O Intruso em Hogwarts
1 Falo com cavalos
Notas iniciais
Eu estava galopando num unicórnio na floresta, fugindo de alguma coisa que eu não conseguia ver. Nós pulávamos troncos, moitas e arbustos. Só que o animal tropeços com a velocidade e ficou preso numa moita de espinhos. Eu tentava desesperadamente soltar-nos, puxando a perna dele, mas era tarde demais. Uma sombra escura nos olhou de cima.
Lily! Saia já daí e se levante sua preguiçosa! Vai fazer algo que preste! Só vive dormindo! Venha até aqui! — gritou uma voz esganiçada e aguda lá em baixo, na cozinha. Gemi e suspirei, cansada, com preguiça de levantar.
Meu nome é Lilian Angel.
Meus cabelos são castanhos escuros ondulados e eu tenho brilhantes olhos verdes. Sou meio magra, mas sou forte, pois vivo fazendo exercícios, como correr. Adoro correr. Tenho miopia de tanto desenhar no escuro, mas só uso meus óculos quando vou a escola. Ou seja, nunca.
Tenho dez anos e moro com meus tios no número cinco na Rua dos Alfeineiros, Privet Drive.
Sim, aquela doce mulher me chamando gentilmente é minha tia, Gertrude.sabe, uma coisa que eu tenho certeza é que acordar ouvindo a voz dela não é a melhor coisa a se ouvir quando se acorda. Mesmo assim eu estava agradecida por ela ter me tirado daquele sonho horrível. Eu dormia no sótão da casa.
Sim, aquela doce mulher me chamando gentilmente era minha tia Gertrude. Sabe, uma coisa que eu tenho certeza era que acordar ouvindo esse chamado não era o melhor coisa pra se ouvir quando se acorda. Mas mesmo assim eu estava agradecida por ela ter me tirado daquele sonho horrível. Joguei as cobertas de lado e me levantei. Eu dormia no sótão da casa, era pequeno e baixo, mas como eu não sou alta, até que é bom. Lá é o lugar perfeito para eu ficar, onde não tinha gente reclamando de minha existência. Tinha uma janela pequena e redonda na parede, deixando entrar um pouco de luz. No meu quarto acumulava poeira facilmente, então eu tinha que limpar uma vez por semana, apesar de minha tia dizer que é pouco. Fui até meu armário e peguei umas de minhas únicas roupas, que eram grandes em mim. Essa roupas foram de minhas primas, Lolly e Catherine, duas meninas cheias de sardas, mimadas e fúteis, gorduchas e fortes, com cabelos loiros como palha e olhos castanhos, e deram as roupas para mim quando ficavam apertadas nelas. Elas são dois anos mais velhas que eu, e são gêmeas. Adoram me humilhar, irritar e bater em mim. Meus tios dizem que eu já trago problemas demais para eles, porque então comprar roupas nova? Já deve ter idéia do que aconteceu. Se isso era ruim? Imagine passar dez anos assim. Coloquei uma camisa verde grande em mim e vesti calças. Escovei os dentes e lavei o rosto. Não penteei o cabelo pois eu sabia que ele continuaria assanhado mesmo. Desci as escadas pra ver o que minha tia queria. Cheguei na cozinha e vi meu tio, careca e barrigudo, com olhos escuros e pequenos de rato, com barba e usando óculos, lendo o jornal como de costume. Vi minhas duas primas surrupiando comida do prato de meu tio, e vi minha tia, com a cara redonda, cabelos loiros como palha, magra como uma vassoura e usando um avental dizendo "Beije o cozinheiro" mexendo panelas com os braços finos. Cheguei até a mesa e quando ia me sentado, ouvi meu tio Willian dizer:
–O que pensa que está fazendo? Vá logo cuidar das panelas!-falou ele sem tirar os olhos do jornal. Com a voz grossa e rouca, deixando óbvia sua repugnância por mim. Minhas primas pararam de surrupiar para dar risonhos debochados. Minha tia se virou, e quando me viu, tomou meu braço e me puxou até ela.
