Notas iniciais
Tenho essa história já a um bom tempo na cabeça... Realmente espero que gostem! Por favor, imploro críticas para melhorar meu texto!!!

Quando desci do avião, meu coração batia muito forte. Adoro
a Espanha, mas não conheço tão bem a ponto de saber se vou gostar de morar por aqui. Quer dizer, eu já vim visitar meus tios e avós muitas vezes, mas não é suficiente para saber tudo. Em meio a essa confusão sentimental meu headphone gritava em minhas orelhas "God Save the Queen" do Sex Pistols.
Sinto alguém me cutucar e quando me viro vejo meu reflexo no espelho: cabelo moreno e liso, sardenta de olhos verdes. Não é meu reflexo, apenas minha irmã gêmea, Alicia, que está tentando dizer algo que não ouço, mas logo entendo: ela pede para que eu tire meus headphones. Coloco então a tira em torno de meu pescoço e pauso a música em meu IPhone. "Vamos pegar as malas e ir para casa que eu estou cansada". E assim foi feito.

Chegando em casa era quase meia noite e minha avó Olivia, uma
das melhores arquitetas do mundo, na minha opinião, me pediu um favor: precisava urgentemente falar comigo. Fomos até meu quarto onde ela logo após fechar a porta, começou: "Vou te dar uma coisa em forma de enigma, mas você não pode contar para ninguém. Jura?" Me indagou com seu português enferrujado. "Juro" respondi, e nesse instante ela colocou uma chave velha na minha mão. "Como conheço muito bem seu pai, fiz isso só para você, pois só você terá coragem de usar. É o meu projeto especial, mas não posso te contar o que essa chave abre, isso, você deverá resolver sozinha.".

3 DIAS DEPOIS

"Essa festa só tem 4 regras: fumar, só fora de ambientes fechados; entrar e sair sóbrio; se perguntarem, você é espanhola; e a mais difícil, nunca falar sobre esse lugar ou essa festa. De resto, TUDO está liberado" explicou me meu primo Pedro na entrada de mais uma de suas festas loucas nas quais eu me encaixo perfeitamente, e Alicia não.

Assim que entramos já peguei um copo. "Nos encontramos aqui
as 23h, Olivia só vai nos encobrir até 23:30" digo a Pedro que
me reponde com um sinal de mão e depois some. Era a festa mais estranha que já havia visto: era no meio de um parque que haviam invadido.

Depois do segundo copo daquela bebida verde, jé estava me sentindo alterada. Encontrei uma amiga da escola nova que me chamou para dançar, e assim fui. Um tempo indeterminado depois. senti mão quentes nas minhas coxas nuas e frias que subiam vagarosamente até levantar um pouco meu vestido. Elas continuaram subindo até, por fim, pararam em minha cintura. Um hálito morno com um cheiro forte de álcool sussurrou no meu ouvido "Besame". Levei algum tempo para entender, mas logo me virei de frente e toquei meus lábios nos seus.

Sentia suas mãos em minhas costas enquanto passava a mão pelo seu cabelo da nuca. Ainda nos beijando o garoto me empurrou para trás até que encostei em uma mesa. O rapaz misterioso me sentou na mesa e eu o puxei para mais perto. Ele empurrava seu corpo contra o meu e eu fazia o mesmo. Senta seu corpo musculoso em contato com o meu abdômen. Paramos de nos beijar para pegar mais bebida.

Passamos algum tempo conversando. Seu sonho era ser jornalista e trabalhar com fotografia. Ele tinha um tom de voz rouco que combinava perfeitamente com seu rosto anguloso e seus cabelos claros. Não conseguia parar de encarar aqueles olhos verdes profundos e pensar que aquele momento era perfeito demais para ser real. Seus dedos entrelaçados nos meus seu corpo próximo ao meu, me aquecendo no outono europeu. Quando ia tomar mais um gole de Malibu do meu copo ele me puxou e voltamos a nos beijar. Não entendo como surgiu em mim um desejo louco pelo beijo de um garoto estranho mas quanto mais nos beijávamos, mais eu queria beijá-lo.

Enquanto o garoto misterioso dava suaves beijos no meu pescoço, senti uma mão puxar meu ombro e percorrer meu braço até alcançar minha mão direita. Quando me virei, vi meu primo apontando para o relógio de pulso. Estávamos atrasados.

...

Alicia estava na porta do meu quarto já arrumada e de banho
tomado. Estava usando uma saia longa florida, uma regata branca e sandálias de tiras de couro. Ugh... Nunca entendi o porquê dela se vestir de hippie. "Vem! Hora do café da manha. Mamãe precisa da sua ajuda e papai quer conversar com você" avisa Alicia. Dou um grunhido e me levanto. Tudo que conseguia pensar era na noite anterior. O garoto misterioso e seu cheiro impregnado em mim, o gosto de Malibu na minha boca e o atraso que com certeza me traria algum problema.

Tomo um banho rápido e coloco uma calça flare preta com minha camiseta autografada pela Joan Jett em carne e osso, o Vans mais velho do meu armário e vou até a sala. Chegando lá meu pai me faz a pergunta que sempre faz quando uma de suas filhas sai a noite: "Você violou uma das nossas regras?". As regras são claras:

1- Nada de beijos ou toques

2- Nada de bebidas

3- Nada de fumar

4- Nada de mentiras

A resposta que dei foi uma grave violação a regra número 4 mas
eu era obrigada a responder que não violei nenhuma, embora tenha violado as regras 1,2 e 4. Em seguida me dirigi até a cozinha onde minha mãe preparava uma torta de banana com a ajuda da minha irmã. "Olá querida, você pode ir no andar de baixo e pedir emprestado a canela?" pediu minha mãe. Eu como sou uma filha obediente e preciso limpar a minha barra depois do dia anterior, decido fazer o sacrifício.

Quando chego no andar de baixo toco a campainha e ouço passos de alguém se dirigindo até a porta. Quando a porta foi aberta, meu coração simplesmente parou. "Me cago en la puta" o garoto diz, enquanto eu, ao mesmo tempo digo: "Puta que pariu". Havia me dado de cara com os olhos esverdeados que não conseguia parar de olhar. Vejo o cabelo cacheado que ainda conseguia sentir em meus dedos. O garoto misterioso era meu vizinho de baixo.

Notas finais
Espero que tenham gostado ^^