O Irmão Da Minha Melhor Amiga
26 The Best Dia
Notas iniciais
Voltei para aquele parque sozinha. Procurei pela pirralha sozinha. E ainda tive que pagar um táxi. Sozinha.
Já disse o quanto eu odeio a Georgia? Pois é. Eu a odeio MUITO.
Depois de ser encarregada de achar a pirralha, minha querida amiga, seu namorado e seu irmão foram embora, apesar de Sarah ter dito para Daron ficar e receber os cuidados da minha avó. Ele recusou – ainda bem, pois não queria ver outro barraco dentro de casa – e foi embora com a irmã.
Quando cheguei ao parque, pedi ajuda aos seguranças para encontrar a minha prima perdida. Eles chamaram seu nome naquele alto falante e disseram que eu estaria esperando-a perto da Montanha-Russa. Fiquei uns 20 minutos esperando aquela garota e ela não apareceu. Não acredito que aquele lugar seja tão grande a ponto de demorar mais que uns 5 minutos até achar alguém, então resolvi ir atrás dela.
Vaguei por lá por mais de 10 minutos e não a achei. Estava quase desistindo, quando vi uma coisinha loira vagando sem rumo. Gritei o nome dela, mas a sonsa fingiu-se de surda – ou não ouviu mesmo. Quando a alcancei, puxei seu braço e gritei:
— GEORGIA! EU ESTAVA DESESPERADA TE PROCURANDO! COMO É QUE VOCÊ FAZ ISSO COMIGO, MENINA?
— O que…? — A garota olhou para mim… Não era Georgia.
Seus olhos começaram a se encher de água e ela abriu um berreiro ali no meio. Todos olharam para nós com os olhos arregalados. Os seguranças vieram na nossa direção junto com um casal, que deveriam ser os pais da tal menina.
Que vergonha.
— O que você está fazendo com a minha menina? — A mãe dela puxou meu braço agressivamente.
— Meu Deus! Desculpe, eu achava que era minha prima e… — Tentei me explicar.
— Sua louca! Saia de perto da minha filha! Saia! — E começou a me empurrar para sei lá onde.
— Senhora, se acalme por favor. — Um dos guardas falou. — Vocês duas venham comigo para a Central.
Ótimo. Tudo o que me faltava era ser presa pela segurança de um parque de diversões. Que maravilha.
Os guardas nos conduziram até uma área afastada, onde havia uma pequena casinha que deveria ser a tal Central. Aquele era um bom local para se estuprar alguém, se não fosse no meio de um parque. Por um momento pensei que aqueles caras poderiam nos estuprar, mas a minha mente devia estar apenas tendo alguma crise, já que eu estava me sentindo uma criminosa, apesar de não ter feito nada de errado.
A senhora mãe da menina que eu pensei ser Georgia começou a tagarelar, dizendo que era um absurdo uma coisa dessas acontecer num local que dizia ter segurança de primeira. Essa mulher deve ter algum parafuso solto ou o marido dela não faz o serviço direito, porque hein…
— Olha moça, eu só quero encontrar minha prima, voltar pra casa, levar bronca dos meus pais e dormir na minha cama super confortável com meu cobertor das princesas da Disney, okay? Desculpe se eu machuquei sua filha, quebrei o braço dela, ou sei lá que diabos que eu fiz, mas eu já posso sair daqui?
A mulher ficou olhando para a minha cara com uma expressão não identificada e depois voltou a tagarelar. Até os guardas já estavam de saco cheio dela.
— Tudo bem senhora, acho que todos nós sabemos que isso foi um mal entendido. A menina só estava procurando a prima. — Um dos guardas disse. Até que ele era bonitinho.
— Posso ir agora? — Perguntei entediada.
— Claro, claro. — O guarda bonitinho fez sinal para eu sair.
Voltei a estaca zero. Dei mais uma volta e resolvi voltar para casa. Georgia que se virasse para voltar. Quando cheguei à entrada do parque, senti meu celular vibrando no bolso.
— Oi. — Atendi muito animada.
— Oi, Megan. Pode voltar para casa, Georgia acabou de chegar. — A voz de Sarah soou do outro lado do telefone.