–Vamos, vamos, vamos! apronte o café da manhã, e rápido. Hoje é um dia especial!-cantarolou ela.-E não deixe nada queimar, viu? Senão irá passa uma semana sem jantar. Acenei. Peguei as panelas e fui preparando o café, o mais rápido possível. Eu já estava acostumada, eles sempre me botavam para preparar as comidas, só quando tinha visitas é que minha tia fazia, com medo que eu "acidentalmente" faça uma façanha e transforme a comida em veneno. A torrada e o suco já estavam prontos, os ovos estavam quase prontos e só faltava o bacon.
Eu estava galopando num unicórnio na floresta, fugindo de alguma coisa que eu não conseguia ver. Nós pulavamos troncos, moitas e galhos. Só que o animal tropeçou com a velocidade e ficou preso numa moita. Eu tentava desesperadamente soltar-nos, puxando a perna dele, mas era tarde demais. Uma sombra escura nos olhou de cima.
–Lily! Saia já daí e se levante, sua preguiçosa e vai fazer algo que preste! Só vive dormindo! Venha até aqui!-gritou uma voz esganiçada e aguda lá da cozinha. Gemi e suspirei.
Meu nome é Lily Angel.
Meus cabelos são castanhos escuros e eu tenho brilhantes olhos verdes. Sou meio magra, mas sou forte, pois vivo fazendo exercícios, como correr. Adoro correr. Tenho miopia de tanto ler no escuro, mas só uso meus óculos quando vou a escola. Ou seja, nunca os uso.
Tenho dez anos e moro com meus tios numa casa modesta no número 5 na rua dos Alfeineiros.
Sim, aquela doce mulher me chamando gentilmente era minha tia Gertrude. Sabe, uma coisa que eu tenho certeza era que acordar ouvindo esse chamado não era o melhor coisa pra se ouvir quando se acorda. Mas mesmo assim eu estava agradecida por ela ter me tirado daquele sonho horrível. Joguei as cobertas de lado e me levantei. Eu dormia no sótão da casa, era pequeno e baixo, mas como eu não sou alta, até que é bom. Lá é o lugar perfeito para eu ficar, onde não tinha gente reclamando de minha existência. Tinha uma janela pequena e redonda na parede, deixando entrar um pouco de luz. No meu quarto acumulava poeira facilmente, então eu tinha que limpar uma vez por semana, apesar de minha tia dizer que é pouco. Fui até meu armário e peguei umas de minhas únicas roupas, que eram grandes em mim. Essa roupas foram de minhas primas, Lolly e Catherine, duas meninas cheias de sardas, mimadas e fúteis, gorduchas e fortes, com cabelos loiros como palha e olhos castanhos, e deram as roupas para mim quando ficavam apertadas nelas. Elas são dois anos mais velhas que eu, e são gêmeas. Adoram me humilhar, irritar e bater em mim. Meus tios dizem que eu já trago problemas demais para eles, porque então comprar roupas nova? Já deve ter idéia do que aconteceu. Se isso era ruim? Imagine passar dez anos assim. Coloquei uma camisa verde grande em mim e vesti calças. Escovei os dentes e lavei o rosto. Não penteei o cabelo pois eu sabia que ele continuaria assanhado mesmo. Desci as escadas pra ver o que minha tia queria. Cheguei na cozinha e vi meu tio, careca e barrigudo, com olhos escuros e pequenos de rato, com barba e usando óculos, lendo o jornal como de costume. Vi minhas duas primas surrupiando comida do prato de meu tio, e vi minha tia, com a cara redonda, cabelos loiros como palha, magra como uma vassoura e usando um avental dizendo "Beije o cozinheiro" mexendo panelas com os braços finos. Cheguei até a mesa e quando ia me sentado, ouvi meu tio Willian dizer:
–O que pensa que está fazendo? Vá logo cuidar das panelas!-falou ele sem tirar os olhos do jornal. Com a voz grossa e rouca, deixando óbvia sua repugnância por mim. Minhas primas pararam de surrupiar para dar risonhos debochados. Minha tia se virou, e quando me viu, tomou meu braço e me puxou até ela.
–Vamos, vamos, vamos! apronte o café da manhã, e rápido. Hoje é um dia especial!-cantarolou ela.-E não deixe nada queimar, viu? Senão irá passa uma semana sem jantar. Acenei. Peguei as panelas e fui preparando o café, o mais rápido possível. Eu já estava acostumada, eles sempre me botavam para preparar as comidas, só quando tinha visitas é que minha tia fazia, com medo que eu "acidentalmente" faça uma façanha e transforme a comida em veneno. A torrada e o suco já estavam prontos, os ovos estavam quase prontos e só faltava o bacon.
