário de você, ele está tentando, ele quer seguir. Me diz Lucas, me diz se você acha que era isso que sua mãe queria para você ? — Nesse momento a voz de meu pai já soava grave e anasalada.
— Não...- Eu lhe disse com a voz fraca.
— Então meu filho, está na hora de você se desligar disso um pouco.
— Tudo bem...
Meu pai havia me convencido a sair para tentar distrair minha cabeça, peguei minha bicicleta e fui pedalar. Percebi que havia realmente muito tempo que eu não ia para rua , e observei duas lojas de roupas recém inaugurada e eu nem sabia. Segui rumo a porta da escola a observei fechada e então fui até o parquinho que eu e Lucy ficávamos há algum tempo atrás. No momento em que eu a vi, congelei. Meu corpo todo estremecia , e eu percebi o quanto mudara. Suas feições apesar de estarem cansadas , mostrava traços muito mais amadurecidos , a fazendo parecer mais mulher. Sua boca que antes já era bem delineada, estava mais carnuda. Nunca a tinha visto tão linda assim, ou eu nunca havia reparado. Seus cabelos pretos estava ainda maior , e seu sorriso brilhava ao longe , a vi comprando duas pipocas doces, das quais eu sabia que eram suas favoritas, e então a vi entregando o outro pacote para uma menina que correu e foi mostrando para mãe o que havia ganhado. Eu não conseguia mais me aguentar, a vi seguindo para onde ficávamos e logo ela se sentou com sua pipoca. Ela estava parada ali, olhando para frente e fui me aproximando: Quando eu ouvi-a cantar:
eu sempre quis você aqui, porque não meu ouviu? Garoto dos olhos castanhos, a vida te fez sofrer mas nada foi em vão, deixa eu me aproximar, cuidar de você, me deixa segurar sua mão ?...
Sua voz sempre fora linda, e eu congelei ao identificar a música, era a mesma música que ouvira ela cantando em seu quarto no dia que minha mãe havia ido para o hospital. Uma brisa havia soprado contra ela , fazendo suas enormes madeixas esvoaçarem e o cheiro cítrico, atingir em cheio o meu nariz. Fechei os olhos momentaneamente. Respirei fundo , sentei-me ao seu lado dizendo:
— Sempre gostei de sua voz, Sabia ? — Ela quando me viu , olhou assustada e disse :
— Eu não sabia...- Disse-me fitando tudo que havia na nossa frente , mas não me olhou.
— Me perdoa...- Ela fez um meneio com a cabeça.
— Antes que você comece...- Ela suspirou- Eu juro que te compreendi... — Ela deixou a frase no ar e fechou os olhos.
— Obrigado... — Mesmo eu a interrompendo , ela continuou:
— Mas porquê me afastar tanto?
— Foi a mesma coisa que eu queria saber , na época que eu comecei a namorar Victória.
— Essas circunstâncias são diferentes...- Disse ela com a voz falha.
— Por que isso era diferente?
— Por que você não entenderia... — Ela até agora não me encarava, com isso eu já estava desesperado por seus olhos e virei seus ombros delicadamente, fazendo-a girar o resto do corpo.
— Por que você não consegue olhar em meus olhos ?
— E-eu ... — Ela deixou novamente a frase pairando no ar.
— Você gosta de mim Lucy? É isso? — Ela engoliu em seco, e em seguida respondeu timidamente:
— G-gosto...- Ela levantou o olhar para o meu , e seus olhos me fizeram arrepiar. Vi todos os seus sentimentos em seus olhos.
— Por que você nunca me contou? — ela me olhou e se jogou em mim para me abraçar. Abrir meus braços a esperando e pude sentir o seu perfume doce invadir minhas narinas. Aquele abraço não foi como todos os outros, ele era o melhor que eu já havia recebido. Ela se desvencilhou de leve , e ainda em meus braços a senti tremer , e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela me beijou. Trouxe ela mais perto de mim, e a beijei como eu deveria ter feito a muito tempo atrás. Me desvencilhei dela sem soltar completamente e passei a mão em seu rosto:
— Como você é linda! — murmurei perto de seus lábios, a vi corar e sorri.
— O-obrigada...
— Seu cheiro é tão bom. Poderia ficar abraçado com você o dia todo. — Agora a garota já estava roxa , e começou a olhar para baixo. Então, eu coloquei a minha mão em seu queixo e fiz uma menção em levantar seu olhar para mim. Quando obtive êxito, sorri dizendo:
— Calma, está tudo bem. Me desculpa por não ter falado com você , me perdoa. Eu poderia ter aceitado sua companhia desde o início.
— Tudo bem ... —
— Eu ouvi você cantando...- Ela corou:
— E o que achou? — Sua voz saia trêmula, quase em um sussurro.
— Eu achei linda a letra... Sua voz, eu sempre achei a mais linda que já ouvi.
— E-eu a fiz para você...- isso me pegou de surpresa e fez pensar o quanto ela gostava de mim, que babaca eu era de nunca ter percebido nada.
— Sério?
— Sim. —
— Lucy, porquê você nunca me disse nada?
— Eu ia dizer , no dia do bolo, mas eu não tive coragem...- Ela suspirou- principalmente quando você me contou de Victória. — Ela me disse com um olhar triste.
— Mas , porquê não tentou pelo menos falar comigo sobre isso?
— Eu precisava abrir , eu precisava deixar você seguir seu caminho, eu abri mão das esperanças que tinha , pois ve-lo sorrindo já me deixava feliz! — Sua revelação fez meus olhos se encherem de lágrimas. Logo em seguida a abracei forte e ao seu ouvido falei:
— Minha nanica, eu sempre vou quere-la perto, e isso nunca vá mudar. Depositei um selinho em seus lábios.
— Porque você faz isso?- ela perguntou meia confusa.
— estou tentando agradar a pessoa que eu amo, e a pessoa que eu tive ao meu lado durante todo esse tempo, e o babacão aqui só percebeu agora. — Dizendo isso eu a puxei para mais um beijo, e esse beijo , mostrou todos os momentos que ela me fizera bem , e a gratidão de te-la em minha vida.
Muitas coisas ruins acontecem em nossa vida, mas são pequenas coisas das quais fazem diferença , como um simples pedaço de bolo, ou somente um abraço em alguém. As pessoas podem sofrer caladas, mas se souberem exatamente quem está a sua volta, poderá descobrir o significado de ter as verdadeiras pessoas perto de si. Lucy fora e foi minha fonte de segurança e depois de todo esse tempo, percebi que ela , depois de minha família, foi a única que estava ali comigo.
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