Aquela… Se eu soubesse, teria ficado em casa! Economizaria dinheiro e tempo…
Senti uma mão me cutucar. Quando virei, tinha um garoto mal encarado apontando uma “arma” para mim. Não era uma arma, era só o dedo dele dentro da jaqueta.
— P-Passa o celular. — Ele gaguejou. Estava mais nervoso do que eu.
— O que é isso? — Não era pra isso sair tão alto, mas acabou saindo.
— Isso é um assalto, d-dona! Passa o celular, rápido! — O menino quase gritou.
— Não vou te dar coisa nenhuma! — Não sei de onde eu tirei coragem para dizer isso.
O menino me encarou, olhou para o celular – ainda dava para ouvir Sarah falando do outro lado, provavelmente perguntando o que estava acontecendo –, me deu um soco, pegou meu celular e saiu correndo.
Senti alguma coisa viscosa saindo do meu nariz e passei a mão. Sangue. Meu nariz começou a latejar e a cabeça, doer.
— Era só o que me faltava… — Resmunguei.
Comecei a andar meio descoordenada e procurei um lugar pra sentar. Sem dinheiro, sem celular, com a cara cheia de sangue, dor de cabeça e dor nas pernas de tanto andar procurando alguém que sequer estava ali. O melhor dia da minha vida. Fiquei sentada por alguns minutos, pensando no que iria fazer – na verdade, eu fiquei chutando o matinho que tinha ali, pobre mato – quando apareceu a senhora que queria que eu fosse presa, juntamente com a menina que abriu o berreiro e o que eu supus ser o pai, o qual eu mal vi durante aquela confusão toda. Ela olhou para mim e, ao perceber o meu nariz sangrando, parou e sentou-se ao meu lado. Deu uma daquelas tossidas introdutórias, que geralmente são usadas por pessoas que estão com vergonha ou que estão em uma situação desconfortável e quer começar um assunto.
— Está tudo bem, mocinha? — Ela perguntou com um tom bizarro.
Limitei-me a encará-la e acenar ironicamente.
— Bem, desculpe pelo ocorrido… Mas eu pensei que você tinha agredido minha filha e, sabe como são as mães não é? Podemos ficar loucas com uma coisa dessas…
Acenei com a cabeça novamente, ainda com as mãos no nariz.
— Está tudo bem mesmo? Quer carona para casa?
Eu sei que não devemos aceitar carona de estranhos, mas ela estava me devendo uma por me fazer pagar um mico no meio de todo mundo. E eu estava sem dinheiro e sem celular. Então aceitei.
Indiquei o caminho para minha casa da forma mais detalhada possível. A menina do berreiro sentou-se junto comigo no banco de trás e, apesar de parecer mais velha, não devia ter mais de 10 anos de idade, ficava toda a hora querendo mudar de lugar, até que eu falei baixinho para ela parar, em um tom assustador que nem eu sabia que tinha. Ela começou a fazer cara de quem ia chorar e eu coloquei o indicador na boca, como quem diz “cala a boca, se não eu parto a tua cara”. Sou um amor com crianças.
Ao chegar em casa, toda a família estava na sala com cara de enterro.
— Credo, quem morreu? — Perguntei.
— Megan! Você está bem! Ainda bem! — Sarah sorriu e começou a me abraçar e me dar beijos no rosto.
— Cuidado, meu nariz… — Tentei afastá-la de mim.
— Sua avó já cuidou do Henry, pode cuidar de você. — Ela pôs meu rosto entre suas mãos.
— Mas por que a cara de enterro?
— Pensávamos que algo tinha acontecido com você. Eu ouvi alguém falando que ia pegar o celular e depois ouvi você dizendo não, fiquei desesperada! — Sarah pôs as mãos dramaticamente no rosto.
— Você quase fez Sarah perder o bebê. — Gabriel disse com sua voz naturalmente entediada.
— Que horror… — Resmunguei. — Olha, eu só ganhei um soco, não preciso de cuidados especiais. Vou pro meu quarto, okay? Preciso descansar.
É, eu precisava descansar. Depois de ser forçada a ir buscar a pirralha, gastar dinheiro pra nada, pagar mico no meio do parque, ouvir desaforos de uma rapariga*, ser assaltada e levar um soco. O super dia da Megan. Super.
Deitei na cama. Dormi. E quase pensei que não iria acordar mais. Sem problemas. Não teria aula no dia seguinte, de qualquer forma.
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