–Ande logo! Está demorando muito e eu estou morrendo de fome! -me apressou meu tio, fechando o jornal e me olhando com cara feia. Já ouviu o ditado "Cara feia pra mim é fome"? Pois é, acho que poderia se aplicar agora. Me apressei, assustada e acabei me queimando. Vi aterrorizada um pedaço da pele de meu braço se enrugar e borbulhar, e ficar com um cor roxa. Gemi, cerrando os dentes. Acho que minha pele queimar não se aplica ao aviso de minha tia sobre queimaduras.
–O que foi? É só uma queimadura! Vá logo cuidar da comida ou ela vai acabar queimando.-falou minha tia impaciente. Acenei e ignorei a dor latejaste de meu braço e, depois de um tempo de trabalho doloroso, terminei. Distribuí o café nos pratos de cada um, deixando a pior parte para mim. Esperei em pé pela fala de minha tia.
–Hum, está bom. Sim, pode se sentar.-falou ela depois de engolir um pouco de cada. Suspirei e sentei. Me apressei a engolir minha comida fria e ouvir a conversa de meus tios, calada.
–Sabe que dia é hoje, Lily?-perguntou meu tio docemente. Opps, tem algo errado. Me dei mal.
–Não.-disse.
–Pois bem. Hoje é o tão esperado aniversário de suas primas, Lolly e Caterine.-falou ele. Há não! Eu vou ter que ficar com a sr. Tempsown! A sr. Tempsown é uma velha que mora um número ao lado de nossa casa. Toda vez que meus tios saem, eu fico com ela. Eu acho que você pensariam que eu deveria ficar alegre em ficar longe de meus tios, mas não é assim. Ela me oferece biscoitos velhos e leite com cheiro estranho, e deixa eu assistindo um programa antigo, preto e branco, de um homem cowboy no seu alazão em procura de uma donzela indefesa perdida. Só que eu assisti umas quarenta vezes, eu contei. E quando ela não bota esse filme para eu assistir, fica me contando histórias infantis ou me mostrando fotos de sua família e explicando quem é, apesar de eu ter decorado os nomes. Lá tem cheiro de poeira, naftalina e coisas em decomposição. Não é o paraíso, pode ter certesa.
–Então eu vou ter que ficar com a sr. Medsonw?-perguntei com os ombros curvados.
–Não, ela está doente.-falou ele amargo. Meus olhos brilharam. Será que eu vou poder ficar em casa? Aí sim vai ser bom. Eu posso assistir televisão no quarto de minhas primas e comer o que quiser na geladeira.
–Não, você não vai ficar em casa.-falou ele lendo meus pensamentos e acabando com minha alegria.-Achava mesmo que eu ia deixar? Eu não quero ver minha casa em chamas quando eu voltar.
–Então onde eu vou ficar?-perguntei confusa.
–Você vai com a gente.-falou ele. Eu tentei, mas não consegui esconder um sorriso. Eu nunca ia pra festas, nem tinha amigos, meus tios não me deixavam sair, pois não queriam que os vizinhos ficassem falando, e faziam o máximo pra esconder minha existência. E eu ia pra uma festa hoje!
–Mas não vá se animando! Você só ficará por lá, não tocará em nada, nem falará nada, nem irá fazer nada que eu não aprove. Entendeu?
–Sim.-falei. Já tinha terminado o café.
–Ei, minhas lindinhas, Lollinha e Cath, os presentes!!
–Eba!!-gritaram elas se levantando das cadeiras num pulo correndo para a sala, onde estavam os presentes. Me levantei sem ânimo e me dirigi a sala. De frente ao sofá, tinha uma montanha de presentes, uns quarenta, se não me engano. E eu nunca ganhei um só presente, a não ser camisas velhas e um caderno e um lápis pra desenho. Esses eram novos, pois eu fiz um acordo com meu tio, que se eu achasse as chaves do carro, me daria isso, já que eu adorava desenhar. Bem, como podem imaginar, eu achei. Foi um bom acordo, apesar deles não serem de uma boa qualidade. Mas eu não reclamei, pelo contrário, subi aos pulinhos até meu quarto e os escondi numa fresta na parede. Elas pararam em frente ao monte e começaram a derrubar os presentes. Pararam um tempo para contar quantos tinha, mas pelo visto não conseguiram. Elas não são inteligentes, mesmo que minha tia fique repetindo que são.
