O Inventor e o Cavaleiro

2 Capítulo 2 - Confronto o Cientista


Neve vai e neve vem, a primavera chegou. Eu sempre gostei da primavera, As pessoas saíam, as crianças brincavam, a comida era mais farta que no inverno, mas mesmo por todas essas coisas uma coisa me fazia eu me sentir dividido: A primavera era a época em que minha mãe mais saía para o campo. Ela semeava, cuidava, matava pragas e colhia. Ela e minhas tias. Enquanto isso, meus tios lutavam. Meus primos mais velhos já tinham que escolher: Cruzadas ou Cavalaria. Eu sempre me perguntei se não havia algo a mais. . . Sei lá, uma "terceira opção". . .

A tarde era quente. Minha mãe tinha saído e meu pai não tinha voltado ainda. Decidi passear um pouco pela cidade. Achei que podia encontrar meu amigo George Annchir, mas não o encontrei aquela tarde. Pensando bem, não o vi por um bom tempo, naquele dia eu não tinha conseguido brincar, estava calor e eu estava tão entediado, que decidi andar pela cidade. Nenhum amigo a vista e eu não podia falar com desconhecidos. As crianças que eu conhecia ou estavam doentes ou estavam sumidas, só me restava andar.

Demorou muito para eu me dar conta que estava perdido. Talvez eu tivesse me perdido até mais de uma vez, mas quando realmente percebi era tarde demais. Eu estava numa área isolada da cidade, observando como o chão de terra ia dando espaço para pedras colocadas uma ao lado da outra, como ladrilhos irregulares. Quando percebi, dos ladrilhos nascia uma escada e dois degraus acima, uma porta. Ali morava Nicolaus McKenzie, um homem alto, magro, com cara de poucos amigos. Quando eu ia bater na porta, dos vãos com a parede saiu uma fumaça preta. No mesmo instante me escondi atrás da varanda formada pela elevação da porta com o piso. Dela, fumegando, surgiu Nicolaus, correndo e gritando:

_Droga! Eu sabia que era a Sx#41! Por que eu usei a Wk#74? Por que?? Me diga! − Ele se virou para mim. Pelo menos foi oque eu pensei, até que da porta saiu uma bola de fumaça, que foi se dissipando e de lá saiu um gato.

_Repolho! Por que eu Misturei o tubo de ensaio #91 com Wk#74?? Eu devia ter ajustado à 45,67% e adicionado Sx#41! Mais uma tentativa falha. Repolho, ligue o sistema de falhas.

Quase que imediatamente, o gato deu a volta em uma arvore, e parou quando completava uma volta e meia, então na base da árvore apertou a casca. A árvore inteira chacoalhou, e da casa toda a fumaça saiu pelas janelas, portas, frestas, e de todos os lugares que podia sair. Imaginei que logo seria descoberto, mas o cientista entrou na casa e bateu a porta. O gato subiu as escadas, sentou na varanda e quando parecia que nada ia acontecer, um alçapão se abriu e ele caiu de lá.

Fiquei imaginando oque era tudo aquilo que eu acabara de ver, mas não pude constatar por muito tempo. Já tinha anoitecido e eu não queria levar bronca, de novo. Corri para casa, se é que podia dizer "correr" perguntar a cada pessoa que eu via onde era "Rua dos Mosqueteiros", e onde eu estava. Felizmente descobri que a minha rua era algumas quadras dali. Imaginando minha cidade com um mapa, percebi que tinha dado a volta na pracinha central, e era só continuar contornando que estava em casa rapidinho.

Fiz o caminho correto, cheguei em casa, deitei na minha cama e em seguida minha mãe chegou. Ainda bem que não me atrasei na volta. Ela fez o jantar e foi ver onde eu estava. Pude sentir que ela imaginou que eu brinquei a tarde toda e estava exausto. Bom, eu não brinquei a tarde toda, mas estava realmente exausto. Estava processando as ideias que recebi a tarde.

No dia seguinte, tomei café com minha mãe e logo depois que ela saiu eu fui à casa daquele cientista. Seguindo o caminho de volta no dia anterior, cheguei lá sem problemas. Dessa vez eu bati na porta, mas nada aconteceu. Bati de novo e nada. Então, quando descia as escadas, sem querer chutei a primeira haste do corrimão. Uma luz saiu de cima de mim e eu pude ouvir claramente uma voz tremida dizendo:

_ALERTA. ALERTA. VÂNDALO. ALERTA. CODIGO G43. − Nisso, de uma árvore perto do caminho, um pequeno furo surgiu, e depois duas linhas em volta desse furo, fazendo o perímetro da árvore. Então a copa levantou um pouco e pude ver que no tronco tinha algo de metal. De lá saiu uma bola que veio em minha direção. Passou zunindo, raspando a minha orelha e entrou na porta, fazendo um buraco. Corri em direção à saída, e peguei uma pedra. Desviando de algumas bolas, joguei a pedra, intuitivamente, na direção da árvore. A pedra encaixou no buraco e da árvore começou a saiu uma fumaça. Enquanto a árvore pegava fogo, o cientista escancarou a porta com força e gritou:

_MAS QUE BAGUNÇA É ESSA NO MEU QUINTAL?!

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.