O Internato
2 2° Dia parte 1
Notas iniciais
Assim que levantei, tive certeza, algo ou alguém estava na minha janela. Eu estava tão cansado quando retornei para casa ao fim do dia, que nem me dei ao trabalho de fechar as cortinas.
Mas eu sei o que eu vi quando eu levantei, eu vi um vulto, e isso é o suficiente para que eu tenha certeza de que tem algo extremamente estranho acontecendo, e eu farei questão de descobrir o que é!
Apesar de que... poderia muito bem ser um pássaro, mas eu não tenho certeza. E também eu poderia estar delirando, porque acabei de acordar e ainda estava com sono quando olhei pra janela ou... Ah, não importa!
Levantei e vesti uma camisa vinho, um calça jeans preta, e um converse preto, e fui pra escola. Não é como se minha roupa importasse, mas é porque as pessoas daqui são todas muito sem graça, e irrelevantes e com certeza é muito melhor falar de mim do que perder tempo descrevendo os outros.
Eu ainda estava atordoado enquanto caminhava até aquele maldito lugar, mas talvez tenha sido apenas minha imaginação fértil que me fez ver aquele vulto, então tudo o que eu podia fazer era esquecer...
Quando entrei no colégio, notei que alguns cochichos estavam rolando dos alunos, alguns me encaravam, eu não era bem vindo nesta escola, ao menos não me sentia assim. Era como se quando eu passasse causasse repulsa aos outros alunos... Talvez seja minha aparência, ou porque eu acabei de chegar e não tentei me entrosar com ninguém... Ou vai ver simplesmente não foram com a minha cara, mas eu não ligo, não vim pra cá para agradar ninguém!
Logo que entrei em minha sala de aula, o professor me olhou atravessado, por eu estar quase 10 minutos atrasado, eu pedi desculpas e falei toda aquela ladainha de que não iria se repetir e outras coisas do tipo...
Obviamente, apesar disso o professor continuou a me encarar com cara de poucos amigos, mas me mandou sentar. O meu lugar estava vago, mas o professor tinha outros planos para mim. Ele me colocou exatamente na frente de um ruivo meio bombado que realmente não pareceu nem um pouco animado ao perceber que agora alguém sentaria a sua frente.
Na carteira em frente a minha, não havia ninguém sentado, então desconfiei que se houvesse algum aluno que sentasse lá, ou estava muito atrasado ou não viria. Logo o professor me olhou e disse:
– Se apresente! – Me encarou sério.
– É que eu não acho que tenha muita coisa interessante sobre mim que alguém vá querer... – Fui interrompido pela voz do professor se sobressaindo à minha.
– Eu mandei se apresentar! – Ordenou com convicção e... Raiva?
– Sou Héctor Field, Tenho 17 Anos, vim de... – Novamente fui interrompido, mas dessa vez foi pela porta rangendo em sinal de que alguém aluno estava entrando na sala. O foco de todos foi para a porta, e na verdade, eu tinha que agradecer, para quem quer que fosse, porque se apresentar é a coisa mais inútil que pode acontecer com um novato numa escola!
–Ops, desculpe professor eu não sabia que tinha um calouro, eu tive alguns problemas pra vir, sabe como é, né? Perdi a hora, e depois não encontrava a bolsa, foi um desastre. Mas ainda bem que eu encontrei tudo e me apressei pra ver sua aula! Eu não podia perder, você sabe que eu te adoro não é?– Desculpava-se uma garota baixinha, devia ter 1,50 de altura no máximo, ela tinha a pele alva, usava um corte com franjinha e seus cabelos pareciam bem lisos, na altura do tórax, em um tom de castanho chocolate, seus olhos, também neste tom apresentavam curiosidade enquanto ela me encarava.
O professor que havia tentado lhe repreender em vão, acabou desistindo ao notar que a concentração da garota não estava focada nele, e mandou-a se sentar, ao que ela obedeceu prontamente.
– Ahn, bem... Eu venho de Doncaster, e acho que só... –Terminei minha apresentação.
Vi a garota que havia acabado de chegar se sentar na carteira em frente a minha, e virar pra trás cutucando o ruivo que devia estar dormindo e perguntando algo.
Assim que ele respondeu ela se virou pra frente, e levantou o braço, o que deixou claro que ela iria perguntar algo.
– Diga, Mia o que quer saber? – O professor disse, parecendo entediado.
– Héctor né? Bem, por que você resolveu vir pra essa cidade? – Disse uma expressão travessa, eu diria,e interesse no que eu responderia.
– Desde que minha mãe faleceu, eu vivia com o meu avô materno, por que por um motivo pessoal eu não tenho contato com meu pai. Infelizmente, meu avô também veio a perecer, o que obriga meu pai a tomar minha guarda, mas ele deu para a justiça permissão para que eu me torne legalmente responsável pelos meus próprios atos e eu me tornei emancipado. E aí vim morar nessa cidade, por que fiquei sabendo que meu queria me encontrar, e tinha intensão de restabelecer contato e se tornar o pai que ele deveria ter sido e não foi. Como eu sei que ele não gosta daqui, eu decidi fugir dele por completo e me mudei pra cá. – Eu acabei contando minha vida toda pra menina, que só queria saber porque raios vim pra cá...
– Sério? legal! – ela disse, muito provavelmente por não saber o que acrescentar!
Depois disso, a aula seguiu normalmente, até o horário do intervalo.
Da mesma forma que no dia anterior, peguei minhas coisas e me direcionei pra um lugar mais reservado naquele pátio, perto de algumas árvores, só que dessa vez alguém me seguiu...
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