–Quantos tem aqui, mamãe?-perguntou Lolly.
–Hã, quarenta, meu docinho.-respondeu ela animada.-Vinte para cada uma.
–Vinte?????-disse Lolly incrédula.
–Vinte!!!!!!-gritou Caterine inconformada.
–Só???-perguntou Lolly,
–Da última vez, nós ganhamos vinte e seis!-gritou Caterine.
–Sim, meus docinhos, mas é que eram muitos presentes, e não conseguimos pagar tudo. Quarenta presentes não é pouco. E aliás, uns são maiores que os de antes.
–Que se dane isso! Eu quero os meus presentes!!!-gritaram as duas em uníssono. Eu apenas observava.
–Tudo bem, meu docinho, eu posso compra mais presentes, que tal sete pra cada uma? É um a mais do que antes. Eu e seu pai podemos comprar.-disse ela gentilmente. As duas pareciam satisfeitas.
–Lily, vá trocar de roupa. E coloque uma roupa decente! Não quero que passemos vergonha por sua causa.-falou ela amargamente.
–Sim.-respondi. Nenhuma coisa que meus tios dissessem poderia estragar meu dia. Eu ia pra uma festa! Corri degraus acima e abri a porta de meu quarto com um chute. Entrei correndo e vasculhei meu guarda-roupa. Achei uma camisa que cabia mais ou menos em mim, ela era azul e ficava bonita em mim. Coloquei calças jeans relativamente do meu tamanho e coloquei sapatilhas verde desbotado. Passei uma escova no meu cabelo, apesar de eu saber que não faria grande progresso. Por mais que eu tentasse pentea-lo, meu cabelo sempre ficava um pouco assanhado. Umas vez minha tia até cortou meu cabelo curto e desigual com raiva disso, mas eu simplesmente o fiz crescer denovo. Tipo, num minuto ela cortou meu cabelo até a cabeça, e num outro minuto, ele cresceu até a cintura. Mas eu não sabia como eu fiz isso. Eu apenas fiquei com raiva e "Pfft", meu cabelo crescera. Por causa disso, eu fiquei duas semanas trancada num armário abafado, cheio de baratas e teias de aranha. Toda vez que eu faço algo do tipo, mesmo de eu insista que eu não sabia com eu fiz, eles me botavam de castigo. Desci correndo as escadas, a tempo de ver meus tios saindo de casa. Corri até lá fora. Minha tia abriu as portas traseiras para minhas primas entrarem e depois entrou no banco do passageiro e fechou a porta. Eu ia entrando no carro quando meu tipo me puxou pro lado, apontando a chave para meu rosto:
–Olhe, se você fizer alguma brincadeira, pregar alguma peça, fazer aqueles seus truquezinhos, ou fazer algo relativamente engraçado, você vai se arrepender. Se você estragar a festa de minhas filhas, você vai se arrepender muito. Eu estou avisando, sua moleca. Estendeu?
Engoli em seco e acenei, mostrando que entendi.
–Entendeu??!-falou ele mais alto.
–Entendi.-falei. Toda vez que eu saia pra alguma festa, alguma coisa estranha acontecia. Uma vez, quando eu tinha sete anos, eu fui a uma festa de uma amigueira de Lolly. Eu estava sozinha tomando ponche, quando uma menina, acho que seu nome era Lendie, se não em engano, pegou um copo de ponche e derramou em minha cabeça.
–Oops.-disse ela e ficou rindo com Lolly, Caterine e outras. Ela era a aniversariante. Digamos que, misteriosamente, o bolo explodiu, melando todos de massa cor de rosa. Eu fiquei três semanas de castigo. Janelas quebras, carros batem, coisas explodem. Mas agora, eu estava decidida a me comportar bem, para mostrar a meus tios que eu posso me controlar, se o as coisas estranhas estão ligadas a mim.
