O Irmão Da Minha Melhor Amiga

24 Perguntas constrangedoras com vovó Ryan


Notas iniciais
Oi gente... (perceberam o meu desânimo?) Pois é, vamos logo ao que interessa, boa leitura!

Henry se afastou de mim e olhou para baixo. Eu continuei o encarando, ainda muito perplexa e surpresa pelo que ele havia feito. Iria ficar ali, apenas fitando-o se não fosse interrompida por aquela voz.

— O que vocês dois estão fazendo?

— T-Tia Judy… Não é o que você está pensando… — Gaguejei.

Olhei para Henry na esperança de ele explicar o que aconteceu, mas não o fez. Continuou com a cabeça abaixada. Sabe aquele chute nas partes baixas que eu estava querendo dar nele? Pois é, eu me arrependi de não ter dado.

Tia Judite ficou em silêncio por um tempo antes de puxar o meu braço e me levar até meu quarto.

— Pode começar. — Ela disse séria.

Eu nunca tinha a visto daquele jeito. Pelo menos, não que eu me lembre.

— Bom, na verdade, eu não sei o que aconteceu. Eu só subi às escadas, Henry estava com raiva porque a senhora quase deu as chaves do carro dele pra eu sair com Daron, e ele não gosta do Daron e por isso ele deve ter ficado P da vida, né? Ai ele me contou uma coisa que aconteceu no passado e depois simplesmente me beijou, ai a senhora apareceu antes que eu pudesse afastá-lo porque, sabe, eu não gosto do Henry dessa forma. — Disparei. Quase não respirei entre um ponto e outro.

Tia Judy me encarava ainda séria, mas claramente confusa.

— Megan… — Ela começou, porém não continuou.

Minha querida tia Judite começou a rir da minha cara. Talvez ela não consiga mesmo dar bronca em alguém. Por isso que a Georgia é desse jeito. Não sei como o Gabriel conseguiu virar um garoto decente.

— Tia? A senhora não vai me dar uma bronca ou dizer que isso não é certo e que nós não devemos mais fazer isso?

Ela só parou de rir pra enxugar uma lágrima no canto do olho e me olhar de uma forma divertida.

— Dar uma bronca? Maggie, você não fez nada! Só beijou um garoto. — Na verdade, ele me beijou. — Não é como se você tivesse ido se prostituir na esquina. — Ela soltou uma risadinha abafada.

Essa mulher é problemática.

— Mas esse garoto é como se fosse meu irmão!

— Ele não é. Lembre-se disso toda a vez que for beijá-lo.

— Tia! Eu não gosto do Henry. — Disse pausadamente.

— Mas não precisa gostar pra beijar, não é? Esses jovens de hoje são assim agora…

Sério, essa mulher precisa de um médico urgentemente.

— Só se for a sua filha. Eu não sou assim. — Cruzei os braços.

— Georgia? Ah, é. Todo o dia é um diferente. — Ela deu de ombros.

— Deve ter orgulho da sua menininha. — Disse irônica.

— Ela pode não ser um exemplo de menina, mas é minha filha…

Resolvi não falar mais nada.

— Bom, se eu fosse você, pensaria a respeito do Henry. — Ela disse depois de um tempo. — Lembre-se que ele é um gato, mesmo que o Daron também seja.

— Beleza não é tudo, tia.

— Mas é uma boa parte. — Ela deu uma piscadela e saiu.

Claro, eu vou namorar um retardado só porque ele é lindo.

Logo depois de ela sair, Gabriel apareceu e disse que era pra eu descer. Respirei fundo e assenti. Ao chegar no andar de baixo, papai me chamou para sentar junto com o resto da família – e Daron – no sofá. Ele fez questão que eu me sentasse ao lado de Daron e ficou nos encarando com aquela típica cara de “estou me controlando para não cortar o seu pescoço”. Tia Maggie estava quieta, como sempre, e tomava uma xícara de café – ou chá, sei lá. Judite olhava para mim e depois para Henry – que estava sentado na poltrona à minha frente – e soltava um risinho abafado. Os pirralhos estavam correndo pela casa – só o que eles sabem fazer – e Gabriel estava sentado do lado da mãe. Todos – exceto Henry – olhavam para nós com aqueles sorrisos do Coringa no rosto e eu já estava começando a ficar assustada. Até que a minha querida avó começou a fazer aquelas perguntas constrangedoras.

— Então, querida, vocês já transaram? — Ela foi direta.

Gregory olhou para nós dois com os olhos arregalados. Na verdade, todos nos olharam com os olhos arregalados.

— Vovó! — Repreendi. — Não!

Papai pareceu ficar aliviado.

— Ah, e nem vão. — Ele murmurou.

— Pai! — Virei-me para ele.

Ele revirou os olhos e se direcionou para Daron.

— Se você fizer algo com a minha filha, eu corto o seu amiguinho. — Ele apontou para… as partes baixas de Daron.

Daron soltou uma risada nervosa e virou-se para mim. Olhei para Henry que sorria disfarçadamente.

