O Jardim
3 Capítulo 2
Notas iniciais
Parada de frente para a porta podia observar a expressão discretamente atônita do belo garoto alto na minha frente. Eu certamente estava com uma expressão semelhante. Não queria deixar transparecer a minha surpresa, então tentei agir o mais natural e indiferente possível. “Olá” disse, tentando quebrar o silêncio, e assim que a palavra saiu da minha boca o garoto abriu um largo sorriso. ”Oi, quer entrar?” perguntou o garoto aumentando a abertura da porta. Como não tinha nada a perder, aceitei o convite e entrei.
O lado de dentro da casa era quente e aconchegante. Provavelmente ele tinha o aquecedor ligado, o que explicava a temperatura ali dentro e o fato dele estar de bermuda e eu poder ver suas pernas musculosas. Ele me conduziu por um pequeno corredor até a sala que era conjugada com a cozinha. “Então, o que te traz aqui?” indagou o garoto. “Moro no andar de cima e estou precisando de um pouco de canela”. O garoto me observou por alguns instantes e seus olhos verdes me hipnotizavam. “Só um instante” respondeu.
Ele foi em direção aos armários da cozinha me deixando no meio da sala. Abriu uma das portas e se esticou todo para pegar um frasco na ultima prateleira deixando à mostra parte de suas costas. Como não conseguia deixar de encarar seu corpo extremamente bonito, decidi falar qualquer coisa para disfarçar: “Porque mora em um apartamento desses sozinho?”. “Não sou tão novo quanto pareço, tenho 21. Além disso, a casa é dos meus pais, eles me emprestaram enquanto eu faço jornalismo aqui, mas minha família é de Salamanca”.
“Aqui está” disse garoto enquanto colocava o frasco marrom em minhas mãos “não quer ficar para o café?”. Aquela oferta era extremamente tentadora, mas precisava levar a canela para minha mãe. “Adoraria” respondi “mas realmente tenho que levar isso para minha mãe”. Ele pareceu indiferente diante à minha resposta, o que foi um pouco frustrante.
Fomos até a porta. Virei para me despedir e ele já tinha uma mão em minha cintura. Como se fosse a coisa mais natural do mundo, nossos lábios se tocaram e aquele sentimento da noite anterior voltou à tona. Parecíamos saber tudo que o outro ia fazer, estávamos em perfeita sincronia. Nos afastamos ao mesmo tempo e quase instantaneamente um sorriso bobo apareceu em meu rosto. Ele também sorria, porém de um modo elegante e sexy. Rapidamente escondi o sorriso, não queria deixar transparecer. Me sentia um pouco envergonhada (mesmo sem motivos aparentes).
Dirigi-me às escadas que rodeavam o antigo elevador e antes que pudesse pisar o primeiro degrau ouvi “Ei, garota Malibu!” e instintivamente me virei. “Como posso te chamar?”. “Atena” respondi. “é um prazer, sou Nicolás”.
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