–Ótimo. Estou de olho, moleca.-falou ele fazendo o sinal de que estava de olhos e sentando no banco do motorista. Sentei no banco de trás. Meu tio ligou o carro azul, enquanto minhas primas brigavam perguntando qual teria o presente mais legal, enquanto minha tia lia uma revista. Porque eu tinha que ficar com essa família horrível? Porque eu tinha que sofrer tudo isso? Por que eu simplesmente não morava com meus pais? Pois bem, eu não tenho pais. Meus pais morreram num acidente de carro. Me deixaram sozinha, sem lugar pra ir, com menos de um ano de idade. Então meus tios foram forçados a me aceitar a contragosto. Minhas primas pararam de brigar e decidiram jogar em seus próprios celulares.
–Ei Lily, não faça nenhuma besteira ou você vai se arrepender.-ameaçou Caterine.
–É! Você vai se arrepender e vai chorar aos nosso pés por perdão.concordou Lolly. Apenas olhei para elas, e depois voltei minha atenção para a janela novamente. Eu tentava gravar o máximo possível da paisagem em minha mente. Eu quase nunca saia de casa, e eu me deleitava com aquela paisagem. Era lindo!
–Onde vai ser o nosso aniversário, papai?-perguntou Lolly.
–Vai ser no zoológico. Suas amiguinhas já disseram que vão.-falou meu tio. Zoológico?!
–Eba!-disseram as minhas primas em uníssono.-A Catt, a Lucy, e a Landie vai?
–Sim, elas vão.-respondeu minha tia.
Nós vamos pro zoológico!! Eu adoro o zoológico!! Eu fiquei olhando os carros passarem e as árvores ficando para trás. O carro passou por um portão e entramos no zoológico.
–Vamos, elas já devem estar vindo.
Entramos pela porta e realmente entramos no zoológico. Havia todo tipo de animais lá, cavalos, tigres, leões, zebras, elefantes... Minhas primas correram para abraçar suas amiguinhas, e adivinha? Elas também adoram me importunar. Que alegria! Minhas primas e seu grupinho corriam de habitart a habitart, tentando tocar os animais, apesar de ter placas avisando para não fazer isso. E claro, meus tios não viam nada. Ou pelo menos fingiam. Eu estav passando por uma parede quando eu vi um pôster de um unicórnio e estanquei. Fiquei olhando a foto, meio hipnotizada.
–O que está olhando, menina?-perguntou meu tio.
–É que eu tive um sonho, eu estava cavalgando um unicórnio numa floresta, e quando eu vi essa foto, lembrei.-respondi, sem deixar de olhar a foto. Meu tio ficou vermelho, parecia que ia explodir.
–Unicórnios. Não. Existem.
–Eu sei, foi apenas um sonho.
–Eu sei, foi apenas um sonho.-imitou meu tio.-Que se dane! Unicórnios não existem, e ponto!!! Se voltar a falar de coisas sem sentido como esta, ficará de castigo por um mês!!-gritou meu tio. É, não é a primeira vez que isso acontece. Meu tio odeia coisas que são impossíveis, como unicórnios, sonhos e magia. Deve ser por isso que me odeia.
Minhas primas pararam em frente ao habitart dos cavalos. Um campo circular, com fardos de feno e um cocho d'água num canto. Estava cheio de côcô espalhado ao chão misturado com areia, e os animais estavam parados no meio, tomando sol, com ar sonolento.
–Ei! Ei, cavalinho! Vem aqui!-chamou Lolly o mais docemente possível.-Pai! O cavalo burro não quer vir até mim!
–Pelo contrário. Ele é inteligente.-murmurei baixinho para mim mesma. Dei um risinho a bafado.
–Ele deve estar com sono, meu docinho.-respondeu a mãe delas.
–Mas eu quero ver ele se mexer!-esperneou Caterine. Meu tio hesitou.
–Vou ver o que posso fazer.-disse meu tio. Ele começou a gritar com o cavalo, chamá-lo de nomes feios, mas quando o mesmo nem se moveu, pegou um pedaço de pau e jogo no cavalo. Mas quando o pau tocou o cavalo, ele só fez se estremecer, como se fosse apenas uma mosca o importunando. Eles devem estar entediados...
–Argh! Tá vendo, filhinha? Eu não consegui. Vamos ver as zebras!
–Vamos!-gritaram e foram correndo atrás das zebras.