Ouvi uns passos na escada e virei para ver Georgia descendo saltitando. Ela estava parecendo uma garota de programa tentando ser criança. Mentira, ela só estava usando um batom vermelho chamativo, uma saia tão curta que dava pra ver o útero dela e uma blusa branca com a Tinker Bell estampada. Ela olhou para mim, deu um daqueles sorrisos debochados e veio se sentar conosco.

— Quem é ele? — Georgia perguntou a ninguém em particular.

— É o amigo da Megan. — Henry disse.

— Amigo não, namorado. — Tia Judy o corrigiu, reprimindo um sorriso.

— Na verdade… — Comecei, mas logo fui interrompida pela loira.

— Nossa… E como é seu nome? — Ela mordeu os lábios.

Piranha.

— Daron. — Ele respondeu.

— Oh… Daron… Era sobre ele que vocês duas — Ela apontou para mim e para tia Judy. — estavam falando no quarto?

Olhei para tia Judy instantaneamente.

Então ela ouviu a conversa. Mas como? Ela não estava no quarto. Só se ela estivesse ouvindo atrás da porta. Ou se ela estivesse no banheiro.

Judite também me encarou e franziu a testa. Depois assentiu levemente para a filha.

— Ah, sim… Nós falávamos sobre ele. — Confirmou.

Daron me olhou interrogativo. Claro que ele iria me perguntar sobre o que nós estávamos conversando. Continuei encarando tia Judite, que agora encarava a filha.

— Bem, você é um gato mesmo. — Georgia disse a Daron.

Meio que por instinto, apertei a mão dele, que estremeceu porque eu apertei um pouco forte demais.

— Mas sabe, acho que o Henry tem uma boca mais carnuda. — Ela pôs o dedo nos lábios. — Não acha, Megan? — Ela ergueu a sobrancelha para mim.

Mas que droga de pirralha! Ah, como eu quero cortar o pescoço dela agora.

Henry olhou para ela meio confuso e depois para mim.

Essa troca de olhares está me deixando louca.

Por algum motivo divino, Sarah e Agnes aparecem bem na hora carregando bandejas com biscoitos.

— O que eu perdi? — Sarah perguntou sorrindo.

Virei-me para Georgia e disse:

— Nada.

E depois a puxei para uma “conversinha” do lado de fora.

Ela sorria malignamente para mim e nem se deu conta de que eu apertava forte o seu braço. Talvez nem tão forte assim.

— Você ouviu a nossa conversa?

Ela gargalhou.

— Claro. E estou disposta a não contar nada pra ninguém.

Sério? Não foi o que pareceu.

— Por um preço. — Completou ela.

Ah, claro. Essas vadias sempre querem algo em troca.

— Não. Você vai ficar caladinha. — Disse firme.

— Ou o quê? Você não pode fazer nada contra mim. — Ela sorriu vitoriosa.

Droga, eu não tinha nada pra jogar contra ela.

O que eu faço?

— Tudo bem… O que você quer?

— O Henry.

Sério mesmo? Ela quer aquele retardado? Bom, pelo menos não é o Daron.

Suspirei parcialmente aliviada.

— Sabe, eu sou uma prima legal. Só não peço o seu namoradinho porque eu acho o Henry mais atraente. — Ela mordeu os lábios.

Revirei os olhos.

— Tanto faz. Você promete ficar de boca fechada se eu tentar fazer com que o Henry goste de você?

Ela assentiu levemente, sorrindo.

Ótimo, era só Henry ser legal e fingir gostar dela. Não me julguem, afinal ela só ficará aqui pelo resto da semana. Não há nada com que se preocupar. Henry pode cuidar dela sozinho. Ele não é nenhum retardado. Quero dizer, ele é sim, mas pode cuidar de uma criança.

Nós voltamos para a sala e eu sentei ao lado de Daron. Georgia me encarou como quem diz “Faz logo alguma coisa” e eu revirei os olhos.

— Então, família? Eu estou morrendo de fome… — Passei a mão na barriga teatralmente. — O jantar está pronto?

— Está quase. — Sarah disse. — Coma os biscoitinhos pra enganar o estômago. — Ela me entregou a bandeja.

Peguei um e o comi. Na verdade, eu não estava com fome, só queria que aquilo acabasse logo.

Até o jantar ficar pronto, vovó ficou perguntando coisas menos constrangedoras pro Daron. Coisas tipo, idade, onde mora, com quem mora, como nós nos conhecemos, se já fumou alguma droga, se bebe com frequência. Gregory vivia passando a mão no cabelo e olhava para Sarah.

Finalmente fomos jantar. Papai sentou na ponta da mesa, Sarah sentou na outra ponta, eu sentei em uma cadeira perto de Gregory e Daron sentou ao meu lado, Henry sentou na minha frente e Georgia brigou com o irmão para sentar ao lado do loiro.

Agnes veio da cozinha com um porco assado e várias coisas decorando o animal. Pobre porco. Sarah olhou para Agnes e depois para o porco, franziu o nariz e lagrimou.

— Por quê? O que ele fez pra você? SUA MONSTRA! — Gritou e levantou-se.

Gregory – e todos que estavam na mesa – olharam para ela espantados.

— Querida, o que houve? — Ele perguntou.

