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3 Capítulo 3
Gaia observou a cena. Tentava raciocinar o que estava acontecendo. Seus amigos que não sabiam de nada sobre o UNIVERGROUP estavam diante de uma Representante de Marte. Menna estava na sua casa. Seus amigos não faziam ideia o que estava acontecendo não sabia nem mesmo quem era Menna. Nem mesmo Gaia.
Menna pareceu surpresa ao ver que Gaia não estava sozinha. Era pra estar mesmo. Gaia nunca levava ninguém para sua casa. Seus amigos não a conheciam direito. Aliás, ela tinha direito de chama-los de amigos? Nunca contara nada de sua vida para eles. Eles pensavam que Gaia era uma menina normal. Mas não. Gaia era Instrutora de magos na base de Vênus. Seus amigos nunca iriam acreditar que magia existe e muito menos que Gaia, a menina mais tímida e misteriosa do colégio (ou do mundo, como dizia Lucas) mexia com magia e que ensinava aprendizes de mago. Duvidava muito que eles acreditassem que a magia existisse.
–Oh, perdoe-me. Não sabia que tinha visitas –Menna falou, espantada.
–Não tem problema Menna, o que...
–WOOOOOW –Exclamou Lucas, assustando todos— tu tem uma menina gata em casa! Quem é? Sua irmã, prima ou...
–Calado, Lucas –Gaia nunca tinha sido tão rígida falando com os amigos, mas naquele momento, era necessário.
–Gaia, se eu for te atrapalhar agora eu posso conversar em outra hora...
–Não –disse Gaia, se virando para seus amigos— Olhem, quero que fiquem aqui na sala. Vou conversar com Menna. Se eu suspeitar que tem alguém na porta ouvindo a conversa –Gaia apontou para uma faca na cozinha, tentando amedrontar seus amigos. Não sabiam se iam levar a sério ou na brincadeira. Esperava que levassem a sério, mas não tanto. Não queria perder seus amigos mas não queriam envolver eles nisso.
Gaia se dirigiu para a escada e começou a subir. Quando chegou perto de Menna, a encarou por alguns segundos e depois olhou para seus amigos. Todos observavam elas duas. Com um olhar suspeito e confuso. Gaia então disse, num tom bem forte e alto, para que todos ouvissem:
–Se alguém imaginar em ouvir nossa conversar, se chegar perto dessa porta –falou apontando para a porta que Menna tinha saído— vai descobrir quem é a verdadeira Gaia.
–Pensei que você fosse santinha –sussurrou Lucas, com uma cara de cachorrinho triste na chuva. Sentiu pena dele mas sabia que era necessário ser grossa naquela situação. Apenas olhou com pena para ele e deu espaço para Menna entrar no quarto. Gaia entrou por último e fechou a porta. Olhou para Menna que a encarava perto da janela.
–Acho que já sabe sobre a tal gangue...
–Sim, Pedro me contou ontem a noite. Me avisou que eu iria ser do exército Marcivenusiano como pode ver o colar –interrompeu Gaia. Estava com raiva por ter ameaçado seus amigos de algo que nunca faria com eles mas estava preocupada com a situação do grupo e do Império. Mas estava feliz por fazer parte do exército considerado o mais forte do grupo. Isso também fazia ela ganhar magias novas. Antes sua magia se limitava em brilho e raios. Agora era uma mistura de brilho e fogo já que seu colar lhe dava as duas forças das magias de Vênus e Marte. Mas não sabia que sentimento mostrar para Menna: raiva ou orgulho.
–Sim e aproveitando que está com seus amigos aqui gostaria de pedir um favor.
–O que quiser, Menna.
–Nosso exército precisa de novos aprendizes de magos e soldados. Pensei que poderia conversar com seus amigos, explicar sobre o que está acontecendo e perguntar se eles gostariam de fazer parte do grupo.
Gaia ficou parada por um tempo. Encarando Menna. Nunca imaginou que seus amigos pudessem fazer parte do grupo. Era impossível de se imaginar. Ficou pensando em como seria explicar para eles o que está acontecendo e como funcionava o grupo. Não seria muito fácil.
Fixou os olhos em Menna. Ela estava séria e olhava para ela com um olhar duro e ao mesmo tempo, desesperado, como se quisesse muito que a resposta fosse positiva.
–Menna, acho que temos que pensar muito antes, não sabe como eles...
–Gaia,será que você não entende que não temos tempo nenhum?
–Mas vai ser difícil para eles acreditarem em qualquer coisa sobre poderes sobrenaturais ou... ou... e se não acreditarem ou ficarem contando para o resto do mundo?
–Não confia em seus amigos?
Gaia se segurou para não se dar um tapa. Ela se sentiu uma amiga horrível. Já se sentia mas depois disso... não sabia se podia chamar de amigos pessoas em que ela não confia.
–A questão não é essa. E se eles começarem a dizer que estamos loucas?
Menna deu um longo suspiro, olhou para a janela e disse:
–Apenas dê um jeito. É necessários e precisamos de novos soldados. –olhou para Gaia— já conseguimos uns 80 novos aprendizes nos outros países. Precisamos de mais. Tente por favor.
Gaia abriu a boca para falar que não ia dar certo mas ouviu um ruído vindo da porta e se virou para abrir a porta. Mas viu que já estava aberta e Jeremias estava olhando pra ela com uma expressão de medo e indignação. Se sentiu burra por não ter trancado a porta ou ter falado um pouco mais baixo com Menna.
–Eu disse que não queria ninguém na porta –disse Gaia fingindo estar com raiva. Mas sabia que não podia fazer mais nada. Jeremias já tinha ouvido e devia estar pensando que Gaia estava louca.
–Você está louca. Você deve ter bebido –Jeremias falou com medo e assustado.
–Você tem que entender que...
–VOCÊ ESTÁ LOUCA! SUA MALUCA...
Seus gritos foram interrompidos por um outro grito. Um grito agudo vindo lá de baixo seguidos de estrondos. Menna falou algo mas Gaia não ouviu. Estava assustada demais. Foi tudo muito rápido. Gaia viu uma nuvem de poeira e fumaça subindo lá de baixo. Jeremias parecia assustado mas não disse nada. Ficou parado olhando para a escada, enquanto Nicolas subia gritando algo do tipo “fogo... explosão... Jack”. Gaia foi até a porta e perguntou, se esforçando para sua voz sair o mais alto possível:
–O que houve?
–Aconteceu uma explosão –disse Nicolas com os olhos cheios de lágrimas e respirando pesadamente, tentando recuperar o fôlego— Jack está lá em baixo tentando ajudar os outros. Estão feridos mas vivos. Sua casa está pegando fogo e parece que a casa vai desabar. Temos que sair daqui. AGORA.
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