–Coitadas das zebras.-murmurei baixinho, denovo. Ri. Me aproximei do habitart dos cavalos. Apoiei meus braço no muro e apiei minha cabeça no meus braços. Suspirei. Os cavalos são tão lindos...Um cavalo virou a cabeça para me olhar melhor, e depois piscou para mim. Ele não desviou o olhar.
–Que belos animais vocês são! Uma raça criada para a velocidade! Cavalos, forçados a viver parados, no sol, sem espaço suficiente, com pessoas como minhas primas importunando-os todo os dias...-falei para o cavalo. Ele piscou novamente.
–Deve ser bem ruim ficar aqui, não é? Sem poder fazer nada, cheio de energia para gastar...-ele balançou a cabeça, como se estivesse dizendo sim.
–H-hã...Você acabou de diser sim?
O cavalo acenou novamente.
–Você consegue me entender??
Ele balançou a cabeça novamente.
–Certo... Qual é seu nome?
Trovão. Trovão Noturno.-falou uma vozinha em minha cabeça.
Me assustei um pouco, eu estava falando com um cavalo! Mas como coisas estranhas sempre acomtecem comigo, então eu já estava meio que acostumada. O cavalo se moveu e veio andando em minha direção, sendo seguido pelos outros de seu grupo. Eles pararam em minha frente.
–Olá.-falei.
Olá.-responderam.
–Vocês são de onde? Têm saudade de sua família?
O cavalo apontou a caneça para o folheto onde falava sobre eles.
Cavalos
(Equinos)
(Foto de um cavalo)
Salvos de um incêndio florestal, ainda filhotes. Nenhum de sua família sobreviveu.
Retirados do campo.
–Há, então vocês perderam seus pais?
Eles acenaram, afirmando.
–Eu sei como é, eu perdi meus pais num acidente de carro, ainda pequena.-falei tristemente. Estendi a mão e toquei o focinho de Trovão com ela. Ele fechou os olhos e suspirou. Se um cavalo pode suspirar. Foi quando eu levei um impacto. Mãos empurraram meu ombro para o lado, me jogando no chão. Me virei e vi que Lolly e Caterine estavam olhando fascinadas para os cavalos.
–Pai! Pai! Mãe! Mãe! Venham ver! A Angel fez os cavalos moverem!-gritaram em uníssono. Elas pulavam e tentavam tocar os cavalos, mas eles se afastavam. Senti meu corpo ferver de raiva. Olhei de cara feia para elas. Derepente, o portão do habitart dos cavalos desapareceu, abrindo passagem para eles. Os cavalos empinaram, e eu ouvi Trovão gritar:
–Para o campo!
Os cavalos galoparam para fora do portão, correndo em disparada, saltando por cima de minhas primas e correndo zoológico afora. Quando os cavalos saltavam sobre elas, minhas primas se encolhiam e gritavam. Não consegui segurar e dei um riso.
Agradeço.-falou Trovão, parando em minha frente e depois indo embora trotando. Olhei para minhas primas, sentadas no chão, agarradas uma a outra. Elas estavam um pouco arranhadas, mas tirando isso, nenhum machucado. Meus tios vieram correndo. Minha tia se ganhou e começou a acariciar minhas primas.
–O que foi que aconteceu, minhas lindinhas.
–Foi a A-angel. A Angel falou com os cavalos, eu vi, e mandou eles pularem o muro e pularem em cima da gente.-falou Caterina.
–Não mandei coisa nenhuma!-falei, com as sobrancelhas franzidas. Quando falei elas se encolheram. Meu tio olhou estupefato para mim. Eles estava pior que antes, definitivamente ia explodir. Me ferrei.
–Olha, eu estou toda machucada. Eles pisaram em cima de mim e quebraram minhas costelas.-continuou Lolly.
–Mentira! Se você tivesse quebrado as costelas estaria gritando chorando, sem conseguir falar.
Meu tio olhou para mim, com a cara assustadora. Me ferrei.
***
Meu tio me empurrou para o banco detrás do carro, enquanto minhas primas se despediam de suas amigas, e se vangloriando em como foram corajosas, lutando contra os cavalo. Meu tio empurrou a porta com força, por pouco não prendendo meu pé.
–Um mês sem sair do quarto. Um mês sem jantar. Um mês fazendo o café e jantar, sem poder comer. Vai fazer as tarefas de casa de suas doces primas por um mês.-falou ele se sentando no banco do motorista. Suspirei com os ombros curvados.
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