— Ela — Apontou para Agnes — matou o porco! Ele tinha uma família! — Ela pôs as mãos no rosto e começou a chorar de verdade. — Eu sei que tinha!

Henry foi até ela e passou a mão nos cabelos da mãe. Ela continuou chorando e depois levantou o rosto.

— AH! NÃO TOQUE EM MIM! — Ela gritou. — Mas que droga! Vocês acham que eu estou maluca?!

Henry franziu a testa e a olhou confuso.

— Mãe…

— Cale a boca! Vá pro seu quarto, mocinho! — Ela disparou.

Pai amado. Essa mulher está ficando maluca.

O loirinho olhou para Gregory e depois para a mãe e subiu. Georgia, pude perceber, se segurou para não segui-lo. Sarah sentou-se e franziu o nariz novamente.

— E-Eu… Estou ficando enjoada…

Gregory hesitou – devia estar pensando que ela iria manda-lo ir para o quarto ou sabe-se lá o que mais –, mas foi até ela e – provavelmente – levou-a até o banheiro.

— Bom, eu vou comer. — Vovó cortou um pedaço do porco e colocou no prato. — Você vai querer um pedacinho? — Perguntou a Daron, que só acenou com a mão negativamente. — Ah, vamos, querido. Eu sei que você quer. — Ela cortou um pedaço enorme e pôs no prato dele.

Não pude deixar de rir da cara que Daron fez ao ver o tamanho do pedaço. Vovó olhou para mim confusa e falou bem devagar:

— O que foi? Você não come carne?

— Não é isso, eu só não estou com fome. — Ele sorriu para ela.

Vovó ficou atravessada na mesa encarando Daron nos olhos por o que eu juguei ser um longo período. Já estava quase dizendo para que ela o levasse para um quarto – se isso não fosse desrespeitoso – quando ela finalmente murmurou:

— Nossa… Seus olhos são muito azuis… Você lembra o meu marido. — Então seus olhos se encheram de lágrimas.

Todo mundo resolveu chorar hoje?

— Seu avô era assim também, não é Megan? — Ela virou para mim. Ai não. Eu não consigo olhar para minha avó quando ela começa a chorar. — Acho que nós duas temos algo em comum, não acha? — Largou o prato na mesa e saiu esfregando os olhos.

— Ela está bem? — Daron sussurrou no meu ouvido.

Eu sinceramente não sei o que deu em mim, mas eu fiquei com uma vontade de abraça-lo e beijá-lo até não poder mais. Mas tudo o que fiz foi balançar a cabeça.

— Vai ficar.

Georgia olhou para mim e depois para a mãe que estava ao lado de Daron também saiu. Com certeza iria encher o saco de Henry. Coitado. Dei de ombros, levantei e puxei Daron comigo. Quando chegamos do lado de fora da casa ele perguntou.

— Você nunca fica entediada, não é?

Franzi a testa.

— Não entendi.

— Sua família é bem animada.

— Ah, claro. Sarah está assim porque está grávida… Deve ser alguma coisa relacionada aos hormônios, sei lá. Vovó sempre fica desse jeito quando vê alguém de olhos azuis. Por causa do vovô. Ele morreu faz tempo, mas ela ainda se lembra dele. Georgia diz que ela deve arranjar um namorado, mas ninguém dá ouvidos a ela. Quem manda ser sem noção. — Inflei as bochechas.

— Você não gosta dela? — Ele riu.

— Não. — Cruzei os braços.

— Percebi que ela olhava muito pro Darwin. — Comentou.

— Percebeu?

Ele soltou um meio riso.

— Percebi porque você vivia olhando para ela. Parece até que ela sabe alguma coisa ruim sobre você.

Congelei.

— Erm… Ah! Eu tenho que entrar… Papai não vai gostar se eu…

Ele segurou meu pulso.

— Megan. — Sussurrou.

Ele passou seus dedos de leve no meu rosto e pressionou seus lábios nos meus. Foi algo rápido, mas eu senti que ele queria dizer alguma coisa. Daron se afastou de mim e entrelaçou seus dedos nos meus.

— Eu acho que… estou apaixonado por você, Ryan. — Eu abri a boca para dizer algo, mas ele me conteve. — Perceba que eu disse “apaixonado” não disse que gosto de você. Eu achei que seria como foi com a Caroline. — Riu. — Estava enganado. Eu não quero mais ninguém, Megan. Só você. Só você que importa. E isso é muito estranho porque… Bem, porque é. E… — Pus o dedo nos lábios dele.

— Shh. — E o beijei.

Notas finais
Oh, eu vou dizer o porquê do meu desânimo. "Mas ninguém quer saber, fia" mas eu digo mesmo assim u-u bem, eu terminei de ler Cidade das Almas Perdidas e é triste. Eu to chorosa. E também, eu estou apaixonada. Não consigo pensar em nada a não ser nela. "Nela?" É, na fic 'U' 2bjs pra Vanessa diva e cheia de purpurina xP (percebeu que no fim eu pus "Ryan"? Pois é, é por causa dele. Culpa sua). E as minhas aulas vão começar dia nove, já viram, né?! Pois é. Só queria avisar u-u