O Jardim De Folhas Mortas
1 O jardim de folhas mortas
Notas iniciais
O jardim de folhas mortas
A copa das arvores dançavam junto com o vento, enquanto a lua assistia acompanhada de algumas estrelas. O barulho rotineiro da cidade urbana era ocultado pelo som alto daquela festa. Uma multidão de jovens dançavam amontoados, mexendo o corpo no ritmo da batida. E atrás da pista, havia um pequeno jardim, com luminárias queimadas, folhas mortas espalhadas pelo gramado, e bancos velhos. Ele estaria vazio, se não fosse a presença dela, em um dos bancos, embaixo de uma árvore.
E, para ela, tudo estava quieto.
Seus cachos loiros caiam delicadamente sobre suas costas. Usava um vestido preto, básico, pois não gostava de chamar atenção. Em uma mão uma garrafa de vodca pela metade. Ela havia bebido apenas alguns goles. Parecia gostar de olhar a garrafa e se perguntar repetidas vezes: O que faço aqui?
Mal notou a presença humana atrás de si. Quando percebeu, a estranha silhueta já estava ao seu lado. Sem se importar em quem seria, bebeu mais um gole. Encarou a sombra que se fazia ao seu lado. Não conseguia decifra-la, mas pela pouca luz da lua, viu uma gravata estilo borboleta. Apenas isso. Levou o olhar para cima e observou o balançar das poucas folhas que ainda restavam nas árvores.
– Uma merda, não é? – Ele se pronunciou.
Sua voz era grave e rouca.
– O quê?
– Essa festa.
– Ah, – uma pausa – sim.
– Por que está aqui, sozinha?
– Porque a festa é uma merda. — disse, sarcástica.
Riram. E ela bebeu mais um gole.
– Posso beber um pouco?
– Não.
– Por quê?
– Porque é errado.
– Então, por que está bebendo?
– Porque, às vezes, quebrar as regras é divertido.
Ele concordou em silêncio. Ficaram quietos novamente, olhando qualquer ponto vazio naquela escuridão.
Ela se perguntou se faltava muito para a festa acabar. Talvez, agora, não quisesse tanto ir embora. De uma forma estranha, não se sentia incomodada com a presença do rapaz ao seu lado, ao contrário, era até acolhedora. De repente, sentiu uma vontade de estar nos braços dele. Olhou-o novamente, sem conseguir enxerga-lo.
– Por que está aqui?
– Porque a festa está uma merda.
Ela riu, ele sorriu.
– Por que aqui, comigo?
– Você estava... parecia solitária. – uma pausa – O que aconteceu?
– Nada. Só...
– Quem foi?
– O quê?
– O garoto. Que te deixou assim.
– ...
– Não quer contar?
– Você não quer saber.
– Então tá.
– Ele disse que seriamos perfeitos. – Ele riu – Não é engraçado! Com tudo que ele disse, pensei que seríamos um casal. Mas... não foi bem assim. E eu, boba, acreditava nele.
Ele ficou em silencio por um tempo, talvez pensando que pergunta faria a ela.
– Você procurou por ele, não foi? – ela assentiu – Não faça mais isso. Nunca planeje quando o assunto é amor. Se você quer que dê certo, deixe acontecer. O amor gosta de aparecer de surpresa.
Ele sorriu. E as luminárias do jardim começaram a piscar, revelando a sombra ao seu lado. Cabelos negros bagunçados, olhos verdes, sorriso torto.
Então ela finalmente entendeu. No amor, não existe script, não existe ações planejadas. O amor não vai existir se ela correr atrás dele. Ele gosta de improvisos, pois é assim que tem que ser. Ele simplesmente acontece. Como aconteceu naquele banco velho do jardim de folhas mortas, enquanto as lamparinas piscavam e um som agitado tocava lá na frente.
Mas, para eles, estava tudo quieto.
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